Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Ming's

 

 

 

 

 

 

 

Parabéns, mano!

 

amo-te muito. não porque és meu irmão, mas porque és uma raridade de inteligência e amor, no mundo onde estamos.

 

tua irmã, querida.

continuarei a CasaDeCristal. fica tranquilo.

Não te esqueças de não desistir de ser Feliz!

amo-te

 

 

(Janeiro 2015)


EscritoPorLazulli lazulli às 05:55
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Domingo, 3 de Abril de 2016

Mátria

 
 
Chora o duplo a Mátria-Mãe
lágrimas de fogo ardente
esvaem-se perdidas
no sangue derramado
infiltrado
 
das mesmas vidas
 
Olha em mágoa
incontida
a preferida
no topo do ermitério
 
perdida
 
Coberta de sangue inocente
está a Terra embebida
10 000 anos já se foram
e o usurpador 
continua a devastar
a essência humana
privilégio "maldito"
 
de poucos
 
No princípio
Pós chegada
Mataram e devastaram
Impérios reduzidos a pó e cinzas
Crenças inúteis para criaturas úteis
genuínas
Estátuas tombaram
Cabeças rolaram
Pedras empilharam-se pelos solos áridos 
Pouco sobrou do mundo antigo
Ancestralidade perdida
e novas vidas
 
Senhores e escravos
escravos e senhores
Regimes dogmáticos
imbuídos de políticas
Poder de fazer
leis absurdas
nos comandos do mundo
Vidas inocentes destruídas
As mesmas vidas
 
Um só deus desconhecido de todos
Ouro é seu melhor contributo
Promete um paraíso desconhecido
ao subjugado
ao seu poder único
incontestado
Divide-os por género
matando um deles
não para sempre
porque dele precisa
p'ra procriar
Mais escravos
O ouro deve continuar
Aterrados
pela perda da sua humanidade
heróis tombam de espada na mão
para evitar
vassalagem sem perdão
aos que aqui estão
 
Cabeças vergam-se à Terra
Agradecem as vidas miseráveis
Oferta de um deus desconhecido
vindo de longe
de muito longe
Por um sopro de ar
inútil
destroem a sua natureza
implantando natureza desconhecida
Erguem-se templos
precisos
 
2 000 se passaram
Muitas "leis" foram lançadas
A pobreza a miséria
É paga de ouro dado
A promessa era na morte
de um dia
Os senhores deuses
carrascos ao serviço do divino desconhecido
empanturram-se
de prazeres hediondos
desconhecidos dos humanos perdidos
submetidos
A conquista estava feita
A promessa a caminho
Realiza-se lenta
mas eficaz
Guerras e batalhas
grassam por toda a Terra
não toda
completamente conquistada
na "alma" ou no "corpo"
dos que ousam prevalecer
eles próprios
 
Era preciso mudar
Trazer algo de novo
ao povo
Os impérios não caíram
completamente
Ressurgiam imponentes
audazes eficazes
espalhavam-se pela Terra
numa mistura entre o antigo e o moderno
fazem perigar
o grande plano conquistador
de terra alheia
É preciso impedir o seu avanço
É preciso alterar o curso do mundo
que não verga
A humanidade tem a essência do cosmos
Algo que não é combatido
num só combate
São precisos muitos ardis
para sugar a essência não controlada
pelos predadores
Daí...
Outra ordem surge
Tão dúbia como a anterior
Afastando na aparência
os antigos "seguidores"
Mais eficaz
Mais poderosa
Com o amor
transformado em ódio
ao semelhante
A conquista já se alargou
ao canto superior da Terra
onde muitos se mantêm
gente
Mais impérios caiem por terra
Mais guerras e mais batalhas
Linhas territoriais
são conseguidas
Mais "leis" de amor feitas morte
Desta feita
Mais letras humanas surgem
do nada
Divinas
Mais do que o divino ausente
Nada de bom no bom
surge daqui
Inicia-se e rompe o mundo em esplendor
O amor
Segunda Vaga de luz
ao dispor
dos mesmos
Dor, sacrifício e sujeição
Tortura e morte
para os que aqui estão
 
Desta vez estendem-se mais longe
O oeste é seu limite
A terra fica negra de tanta morte
Aos heróis da Antiguidade
deram os guerreiros continuidade
Novas espadas travam novas batalhas
Novos mundos se criam
por persistência e teimosia
Duas forças se "criam"
Mas a mistura já foi feita
O antigo mistura-se com o moderno
4 000 anos já se foram
Na mente humana formatada
com o vírus orgânico
transmitido de boca em boca
Germina a semente
da serpente lançada
que não acaba
Quando todos a julgavam
já exterminada
 
 
Numa paz débil
A mente brilha
Ainda cancerígena
Lambendo ainda as feridas das fogueiras
A humanidade caminha
em esperança
Recupera o tempo perdido
E mostra seu esplendor e inteligência
A igualdade dos primeiros tempos
espalha-se como um Sol
Sacode a baba da cobra que os enrola
Estão perto do progresso devido 
Da verdade. justiça liberdade. 
Amizade entre irmãos
da mesma espécie
Prosperidade
Assim pensam eles
na sua ingenuidade humana
Mas a tocha que lhes trazem
é a mesma 
Só que não sabem
Nem supõem
que os pilares onde assentam
suas crenças
São falsos
Trazidos pelos mesmos
na sua luta contra a raça-humana
Sempre ocultos 
aos olhos de todos os crentes de sistemas perniciosos
ao vivente
A gente
 
O pérfido vingador
Rei e senhor de muitas guerras e batalhas
não se contenta
A terra prometida continua prometida
Do olho negro espreita
e solta a aliança aparentemente perdida
Ouro negro eclode do subsolo
A aliança mais uma vez se concretiza
Ouro riqueza desmedida
Salivam loucos de alegria
por beneficio tardio
Estavam preparados à muito tempo
cumprindo os preceitos malditos
Mereciam
Mereciam o ouro negro
esta legião negra na alma
zelosa do oculto
Chegara a sua vez
E o terceiro irmão rejubila de alegria
E avança ao mundo inteiro
Com dinheiro
Milhões lhe prestam vassalagem
Rodopiam esvaziando suas mentes
de humanidade
E volta a animalidade
dos desalmados
Sangue jorra e continua a jorrar
Ninguém vê
Por encobrimento dos mesmos
noutros locais
aguardam
na esperança encoberta
das areias do deserto longínquo
onde dorme
a Arca... "perdida" "roubada"
vinda de fora
Absorve-os
E ao mundo inteiro
O dinheiro
 
Ambiciosa escumalha
quer tomar parte
desta nova/velha
senhora que rasteja desde o Deserto
à 10 000 anos
Sai da arca e mostra-se
Bebe sangue
Sangue humano
A imortalidade
E... lá continua sua marcha
Dirige-se ao centro
A nova legião segue-a desde o deserto
Imbatível
A mesma linhagem está entre eles
Uns e outros são os mesmos de antes
Com nomes diferentes em vários locais da Terra
E seus crentes atacam-se entre si
Mas eles não morrem
Nunca morrem
Nunca a raça humana
viveu tal terror e desumanidade
 
Tal desigualdade
 
Aqueles que descansam na paz
são atacados
Por todos os lados sucumbem
Não acreditam
que veneram a cobra desde sempre
Que ela está prestes a completar o seu círculo imundo
de dominar o mundo.
 
Sobrarão os filhos da serpente
escondida
na Terra prometida
 
Quem salvará a humanidade?!
Quem lhes fará frente?!
Quem os expulsará da Terra que não é deles?!
Ninguém!
 
O mesmo pérfido predador
A mesma terra prometida
Aguarda a chegada
da prol já existente
A "alma" humana está contaminada
Por adorações bizarras
a deuses desconhecidos
Com feroz legião de adeptos
perseguem os perseguidos
A Terra
é a mesma
Quem a ocupa
Não!

amorc.jpg

 
A Mátria chora
na  Terra destruída 
a Preferida
SintoMe: triste por tanta mentira à humanidade
Palavras: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

EscritoPorLazulli lazulli às 19:58
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Pântano

 

Agitam-se
as águas do Pântano
por um momento.
Por um momento,
adormece os sentidos
num torpor mágico
de encantamento,
deslumbrada
pelo mistério d'almas que se mostram.

 

 

 

Inconsciente,

insiste em atravessar descalça
as águas lodosas que se movem,
confiante
que consegue
ver o inexistente.
O que foi
e que não será mais.
o que era
Mas nunca chegará a ser.

 

 

 

Eram as palavras
e o seu constante bailado,
fruto de mentes diabólicas
que se expandiam sem pudôr
como predadoras d'almas
instantâneas.
Frenesim inquieto d'palavras
treinadas
onde a verdade nunca existe.
A ilusão
com intenção
É a mentira
descarada,
deslavada.


Queria a integração
nas s'vivências
no estender suave das suas mãos
nas águas tépidas
que aclaram à passagem de ventos suaves.
Mas, não consegue,
essa não é a sua natureza.



Movem-se lianas e abetos
quando o vento por eles passa.
Luzes escondidas
surgem acanhadas nas brumas do Pântano.



O voo do pássaro
permanece,
já não inseguro,
receoso,
pela Pradaria imensa
que por baixo dele se estende.

Mas pousar
o pássaro não pousa,
a sua natureza não lhe permite.

Tentar permanecer
em solo firme,
atormenta-o.
É pequeno
muito pequeno

o pequeno pássaro.

 

Quer sobrevoar a Pradaria sem medo
mas nela não quer ficar.


Afasta-se de si neste estar que não é seu
neste instante pendente de si
neste desencanto da s'alma
tenta encontrar uma razão para aqui estar

permanecer

ouvindo os sorrisos e sorrir.
Mas dois são os motivos

só por eles permanecerá
porque foi por eles
unicamente por eles que ficou.
Que iniciou a travessia
do Pântano sombrio da Pradaria.

Sorriu às almas que lhe sorriram
num gesto de agradecimento meigo e terno.
Retribuo-lhes o estender das suas mãos num gesto seu

de ser ela mesmo ela,

só dando e recolhendo deste modo unicamente seu

é digna dos seus sorrisos e do estender das suas mãos

como almas se se tocam e reconhecem do Antes Do Tudo Nada De Tudo.

 


Num instante tudo parecia possível ,

podia rodopiar alegre, dançar no ar, misturar-me com os elementos

pertencer e ali permanecer,

participar da vida de um Pântano profundo deste mundo.

Mas o desencanto magoa a alma que traz em si

não pode continuar

não sabe tentar

continuar pousada de lugar em lugar.

Não pode.

 

Sobra uma paz, uma certeza, um saber que a contenta.

Não é mais a vida no Pântano e do Pântano na Pradaria imensa que lhe provoca dor.

É ela que não pode ser o que não é

ao tentar ser igual às boas almas que ali estão.

Sabe a resposta que procurou

por isso pode ficar aqui a sorrir.

Mas não pode permanecer.

As almas sorriram-lhe por um momento mágico.
Nesse deslumbramento de si,
seu coração, alegre, quis ficar.
Permanecer por mais tempo

junto de quem amavelmente lhe sorriu.

Demorou a voltar,  mas voltou só.

Sem medo do Pântano da Pradaria distante.

Hoje ela sabe como saltar de plátano em plátano,

de liana e liana,

sem mais temer cair e afundar-se nas águas lodosas do Pântano maldito

que tanto a perturbou.

 

 

 

 

Hoje, suas mãos ágeis

elevam-se às lianas que lhe asseguram asas nos pés

e a fazem chegar e estar em local seguro

Na Sua Casa

a CasaDeCristal

A sua própria Alma,

onde só o Azul dos céus nela permanece e permanecerá

Intocável.

 

 

(Escrito à 4 anos e composto hoje para meu deleite e deleite de quem quiser permanecer por aqui)

 


EscritoPorLazulli lazulli às 10:18
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

RegistoDoTempo

(...registada fica a eterna busca iniciada antes da Formação do Espaço/Tempo...)

 

CasaDeCristal ... se um dia existires mesmo eu não existindo ... reconhecerás cada letra e todas as palavras que elas formam tornando-se temporais na sua intemporalidade nestes tempos que compõem o próprio Tempo ... aguarda zelosamente encoberta em cristais azuis por uma chegada SemTempo ... como AntesDoTempo.

 

 

 

 1995.1.maio



Queria esquecer quem sou. Queria esquecer que existo para sempre, onde nunca mais houvesse um ressurgir de mim. Queria partir para o vácuo inexistente do outro lado do universo entrar no tal buraco fechado e poder-me extinguir. Queria deixar de existir. Quem sou eu e quem és tu que existimos nesta dor infinita da existência e o que fazemos ambos aqui? Criamo-nos para quê?! Porque sonhamos em despertar quem dorme no sonho da vida e fizemos uso do nosso não ser, resolvendo lutar por mortos inúteis que nunca deixarão de o ser. Torturamos o nosso mundo com a nossa dor e ficamos presos sem poder fugir. Entreguei-te um dia nas garras da matéria e pensei que te resgataria também um dia. Mas hoje que o tempo já foi grande e imenso eu sucumbo contigo na tua dor infinita e morro sem morrer nesta vida finita. Perdoa-me de onde podes me ouvir como eu te ouço, provocando um no outro esta dor sem limites que nos mantém vivos sem querer e mortos para morrer. Pode ser que um dia o tempo venha a acabar e alguém se lembre em nos libertar de um modo ou de outro. Pode ser que o universo um dia mostre o seu reverso e aí também pode ser que possa te olhar de frente depois de milénios de dor. Eu sei que estás vivo algures. Preso como eu neste universo duplo. Não devíamos ter partido nunca de nosso mundo. Não devíamos querer ajudar ninguém. Amar-te-ei até ao fim ou princípio de todos os tempos e eras. E, se for possível, nesta nossa divisão penosa, pode ser que me sobrevivas pelo menos tu e não fiques mais tempo preso à minha espera. Procuram eles os desaparecidos mas não creio que os vão encontrar neste mundo. amor ... se eu puder, eu morro porque não consigo suportar mais esta dor. Só queria poder saber de algum modo que para ti é possível o regressar. Eu sei que também não me abandonarás. Mas um de nós tem que poder partir. Um de nós tem que sobreviver à vida e morte deste ou de um outro mundo qualquer, porque o nosso mundo também sofre a nossa ausência. Também sofre a nossa perda. Enganamo-nos amado meu, enganamo-nos. E ... passamos a ser dois. O tempo que aqui tenho agora é limitado; daí que espero um dia ter uma ínfima oportunidade para alguma coisa. E tu meu amado senhor, onde estarás tu a esta hora e neste momento. Onde será que caís-te? Eu sei que também não queres me abandonar, mesmo não sabendo de mim. Mas estamos sozinhos, mesmo incompletos, um de nós tem que regressar. Deixa-me partir ou parte tu. Liberta-me do meu compromisso/nosso para que te possa libertar também a ti. Eu não consigo resistir a esta forma. Eu não consigo não me entregar um dia. Pouco a pouco, sinto consumir a essência. Eu falhei e sei que tu estás escondido. (noutra galáxia?! nesta mesmo?! ou mesmo em nenhuma?!) Porque esperas?!... Um dia, vão-te encontrar também. Não esperes por mim. Eu já não sou. Tenho esperança que fique gravado no Tempo, o meu eterno amor por ti e que de algum modo a ti chegue, para que possas recordar o que nos uniu eternamente. Sei que chorarias sobre o meu túmulo, todas as lágrimas que eu chorei na minha procura infinita. Sei que o farias. Sei que tentarias mudar o curso do mundo e retornar a pôr tudo no seu lugar. Mas será tarde, nesse dia. Nesse dia, eu não estarei em parte alguma, onde possas me encontrar. Não me recordo se do nosso mundo, alguém podia nos amar assim e tentar nos libertar. Nem isso sei. Já não sei nada!

lauremavstaudus lazulli

 

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Só eu leio este post lazulli às 10:22 |
Sábado, 23 de Agosto de 2008
...

 

lazulli às 00:28 |
...

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lazulli às 00:25 |
...

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lazulli às 00:23 |

Foi Publicado em: Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

 

EsteFoiOÚltimoTextoDosAnteriormenteColocados.EstavaEsquecidoEmesmoAssim,CreioQue"PerdiUm"

APartirDaquiSegueUmaNovaFase,Talvez Com: EstilhaçosDe... Ficção

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 00:41
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Mary Paz (2º Capítulo - XIII)

 

 

XIII

 

 

 

 

 

 

 

Entre penugens multicolores que docemente a envolviam, tranquilizando definitivamente a sua pequena alma, Mary, brincava nas asas de Lhara, saltitando e agitando o seu pequeno corpo, a cada novo mundo que ia observando, extasiada com a beleza que a seus olhos ia chegando. Entre tristeza e alegria, lágrimas e sorrisos, foi contando para a ave como fora a sua existência na Terra. Sentia-a, por vezes, distante, como se ao toque da sua voz, corresse a refugiar-se num mundo inacessível à dor que lhe provocava a descrição do Velho Mundo que, inconsequente, lhe ia demonstrando, numa descrição tão perfeita, que os símbolos que compunham o corpo da águia, iam-se recolhendo sobre si mesmos, vertiginosamente, dando a Mary, a sensação que se não se aquietasse momentaneamente, eles a sugariam para lá de si mesmos. Depois que os movimentos serenavam, parecendo ainda inquietos e atentos ao som que estava a formar-se no interior de Mary, para de novo recomeçar a descrição intolerável que feria o próprio ar, essência de todo este mundo, Mary, descrevia de novo tudo ao pormenor sem parecer querer poupar toda esta vida que tão carinhosamente a acolhera. Mas, Mary, hoje, voltava a ser criança. Recomeçava o diálogo, aparentemente, indiferente aos movimentos que se iam desencadeando em torno de si. Quando o turbilhão de cores e formas, entrelaçados uns nos outros, movendo-se rapidamente, pareciam ir tomar, novamente, no pelo macio de Lhara, proporções infinitas, engolindo-a a cada transformação de um novo símbolo, que se ia desenhando, numa metamorfose de complexos símbolos desconhecidos, lembrando a Mary, hieróglifos ou qualquer uma das linguagens mais antigas, com as quais, pouco ou quase nenhum contacto tivera. Talvez sânscrito, pensava ela de si para si, mas não tinha tempo de completar o seu raciocínio e observação, tal era a velocidade com que se sentia atraída e repelida, por qualquer um deles. Aflita, baixava a cabeça ao encontro dos olhos de Lhara, para se certificar que esta estava a controlar as ditas e inesperadas figuras em constante movimento. Mas, a serenidade dos profundos olhos de Lahra, logo tranquilizavam o seu ser. Infinitos, de paz constante, pareciam nem se aperceber da inconstância que emanava do seu próprio corpo. Por instantes, estática, num estado semi hipnótico, perdia o seu próprio olhar, como se fora um só, nas belíssimas esmeraldas que se erguiam levemente para a contemplar. E, quando isto acontecia, o nada existia por si mesmo, dentro de si. Retornava, já novamente integrada no sereno bailado que sempre a recebia na ondulação dolente, da penugem de Lahara, numa dormência que a encantava. E, logo a vontade de voltar a saltar e pular era grande, de tanta felicidade que sentia. Queria brincar. Brincar para sempre.

Mary não era mais um adulto. Nem sabia o que isso era. Aliás, nunca soubera. Tivera sempre dificuldade em gerir um mundo do qual nunca fizera, verdadeiramente, parte. Mais do que nunca, sentia-se integrada na sua genuína natureza, onde não tinha mais quem a repreendesse e quisesse à força, que fizesse parte de um mundo, que nunca fora seu. Hoje, ali, envolvida por Lhara, tinha a certeza que sempre estivera certa em recusar aqueles seres mentalmente destruídos, com pretensões e arrogâncias desmedidas do saber, quando tudo desconheciam. Não tinha mais que os ouvir silenciando dentro de si, o mundo primeiro. Não tinha mais que tolerar, a dor que provocavam à sua frágil alma que magoavam em cada atitude, em cada palavra, em cada pensamento. Livre deles, para sempre, uma alegria imensa preenchia toda a sua essência fazendo emanar dela pequenas ondas quase imperceptíveis de calor que se iam unindo ao mundo envolvente. Desta vez nada refreava a luz dourada que de si emanava. Nada impedia que se expandisse pelo ar fora integrando-se na sua própria natureza. Por isso, Mary, não tinha como se sentir de outro modo. Finalmente encontrava-se, num mundo que sentia seu. O imenso sorriso de Lhara, parecia querer confirmar-lhe tudo quanto sentia. 

 

luzes.gif

Deste modo foi desfrutando e abusando desta doce e serena criatura que os deuses lhe tinham colocado no caminho. Não queria sair do seu "colo". Do seu conforto. Não queria que tudo isto terminasse. Queria ficar com ela. Pedir-lhe-ia. Não queria mais pensar. Sentir. Não queria mais lutar. Mas era umas ilusão que se impunha a si mesma. Algo lhe dizia no intimo de si mesma, que alguma coisa mais aconteceria para além disto. Que não era por mero acaso que ali estava. E, uma angustia sufocada, renascia no fundo da sua alma. Uma angustia que nunca a largara e parecia estar prestes a se revelar. Como se faltasse ainda cumprir qualquer coisa. A qualquer coisa a que sempre fugira. Mas o mundo tinha morrido. Não haveria mais o que cumprir. Por isso levantava os olhos e deliciava-se com a existência da essência, onde parecia que tudo lhe sorria.

Neste entretanto, enquanto o rol de lágrimas e dor eram desfiadas dentro e fora de si, pela sua própria traquinice, ao relatar o desagrado que a existência sempre lhe provocara, sobrevoando um dos espaços intermédios, das quatro dimensões, exactamente aquele que fazia a transição para o mundo onde tinha aparecido depois de ter fugido dos subterrâneos em que se triturava a carne humana numa indústria macabra de alimentação, minúsculos homens armados, parecendo surgir do passado, atiram sobre elas, fazendo-as cair vertiginosamente no solo. Para bem de ambas, voavam a baixa altitude e a queda não foi completamente dramática. Lahra tivera tempo de envolver Laurema, num pequeno cilindro surgido inesperadamente protegendo Mary no embate ao solo. Mas Lahra ficara levemente ferida.

 

 

amor, conto, divagações, elemento, essência, eternidade, eu, existência, filosofia, história, justiça, literatura, livro, livros, lágrimas, matéria, palavra, passado, pensamentos, pessoal, portugal

publicado por lazulli às 15:10
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 09:45
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Humanidade Escravizada (XXX)

 

 

 

XXX

 

 

 

 

 

Este Deus não me convence e digo-lhes que não tenho medo absolutamente nenhum dele, eu tenho é medo deles, porque foram Eles que inventaram todas estas leis com a cobertura de Deus, mas não foi ele que os autorizou a nada disto, nada! Além disso, nem tão pouco sei a cor deste Deus de quem todos Eles falam ou melhor, ainda não sei que raças pôs ele na Terra. A única coisa que sei, como nascida no Continente Europeu, é que o Deus da Europa fez o Adão e a Eva brancos e, como foram os únicos viventes Criados por sua ­Senhoria Deus, as outras raças não existem, são mero fruto da nossa imaginação colectiva. Deve ser por isso que são tratados abaixo de cão e mortos sem o mínimo de consideração humana. Afinal, o Deus, não só da Terra mas também do Universo (que ousadia), só fez um homem e uma mulher e não os fez de várias cores. Por isso, quem são os outros? O que são? Provavelmente inferiores, escravos com que o seu senhor os presenteou, de modo a que não gastassem a sua preciosa energia na força do trabalho que tanto apregoam ser necessário, e contra isto nada. Para sobreviver é realmente necessário trabalhar mas, como é evidente, não para eles que tiveram o privilégio de receber para seus vassalos, raças e seres inferiores, que infelizmente para Eles, em muito se lhes assemelham, não só na sua forma humana, como também na sua mente pensante que tanto lhes custou a admitir. Digamos que a bondade do seu senhor se transformou num erro crasso para aqueles que, apesar da sua cor ou condição, não os distingue de todos Eles. Um dos erros que cometeram na criação desta civilização forjada, com base na tal origem inexplicável, de descendermos todos de um único Deus, leva-os agora a encontrarem-se num beco sem saída. Não saberão explicar como é que acreditando nisto, conseguiram escravizar todos aqueles, que era suposto serem seus irmãos. Tanto os de raça diferente da sua, assim como os da sua própria raça. Filhos do mesmo Pai que tanto veneram desde o princípio. Mas que, pelos vistos, os não impediu de aperfeiçoar a escravatura adaptando-a a todas as épocas, chegando ao cúmulo de até as crianças não serem poupadas para servir os seus maquiavélicos instintos. Como podem, então, continuar a dizer-nos: Todos diferentes, todos iguais? Deviam dizer: Todos iguais, todos diferentes, pois é realmente assim que pensam e agem. O pior de tudo é que construíram uma civilização por cima de premissas erradas: Ou não é verdade que esse seu Deus, que fez o Céu e a Terra, fez um homem e uma mulher de onde descendem todas as criaturas humanas? Se assim fosse, não teriam eles que ser de uma única raça? Mas na Terra existem e sempre existiram tantas raças que seria de perguntar quantos Adões e quantas Evas o Senhor cá pôs como semente para povoamento ou repovoamento da Terra. Fizeram-nos crer, por tanto tempo, que Deus fez unicamente um homem e uma mulher que deram origem a biliões de homens e mulheres, que não terão nunca resposta a perguntas tão simples. Com esta sua atitude ao longo dos tempos, por certo esperavam que os homens não tivessem nunca o acesso à ciência que os desmascararia, como acabou por acontecer. Por isso mesmo, neste momento nenhum deles menciona este assunto tão importante, porque seria demasiado incómodo ter que explicar porque tiveram necessidade de mentir à humanidade. E, com certeza, isso poderia levar as pessoas a pensar que esta mentira civilizacional, aparentemente inofensiva, não é a única. ­Habilmente, nenhum deles comenta este seu erro, para que as mentes humanas continuem adormecidas. Mas até quando? Até quando o seu silêncio medroso se manterá? Penso que só manterão o silêncio e a indiferença dos outros até ao dia em que o ser humano se torne digno de verdade e, aí, muito se espantarão ao descobrirem que afinal o ser humano até é inteligente e finalmente despertou deste sono meio perpétuo que o tem entorpecido em relação à sua verdadeira origem e aos seus verdadeiros direitos de ser humano, que é ser dono da Terra tanto quanto Eles. É que, quer queiram ou não, o Universo não é dono de nada e de ninguém e também não quer escravos para nada; aquilo que se pretende é exactamente reconstituir o reino da essência e voltar a unir o que um dia foi desunido, desunindo aquilo que se encontra unido. As leis da Terra são completamente insignificantes comparadas com todo o Universo sensível. Ninguém, mas ninguém, quer a humanidade submissa. Cheia de medos e pavores. Ninguém, a não ser apenas Eles, pretende ser adorado na Terra seja por quem for. O que realmente se pretende é que o ser humano deixe de ser um escravo da existência e lute para ser feliz. Isto ele conseguirá de verdade, quando se guiar pelo mais profundo do seu íntimo, abolindo de vez com todas as leis que imperam na Terra, feitas por todos Eles, para servir única e exclusivamente os seus interesses comuns e que só têm servido para destruir a humanidade cada vez mais.

 

penso: doente

actualidade, divagação filosófica, divagações, dogmas, ensaio, essência, existência, falso, filosofia, futuro, guerra, história, homem, humanidade, justiça, letras, literatura, livro, livros, matéria, mentira, morte, mulher, mundo, passado, pensamento

publicado por lazulli às 23:39

Quarta-feira, 4 de Junho de 2008


EscritoPorLazulli lazulli às 23:41
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."


 

Canto II

 

 


“São lágrimas, meu senhor, são lágrimas.“

 

 

Lágrimas

 

dizeis vós

 

alma da minha alma

 

como podeis guardar lágrimas em vossas mãos

 

se vos amei

 

desde o raiar da Aurora

 

até ao descer do manto que cobre o mundo

 

não controlando a Vontade De Cronos

 

que persiste em manter em meu âmago

 

esta herança indesejada

 

que me não permite

 

libertar

 

a Alma amarga

 

que presa a Vós

 

tarda em sarar

 

a chaga aberta

 

que me consome

 

sempre em ferida

 

por minha cobardia.

 

 

Dizei-me vós


senhora das mãos de prata


a verdade

 

imploro-vos

 

sei que vos decepcionei

 

por minha honra

 

juro que eu não queria

 

não prolongueis mais

 

meu próprio castigo

 

minha agonia

 

não me transformeis

 

em mais negro

 

que o negro


ocultando-me a razão

 

que ocultais em vossas mãos

 

no vosso deambular

 

por jardins e afins

 

onde


gostaria

 

de não vos ver penar

 

carpindo

 

dores inexistentes

 

sem sentido.

 

Cessai vossas lágrimas

 

incrustadas em cristais

 

contra os quais praguejo

 

aço duro e frio

 

todos os dias

 

porque aqui vos encontrais

 

sem desejar

 

a vossa lembrança

 

que não quero minha

 

nunca mais.

 

 

Deixai-me ajudar-vos

 

à não derramação de mais lágrimas

 

por essência

 

que não é vossa

 

e sim minha

 

afastar-vos


de perigos eminentes

 

que enfrentais

 

por incúria minha.

 

 

 

Não me julgueis pérfido

 

ou leviano

 

incapaz de assumir suas próprias falhas

 

meu silêncio

 

e

 

ausência prolongada

 

é preceito meu

 

esconder-vos

 

quem sou

 

pr'a

 

não decepcionar-vos mais

 

retirar-vos

 

do lugar que não é vosso

 

afastar-vos

 

para sempre

 

de jardins alheios

 

onde só incomodais

 

meus canteiros

 

cheios de luz e cor

 

fantasia e amor

 

que nós mesmos criamos

 

e Vós não criais

 

com luz e cor

 

do mundo que nos trazeis

 

desconhecido

 

de amor.

 

 

 

Sim eu quis o Vosso mundo

 

amei-o por um instante de Tempo

 

mas

 

minha luz de sombras

 

é aquela

 

onde melhor estou

 

onde melhor me sinto

 

nela quero permanecer

 

não me desafieis

 

mais

 

e dizei-me de uma vez por todas

 

o que guardais.

 

 

 

Mesmo

 

após ter entregue a outra parte de mim

 

ao Demónio das mil sombras

 

mantive a vilígia

 

permanente

 

por horas e dias

 

sem fim

 

por isso

 

dizei-me a mim

 

só a mim

 

como nos tempos

 

do Tempo

 

em que só em mim confiáveis


o que escondeis em vossas sagradas mãos

 

de prata argêntea

 

que fere os sentidos

 

e a confiança

 

que em vós depositei

 

um dia.

 

 

 

Dizei-me

 

doce e amada senhora

 

ouvi-me

 

como nos dias


nas horas

 

nos meses e nos anos

 

em que fugi de vós

 

sem nada vos dizer

 

e me retirei para a minha Torre

 

de pedra fria

 

e do Alto distante

 

vos observo

 

todos os dias

 

tentando perceber o que escondeis

 

nas mãos que um dia beijei

 

aquelas

 

ainda gravadas

 

em meus lábios

 

secos

 

por mais nada vos dizer

 

por mais nada

 

querer saber

 

por mais nada esperar

 

congelando as mágoas

 

que eu mesmo avolumei

 

por em Vós

 

doce senhora

 

não querer acreditar

 

e contar-vos

 

a verdade

 

de mim.

 

 

Desesperais aquele que vos ama

 

desafiais

 

com vosso cântico sentido

 

a paciência de quem amais

 

em vosso silêncio e persistência

 

abri vossas mãos

 

agora

 

ordeno

 

que o façais.

 

 

 

 

"Senhora das mãos de prata":

 

 

Tranquilizai meu Senhor

 

vosso coração

 

retornai em paz

 

à vossa Torre lá no Alto

 

e permiti que eu aqui permaneça

 

em vossos jardins e afins

 

porque são apenas lágrimas

 

o que está guardado para sempre

 

eternamente

 

em minhas mãos

 

não as temais

 

porque nelas

 

está Toda a Verdade

 

zelarei

 

para que permaneça para sempre

 

guardada

 

dentro das mãos

 

fechadas

 

que tanto insistis

 

que abra.

 

 

 

Vos digo não

 

não posso

 

abrir minhas mãos

 

acreditai

 

meu senhor

 

que não o devo fazer

 

meu dever

 

é guardá-las comigo para sempre

 

as lágrimas

e

hermeticamente

 

fechadas em minhas mãos

 

fá-lo-ei

 

cumprirei a Promessa

 

feita ao Não/Tempo

 

antes do início

 

ter sido início

 

e antes do Tempo

 

ter sido Tempo

 

mesmo antes do Espaço

 

aparecer como Espaço

 

Espaço/Tempo

 

contra tudo e todos

 

as guardarei

 

mas a Vós senhor

 

e por Vós

 

não posso recusar um pedido

 

por isso vos peço eu

 

que em mim acrediteis

 

que, são mesmo lágrimas

 

Senhor

 

unicamente lágrimas

 

o que de Vós

 

escondo

e

esconderei.

 

 
penso: saudades do primeiro mundo
lágrimas, poema, poemas, poesia
publicado por lazulli às 21:14
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:11
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (14)

 

 

XIV

 

 

 

 

 

Enquanto se dirigia até onde a aguardava a majestosa Águia-de-Cabeça-Dourada que reflectia ainda mais os raios de sol que a si chegavam e nela permaneciam como prisioneiros voluntários da sua deslumbrante e extensa penugem, fazendo da águia como que uma extensão da fonte energética, inesgotável, contida no sol-brilhante de milhões de cores em constante mutação no seu permanente contacto com o ar, finíssima cambraia transparente e multicolorida, ia ansiosa e vagarosamente, pisando o solo de areias de fino pó doirado e observava as montanhas de luz, onde a pedra dura e fria, única que conhecia, era completamente substituída por tantas pedras preciosas que nem as conseguia quantificar, mesmo que em calculo manifestamente deficiente, tal era o reino mineral, deste maravilhoso mundo de cores vivas e brilhantes, ora transparentes, ora opacas, ora incolores, com colorações inimagináveis, em constante transformação não do seu conteúdo mas sim da sua aparência visível, fosse esta piramidal ou com uma outra configuração geométrica qualquer, era-lhe completamente impossível, absorver as cores que emanavam de todo o lado como tesouros únicos a céu aberto, que resplandeciam a sua magnânima beleza. As rochas deste mundo, gemas genuínas, raiavam e expandiam com as suas milhares de incalculáveis facetas, para todas as direcções, as suas cores infinitas e em constante movimento, ao toque de cada partícula de ar e sol. Estonteada com as cores, carmim, madre-pérola, rosa, lazulli, esmeralda, ametista, rubi, cristal, topázio, safira, águas-marinhas, etc.. , não conseguia conter em si, tanta luz e tanta cor. Belo! Tão belo, que já não sabia se o conforto do calor, ameno, que ia penetrando suavemente todas as suas partículas, tinha a haver com a magnífica visão que seus olhos, extasiados, miravam em ininterrupto encantamento ou se era efeito, da serena harmonia da luz de milhões de cores. As ténues alterações do sol, quase imperceptíveis, permitiam que uma infinidade dos coloridos diamantes, alterassem as suas facetas de um tom para outro em escassos instantes de tempo, se é que este, aqui existia. Descrever este mundo, não conseguia dentro de si. Só conseguia senti-lo. Absorve-lo. Os pensamentos fugiam-lhe, para começar a dar lugar a uma fonte inesgotável de paz. Da paz sempre desejada. E era este enigmático mundo de cor que com amor, lhe dava finalmente aquilo que sempre ambicionara e sempre procurara.

 

Serena, em total quietude, a águia observava toda a sua fascinação e sorria. Mary, percebia que esta não precisava transmitir o seu sorriso movimentando um único músculo que fosse do seu descomunal corpo. Seus olhos falavam o seu pensamento. Transmitiam toda a sua doçura interior. Toda a sua compreensão, perante a criatura tão insignificante que era Mary. Estonteada perante as duas meigas esmeraldas que lhe sorriam; tão meigas, que a escassa distância daqueles olhos esmeraldinos, sem desprender o seu próprio olhar daquela rara beleza de divinas esmeraldas que continuavam a fitá-a demoradamente, teve um impulso momentâneo, de correr para elas e nelas se alojar para sempre. Descansar dela mesma. Como se pudesse entrar nos olhos que a fitavam e encontrar-se com o amor infinito que deles emanava. Mas refreou o seu mais intimo desejo e não encurtou a já pouca distância que a separava desta e, sim, endireitou seu corpo um pouco mais, alisou com as mãos, os farrapos sujos que a cobriam e, lentamente, sentindo o movimento do ar a cada movimento seu em espirais que se perdiam dentro do próprio ar, finalmente, tocou timidamente a primeira penugem que encontrou ao alcance da sua pequena mão.

A este contacto, mágico, o ar comove-se e queda-se por um instante, como que para a deixar sentir toda a ternura do seu ente.

Controlando a emoção que sentia, impedia voluntariamente suas mãos de agarrarem o ar e irem tocar nas penas da gigantesca ave, abraçando-as num abraço meigo e profundo. Queria senti-la para sempre. Mas ali, naquele mundo etéreo, era ela quem nada tinha e nada era e a quem por razões que ainda desconhecia, tinha sido permitido movimentar-se, tal fantasma, num mundo verdadeiramente etérico. Depois de tudo isto, descobria que afinal nunca soubera sonhar. Seus sonhos tinham sido pobres em imaginação. Escassos em forma e conteúdo. Demasiado aquém do que, agora, podia presenciar. Percebia que desde que desaparecera da velha Terra, tudo quanto vira e sentira, nunca tinha existido antes. Nunca.

 

Tentava... controlando a emoção do seu pequeno coração e as interrogações que a angustiavam... acalmar toda a sua agitação interior. Mas esta morria no canto de sua boca, sempre que um imperceptível movimento parecia querer surgir, podendo manifestar toda a ebulição que dentro de si permanecia, pelo inexplicável mundo que a envolvia, no seu todo.

 

A sábia águia que continuava a olha-la docemente, não quis prolongar por mais tempo o seu êxtase, poupando-a à intensidade de sentir tão profundo. Sorria aos pensamentos de Laurema e verificou, feliz, que a tinham recuperado de vez. Ela não voltaria à sujeição da matéria viva, pois começava a tomar consciência da verdade de si mesma.

- Laurema!... Despertaste para a tua verdadeira existência.

 

 

Ouvir vozes dentro dela não lhe era de modo algum surpreendente. Convivera com elas toda a vida. Surgiam inesperadamente dentro do cérebro, soltando sons tão distintos que parecia estar a ouvir as conversas do mundo inteiro, ora isoladas ora em longos diálogos, como se desconhecessem a sua presença. E muitas desconheciam. Assim como ela. Pelo menos nisso, tinha a felicidade de não conhecer a densidade dos portadores. Vozes sem rosto que tinha a infelicidade de escutar. Mas nem tudo era mau. Até porque era o som das almas que escutava como se fossem parte dela, não o sendo. Muitas vezes ficava triste. Muitas vezes ficava feliz. Muitas vezes, divertiam-na. De quando em vez, lá resolviam dirigir-se-lhe, directamente, com palavras e frases, das quais muitas vezes, não conseguia perceber o sentido, embora as ouvisse perfeitamente. Daí, neste jogo do saber, quem eram elas e porquê, acabou mesmo por conseguir fazer algumas distinções, entre estas estranhas e insólitas, amigas. E a surpresa, estonteante, levava-a a querer seleccionar quem gostaria realmente de ouvir. Mas não estava nas suas mãos, poder separar os mundos. Não estava nas suas mãos, escolher as vozes pertença de mundos distintos. Daí que, as vozes que mais a incomodavam, eram mesmo, as vozes deste mundo. Não conseguia ser poupada, até nisto. Como uma maldição .... tinha que ouvir o mundo inteiro a falar. O que, algumas vezes na vida, quando com a Velha Senhora, lhe tinha criado alguns dissabores. De facto, hoje percebe porquê. Percebe-os a todos eles e percebesse a si mesma. Embora, para bem da verdade, gostasse de não perceber ou saber nada, por essa altura. Se estivesse em suas mãos, optaria por ser a mais cega entre os cegos e mais surda entre os surdos. Porque, só queria poder estar. Só queria ser. Só queria amar. Só queria que a Sua pequena alma tivesse o direito a ser única, sem tanta interferência. Maldisse todos os Poderes desconhecidos, muitas vezes. Ficou muitas vezes triste com a Sua própria Natureza. Muitas vezes vagava no mundo, com os olhos marejados de lágrimas. Não por não ser entendida. Ela entediasse a Si mesma. E sim porque queria ser o que era. Nada! Uma criatura eternamente meiga. Eternamente sentida. Eternamente capaz de Amar até à extinção da Vida.  Eternamente ignorante das coisas da Vida Imposta, que insistia em querer fazê-la parte de si, com todas as coisas geradas num mundo que não era e nunca seria seu. Como não foi. Por isso ela estava aqui hoje. Mas, as lembranças do mundo Antigo, não as tinha conseguido apagar, mesmo perante a beleza deste mundo e de Lhaara.

Quase "desperta" destes prolongados pensamentos, enquanto deixa desaparecer sua mão na maciez da penugem de Lhaara. Mas logo a memória insiste em fazê-la recordar, tudo.

Teria estado, algum dia, Lhaara nos seus pensamentos?! É que até lhe parece conhece-la. Seria dessa altura?! Olhava Lhaara, intrigada. Se assim fosse, não estava ela zangada?! Esquecera-se de como Mary se divertira e sorrateiramente a estudara?! De como, muitas vezes, se limitava a ouvir, mais ou menos indiferente?! De quando já nem lhes dava importância. Só de quando em vez, ficava mais atenta, quando um determinado timbre lhe parecia de algum modo familiar. Paralisava instantaneamente, na esperança de algum modo, poder identificar a sua fonte. Mas raras foram as vezes que tivera essa possibilidade. Como se as nítidas vozes que telepaticamente ecoavam no seu cérebro, tivessem uma proveniência bem consciente, determinada e perfeitamente objectiva. Desistia muitas vezes e optava por as ouvir. Apenas ouvir, mais ou menos desinteressada do que falavam. Sorria ainda agora, quando se lembra que dizia de si para si mesma. - Falem para aí!... Completamente indiferente ao seu conteúdo, como se nada tivessem a ver com ela e, fossem unicamente palavras que o seu cérebro, tinha captado a qualquer distância. Mas esta voz que estava a ouvir, do mesmo modo que tinha ouvido muitas outras... Esta voz, estava ali junto a si. Era da águia que partia. Era a águia que lhe estava a falar. Já não precisava se esforçar,  ignorar ou correr a tocar algum objecto perto de si, para afastar de si mesma qualquer pensamento, como mau presságio. Aqui e agora, tinha a quem perguntar. - Laahra, recomeça a comunicar com ela:

 

- Eu, parte de ti mesma, tento que entendas o teu ser interior e te libertes do pensamento, para entenderes quem és e onde estás. - Fala-lhe, suavemente, Laahra.

- Pareces-me estranha, assim como este lugar. Isto para não falar de uma terra florida e de uma outra, onde só os ventos pareciam existir que tive oportunidade de conhecer na minha vinda para aqui. Se estou a sonhar diz-me, antes que acorde, a verdade de quem sou e porque me chamas de Laurema, o nome que guardei zelosamente ao longo da vida, como se ninguém mais tivesse o direito de o usar.

- Não és dona deste nome, no sentido que lhe atribuis. O de posse. Pois que ele, como sabes, já está gravado desde os primórdios do Tempo.

- Então diz-me a quem, verdadeiramente, pertence este nome sagrado. Do modo como sempre o senti e conheci, pode ser que o dono dele seja o nome daquele que amei, mesmo antes de nascer ou antes de tomar a forma que me cobre. Embora que para ele, guardei sempre um outro nome, diferente de todos os outros, existentes.

- Laurema, é de facto o teu nome. Mas por enquanto, não és a sua possuidora. Isto porque, não existe posse na unidade e tu o sabes. Deixa por instantes o mundo mais recuado em que viveste, pois não mais voltarás lá do mesmo modo que antes.

- Se não retorno do mesmo modo, retorno de outro? Queres dizer que estou morta e esta é a altura que alguém decide, roubando-me a memória, recolocar-me naquele mundo maldito? Mas para quê fazerem uma coisa dessas comigo, se embora não me sinta parte integrante deste sonho, o sinta como realidade minha. Se é que se pode chamar real ao irreal.

- Não posso dar-te todas as respostas que desejarias. Outros o farão por mim em devido tempo. Por ora, recorda o Senhor que anseias, pois ele não é fruto da ilusão do mundo último e anterior, onde essa tua forma foi criada. A realidade é que nasceste e aprendeste o que não devias, mas ser, nunca o serás, porque tu já és muito antes de seres. Tenta ser tu, porque aqui nada e ninguém te impedirá de ser o que és. E sossega o teu espírito, porque a tua memória não te será roubada ou retirada, muito pelo contrário. Eu – e a fantástica ave, num gesto gracioso, sacode levemente a sua penugem multicolorida – sou quem temes que eu seja, tu és quem és, e o que te rodeia é parte de ti, e aquele que regressará em breve é aquele a quem chamas de teu Amado Senhor.

 

 

- Quer dizer que então morri, embora continuando com o mesmo corpo? Pode então a matéria viver depois de morta? Estava infiltrada no pó quando morri. Ninguém estava presente para atear fogo ao corpo que me cobre... não entendo... diz-me quem é o meu Senhor e onde está Deus. Quero falar com ele e dizer-lhe o que aconteceu comigo, perguntar-lhe porque fez o mundo de onde venho, onde a única lei é o sofrimento ilimitado de cada ser humano que tem a infeliz desdita de ali nascer, seja no antes, no agora ou no depois. Perguntar-lhe porque permitiu tudo quanto aconteceu neste mundo e vai continuar a acontecer, sem interferir para parar tanto massacre humano. Se és o seu mensageiro e não me for permitido vê-lo, leva-lhe uma mensagem, porque todas as que lhe transmiti na vivência ele ignorou. Se foi ele que criou o mundo como eu o conheço e, se podendo, nada fez, eu não o quero, porque me fez nascer lá e me ignorou todos estes anos de martírio, estando desde o princípio ao fim dessa existência, sujeita a leis que não eram as minhas, sofrendo humilhações, tendo que ser o que não era, impotente perante todo o sofrimento humano que existia.

 

- Pobre Laurema, que não consegues entender que nem estás viva nem estás morta. Que continuas a usar as mesmas definições do mundo que sempre desprezaste, até para exprimires o teu próprio mundo que não tem definições: Apenas é! É tão simples como o teu ser interior e, neste momento, nem o consegues pôr a agir. Usarias tu no outro mundo o teu interior e neste mundo o teu exterior? Estás também a alterar a Ordem da Lei. Como queres tu entender?!... não consegues situar-te... mas nós sabemos como será difícil para ti entender esta verdade, depois de viver presa na matéria.

- Se é como dizes, que não estou morta nem viva, então o que sou neste momento?

 

Descendo levemente uma de suas asas, alongando-a na horizontal até onde se encontrava Laurema, Laahra, convida-a com o seu nobre gesto, a subir e instalar-se confortavelmente num rectângulo acabado de aparecer, magicamente, com tantas cores que Mary recostada nele nem se distinguia a olho nu.

- Vou mostrar-te um pouco deste mundo e dos que lhe estão interligados. As passagens intermédias de uns para outros. Em cada um, conforme o seu curso de vida, difere em lei e em ordem. Mas, antes disso, quero contar-te como aqui vieste parar.

 

 

E enquanto planava por entre todos os céus, Laahra conta-lhe todos os ínfimos pormenores da recuperação dela das garras da matéria e do sono que tinha se imposto a si própria, quando a morte do seu corpo tinha chegado.

- Laahra, onde está o meu Senhor Amado? Preciso de o recordar.

- Eu sei que só quando tu o tocares é que o conhecimento total da Verdade-Justiça e do passado longínquo, voltará a ti. Mas terás que aguardar junto comigo que ele regresse da Cidade-Brilhante. Até lá, mostrar-te-ei a Terra, isto é: Uma das suas quatro partes, para que te familiarizes com o mundo exterior onde te encontras, que é o teu interior ao contrário do mundo em que viveste.

 

 

E foi assim que Laurema foi vivendo os dias sem princípio nem fim deste mundo.

 


amor, essência, ficção, livro, matéria, morte, vida

publicado por lazulli às 17:53
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
SintoMe: com sono

EscritoPorLazulli lazulli às 02:07
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (13)

 

 

XIII

 

 

Sentada sobre um finíssimo pó, dourado, de onde emanavam tons etéreos que a envolviam numa aura mágica de eterno sentir, brincava com os reflexos que se iam escapando, suavemente, pelos dedos erguidos à altura de seu rosto, como melodias inaudíveis. Encantada, com esta visão indescritível, permite que esta envolvência se assenhore de si. Perdida no nada de si mesma, incapaz de vislumbrar um único pensamento, como uma criança longe do mundo físico de que faz parte, envolta na luminosidade que se movimentava suavemente em torno de seu corpo, olha de olhos estáticos, inebriada de fascínio e, vai pousando suavemente a sua pequena alma, no fundo de si mesma, como se estivesse num regresso à sua origem. Integrada na harmonia deste novo mundo, sentia que nunca nenhumas mãos estranhas, intrusas ou nefastas, a pegariam do seu próprio habitat e ali a colocariam, possibilitando-lhe esta paz. Esta certeza, tranquilizava a sua pequena e desgastada alma e, ia estando, permanecendo, apenas permitindo a entrada deste mundo dentro dela.


 

Ergue os olhos verdes, da mais verde planta que o mundo podia conter e, como se a um chamado oculto reagisse, avista a águia dos sonhos eternos. Bela e gigantesca, voando ao longe, parecia dirigir-se a seu encontro. Não mais retirou os olhos do seu voo alado enquanto a sentia aproximar-se de si. Parecia-lhe que conseguia sentir a ave a sorrir, como se um só sorriso existisse entre ambas. Intrigada, mas não receosa, começou a parecer-lhe que o seu sonho era já demorado (aliás, como todos os sonhos que tivera desde a terrível catástrofe, que se abatera sobre toda a deficiente civilização dos presunçosos civilizados) e, que, despertar tardava. Mas, no seu íntimo, não sentia necessidade de tal acontecer. Queria permanecer ali, para sempre! Longe da vida e da morte. Longe de tudo quanto a tinha magoado. Longe da implacável existência, sem sentido algum. Mas, continuava a interrogar-se, recriminando-se por pensamentos tão incómodos, sobre a natureza deste estranho lugar e, acima de tudo, o que estaria ela ali a fazer ou como teria ali ido parar. Sem retirar os olhos da majestosa que se ia aproximando, ia observando extasiada, as suas transformações em pleno voo, em milhares de figuras, como se nessas transformações quase simultâneas , se pudesse desdobrar delicadamente sobre si mesma em finas cambraias, de milhares de cores transparentes que lembrava a Mary, asas de libelinhas. Daquelas que recolhia em criança, dos regatos de água límpida por onde gostava de meter os pés nus e caminhar até onde lhe era permitido. Fantástica e majestosa visão entra pelos seus olhos, fazendo as pupilas dilatarem-se até ao máximo da sua pequena capacidade, perante beleza nunca vista. A gigantesca ave parecia brincar com a sua perturbação, enquanto a sobrevoava, mostrando-lhe a plenitude das suas façanhas.

Apetecia-lhe correr, correr tanto, que seus pés continuariam a caminhar mesmo suspensos do ar e alcançar aquele ser. Mas, não se moveu. Continuou a olhar extasiada, tanta beleza incompreensível, para ela, simples e deficiente mortal. Mortal?! Ou será que morrera e este era um outro mundo? Não fora assim que imaginara um outro mundo. Mas, era este, um outro mundo?! Sempre quisera estar só. Tinha-o conseguido?! Com bênção tão magnânima, como ter por companhia um ser que ultrapassava as mais fantasiosas visões, do mundo mágico posto a descoberto, pelas mais fantásticas imaginações das almas que buscam, ainda pensava, se, se podia chamar pensamento à desordenada linguagem que ia tentando descodificar dentro do seu pequeno cérebro, quando a vê pousar, a alguma distancia, que lhe permitia, erguendo-se, quase tocar a ponta de uma das asas deste ser. Se quisesse tocar nas suas penas e afagá-la, senti-la no toque das suas mãos, teria que percorrer uns bons metros e assim o fez, erguendo-se, como pode, sob o olhar atento e brincalhão da enorme ave, à sua instabilidade, provocada pelo ameno o ar que a percorrera e fez vacilar para um e outro lado, devido às dimensões descomunais de Lahra, tinha-se desequilibrado com o bater das asas sagradas quando estas planaram junto a si, e caminhou devagar em sua direcção.


 

Um turbilhão de pensamentos, insistiam em permanecer dentro de Mary , atrapalhando-lhe o momento que estava a viver. Esfregando os olhos, alisando com as mãos os cabelos ásperos e escassos, ora limpando a cara e as mãos, como se para chegar apresentável junto da majestosa, continuava a caminhar em sua direcção, levando estampado no rosto um sorriso teimoso, apesar de tanta inquietação. Já não sabia quem era ou o que era e também parecia que nada disso tinha mais importância. Só queria chegar perto, muito perto dela. Sentia que esta a aceitaria. Mais! Sentia que a amava. Que a conhecia!

 

(continua)

 

penso: em paz
amor, ficção, futuro, livros
publicado por lazulli às 12:17
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
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EscritoPorLazulli lazulli às 01:28
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (12)

 

 

XII

 

 

 

 

Viram-na adormecer serena e confiante. Taudus, lamentou que não o tivesse visto. Como ansiara ele este momento e ainda por mais um pouco adiado. Poder olhar os seus olhos e fundi-la em si. Poder amá-la num único olhar. Tocar o seu rosto. Senti-la! Ah! Que saudades eternas guardava dentro do peito. Quanto desespero viveu em sua busca. Quanta dor suportou, de mundo em mundo, na tentativa de a encontrar. Oh, deuses! Guardai o nosso amor eterno e não permitais mais uma separação tão dolorosa. Creio que nenhum dos dois suportaria mais uma privação de nós mesmos por mais pequena e insignificante, que ela fosse. Chegou o momento, porque todos esperamos. Nada mais pode acontecer que nos leve para mundos distantes e desconhecidos, um do outro. - Emocionado, continuava a olhar a pequena criatura, que alheia a tudo isto, continuava a dormir um sono profundo.

Saber que ela se encontrava sã e salva no seu próprio mundo, onde a Matéria, não mais poderia recuperá-la, tranquilizava-o. Finalmente, encontrada e recuperada estava a sua Amada. Nunca mais o Tempo a roubaria de si. Sabia que dentro de instantes teria que regressar à cidade-do-Sol-brilhante . Ali, onde existiam os sublimes seres acobreados, constituídos de essência, quase pura, o Tempo estava consumado. Todos queriam regressar a Casa e despir a forma que os cobria, permitindo assim, a extinção deste mundo semi material, que lhes tinha servido de morada, durante muitos milénios. Mas nenhum queria aqui ficar ou lamentava a partida definitiva, desta maravilhosa cidade, onde o Sol, amado de todos, era permanente. O Retorno à Origem, era a necessidade de todo o Ente que, cansado, desejava para si e para o Todo, a integração na própria essência. Finalmente, o Universo Essência, dava os primeiros sinais, de um regresso definitivo ao Tudo Nada. Só faltava a presença de Taudus , para que se iniciasse o desejado. Imprescindível, era a sua presença, para reabrir todas as entradas para o mundo distante e deixar fluir toda a essência como um Todo em direcção ao seu próprio Universo. Mas, nem esta necessidade premente, conseguia abalar o êxtase de felicidade que transbordava dele próprio. Do Guerreiro destemido e agressivo, que pelejava, contra todos os "demónios" de rostos velados que habitavam por todo o Espaço, em milhões de formas de vida, já quase nada restava. Ele tinha encontrado a sua paz.

Antes de "voar" ao encontro dos que o aguardavam, tinha que demonstrar a sua imensa gratidão, para com todas as forças universais que, piedosamente, lhe haviam cedido as suas inesgotáveis energias, de modo à reconstituição da matéria-inerte no frágil corpo de Laurema , sem as quais lhe teria sido de todo impossível, vencer tamanha resistência. Só unidos todos num gigantesco querer tinham conseguido vencer a vida renovando-a novamente. Não partiria sem primeiro agradecer à Essência da Vida e aos Eternos que aguardavam longe e que muito tinham contribuído para o encontro e volta de Laurema . Daí, que, com sua espada flamejante, ateou um punhado de pó multicolor, deixando ao éter a simbiose perfeita da integração da luz com a luz, em agradecimento àquele que se encontrava longe. E o céu viu e ouviu o seu gesto de amor eterno.

 

 

 

Depois do seu acto, olhou o corpo de Laurema como para guardar dentro de si a pequena criatura que era parte de si mesmo. Sorria ainda quando, de um salto só, se acomoda sobre o dorso de Drackin . Sussurra-lhe com voz suave e Drackin, percebe a necessidade e ânsia, de seu senhor amado e parte veloz para lá das areias infinitas, fazendo crer a quem o observasse, ser possuidor de invisíveis asas aladas, que os levaria a ambos à cidade-do-Sol-brilhante para fazer o que tinha que ser feito e dar a boa nova. Tudo se consumiria de ora em diante, graças ao aparecimento de Laurema, nesta dimensão do Tempo. Mas antes de partir, Taudus não se esquece do pedido desnecessário, tal é a sua agitação interior e, pede a Lahra, sua eterna companheira, que desta vez não vai participar na consumação de um novo mundo, que cuidasse de Laurema até que esta regressasse a si mesma e aprendesse parte do seu mundo, que era este.

 

 

penso: não interessa

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 publicado por lazulli às 09:06

 Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

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EscritoPorLazulli lazulli às 01:35
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Mary Paz - Primeiro Capítulo (11)


IX

 

 

 

- Laurema, acorda! Eu existo! Não me abandones, nem me procures mais! - Todo ele tremia por entre espasmos de dor, enquanto seu corpo, belo, se ia modificando, numa metamorfose aterradora. Os tons dourados acobreados, vão cedendo lugar a um prateado rugoso que parecia querer desintegrá-lo.

 

Quando, a imobilidade de Laurema, fazia crer, que esta não ia acordar nunca do sono a que se votara, Taudus, desesperado, agarra seu corpo e desata a chorar de dor. Lágrimas cristalinas, de tons amarelos fortes, jorram de seus olhos e correm delicadamente como que pretendendo alcançar sem demora o seu próprio mundo, sobre o pequeno rosto que lhes servia de leito. Pequenos braços de rio, iam desaguando dentro de cada pequeno poro, para o interior desconhecido, que iam encontrando, na sua trajectória. Fantástica visão, de beleza inigualável e inimaginável. Todo o pequeno rosto, por instantes, se transformava num oceano enigmático que absorvia todos os pequenos cursos de água que ali desaguavam, serenamente. Penetrando suavemente os minúsculos poros cansados e desgastados, iam reavivando a elasticidade desta matéria morta que, rendida à invasão das lágrimas de Taudus, verdadeiro licor elixir dos deuses eternos, traziam ao pequeno rosto a cor da vida viva, despertando suavemente o que se encontrava dentro dele: "A Essência cósmica que este pequeno e insignificante corpo, transportava dentro de si, desde que, cativos, tinham ficado, todos os seres da Essência Universal". Perante o desespero e intensidade de tal Amor, toda a vida-essência ali presente, já esgotada, grata, permite que este Amor Maior, decida e vença o inimigo perpetuo: "O próprio Tempo"! Senhor absoluto do Espaço criado e em permanente expansão por todo o Universo misturado. E, observa parte de si mesma, a sair triunfante sobre o inimigo comum a todas as Almas Imortais. A menina, ia despertar a qualquer momento. Extasiada, com tal manifestação, a vida-essência, recorda com esperança a morada dos milhões de anos e a necessidade de um retorno definitivo de todas as formas de existência para a (re)integração no Todo, onde tudo e Todos seriam unicamente Um, como antes do Tempo. As partes de si, viventes, que deambulavam por todos os Espaços, nem sequer tinham memória para reconhecer a essência-vida que habitava as várias naturezas que os alimentavam e protegiam por todo o lado. Em muitos Espaços eram até inimigos de si mesmos, ao destruir as suas próprias fontes. Ignorando completamente a essência da vida que continha aquilo que muitos deles pensavam insensível. Por tudo isto, Taudus, teria que vencer, devolvendo-lhe a vida morta. Era, esta, uma oportunidade única porque todos esperaram, demasiado tempo. Também esta Natureza, constituída dos Elementos fundamentais à vida e aliados da não-vida, estava cansada de lutar esta luta descomunal que se tinha instalado desde o início dos inícios, por todo o lado. O desejo, era só um: O regresso a um só mundo, a uma só essência, a um só e único Universo, desprovido do que lhe não pertencia e do qual jamais quis fazer parte.

Lhara, continuava estática, não permitindo que seus olhos desviassem

morted'amada

 

por um mícron de tempo que fosse, dos olhos cerrados da pequena criatura. Tinha que estar preparada para o momento exacto em que esta os abrisse e, aprisionar, sem demora, Laurema dentro de si. Só assim, o Universo poderia ter esperança de uma Batalha Final e definitiva, onde a Essência pudesse ganhar e, Laurema, era a chave de todos eles para reaver toda a Essência perdida e espalhada por todo o Cosmos criado e também, para que nunca mais, a Essência, tivesse que se sujeitar a vivências demasiado vis, que violentavam constantemente a sua própria natureza. O Sentir! Atenta, quando os olhos de Laurema se abrem por breves instantes, aprisiona de imediato, a vida de Laurema dentro de si mesma, antes mesmo, desta voltar a adormecer, desta vez, num sono vivo.

 

 

penso: serena

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publicado por lazulli às 18:30

Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 00:47
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (10)

(continuação)

 

 

X

 

 

 


- Senhor, ouço-te, mas a dor perturba-me como se fora antes da formação. Fica comigo, até sabermos se Laurema, regressa do sono da morte e orienta meu Ser.

 

- O amor, Taudus, o amor. Lembra-te do que é o amor e trás minha filha de volta, porque quero que regresses com ela ao teu mundo, quando ele estiver completamente restituído.

 

- Senhor, se Laurema regressar à vida, como poderá, com este corpo, existir neste mundo, nesta dimensão?

 

- Primeiro trá-la à vida. Depois, os elementos da essência, se encarregarão de lentamente, ir substituindo a matéria grosseira que a cobre. Ademais, que esta já está morta. Esta, guerreiro, é a tua maior batalha. Não deixes que a dor do que já passou, te impossibilite de ser. Senão, nem tu terás a tua amada, nem eu terei a minha menina. E ela já sofreu demais, te digo eu, dentro da expansão e afirmação, da forma sólida..

 

Taudus, depositou Laurema sobre a montanha de pedras de mil cores, que irradiavam em simultâneo, uma infinidade de tons, violeta, azul, amarelo, escarlate, verde, vermelho, ocre, púrpura, etc., que se encontrava perto de si e, de imediato, parecendo entender o propósito do Guerreiro Sagrado, envolveram o corpo inerte de Laurema, com tal intensidade, que o pequeno corpo, jazendo isento de vida, completamente inconsciente de si, parecia ser a fonte de toda a luz ali existente. Todas as cores do Universo pareciam estar presentes, naquele instante, como que chamadas a intervir, numa tarefa aparentemente de todo impossível.

 

O Sol, aumentando a intensidade da sua força, lançou seus raios vivos sobre o corpo de Laurema e com a sua fonte de calor, inesgotável, penetrou cada partícula, de que este era composto, retirando dele, a rigidez gélida que o possuía, e parecia insistir em permanecer nele para sempre.

 

Travava-se, ali, uma luta magnânima, sem equivalência, na Guerra dos Mundos Eternos, tal era a importância, do pequeno objecto, ali presente, que ia, enquanto as forças actuavam sobre si, revelando metamorfose atrás de metamorfose, que pareciam não ir ter fim. Centenas de formas, já extintas, iam-se manifestando por escassos segundos, no pequeno e insignificante, corpo. Matérias puras ou ainda no seu estado evolutivo, reagrupavam-se insolentes, mostrando todo o seu poder de continuidade, na transformação de si próprias. Mas, nenhuma força actuante, se subjugava, perante aquilo a que assistia. Continuavam expelindo de si mesmos, toda a natureza de que eram compostos e concentravam-na no Inimigo de sempre. Que, astuto e poderoso por todo o Cosmos Criado, tentava impedir, consciente do seu domínio, sobre a vida e sobre a morte, esta vontade, de todos eles realizarem, o aparentemente impossível.

Já as guerras tinham sido muitas e muitas mais se seguiriam, até ao momento decisivo, onde uma das Forças, seria definitivamente aniquilada, para se atemorizarem, com a afronta visível, ali mesmo, num pequeno corpo, manifestada. Ah! Se Laurema, não tivesse optado, pela suspensão, ela mesma podia intervir, ajudando a menos desgaste de todas as energias, de seus Entes. Mas, mesmo sem a sua ajuda, nenhum desistira, do seu propósito de a trazer à Vida, fazendo exactamente o oposto daquilo por que lutavam. Continuariam a introduzir em Laurema, energia suficiente, para que esta despertasse do sono profundo a que se votara, aprisionando dentro dela a Essência da Vida. Nem que, para isso, tivessem que sucumbir todos e correr o sério risco de serem diluídos e integrados, também na matéria, pelo Predador incansável. O grande criador de mundos materiais. O temor era grande, elementais e elementos, guardavam, no seu intimo, o medo do fracasso, mas nenhum deles, revelou, por um instante que fosse aos outros, o seu próprio temor. As guerras e batalhas ganhas por todos eles, nos mundos das formas, já solidificadas, tinham sido igualmente difíceis de vencer e nem sempre o haviam conseguido com sucesso, porque muitos elementais não tinham consciência da sua própria natureza e eram os inesgotáveis aliados, dos seus próprios inimigos. A Grande Força Criadora, geradora, de mundos quase eternos.

 

Aqui, lutava-se, não só por Laurema, mas também por um futuro distante, onde a possibilidade do Retorno à Origem, pudesse realmente, um dia, ser uma possibilidade para todos. Era por isto, que Taudus e todos os outros, combatiam à milhões de makróns de tempo, em todas as esferas existentes. No entanto, não estavam sós, estes destemidos guerreiros, que descuravam a sua própria protecção, para dar vida à morte, lutando deste modo, num processo nunca visto - a permissão voluntária e consciente, da vida na matéria deste pequeno corpo, de modo a poder continuar o seu processo embrionário, até à plena realização da matéria pura -, num sitio distante, onde o Tempo e o Espaço não tinham penetrado, naqueles gigantescos vértices, espalhados por todo o Universo misturado, que sendo visíveis, abririam uma infinidade de espirais igualmente, gigantescas, que desintegrariam em simultâneo, qualquer matéria que a eles se chegasse; muitos outros, sem ocuparem, o Tempo/Espaço, ali permaneciam, resguardados de qualquer usurpação e davam o seu contributo, intensificando toda a luz do que sobrara do universo brilhante, impedindo uma aproximação à Terra Dupla, dos fazedores dos mundos.

 

Lutava-se por todo o lado, para impedir este processo, tão necessário à expansão do eterno usurpador. E, enquanto tudo isto decorria, o equilíbrio, noutros lugares, perigava toda a Essência. A decisão de Laurema - por desespero de uma procura, quase que infinita, em busca do seu amado, que nunca houvera conseguido encontrar -, de permanecer indefinidamente no estado de inconsciência, tinha atirado todos, para uma possível derrota, que ninguém queria. Uma derrota, que integraria de uma vez por todas e definitivamente a Essência na composição da matéria, dando a esta o Pleno poder, desde sempre ambicionado. Além disso, abrir-se-ia a possibilidade de uma invasão ao local hermeticamente fechado, a única esperança de um Retorno Contínuo de todos os dispersos, por vários mundos e várias formas de vida. Não podiam permitir, que tal Caos acontecesse. Desde o início da unificação dos Dois Universos, num único Universo, que se pelejava por todo o lado, para impedir uma devastação maior da Essência do Ente. Tinham que o conseguir. Todos ambicionavam o regresso definitivo à sua Origem, por isso, teriam que sair vencedores, nesta confrontação de forças e trazê-la de volta, mesmo contra a sua vontade.
A matéria-inteligente, de que era composto o minúsculo corpo de Laurema, lutava desesperadamente para permanecer no seu estado embrionário, aguardando novas oportunidades de uma qualquer recriação, num qualquer local do Universo Uno. Se, conseguisse repelir toda a energia que estava insistentemente a ser-lhe dirigida, por Taudus e os restantes, Laurema, estaria perdida de vez e, incapaz da sua própria extinção, seriam todos integrados, no sistema da Criação.

 

Nunca Sol com o seu poder duplo de destruidor da matéria-viva e em simultâneo protector de todo o Ente, prisioneiro na matéria, dando e permitindo a vida, por saber que ela contém o seu bem mais precioso, o Ente, foi tão imprescindível como neste momento. Não a querendo destruir e sim preservá-la, aquecia o pequeno corpo, fazendo germinar a vida na morte, ali presente. O amarelo-brilhante e intenso, tentava dar vida ao corpo morto, mas sentia-se brutalmente empurrado para trás, sem conseguir uma abertura mínima no corpo de Laurema onde pudesse penetrar, para assim, a trazer de novo à vida. Era uma luta difícil, mas nenhum elemento parecia querer desistir.

 

Lahra olhava fixa os olhos fechados de Laurema, que parecia querer continuar inanimada, para que logo que estes se abrissem, os aprisionar nos seus e reter-lhe o pensamento, mantendo-o. Mas, sentia que no sono em que se encontrava, Laurema estava completamente inexistente, à mercê da matéria-inteligente que a rodeava, a aguardar que esta acordasse para a aprisionar sem demora noutra forma de vida.

 

Era difícil esta luta de mundos opostos e Laurema nem podia ajudar, pois não queria acordar com medo de ter que regressar à matéria. Só o amor de Taudus a poderia despertar deste sono de morte, e se, por escassos segundos, Laurema percebesse que havia encontrado o seu Senhor, nenhuma força do Universo a venceria, porque ele era a razão de seu Ser.

 

Taudus acarinhava seu rosto pequeno e, quando tudo parecia querer que Laurema dormiria eternamente, suspensa entre o existir e o não existir, Taudus despertou o Som-Do-Verbo dentro de si, utilizando a razão de sua existência.

 

 

(continua)


Saudades da D. BeataDaAldeia

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Sábado, 3 de Novembro de 2007

publicado por lazulli às 01:48


EscritoPorLazulli lazulli às 00:36
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Humanidade Escravizada (XVII)

 


(continuação)

 

 

Mas contentemo-nos todos nós, mortais, porque estes privilegiados de Sua Senhoria-Deus também deambulam pela Terra e estão sujeitos às mesmas leis materiais que todos nós. Embora, curiosamente, de humanidade não tenham nada. Dão-se ao luxo de guiar a Humanidade para um precipício de dor e ignorância, porque dizem que a Humanidade é incapaz de se governar a si própria. Enfim, a Humanidade é burra. Então, o dito Senhor deu-nos divinizados espirituais e temporais para que, depois de sermos «filhos» de Deus, tenhamos que ser «filhos» da Igreja e dos políticos/governantes que nos mantêm com o mínimo indispensável, tanto material como espiritualmente.

Se a dura realidade nos diz que «todo» o homem deve trabalhar interminavelmente para garantir o seu sustento, ficamos praticamente privados de ­tempo e mesmo meios (apesar de recebermos um «salário justo» pelo trabalho que desenvolvemos) para nos dedicarmos a nós próprios e, assim, entendermos a razão fundamental da nossa existência. Além disso, como o trabalho é algo muito honrado e agrada bastante a Deus, não gostando este de parasitas e de malandros e sim de homens honestos e trabalhadores que trabalhem incansavelmente até ao fim dos seus dias, os adeptos deste Deus incrível estão sempre atentos a quem não seguir estas regras, que o Mundo tem há anos e anos sem conta, fazendo-os pagar sempre a sua falta a este cumprimento, com todo o tipo de represálias, de modo a que estes «marginais» saibam quem manda e o que acontece a quem não cumprir com o que o seu «Deus» estipulou para o Homem. Daí criarem uma infinidade de leis, canónicas e estatais, que tiram a coragem a quem ousa não seguir a lei da sobrevivência, com castigos atrozes que vão desde o aniquilamento da sua sobrevivência material até à sua ­destruição mental, fazendo-o, consecutivamente, construir tudo aquilo que será inevitavelmente destruído para voltar a ser construído . Esta é a Lei da vida que tanto apregoam como valiosa. Instável como o próprio ser humano, que mais parece um louco a correr à volta de uma casa, sem entender quando começou a corrida ou quando esta terminou ou deve terminar. E é desta vivência incompreensível e cheia de lamentos de toda esta Humanidade acorrentada que partem todos eles, mais ignorantes do que no dia em que deram o ­primeiro grito. É assim que nascem e morrem, sem puderem dizer chega! Vamos acabar com isto! Ou se vive ou não se vive! Vegetamos, isso sim, acatando leis sobre leis que se sobrepõem umas às outras e nos sufocam, acabando por nos tornar escravos de tudo e de nada e, até, de nós mesmos.

Mas o medo que têm do Deus deste mundo é tão grande que nunca se atreverão a pensar em voz alta e as dúvidas que povoam as suas mentes pensantes acerca deste seu suposto Deus, cheio de mistérios escuros e que ­deixa os Homens divagar livremente sobre si, indiferente às mentiras que inventam, continuam por esclarecer. Daí que nenhum deles seja capaz de responder que Deus é este de quem tanto falam, porque têm medo dele e, ainda, porque apontam o dedo inquisidor quando alguém se atreve a dizer que este famoso Deus não existe ou que, pelo menos, não é o Deus de toda a Humanidade, devido às diferenças enormes que existem entre os seres humanos. Esta ­ousadia e afronta às suas crenças, que tanto os escandaliza, fá-los mais filhos de Deus do que realmente são? Ou será unicamente medo o que têm, por ­desconhecerem tudo e não terem a certeza absoluta de quem são, de onde vieram e para onde irão, nesse seu final mais que predestinado por esse Deus completamente desconhecido de todos eles? A sua falta de conhecimento é tão grande que não conseguem discernir o Deus real do Deus irreal, nem tão pouco o que serão eles ou como serão de verdade. Daí ficarem ofendidos e crucificarem todos os livres pensadores, alcunhando-os de difamadores e perigosos, quando tomam a defesa de um Deus que dizem amar acima de todas as coisas. Embora, para bem da verdade, Ele vá passando quase que despercebido pelas suas vidas, não obstante a dedicação que lhe dedicam no seu dia a dia. Se não fosse terem necessidade dos seus favores, bem que Ele não seria recordado por nenhum deles. O amor que dedicam a este seu suposto pai limita-se a um peditório constante, para uma melhor vivência. Pedidos e súplicas desesperadas que ­ficam sempre por atender e que ecoam por toda a Terra sem terem quem as ouça. A indiferença do «seu» Deus às suas súplicas é de uma incompreensão tão grande que, quando os vejo, espalhados ao deus-dará pela Terra imensa, ­interrogo-me se realmente têm consciência de não passarem de marionetas movidas por fios invisíveis, ao sabor do querer, de uma força maior, que não podem ouvir, amar, contactar, derrotar... até porque nem sequer a conhecem e, pelos vistos, não estão interessados em conhecer. De qualquer modo, a Deus, também pouco importa se os Homens o amam ou não. Quer, sim, que o ­adorem, que cumpram a sua lei (que se é o que as religiões nos tentam impingir estamos mal, porque é a lei do diz e não faz). Isto é: – fala de amor e pratica o ódio e a indiferença pelos outros. O amor não é coisa que interesse muito a esse Deus, nem tão pouco a verdade; quer sim que o adorem acima de tudo. Gostaria de saber o que ganha ele com isso. Cá para mim, o ego dele e a sua megalomania é a maior do Universo. Mas não quero desviar o meu pensamento pequenino no meio de tanta grandeza. É que, como descendente do homem, passei a ser subalterna deste e, como tal, um ser inferior que teve o privilégio de sua ­senhoria Deus Pai de todos os homens (o que creio ser verdade) de ser dada, ofertada, ao meu irmão homem para que este criasse a civilização, na Terra que Deus lhe deu. Daí que o meu pensamento seja realmente pequenino no meio de todas estas superioridades, mas não tanto assim que me impeça de perceber que, como mulher, eu crio e dou a vida (claro que só depois do ataque dos espermatozóides masculinos aos indefesos óvulos femininos) e, assim, saber que o homem descende da mulher e nunca a mulher do homem, pois é dentro do ventre dela que se gera e se cria a vida. Mas este Deus mentiroso reclama para si e os seus homens os meus direitos da criação, alegando o absurdo de eu ter descendido do homem. Daí que, legitimamente, afirme que este Deus não é o meu e sim um Deus dos homens e não sei se não cumprirão estes realmente com os desígnios obscuros deste seu Senhor poderoso ao implantar leis que causam dor e sofrimento a toda a humanidade. Mesmo que me digam, e com bastante frequência, que é o Homem que provoca a fome e a dor a outros seres humanos e que Deus não tem nada a ver com isso, porque é que Ele não os impede? Porque será? Porque não quer, não pode, ou porque não é o seu Deus? Se o seu Deus pudesse impedir, mas quisesse e permitisse todo este império do mal que alastra pela Terra, era o Deus que esperam? Deviam pensar sobre isto. Quanto a mim, quero é que esse Deus de quem todos falam se lixe juntamente com os filhos dele, porque não venero ninguém que permite a desigualdade humana em todos os aspectos. E como não sou primata, pelo menos no conceito dos mortais, não receio o desconhecido, nem lhe presto homenagem, em vida ou na morte. E depois, não gosto de megalómanos que só querem ser adorados, já me chega os que existem cá em baixo (ou cá em cima...!). Se não houver um Deus como eu o entendo fico sozinha, pois mais vale só do que mal acompanhada.


(continua)

 

doente

 

publicado por lazulli às 16:01
"reeditado"
SintoMe: ... em busca dos enganadores de povos

EscritoPorLazulli lazulli às 01:16
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Sábado, 22 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (9)

 


IX

 

 

 

 

Ainda com o corpinho inerte de Laurema junto ao seu peito, Taudus continuava a ouvir a voz do seu Senhor, som do Universo, a atravessar todo o seu Ente e trazer a todas as suas partículas a melancolia e determinação, dos anciões do Tempo: “Estamos no início da formação, dizia o ancião que compunha os sete elementos da vida, reuni-vos para nos desdobrarmos ... “ Começo. Um começo que não teve começo. Começo o Mundo que não esqueço. As trevas e a luz onde adormeço. Começo o Princípio. O Nada. A Vida Criada da Mente desformizada. O Uno. O Todo. Paro meu olhar no Infinito, e vejo o Início do Todo. No Princípio o Ente perdido. Laurema está lá. Envolto na Cápsula. Isento do perigo que está chegando. Do exterior, do outro Todo (do nada). Caminham a Nosso encontro, a Força. Como conduzem velozmente aquelas mentes. Como é difícil para Nós, embriões do Espaço existente no outro lado, entender a velocidade daquelas mentes formadas. Laurema está só. Acabada de Nascer. O conjunto do Todo, num só. Partículas de Cristais que se unem. Tantos milénios para a Formação do Todo, para a Formação dos Mundos. E, é ainda, tão pequena Laurema. Tão isenta, que tememos por Si. Sabíamos ter Criado no Nosso mundo Inexistente a Existência, mas não programamos a sua Evolução de mentes. E eis que o Mensageiro do Espaço, Nos amedronta, com novos Ideais. Sabíamos que dormiam e não tivemos tempo, antes de despertarem. Por isso, Criamos Laurema, que é um pouco de Todos Nós. É o Todo. É a Vida. É a essência dos Entes que serão o Ente que formará as Mentes, para retornarem ao Ente. É chegado o Tempo, em que não podemos mais evitar destruir as partículas de que somos feitos, e formar Laurema, que continua adormecida. E ela! Só ela! Para lá do Nosso próprio horizonte. Eis-nos, lá! Pulsando com Ela. Quando Laurema foi Criada, de cada um de Nós, saiu a Nossa dor, agonia e desespero.

A voz do Supremo, dá tempo a que Taudus se recomponha das dolorosas recordações do início da formação, e apesar de o ver estagnado chorando sobre o corpo de Laurema, não o pode poupar a outra difícil lembrança, a da separação de ambos para os mundos materiais, onde Taudus se transforma no guerreiro universal e Laurema num mero joguete das forças que Taudus combatia por todo o lado, com sucessos plenos de reconquista, de cada ente perdido ou esquecido. Sabendo as forças materiais, onde Laurema se encontrava, vingaram-se nela, quase por tempo ilimitado, penalizando-a pelo sucesso do seu outro eu. Isto sim, doeria a Taudus, mais do que a separação a que estavam sujeitos.

- Taudus, preciso, para que não continues a culpar-me e assim pôr em perigo toda a essência do Universo, explicar-te porque Laurema tem essa condição de existência, estás preparado para continuar a ouvir-me? É difícil para mim, ver-te sofrer, guerreiro amado, mas não posso nem devo calar mais esse momento. Por ti e por ela, por todos nós.

- Pai, a dor é já grande demais para que não possa caber uma outra dor. Fala-me tudo. Ajuda-me com as armas da verdade a ter solução eficaz para a libertação de Laurema. Porque vogava ela nos céus da Terra da 2ª dimensão? A Terra é composta por 4ª dimensões, e em qualquer um dos outros mundos paralelos, a lei da matéria é muito mais fraca e a essência tem muito mais poder. Porquê escolher logo a pior das quatro?

- Sempre foste um guerreiro capaz de suportar a verdade, serás também capaz de suportar a que tenho para te comunicar? "Recomeçando a transmissão, o Supremo fá-lo recordar quando teve início a separação física de ambos."

- O desdobramento que vos separou, até hoje, deu-se quando as Crianças Eternas, junto ao mar... “E eram pequenos eles, tão pequenos, que nenhum olho humano os distinguia junto da areia, com a água a bater-lhes nos pés descalços. Sentados, mexiam os pés irrequietos, nas ondas, que eram bem mais pequenas que eles, e divertiam-se sem saberem porquê, mas seus corações e cabeças estavam vazios de pensamentos e sentimentos. Depois de muito tempo passado, onde o tempo deixou de ter significado, levantaram-se de mãos dadas e caminharam pela praia fora, sem saberem se a praia tinha ou não extremidade. Pararam muitas vezes no seu percurso errante, para molharem as mãos na água que os chamava. O Sol, então, esse, caminhava lado a lado com eles, como se também, de um companheiro se tratasse. E eles nem se interrogaram com este novo-velho amigo, que os não deixava. E, foi assim, que estiveram sem que as palavras brotassem. Penso até que eles não sabiam falar. Mas sentir?!... Eles sentiam o nada. A menina, tropeçou de repente numa pedra pequena à sua frente, e o primeiro Ai! foi pronunciado pela sua voz frágil e até ali inexistente. O menino sentiu a sua dor, como se a pedra o tivesse agredido a ele, em vez de ser a ela. Mas a sua dor era maior, porque juntou a dor dela à dele. Ajoelhou, pegando no pé da menina, para evitar uma dor que já tinha acontecido. E na sua inocência de eterna criança, não entendeu. Ele houvera ficado com as duas dores. Porque continuava então a menina a chorar, silenciosamente? Mesmo porque a pedra já não estava lá. O desespero instala-se no pequeno grande homem, fazendo-o erguer os olhos para cima. Ao longe... E pela primeira vez, desde que ali haviam chegado, ele viu gente, gente que o chamava já à algum tempo. E o movimento também deveria ser grande, pois que pareceu-lhe de repente o mar. Mas este estava do seu lado oposto. Olhou o mar de novo, para se certificar que não se houvera enganado, e retornou o olhar para este novo mar, só que este era, um mar de gente. Largando a menina na praia, levou seus pezinhos até aquele novo lugar que já não gostava, mas tinha que conhecer. A menina e o Sol, olhavam-no, ao longe, mas a areia da praia não lhes permitia ver o seu “Ser”. As marcas bem fundas que se estendiam até ao outro lado... A menina olhou o seu amigo, à procura de resposta, mas o Sol não lhe respondeu. Limitou-se a escurecer, e ela viu que também ele ficara triste com a perda do menino. As lágrimas, coisa nova também, afloraram aos seus olhos perdidos, e sem esperar por ela própria, correu à procura do seu amigo. Mas quando lá chegou, ele também houvera desaparecido, e ela deambulou pela Terra fora, sempre à espera de o encontrar, e o levar de novo para a praia. Até que o seu amigo Sol, ainda hoje lá se encontra, à espera que os meninos regressem. Mas eles tardam a regressar. Daí que o Sol deixou o seu esconderijo, e resolveu ajudar. Mas as crianças são difíceis de encontrar. E até o Sol, está a chorar. Vamos acabar com as lágrimas do Sol e ajudá-lo a encontrar os seus meninos, para que a praia volte a ser o que foi um dia? A praia está lá e o Sol também, porque apesar de os procurar pelo mundo inteiro, o Sol não sai do seu lugar, pois sabe que um dia, os meninos vão regressar. O Sol sente falta deles e eles sentem a falta do Sol, só que quanto mais tempo eles estiverem perdidos do seu grande amigo, mais tempo vão continuar ocultos no meio da multidão e mais a sua praia fica distante... embora, a gente continue a guardar os seus verdadeiros corpos, que, adormecidos lado a lado à eternidades continuam a aguardar o despertar em conjunto. Mas isso, só acontecerá quando aquele que dorme despertar, e aí a Grande Batalha terá lugar por todo o lado. “

– E foi assim Taudus, que acabaram separados um do outro. Laurema, não sabia que tu estavas integrado na essência cósmica e integrou-se na matéria para te salvar. Laurema, fez com que eu não entendesse esse seu “nascimento”. Dizer-te poderia também ser perder-te, pois irias lá. Esperei e levei a que ela te procurasse mas, como sabes, a matéria não deixa nenhum filho da hierarquia divina escapar se o encontrar. E ela? Ela era uma guerreira num mundo onde os guerreiros não existem... e a matéria matou o seu corpo, antes que a águia chegasse. Também o Nosso Universo chora a sua morte, mas, Laurema minha filha, ainda não é extinta e esse mundo que estás é o oposto do dela, por isso, eu levantarei toda a essência desse teu mundo e tu a chamarás do sono em que se encontra, e se ela te ouvir no mundo do pensamento, poderá ainda regressar. Deposita seu corpo no alto da montanha e dá-lhe amor, porque toda a essência da vida desse Planeta pode ressuscitar a minha filha querida.

- Senhor, não deixes que a perca de novo. Aquando da destruição de nosso Universo, foi já difícil nossa separação... perdoa-me, Senhor amado, mas se necessário for, toma a minha vida pela dela, e eu trocarei minha alma com ela.

- Se ela entrar no mundo da essência, não permitirei que mais ninguém entre na matéria, e Laurema não quereria essa tua dádiva a seu Ser. Já me dói o que sofreu. Estás no mundo onde a nossa essência predomina, e tens de tentar trazer de volta Laurema à vida porque, de contrário, ela pode nunca chegar a ti nem a mim, e pior ainda é que vocês, podem nunca mais despertar. Além disso, não a quero mais naquele mundo onde ela foi de vida em vida, cada vez mais confusa e sem entender o porquê de sua existência.

(continua)

 

sozinha
contos, eu, livros. poesia
publicado por lazulli às 01:59
Sábado, 13 de Outubro de 2007
5 comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 03:19
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Mary Paz - Segundo Capítulo (8)

 

 

VIII

 

 

 

Quando se conseguir separar a matéria inteligente do Ente e fazer prevalecer a Lei da Verdade e da Justiça, tu a encontrarás de novo porque ela não sucumbirá à Lei da Matéria. Li os pensamentos dela quando a trazia, e ela, não voltará às formas da matéria que abomina. Optou por ficar suspensa sem consciência de si própria e, assim, fugir à reintegração na matéria viva. Vogará inconsciente de si, até à eternidade se for preciso, mas à matéria recusa, definitivamente, entregar a sua alma. Não te esqueças que também ela é uma guerreira da Verdade e da Justiça. Com certeza o seu Ente vai sobreviver e vocês encontrar-se-ão no reino da vida e passearão de novo por entre os cristais de luz de que fazeis parte. Não desesperes, que o vosso reencontro depende da nossa luta. Pega a tua arma flamejante e luta. Destrói a matéria corrompida e vinga a dor da tua amada nesse mundo tão vil, onde teve a infelicidade de cair.

- Não, porque ela ficará presa no Tempo se conseguir lutar para não regressar à roda da vida, e o seu pensamento sofrerá mais por não poder lutar, por saber que nada pode enquanto estiver presa no maldito Tempo criado por intermédio dos Espaços abertos e em permanente expansão para a preservação da matéria. Se eu a tivesse encontrado ainda com vida, poderia anular o poder da matéria e libertá-la! Os deuses nada fizeram para que isto fosse possível! Quero estar com ela, quero amar o seu Ser depois destes milénios. Não posso permitir a sua morte, por mim e por ela. Pai!... Porque nos abandonaste?! Porque permitiste que Laurema sofresse a Lei da Matéria, tão directamente!? O que fazes tu no teu mundo inexistente?! Porque deixaste morrer aquela que é tua filha directa!? Porque me provocas tanta dor depois de tanta luta!? Libertei tantos seres das garras da matéria em tantos mundos de tantas formas, e não me orientaste para salvar aquela que amo e, tu sim, ouvias os seus apelos distantes e sabias onde se encontrava, porque a tua parte está em toda a parte, ou parte de ti, exista ou não exista.

- Taudus!

Uma voz penetrou o seu Ente e toda a vida do mundo brilhante fervilhava ao som do verbo.

- Não me acuses do que não tenho culpa. Levei-te Laurema como te prometi e, também eu, tenho sofrido a sua dor; mais ainda.... porque a ouvia e sabia onde se encontrava. Mas quero que saibas porque Laurema entrou na roda da vida: Foi por ti! Era a ti que ela procurava quando decidiu entrar livremente nessa forma de vida. Era a ti que ela queria salvar. Tinha-te já procurado em todos os mundos e decidiu, ao contrário de ti, procurar-te naquele em que nenhum Ente da hierarquia quer cair, por saber que busca a sua própria morte. Foi por amor, que ela o fez. Por amor a ti. Por essa altura já não pude fazer nada. Quando a tentei impedir, já ela ponto de luz vogando pelos céus da Terra da 2ª dimensão, se dirigia vertiginosamente para nele se alojar, ao corpo de um pequeníssimo ser acabado de ser criado há muito pouco tempo. Estava um dia de sol radioso, nessa manhã, sobre aquela parte da Terra e uma mulher carregava um pequeno ser no intuito de o levar à mãe; mas a meio do carreiro ornado de silvas agrestes que seguia, bebe o leite do bebé que chora de fome. Laurema, dá-se conta dessa monstruosidade quando olhava o campo de erva que era atravessado por esse mesmo carreiro e decide salvar o bebé que estava envolto num xaile branco que irradiava uma aura branca e brilhante, com os raios que o sol, pousava suavemente sobre ele. Nesse instante, só pensou em salvar o bébe luminoso lá ao fundo e acabou presa dentro dele. Se ela pensou, que o bebé poderias ser tu, não sei... só sei que não aceitou o comportamento da mulher. Sentiu o bebé em perigo. Mas, mediante as circunstâncias é provável o seu engano perante o quadro a que assistiu lá do alto. O bebé era diferente e estava em perigo. Daí ela passou a ser o bebé e o bebé a ser ela, simultaneamente. Mais uma divindade apanhada na matéria mais ou menos grosseira. Mais uma divindade que se esquece esporadicamente de todo o mal que os próprios humanos lhe podem provocar. Mais uma divindade que vai em socorro daqueles que na remota antiguidade os combateram para ficar com a Terra só para si. A tristeza, também me invade por mais esta perda. Estou cansado de não conseguir impedir a loucura instantânea de qualquer deus ou deusa, que imprevidente, sempre cai em mundos que não lhes pertence, arriscando toda a sua imortalidade. O corpo que repousa, inerte, nos teus braços, é o bebé indefeso de à anos atrás, que contém o Ente de Laurema minha filha.

E, com a voz desgastada pela enorme dor que sentia, o Supremo continuou a comunicar com Taudus, numa tentativa de ele entender e interferir nesta imensa catástrofe, que era a perda da menina.

- Apesar da tua entrada nos mundos materiais ter permitido a Grande Luta Universal contra os usurpadores da Essência, não te esqueças do princípio da formação quando Urion foi invadido pelos Gorquis e nenhum de nós pôde prevalecer, sendo obrigados a desdobrarmo-nos em pensamento naquele que teria por lei lutar até à sua própria destruição e assim fazer-nos ressurgir dele próprio. Como sabes, muitos Espaços abertos surgiram no Tempo, porque ao ser criado o Tempo e o Espaço, poderíamos existir eternamente. Assim, ao criarmos Laurema, o embrião do Espaço, teríamos a garantia do Retorno Contínuo, mas, não precisando dizer-te quem é ou quem são Laurema, porque o amor eterno e para a eternidade manter-vos-á sempre conscientes de vós próprios, devo informar-te como e quando se deu a separação do Um em Dois, mesmo continuando na sua verdadeira essência a ser Um.

 

na mesma

ficção, livros
publicado por lazulli às 13:19
Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Dois comentários


EscritoPorLazulli lazulli às 03:01
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