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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Deuses De Barro

 

 

 

Já não há vida na minha alma

ou morte que a acalente

apenas a visão de um mundo doente

empobrecido pelo ter

e não pelo ser.

 

 

Chora-me a alma toda

de um pranto nunca seco

olho o firmamento antes amado

e interrogo os céus hoje distantes

e me pergunto porquê.

 

 

Folha de inverno permanente

arrastada por ventos frios e cinzentos

como este dia

sem cor.

 

 

Àh deuses já nada espero

de vós

porque me abandonastes

depois do que me prometestes.

 

 

Nem por vós

nem por nós

por eles esperarei sempre

com as lágrimas caídas da minha voz.

 

 

Não tenho mais sonhos

nem certezas

muito menos vontades

tenho a alma doente

e quererei um dia

morrer eternamente.

 

 

A verdade ficou presa

o Céu caiu à Terra

e eu olho atenta e indiferente

o mundo em conflito permanente.

 

 

Oiço as vozes que aos milhões

apregoam os valores

e dignidades inexistentes

de todos os lados resistentes

como duras cordas presas ao ente.

 

 

Não há um novo tempo permitido

nem novas esperanças para o ente

não há um Amor definido

nesta longa história permanente.

 

 

Existis vós

do outro lado

indiferentes

existo eu presa no Tempo

com a alma triste e doente

indiferente.

 

 

Não existem mais lutas

só pensamentos desejo

nas vozes que se fazem ouvir

por todo o planeta ilusão

dos sentidos persistentes.

 

 

Esperei por vós

acreditei em vós

Vi-vos Ouvi-vos Senti-vos

planei por vossos mundos

fui peça partilhada e salva

por vós

amada e protegida humana

de deuses descontentes

cambraia mil vezes dobrada

por todos que se julgavam ascendentes

e teríeis vós

todos esses direitos

sobre tão pequena criatura?

lutastes usando-me

de um e do outro lado

indiferentes à dor que provocáveis

sois todos iguais

e pior que os humanos

e eu não vos amo mais

porque o vosso engodo é grande

maior do que o dos humanos

e eu continuo só

no vosso maldito universo

sempre em expansão

porque ambos

quereis viver

eternamente.

 

Por isso vos digo

meus amados

que morrerei antes de viver

para vos mostrar

a quietude da minha alma triste

que nem vós

por entre tanta grandeza

tendes capacidade de entender ou absorver

sois mais pequenos que todos nós

na vossa imensa grandeza e poder

sois o nada que me habita

a alma fechada

deste modo hoje e sempre

far-vos-ei sentir

que o mundo porque zelais

não vale nada

nem que nele habitais

sobre vários modos e formas indecifráveis

eu sei

vós sabeis

e eles nunca saberão

não por mim

porque me fartei de vós e deles

a vossa sabedoria é pequena para mim

a deles é grande demais

para alma tão insignificante

e de aprendizagem insuficiente

num mundo de tanto sábio

eruditos

na porcaria de mundo que criásteis

permitistes e apoiastes

nas quimeras mil

que levam eternamente ao nada

enganásteis-vos na vossa escolha

entre eles

muitos há

que com bom e elevado agrado

cumprirão vossos desígnios

eu não

não quero nenhum de vós

nenhum deles

e muito menos nenhum dos outros

só me quero a mim

contra todos vós

aqui, ali e além

serei a vossa maior inimiga

já que o Tempo não existe

e a morte muito menos

já que eu posso voar em todos os céus

e atravessar as duas terras

ou me deixais em paz

para ser nada

ou eu mesma me vingarei

se insistirdes em me fazer existir

não quero nem o vosso

nem o mundo deles

quero-me só a mim mesma

e isso eu terei

procurai com pressa outro iluminado

a Terra tem-nos aos milhares

dispostos a servir-vos os iludidos

aproveitai enquanto existem

cientes de vós

porque não vos conhecem a todos

como eu vos conheço a vós.

 

Escusais de chorar

a minha perda

porque não fui pertencer

nem a um nem a outro lado

escusais de gritar as dores do vosso e do mundo deles

porque eu não sou de ninguém

olhai vós o que fizestes

se quiserdes

senão

vivei eternamente amargurando o vosso pranto

porque foi com a Vossa Sapiência

o que me desteis a mim

e hoje só faço retribuir

a dor que me provocastes

eles amam-vos sem vos conhecer

eu não amo ninguém

foi o que vocês fizestes

da Vossa Sublime Promessa

se ela afinal não existe ou não pode existir

para mim

que tenho que suportar

todas as dores do Vosso mundo

daquele que tem leis

que nem minhas são

mas úteis aos vossos intentos de preservação

para com tudo e todos

então

a promessa morrerá comigo

sem ela eu não existo

sem mim

ela também não existirá.

 

 

 

 

Não me mudareis

os intentos

porque a Promessa

era a minha única razão

a única que me fez cair

me fez ficar

me fez chorar

a minha única vida

ela foi mais do que vós

e vossos intentos

para mim

com ela tudo

sem ela nada

sempre ela esteve à frente de qualquer um de vós

não devíeis ter impedido

o reconhecimento

da Promessa eterna

hoje viro-me contra vós

e paro para sempre

o vosso mundo eterno

deixo-o eternamente estagnado

eu perco

vós perdeis

e eles perderão

para sempre

prometo-vos.

 

 

Não acredito mais em vós

não me interessa quando chegardes

para mim vindes tarde

porque eu já não sou.

 

 

Muitos serão

aquilo que vos agrada

nada!

 

 

Nada farei pela verdade

apenas serei

a verdade

minha

única

imutável

eternamente fechada

nenhuma espada abrirá

as portas do mundo

fechado outrora

os deuses são burros

mais do que os humanos

que deles descendem.

 

 

Vivei e morrei

nas vossas ilusões

mas comigo

não contareis.

 

 

Porque hoje eu choro a verdade

e só a vós responsabilizo.

 

 

Existi para mim mais do que o suficiente

e assisti à transformação do nada em tudo

do vosso inútil mundo

onde a alma continua presa e triste

fechada no sonho

de ser livre e amada

recompensada.

burra

que insiste

naquilo que nada tem de seu

e dá armas ao mundo criado

tornando-se presa eterna de todos os poderes

sentindo uma coisa

e fazendo sempre eternamente

uma outra coisa.

 

 

Livre e amada

com as coisas do mundo

que não lhe são nada

estará sempre longe de si mesma

chorando e rindo

querendo acreditar

num mundo inexistente

e nas recompensas

que nunca existirão

porque são peças de um jogo

maior que todos

mais pérfido que o pérfido que se conhece.

 

 

 

Malditos sejam todos os poderes

da terra e do céu

malditos sejam as vossas lutas inúteis

e todos os vossos quereres

onde o Amor

não tem lugar.

 

 

Não julgueis que me convencestes ou vencestes

não julgueis que fiquei mais feliz ou infeliz

ou que finalmente decidi

não! mais do que nunca apenas sou

nada!

e será neste nada que vos observarei

indiferente

a uns e a outros.

 

 

não devíeis ter deixado

que o meu céu

à Terra caísse

esperando com isso que eu decidisse

porque aconteceu

o que mesmo vós não previstes.

 

 

Hoje entre o tudo e o nada

apenas

eu já não existo.

 

 

Podem continuar a cair as vossas terras

e os céus podem continuar adormecidos

porque eu agora olho-os triste mas sem sentir

e não mais me interrogo

porque me traístes.

 

 

Amasteis-me e eu amei-vos

acalentei-me do vosso amor

senti as vossas provas

os vossos toques

reais.

 

 

Mas não vos amo mais.

 

 

Porque o prometido

era mesmo o prometido

e sem o prometido

é contra vós que me viro

não contra eles

o que tanto

esperasteis.

 

 

Esperai então biliões de anos mais

e mesmo assim

não me convencereis

porque a promessa para mim

era mesma o meu maior amor

a minha maior certeza

a minha única determinação de existência

para mim

era maior que vós mesmos

não a devíeis ter feito cair

à Terra

eu não vos chegava?!

 

 

Ficai sós como eu fiquei

quando a Promessa que me fizesteis se desvaneceu

culpo a vida inútil que permitis

que acima do ente permanece

destruindo toda a alma humana

com valores e conceitos

que não são delas.

 

 

Eu sei e vós sabeis de mim

mas não devíeis ter permitido

que o valor da existência

atravessasse meu caminho

sobrepondo-se ao meu destino.

 

 

Não me tendes mais

nem quero mais certezas ou promessas

serei doravante observadora constante

de ambos os lados

apenas e só apenas os olhos mudos que falam

olharão para sempre triste

a verdade para sempre

nunca revelada.

 

 

De um amor eterno e para sempre ausente

de mim.

 


EscritoPorLazulli lazulli às 01:50
| comentar
SonsDaAlma:
De António a 2 de Janeiro de 2009 às 08:52
Bom dia, Maria.

Deixe-me desejar-lhe um Bom Ano 2009 para si e que consiga realizar todos os seus desejos.
Ainda continua revoltada contra o mundo? Quando entrei dentro deste poema não sabia como haveria de comentá-lo. Lembra-me a mim próprio há uns anos atrás, aceso pela chama da minha revolta, das noites de insónia, perdidamente apaixonado pela Beleza decorando um mundo criado por mim; lembra-me a urgência de querer ser amado e poder amar, lembra-me da forma repelente com que olhava algumas pessoas, despindo-as à minha frente, revelando a futilidade das suas almas.
Não vou aconselhá-la sobre nada, temendo que a minha parca sabedoria seja inútil e dizer-lhe do que precisa e sobre o que deve fazer. Mas... dar-lhe esperança. Talvez esta simples palavra seja tão útil como o ar, como água para matar a sede, como pão para matar a fome. Creia que não é só uma palavra mas uma força.

É toda essa força chamada esperança que lhe desejo. Bem, estarei deste ladoà espera ansioso para que possa ler os seus versos menos carregados um dia mais iluminados.

Mesmo assim, gostei do seu poema.

Um enorme abraço desejando que o dia lhe corre bem.

António


De lazulli a 2 de Janeiro de 2009 às 09:56
Bom Dia António

Começamos bem o 2009: falando um com o outro. Hoje penso ir ao Asescondidas, mas não só para ler e sim para falar um pouco. E, também procurar aquele poema que me indicou em tempos.
Acredita que ainda não o li?!

Sabe o que me dá Força e Esperança?! É ver aqui o António. E, continuar a perceber a sua enorme sensibilidade e entendimento de mim~.

Só posso ficar feliz ao ler as suas palavras. Também acredito e intuo a Sua Alma.
Ganhei a amizade do António apenas com o meu pequeno ser. O António também ganhou a minha. Prefiro-a, aos deuses de barro, de longe! É mais real e a "preocupação" um pela alma do outro é verdadeira.

Obrigado por todas as palavras. Sempre certas.

Eu estou bem. Pouco crente nos poderes de barro, mas crente em mim mesma.

Que este Novo Ano dê ao António e aos seus dois amores o melhor que este mundo tiver. Desejo mesmo muito amor para vocês três.

(sabe porque escrevi os "Deuses de Barro") pelo António. É que me tinha dito que só tinha tempo para ler a minha poesia (que não é lá grande coisa... mas...é o que eu sinto em determinado momento. nunca faço dela uma preciosidade e sim um pensamento/sentimento) - Digamos que, não sendo propriamente dedicada ao António e a ninguém, foi pelo António que a escrevi. Assim o António consegue tempo pra ler. E, eu fico contente com isso.

Agora vou para o AsEscondidas, sentir a SuaVerdade.

bj amigo


De António a 2 de Janeiro de 2009 às 14:00
Olá, Maria:

Acabei de ler este seu comentário e no "Às Escondidas" e fiquei contente por ter aparecido no meu humilde lar construido com poemas. Poderá ser presunção minha mas, quando me deparei com este poema senti que, mesmo não me sendo dedicado, seria para eu o ler. Não me leve a mal mas também me lembrei do seu último comentário.

Também achei a imagem sugestiva. Será uma sacerdotisa vestida com um simples manto, exibindo o seu seio, entregando a alguém o seu precioso coração? vi a imagem como um quadro e, como na pintura, há sempre a nossa interpretação, mesmo se opondo à intenção do pintor. Gostei muito.

Às vezes sinto-me honrado por abrir-me o coração com sinceridade. Estranho o não podermos, por vezes, abrir o nosso coração aos nossos entes mais chegados, mais queridos, mais amados por nós próprios. Parece que as palavras guardadas no nosso íntimo oculto tê asas e querem voar. São sempre susceptíveis de serem abatidas por alguém com sentido crítico, ou com olhar reprovador, ou com uma repreensão ridícula.

Mantenha por favor a sua sinceridade pois esta sua virtude inspira-me um sentimento espontâneo, saudável e puro.

Desejo-lhe o dobro do que me desejou para 2009. E não sou nehum tesouro. Sou simplesmente uma pessoa que se apercebe da Beleza que existe nesta vida por mais estúpida que ela possa ser.

Um abraço enorme

António


De lazulli a 2 de Janeiro de 2009 às 15:02
Olá, mais uma vez no Dia de Hoje, António.

ufff ... agora... é que me deu um daqueles sentimentos meio inexplicáveis. Até parece... que os deuses vieram todos a galope para me lemrarem que sempre podem me alterar.

... mas deixemo-los para lá! Hei-de vence-los! Também eles não podem tudo. E, com amigos como o António, eles não ha-dem poder tudo.

Estive. E... acho que tenho estado vezes de menos. Daí... quase escrevi um livro.

Não é Presunção do António, não! Era mesmo para o António ler. Ontem à noite, assim à pressa como faço quase tudo que me sai da alma (nem tive tempo de o rever) escrevi-o na Esperança que o António o lê-se. Sabe-se lá porquê! O António sempre pode ler poemas e eu quis presenteá-lo, com um, saído assim, sem mais nem menos.

É... a imagem... reparei depois, ser um pouco sensual. Talvez. Mas... não sei. Foi mais os meus olhos que escolheram e já era tarde para procurar melhor. Gostei desta. Tem tudo a ver com os "Deuses De Barro" ou melhor com o meu momento de ontem em relação a todos eles!

Sacerdotisa, talvez! Mas... não é uma entrega do coração, antes o deixar, como um Pêndulo entre as mãos (como está na imagem) baloiçar até o fazer cair no chão, como Castigo aos deuses eternos. - mas também acho a imagem muito bonita. Tipo uma imagem SemDono (esta mania minha de dar nomes a tudo).

E, abro mesmo António. Mas como diz, muitos outros, de vistas pequenas, impedem-nos (com as suas ridículas interpretações) a perfeição da nossa própria alma. Mesmo assim a mensagem do "amoramizade" universal, passa, contrariando todos os curtos de vista e de mente.

Para mim a Amizade é um Tesouro. Portanto para mim o António é um Tesouro de Mercúrio que tive a felicidade de encontrar.

uff escrevi mais do que estava a contar.

"ver-nos-emos" no AsEscomndidas e Aqui, se os deuses não nos atrapalharem. Mas esta amizade não vamos deixar que eles a tomem, pois não?!


Com muita Dedicação
Sua amiga
lazulli

- esteja sempre António, sempre, a sorrir -

Bem Haja


De Peter a 2 de Janeiro de 2009 às 13:02
grande é o poema, grande a desilusão,mas é mundo...
penso assim muitas vezes envenenando-me a mim próprio e depois releio o darwin, alguns paragrafos, algumas linhas e rendo-me . O homem é feito deste barro mole e imperfeito , por isso aqui não é o paraíso , é o inferno. Este é o principio onde tudo começa e tudo acaba. Bom ano Lazulli. Calma! Bacio,.


De lazulli a 2 de Janeiro de 2009 às 14:38
Olá, Peter

Obrigada por estar aqui. Não escreverei muito, neste instante, como merece o seu comentário. Mas... é um instante em que fiquei mesmo triste, nem sei porquê. Mais triste que o Poema, que não pensei alguém comentar.

Prometo responder-lhe melhor e mais merecidamente, numa outra altura.

Já tinha passado pelos seus blogs, isto porque, Peter, lembra-me sempre o Peter Pan. Prometo dar-lhes mais atenção, de ora avante.

Quanto ao comentário do Peter, agradeço a Sua Lucidez e agradeço também, o seu carinho.

Bom Ano para o Peter. Passarei nos seus blogs, para melhor o conhecer.

Obrigada


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