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Domingo, 3 de Abril de 2016

Mátria

 
 
Chora o duplo a Mátria-Mãe
lágrimas de fogo ardente
esvaem-se perdidas
no sangue derramado
infiltrado
 
das mesmas vidas
 
Olha em mágoa
incontida
a preferida
no topo do ermitério
 
perdida
 
Coberta de sangue inocente
está a Terra embebida
10 000 anos já se foram
e o usurpador 
continua a devastar
a essência humana
privilégio "maldito"
 
de poucos
 
No princípio
Pós chegada
Mataram e devastaram
Impérios reduzidos a pó e cinzas
Crenças inúteis para criaturas úteis
genuínas
Estátuas tombaram
Cabeças rolaram
Pedras empilharam-se pelos solos áridos 
Pouco sobrou do mundo antigo
Ancestralidade perdida
e novas vidas
 
Senhores e escravos
escravos e senhores
Regimes dogmáticos
imbuídos de políticas
Poder de fazer
leis absurdas
nos comandos do mundo
Vidas inocentes destruídas
As mesmas vidas
 
Um só deus desconhecido de todos
Ouro é seu melhor contributo
Promete um paraíso desconhecido
ao subjugado
ao seu poder único
incontestado
Divide-os por género
matando um deles
não para sempre
porque dele precisa
p'ra procriar
Mais escravos
O ouro deve continuar
Aterrados
pela perda da sua humanidade
heróis tombam de espada na mão
para evitar
vassalagem sem perdão
aos que aqui estão
 
Cabeças vergam-se à Terra
Agradecem as vidas miseráveis
Oferta de um deus desconhecido
vindo de longe
de muito longe
Por um sopro de ar
inútil
destroem a sua natureza
implantando natureza desconhecida
Erguem-se templos
precisos
 
2 000 se passaram
Muitas "leis" foram lançadas
A pobreza a miséria
É paga de ouro dado
A promessa era na morte
de um dia
Os senhores deuses
carrascos ao serviço do divino desconhecido
empanturram-se
de prazeres hediondos
desconhecidos dos humanos perdidos
submetidos
A conquista estava feita
A promessa a caminho
Realiza-se lenta
mas eficaz
Guerras e batalhas
grassam por toda a Terra
não toda
completamente conquistada
na "alma" ou no "corpo"
dos que ousam prevalecer
eles próprios
 
Era preciso mudar
Trazer algo de novo
ao povo
Os impérios não caíram
completamente
Ressurgiam imponentes
audazes eficazes
espalhavam-se pela Terra
numa mistura entre o antigo e o moderno
fazem perigar
o grande plano conquistador
de terra alheia
É preciso impedir o seu avanço
É preciso alterar o curso do mundo
que não verga
A humanidade tem a essência do cosmos
Algo que não é combatido
num só combate
São precisos muitos ardis
para sugar a essência não controlada
pelos predadores
Daí...
Outra ordem surge
Tão dúbia como a anterior
Afastando na aparência
os antigos "seguidores"
Mais eficaz
Mais poderosa
Com o amor
transformado em ódio
ao semelhante
A conquista já se alargou
ao canto superior da Terra
onde muitos se mantêm
gente
Mais impérios caiem por terra
Mais guerras e mais batalhas
Linhas territoriais
são conseguidas
Mais "leis" de amor feitas morte
Desta feita
Mais letras humanas surgem
do nada
Divinas
Mais do que o divino ausente
Nada de bom no bom
surge daqui
Inicia-se e rompe o mundo em esplendor
O amor
Segunda Vaga de luz
ao dispor
dos mesmos
Dor, sacrifício e sujeição
Tortura e morte
para os que aqui estão
 
Desta vez estendem-se mais longe
O oeste é seu limite
A terra fica negra de tanta morte
Aos heróis da Antiguidade
deram os guerreiros continuidade
Novas espadas travam novas batalhas
Novos mundos se criam
por persistência e teimosia
Duas forças se "criam"
Mas a mistura já foi feita
O antigo mistura-se com o moderno
4 000 anos já se foram
Na mente humana formatada
com o vírus orgânico
transmitido de boca em boca
Germina a semente
da serpente lançada
que não acaba
Quando todos a julgavam
já exterminada
 
 
Numa paz débil
A mente brilha
Ainda cancerígena
Lambendo ainda as feridas das fogueiras
A humanidade caminha
em esperança
Recupera o tempo perdido
E mostra seu esplendor e inteligência
A igualdade dos primeiros tempos
espalha-se como um Sol
Sacode a baba da cobra que os enrola
Estão perto do progresso devido 
Da verdade. justiça liberdade. 
Amizade entre irmãos
da mesma espécie
Prosperidade
Assim pensam eles
na sua ingenuidade humana
Mas a tocha que lhes trazem
é a mesma 
Só que não sabem
Nem supõem
que os pilares onde assentam
suas crenças
São falsos
Trazidos pelos mesmos
na sua luta contra a raça-humana
Sempre ocultos 
aos olhos de todos os crentes de sistemas perniciosos
ao vivente
A gente
 
O pérfido vingador
Rei e senhor de muitas guerras e batalhas
não se contenta
A terra prometida continua prometida
Do olho negro espreita
e solta a aliança aparentemente perdida
Ouro negro eclode do subsolo
A aliança mais uma vez se concretiza
Ouro riqueza desmedida
Salivam loucos de alegria
por beneficio tardio
Estavam preparados à muito tempo
cumprindo os preceitos malditos
Mereciam
Mereciam o ouro negro
esta legião negra na alma
zelosa do oculto
Chegara a sua vez
E o terceiro irmão rejubila de alegria
E avança ao mundo inteiro
Com dinheiro
Milhões lhe prestam vassalagem
Rodopiam esvaziando suas mentes
de humanidade
E volta a animalidade
dos desalmados
Sangue jorra e continua a jorrar
Ninguém vê
Por encobrimento dos mesmos
noutros locais
aguardam
na esperança encoberta
das areias do deserto longínquo
onde dorme
a Arca... "perdida" "roubada"
vinda de fora
Absorve-os
E ao mundo inteiro
O dinheiro
 
Ambiciosa escumalha
quer tomar parte
desta nova/velha
senhora que rasteja desde o Deserto
à 10 000 anos
Sai da arca e mostra-se
Bebe sangue
Sangue humano
A imortalidade
E... lá continua sua marcha
Dirige-se ao centro
A nova legião segue-a desde o deserto
Imbatível
A mesma linhagem está entre eles
Uns e outros são os mesmos de antes
Com nomes diferentes em vários locais da Terra
E seus crentes atacam-se entre si
Mas eles não morrem
Nunca morrem
Nunca a raça humana
viveu tal terror e desumanidade
 
Tal desigualdade
 
Aqueles que descansam na paz
são atacados
Por todos os lados sucumbem
Não acreditam
que veneram a cobra desde sempre
Que ela está prestes a completar o seu círculo imundo
de dominar o mundo.
 
Sobrarão os filhos da serpente
escondida
na Terra prometida
 
Quem salvará a humanidade?!
Quem lhes fará frente?!
Quem os expulsará da Terra que não é deles?!
Ninguém!
 
O mesmo pérfido predador
A mesma terra prometida
Aguarda a chegada
da prol já existente
A "alma" humana está contaminada
Por adorações bizarras
a deuses desconhecidos
Com feroz legião de adeptos
perseguem os perseguidos
A Terra
é a mesma
Quem a ocupa
Não!

amorc.jpg

 
A Mátria chora
na  Terra destruída 
a Preferida
SintoMe: triste por tanta mentira à humanidade
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EscritoPorLazulli lazulli às 19:58
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (10)

(continuação)

 

 

X

 

 

 


- Senhor, ouço-te, mas a dor perturba-me como se fora antes da formação. Fica comigo, até sabermos se Laurema, regressa do sono da morte e orienta meu Ser.

 

- O amor, Taudus, o amor. Lembra-te do que é o amor e trás minha filha de volta, porque quero que regresses com ela ao teu mundo, quando ele estiver completamente restituído.

 

- Senhor, se Laurema regressar à vida, como poderá, com este corpo, existir neste mundo, nesta dimensão?

 

- Primeiro trá-la à vida. Depois, os elementos da essência, se encarregarão de lentamente, ir substituindo a matéria grosseira que a cobre. Ademais, que esta já está morta. Esta, guerreiro, é a tua maior batalha. Não deixes que a dor do que já passou, te impossibilite de ser. Senão, nem tu terás a tua amada, nem eu terei a minha menina. E ela já sofreu demais, te digo eu, dentro da expansão e afirmação, da forma sólida..

 

Taudus, depositou Laurema sobre a montanha de pedras de mil cores, que irradiavam em simultâneo, uma infinidade de tons, violeta, azul, amarelo, escarlate, verde, vermelho, ocre, púrpura, etc., que se encontrava perto de si e, de imediato, parecendo entender o propósito do Guerreiro Sagrado, envolveram o corpo inerte de Laurema, com tal intensidade, que o pequeno corpo, jazendo isento de vida, completamente inconsciente de si, parecia ser a fonte de toda a luz ali existente. Todas as cores do Universo pareciam estar presentes, naquele instante, como que chamadas a intervir, numa tarefa aparentemente de todo impossível.

 

O Sol, aumentando a intensidade da sua força, lançou seus raios vivos sobre o corpo de Laurema e com a sua fonte de calor, inesgotável, penetrou cada partícula, de que este era composto, retirando dele, a rigidez gélida que o possuía, e parecia insistir em permanecer nele para sempre.

 

Travava-se, ali, uma luta magnânima, sem equivalência, na Guerra dos Mundos Eternos, tal era a importância, do pequeno objecto, ali presente, que ia, enquanto as forças actuavam sobre si, revelando metamorfose atrás de metamorfose, que pareciam não ir ter fim. Centenas de formas, já extintas, iam-se manifestando por escassos segundos, no pequeno e insignificante, corpo. Matérias puras ou ainda no seu estado evolutivo, reagrupavam-se insolentes, mostrando todo o seu poder de continuidade, na transformação de si próprias. Mas, nenhuma força actuante, se subjugava, perante aquilo a que assistia. Continuavam expelindo de si mesmos, toda a natureza de que eram compostos e concentravam-na no Inimigo de sempre. Que, astuto e poderoso por todo o Cosmos Criado, tentava impedir, consciente do seu domínio, sobre a vida e sobre a morte, esta vontade, de todos eles realizarem, o aparentemente impossível.

Já as guerras tinham sido muitas e muitas mais se seguiriam, até ao momento decisivo, onde uma das Forças, seria definitivamente aniquilada, para se atemorizarem, com a afronta visível, ali mesmo, num pequeno corpo, manifestada. Ah! Se Laurema, não tivesse optado, pela suspensão, ela mesma podia intervir, ajudando a menos desgaste de todas as energias, de seus Entes. Mas, mesmo sem a sua ajuda, nenhum desistira, do seu propósito de a trazer à Vida, fazendo exactamente o oposto daquilo por que lutavam. Continuariam a introduzir em Laurema, energia suficiente, para que esta despertasse do sono profundo a que se votara, aprisionando dentro dela a Essência da Vida. Nem que, para isso, tivessem que sucumbir todos e correr o sério risco de serem diluídos e integrados, também na matéria, pelo Predador incansável. O grande criador de mundos materiais. O temor era grande, elementais e elementos, guardavam, no seu intimo, o medo do fracasso, mas nenhum deles, revelou, por um instante que fosse aos outros, o seu próprio temor. As guerras e batalhas ganhas por todos eles, nos mundos das formas, já solidificadas, tinham sido igualmente difíceis de vencer e nem sempre o haviam conseguido com sucesso, porque muitos elementais não tinham consciência da sua própria natureza e eram os inesgotáveis aliados, dos seus próprios inimigos. A Grande Força Criadora, geradora, de mundos quase eternos.

 

Aqui, lutava-se, não só por Laurema, mas também por um futuro distante, onde a possibilidade do Retorno à Origem, pudesse realmente, um dia, ser uma possibilidade para todos. Era por isto, que Taudus e todos os outros, combatiam à milhões de makróns de tempo, em todas as esferas existentes. No entanto, não estavam sós, estes destemidos guerreiros, que descuravam a sua própria protecção, para dar vida à morte, lutando deste modo, num processo nunca visto - a permissão voluntária e consciente, da vida na matéria deste pequeno corpo, de modo a poder continuar o seu processo embrionário, até à plena realização da matéria pura -, num sitio distante, onde o Tempo e o Espaço não tinham penetrado, naqueles gigantescos vértices, espalhados por todo o Universo misturado, que sendo visíveis, abririam uma infinidade de espirais igualmente, gigantescas, que desintegrariam em simultâneo, qualquer matéria que a eles se chegasse; muitos outros, sem ocuparem, o Tempo/Espaço, ali permaneciam, resguardados de qualquer usurpação e davam o seu contributo, intensificando toda a luz do que sobrara do universo brilhante, impedindo uma aproximação à Terra Dupla, dos fazedores dos mundos.

 

Lutava-se por todo o lado, para impedir este processo, tão necessário à expansão do eterno usurpador. E, enquanto tudo isto decorria, o equilíbrio, noutros lugares, perigava toda a Essência. A decisão de Laurema - por desespero de uma procura, quase que infinita, em busca do seu amado, que nunca houvera conseguido encontrar -, de permanecer indefinidamente no estado de inconsciência, tinha atirado todos, para uma possível derrota, que ninguém queria. Uma derrota, que integraria de uma vez por todas e definitivamente a Essência na composição da matéria, dando a esta o Pleno poder, desde sempre ambicionado. Além disso, abrir-se-ia a possibilidade de uma invasão ao local hermeticamente fechado, a única esperança de um Retorno Contínuo de todos os dispersos, por vários mundos e várias formas de vida. Não podiam permitir, que tal Caos acontecesse. Desde o início da unificação dos Dois Universos, num único Universo, que se pelejava por todo o lado, para impedir uma devastação maior da Essência do Ente. Tinham que o conseguir. Todos ambicionavam o regresso definitivo à sua Origem, por isso, teriam que sair vencedores, nesta confrontação de forças e trazê-la de volta, mesmo contra a sua vontade.
A matéria-inteligente, de que era composto o minúsculo corpo de Laurema, lutava desesperadamente para permanecer no seu estado embrionário, aguardando novas oportunidades de uma qualquer recriação, num qualquer local do Universo Uno. Se, conseguisse repelir toda a energia que estava insistentemente a ser-lhe dirigida, por Taudus e os restantes, Laurema, estaria perdida de vez e, incapaz da sua própria extinção, seriam todos integrados, no sistema da Criação.

 

Nunca Sol com o seu poder duplo de destruidor da matéria-viva e em simultâneo protector de todo o Ente, prisioneiro na matéria, dando e permitindo a vida, por saber que ela contém o seu bem mais precioso, o Ente, foi tão imprescindível como neste momento. Não a querendo destruir e sim preservá-la, aquecia o pequeno corpo, fazendo germinar a vida na morte, ali presente. O amarelo-brilhante e intenso, tentava dar vida ao corpo morto, mas sentia-se brutalmente empurrado para trás, sem conseguir uma abertura mínima no corpo de Laurema onde pudesse penetrar, para assim, a trazer de novo à vida. Era uma luta difícil, mas nenhum elemento parecia querer desistir.

 

Lahra olhava fixa os olhos fechados de Laurema, que parecia querer continuar inanimada, para que logo que estes se abrissem, os aprisionar nos seus e reter-lhe o pensamento, mantendo-o. Mas, sentia que no sono em que se encontrava, Laurema estava completamente inexistente, à mercê da matéria-inteligente que a rodeava, a aguardar que esta acordasse para a aprisionar sem demora noutra forma de vida.

 

Era difícil esta luta de mundos opostos e Laurema nem podia ajudar, pois não queria acordar com medo de ter que regressar à matéria. Só o amor de Taudus a poderia despertar deste sono de morte, e se, por escassos segundos, Laurema percebesse que havia encontrado o seu Senhor, nenhuma força do Universo a venceria, porque ele era a razão de seu Ser.

 

Taudus acarinhava seu rosto pequeno e, quando tudo parecia querer que Laurema dormiria eternamente, suspensa entre o existir e o não existir, Taudus despertou o Som-Do-Verbo dentro de si, utilizando a razão de sua existência.

 

 

(continua)


Saudades da D. BeataDaAldeia

amor, eu, ficção, livros

Sábado, 3 de Novembro de 2007

publicado por lazulli às 01:48


EscritoPorLazulli lazulli às 00:36
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 O que é?
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Humanidade Escravizada (XVII)

 


(continuação)

 

 

Mas contentemo-nos todos nós, mortais, porque estes privilegiados de Sua Senhoria-Deus também deambulam pela Terra e estão sujeitos às mesmas leis materiais que todos nós. Embora, curiosamente, de humanidade não tenham nada. Dão-se ao luxo de guiar a Humanidade para um precipício de dor e ignorância, porque dizem que a Humanidade é incapaz de se governar a si própria. Enfim, a Humanidade é burra. Então, o dito Senhor deu-nos divinizados espirituais e temporais para que, depois de sermos «filhos» de Deus, tenhamos que ser «filhos» da Igreja e dos políticos/governantes que nos mantêm com o mínimo indispensável, tanto material como espiritualmente.

Se a dura realidade nos diz que «todo» o homem deve trabalhar interminavelmente para garantir o seu sustento, ficamos praticamente privados de ­tempo e mesmo meios (apesar de recebermos um «salário justo» pelo trabalho que desenvolvemos) para nos dedicarmos a nós próprios e, assim, entendermos a razão fundamental da nossa existência. Além disso, como o trabalho é algo muito honrado e agrada bastante a Deus, não gostando este de parasitas e de malandros e sim de homens honestos e trabalhadores que trabalhem incansavelmente até ao fim dos seus dias, os adeptos deste Deus incrível estão sempre atentos a quem não seguir estas regras, que o Mundo tem há anos e anos sem conta, fazendo-os pagar sempre a sua falta a este cumprimento, com todo o tipo de represálias, de modo a que estes «marginais» saibam quem manda e o que acontece a quem não cumprir com o que o seu «Deus» estipulou para o Homem. Daí criarem uma infinidade de leis, canónicas e estatais, que tiram a coragem a quem ousa não seguir a lei da sobrevivência, com castigos atrozes que vão desde o aniquilamento da sua sobrevivência material até à sua ­destruição mental, fazendo-o, consecutivamente, construir tudo aquilo que será inevitavelmente destruído para voltar a ser construído . Esta é a Lei da vida que tanto apregoam como valiosa. Instável como o próprio ser humano, que mais parece um louco a correr à volta de uma casa, sem entender quando começou a corrida ou quando esta terminou ou deve terminar. E é desta vivência incompreensível e cheia de lamentos de toda esta Humanidade acorrentada que partem todos eles, mais ignorantes do que no dia em que deram o ­primeiro grito. É assim que nascem e morrem, sem puderem dizer chega! Vamos acabar com isto! Ou se vive ou não se vive! Vegetamos, isso sim, acatando leis sobre leis que se sobrepõem umas às outras e nos sufocam, acabando por nos tornar escravos de tudo e de nada e, até, de nós mesmos.

Mas o medo que têm do Deus deste mundo é tão grande que nunca se atreverão a pensar em voz alta e as dúvidas que povoam as suas mentes pensantes acerca deste seu suposto Deus, cheio de mistérios escuros e que ­deixa os Homens divagar livremente sobre si, indiferente às mentiras que inventam, continuam por esclarecer. Daí que nenhum deles seja capaz de responder que Deus é este de quem tanto falam, porque têm medo dele e, ainda, porque apontam o dedo inquisidor quando alguém se atreve a dizer que este famoso Deus não existe ou que, pelo menos, não é o Deus de toda a Humanidade, devido às diferenças enormes que existem entre os seres humanos. Esta ­ousadia e afronta às suas crenças, que tanto os escandaliza, fá-los mais filhos de Deus do que realmente são? Ou será unicamente medo o que têm, por ­desconhecerem tudo e não terem a certeza absoluta de quem são, de onde vieram e para onde irão, nesse seu final mais que predestinado por esse Deus completamente desconhecido de todos eles? A sua falta de conhecimento é tão grande que não conseguem discernir o Deus real do Deus irreal, nem tão pouco o que serão eles ou como serão de verdade. Daí ficarem ofendidos e crucificarem todos os livres pensadores, alcunhando-os de difamadores e perigosos, quando tomam a defesa de um Deus que dizem amar acima de todas as coisas. Embora, para bem da verdade, Ele vá passando quase que despercebido pelas suas vidas, não obstante a dedicação que lhe dedicam no seu dia a dia. Se não fosse terem necessidade dos seus favores, bem que Ele não seria recordado por nenhum deles. O amor que dedicam a este seu suposto pai limita-se a um peditório constante, para uma melhor vivência. Pedidos e súplicas desesperadas que ­ficam sempre por atender e que ecoam por toda a Terra sem terem quem as ouça. A indiferença do «seu» Deus às suas súplicas é de uma incompreensão tão grande que, quando os vejo, espalhados ao deus-dará pela Terra imensa, ­interrogo-me se realmente têm consciência de não passarem de marionetas movidas por fios invisíveis, ao sabor do querer, de uma força maior, que não podem ouvir, amar, contactar, derrotar... até porque nem sequer a conhecem e, pelos vistos, não estão interessados em conhecer. De qualquer modo, a Deus, também pouco importa se os Homens o amam ou não. Quer, sim, que o ­adorem, que cumpram a sua lei (que se é o que as religiões nos tentam impingir estamos mal, porque é a lei do diz e não faz). Isto é: – fala de amor e pratica o ódio e a indiferença pelos outros. O amor não é coisa que interesse muito a esse Deus, nem tão pouco a verdade; quer sim que o adorem acima de tudo. Gostaria de saber o que ganha ele com isso. Cá para mim, o ego dele e a sua megalomania é a maior do Universo. Mas não quero desviar o meu pensamento pequenino no meio de tanta grandeza. É que, como descendente do homem, passei a ser subalterna deste e, como tal, um ser inferior que teve o privilégio de sua ­senhoria Deus Pai de todos os homens (o que creio ser verdade) de ser dada, ofertada, ao meu irmão homem para que este criasse a civilização, na Terra que Deus lhe deu. Daí que o meu pensamento seja realmente pequenino no meio de todas estas superioridades, mas não tanto assim que me impeça de perceber que, como mulher, eu crio e dou a vida (claro que só depois do ataque dos espermatozóides masculinos aos indefesos óvulos femininos) e, assim, saber que o homem descende da mulher e nunca a mulher do homem, pois é dentro do ventre dela que se gera e se cria a vida. Mas este Deus mentiroso reclama para si e os seus homens os meus direitos da criação, alegando o absurdo de eu ter descendido do homem. Daí que, legitimamente, afirme que este Deus não é o meu e sim um Deus dos homens e não sei se não cumprirão estes realmente com os desígnios obscuros deste seu Senhor poderoso ao implantar leis que causam dor e sofrimento a toda a humanidade. Mesmo que me digam, e com bastante frequência, que é o Homem que provoca a fome e a dor a outros seres humanos e que Deus não tem nada a ver com isso, porque é que Ele não os impede? Porque será? Porque não quer, não pode, ou porque não é o seu Deus? Se o seu Deus pudesse impedir, mas quisesse e permitisse todo este império do mal que alastra pela Terra, era o Deus que esperam? Deviam pensar sobre isto. Quanto a mim, quero é que esse Deus de quem todos falam se lixe juntamente com os filhos dele, porque não venero ninguém que permite a desigualdade humana em todos os aspectos. E como não sou primata, pelo menos no conceito dos mortais, não receio o desconhecido, nem lhe presto homenagem, em vida ou na morte. E depois, não gosto de megalómanos que só querem ser adorados, já me chega os que existem cá em baixo (ou cá em cima...!). Se não houver um Deus como eu o entendo fico sozinha, pois mais vale só do que mal acompanhada.


(continua)

 

doente

 

publicado por lazulli às 16:01
"reeditado"
SintoMe: ... em busca dos enganadores de povos

EscritoPorLazulli lazulli às 01:16
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Silêncio das Palavras por dizer

 

 

 

 

 

 

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 17:29
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Mary Paz - Segundo Capítulo (4)


 

IV

 

 

 

 

 

Entrava no mundo do sonho com a realidade que sempre a perturbara e quase não sabia distinguir o que era verdade. Se este mundo ou se aquele de onde viera. Esta actual existência, surgida do nada, fazia-a sentir a vida que nunca ousara escolher porque a  lei da sobrevivência opunha-se, consecutivamente, ao seu Ser, obrigando-a a participar de um mundo nunca sentido como seu. De toda essa anterior existência, fracassada e sem nenhuma razão de ser, restava  uma angústia permanente e um sem fim de perguntas e respostas, que a relançavam para novas e intermináveis perguntas, enquanto existisse. E, continuava a existir. Não tinha dúvidas que existia enquanto caminhava dentro deste estranho e maravilhoso mundo, intensamente salpicado de uma variedade tão grande de flores, que tinha dificuldade em identificar aquelas que de algum modo, independentemente da sua cor e dos locais de onde surgiam, se assemelhavam a algumas que tinha visto na  Velha-Terra, devido à enorme quantidade e diversidade de plantas e flores, que se espelhava por todo o lado, numa flora vasta e intensa, incomparável. Contemplava Cravos, Cravinas e Crisântemos, entrelaçados em Angélicas, Chuvas de Prata, perfumadas por  Gardénias que pareciam beijar as Dendróbiuns que presas das árvores se estendiam em direcção ao chão atapetado de pétalas aveludadas que pareciam sempre ali terem estado, viçosas e frescas, agitavam-se suavemente como que num bailado invisível e só perceptível a sentidos pouco comuns.

Não tinha a quem agradecer toda esta beleza mas não seria por isso que deixaria de olhar as Delphinium, Amarílis, as Heather, as Íris, parecendo belas deusas gregas do arco íris, ali representadas. As Blues, Gerberas, Astromeias, Alpinas Vermelhas e Rosas, Anémonas e as Antúrio. A extravagância das Rosas Azuis,  as suas favoritas naquele imenso jardim colorido, que parecia dono e senhor absoluto desta paisagem idílica onde nunca existiriam trevas capazes de ali penetrar a não ser as trevas da sua própria mente em constante divagação. Os nenúfares de cores brilhantes e de núcleo dourado, agitavam-se levemente como que a chamar-lhe a atenção para a desviar de pensamentos tão descabidos num mundo destes. Extasiada com tanta beleza, confusa e perplexa, olhava os reluzentes cursos de água prateada que enxameavam velozmente e no auge da excitação, as Stephanotis, Gardénias, as Tulipas e os Narcisos, estonteantes.  Os jasmins, as heras, madressilvas e as camélias, juntas a arbustos mais densos, pareciam luzeiros no meio das sebes, das trepadeiras com gavinhas que pareciam ir para lado nenhum e heras roxas, vermelhas, amarelas, azuis de todos os tons, desde o azul marinho aos azuis violeta, âmbar e açafrão, por entre verdes, castanhos, dourados e prateados, que compunham uma flora única. A variedade das finas e sensíveis Orquídeas, Oncidiuns, logo a faziam correr com o olhar até aos Gladius em forma de espada que ficavam meio a propósito junto dos Protea.  Tudo o que via, enquanto caminhava metida dentro de si mesma, em busca de ténues luzes que lhe dessem uma explicação para tudo quanto vivera, agregado ao mundo físico ou não, era de uma inolvidável e intrínseca beleza onde só a luz com ausência total de escuridão aparecia resplandecente como uma fatalidade eterna, às suas insistentes e persistentes interrogações. Por escassos segundos, parava os olhos cansados nesta imensidão, como para os reconfortar de toda a fealdade que tinham visto antes de ali chegar e deixava que as gotículas que lhe caiam pelo rosto em grande velocidade até ao chão, com pressa de se integrarem nos riachos que corriam suaves por todos os recantos, desaparecessem perante o seu olhar molhado, na água prateada que lhe parecia sorrir.

Provavelmente o futuro que a aguardava nesta Nova-Terra, dentro de uns tantos outros anos, dar-lhe-ia as respostas às perguntas que a haviam perturbado ao longo de toda a miserável existência a que “alguém” a havia sujeitado, indiferente ao seu querer de não existência, obrigando-a a suportar uma vida sempre indesejada. Uma vida que sempre sentiu não ser a sua. Por mais que os olhasse de perto e os tentasse igualar, cumprindo desse modo a sua função de vida, que era nunca por em causa o precioso e raro bem, que era  esta existência e amá-la sobre tudo e sobre todos, a sua pobre alma opunha-se a esta firme filosofia, numa resistência sem limites como se dentro dela o grito da vida estivesse ainda preso em sua garganta. A dor de nascer tinha ficado tão agarrada a si, que ainda hoje a sentia e doía-lhe ter nascido. Questionara todos. Indagara. Mas não obtivera resposta inteligente de todos aqueles letrados da Vida. Perante ela, de cada vez que os indagava e deles obtinha as provas duma iliteracia que mais do que a alma lhe magoava a mente sempre pequena, parecia-lhe que nem um herege era tão estigmatizado quanto ela o fora, por negar desde criança o maior e único bem de toda a Existência. A Vida. A Grande Preciosidade. O tesouro único a que todos deviam humildade, obediência, devoção. Sentia-se insana com a insanidade deles. Alguém estava ou era louco. Alguém estava ou era cego. Ela, nos seus momentos de maior doçura, tentava, esforçava-se por ver esse precioso tesouro. Abria desmesuradamente os olhos. Esfregava-os desesperada. Queria ver o que eles viam mas não conseguia. Só o seu irmão, lá no topo onde não lhe podia chegar lhe reconstituía as células gastas de tanto esforço e parecia dizer-lhe: "- Não penses querida. Eles não sabem o que é a vida. Não sofras. " Encostava o rosto ao vidro da janela e deixava as lágrimas correrem de dor. Olhava-o e interrogava-o em silêncio sofrido. Porquê?! Como resposta sentia-o entrar dentro de si e inundá-la completamente. Adormecia-a. Acarinhava-a. Confortava-a e ... deixava que por instantes o tempo parasse e ela não existisse. Quando os olhos se abriam, sorria-lhe a agradecer-lhe mais uma vez o seu cuidado com a sua mente para que esta não se perdesse de vez no mundo da ilusão. E, era assim que o tempo ia correndo e ela o contava ansiosa para que ele terminasse definitivamente para si. Sonhava todos os dias no regresso a Casa. À Casa dela. Àquela que embora não conseguisse, mentalmente, fazer uma reconstituição perfeita de como era por lhe haverem apagado quase toda a memória na Passagem dos mundos, sentia-a ali algures à sua espera. E ela ia voltar um dia e nunca que iria aqui voltar. Para isso se preparava. Queria estar pronta para poder novamente pegar na sua espada de lâmina reluzente e afiada. Sentir o movimento dos pulsos quando a bramia no Ar e rasgava o vazio ou o aço forjado a fogo encontrava na sua veloz trajectória Matéria Essência para queimar. Destruir. Aniquilar. Olhar o desaparecer e extinção de mais uma daquelas coisas que aprisionava quase para sempre  e irremediavelmente, o ente. Ah, que saudades de si mesma nesta Batalha interminável, por todo o Universo visível assim como o invisível. Por todo o Universo material assim como o imaterial. Que saudades da sua própria dignidade. Da sua verdadeira e única luta. Tinha que conseguir, voltar a envergar as suas verdadeiras vestes e encimar as fileiras dos combatentes pela Essência do Universo Essência.

Entrar nesta matéria  grosseira ou qualquer outra, era algo que repudiava veemente. Não queria ter que voltar a ver um único lado da beleza da vida e da forma das coisas. Um lado que todos viam mas que negavam perante si mesmos ou perante os outros ou ainda lhe atribuíam todas as necessidades necessárias à vida. Como se o bem estivesse dependente do mal. Como se o bem só existisse porque o mal existia. Não! Não entendia! E ninguém será capaz de mostrar a lógica desta ilógica toda. Não queria aprender, perceber, entender e muito menos aceitar a belíssima lógica deles. Se existiam culpados para todo este engano, ela queria saber quem eram. Ela queria saber porquê. O porquê da morte, do sangue, da fome, da dor, da mentira, do engano, do desespero, da tragédia, da descrença. Do caos. Do pérfido. Das lágrimas perpétuas de toda uma humanidade sofrida. Viu sangue. Viu morte. Viu o caos humano entranhado nesta vã filosofia. E não entendia. Não percebia, como podiam eles sentir o Sol em suas existências, se aceitavam o bem e o mal com o mesmo enlevo e ainda agradeciam todas as dores, quando as não negavam! Se era verdade que eles não a entendiam não deixava também de ser verdade que contra todas as filosofias e sabedorias, ela vivera para sempre, até este momento que se poderia chamar de mágico ou de sagrado desprezando os seus ridículos conceitos de vida, até porque todos eles os asfixiavam do nascimento à morte, premiando-os uma vida inteira com a prisão da sua alma. A único bem que deveria ser amado por todos eles! Mas não. Preferiam uma escravidão sem limites e virar o rosto à verdade que gritava ou chorava dentro de cada um.

Ela nunca aceitaria a versão dos homens e sim a Verdade plena. Tinha que existir uma razão para a sua existência e bem que poderia percorrer o universo inteiro, durante biliões de anos e ocupar todas as formas de vida, mas no final ela saberia a verdade. Queria olha-la de frente e aí saber se finalmente o seu choro pararia ou se pelo contrário seria eterno. Se afinal, existiria diferença entre o choro dela e o choro deles. Se tinha valido a pena mais eternidade do que tinha sentido sobre ela, até ao momento, não deveria existir. E, se existisse, ela já lhe conhecia a dolorosa sensação. Acreditava estar preparada para tudo. Por isso siga os trilhos meio mágicos que serpenteavam por entre  anémonas, Não queria nunca mais ter que magoar o seu ente com o absurdo da vida lógica e sagrada a todos. Ela não aceitaria viesse de onde viesse qualquer verdade. Por isso caminharia até deixar de ser. Seria tão persistente aqui como o fora até aqui. Incomodaria todos os sistemas. Procuraria todas as engrenagens e ou se apressavam em dizer-lhe a verdade ou poderiam estar certos que a luta pela alma dela continuaria.

 

Não existia passado nem presente, como ousar então ousar pensar existir um futuro, que esclarecesse toda esta sua indignação? Indignação esta à qual nunca ninguém pôs termo. Que pretenderiam afinal os Senhores do Universo, com estas mudanças de existências inexplicáveis, se é que realmente estes existiam.

 

Era o existir no não existir que se fundiam, sempre imutáveis como a vida e a morte. E que lhe venham falar do que eles próprios não fazem ideia, dando consecutivas justificações – senão razões – para o que nem sabem o que é ou como é. Para eles só conta que existem e fazem existir. Sendo existir o supremo bem que o Universo nos concedeu. E ela?! Que fará ela neste ou noutro mundo qualquer, amarfanhando a vida dentro de si, sem que tenha a esperança num acabar definitivo, para o seu Ser torturado que nasceu com um misto muito maior de deus do que dos homens? Quem ouve o seu apelo distante e tão desesperado, que se compadeça de sua existência tão indesejada? Mas lutar por um acabar, ela o iria fazer num futuro próximo, sabe Deus com que leis e com que armas, para destruir uma existência inútil e sem sentido.

 

- Deixai-me morrer ou deixai-me viver, mas não permitais que se prolongue o meu Ser tão cheio do inexistente. Dai-me então num mundo onde o não existir, seja o supremo prazer de existir.

 

Enquanto caminhava absorta em seus pensamentos, Mary não se tinha apercebido que a paisagem verdejante, enfeitada de lustrosas pétalas, começava a desaparecer sob seus pés descalços, dando lugar a um finíssimo pó, que lhe ia absorvendo os pés na sua marcha no nada e aparentemente para o nada. Ventos quentes iam soprando suave ou bruscamente, envolvendo-a num rodopio interminável. Baloiçando para trás e para a frente, para um e outro lado, como uma frágil giesta tentando continuar presa à terra e as lágrimas a deslizarem pelo rosto devido às agrestes e fortes correntes, tenta desesperadamente descortinar algum lugar de apoio, mas constata estarrecida que não tem como sentir o solo por baixo de si, que se remove a cada insegura passada. Tudo em seu redor é uma espécie de vácuo, onde rodopiam ventos constantes, elevando apenas este estranho pó que quase a sufoca. Com as narinas meio entupidas, tenta respirar e, de tanto ar manifestado em tufões, furacões, tornados e vendavais, que a envolvem no seu todo, atirando-a para um e outro lado, quase sufoca no meio dele. Fechando os olhos, deixou que as forças impiedosas a arrastassem e a atirassem a seu bel prazer, contra o nada. Vogando meio inconsciente, como pena ao vento, com os olhos semicerrados, ainda tentou, num esforço desesperado ver para onde era levada mas, era impossível ver fosse o que fosse no meio dos constantes ventos. Por entre uma luminosidade irreal, como se de um elemento etéreo se tratasse, ora caminhando, voando ou arrastada, quando todos os ares a resolviam largar por alguns instantes como que para descansar da sua tarefa de movimento constante, completamente envolvida pelas ondas frias e quentes em torno de si, tentava pensar, ordenar pensamentos distantes ou recentes que lhe permitissem saber da sua morte ou da sua vida. Bem à pouco tempo atrás, parecia-lhe, não estivera ela num paraíso de vida? Como aconteceu esta transformação tão repentina? Teria se afastado tanto assim, daquele lugar abençoado, onde tinha aparecido por acaso? Como foi entrar neste vácuo, sem se dar conta, onde virasse em que direcção se virasse não conseguia ver, se tinha fim ou princípio, este estranho mundo. Indecisa, recomeçou dificilmente a sua marcha, arrastando os pés descalços pelo pó cinzento, único solo deste mundo.

As imagens tinham desaparecido da sua memória e, a única coisa que conseguia balbuciar era o nome desconhecido de seu senhor perdido antes do Tempo que nunca houvera achado.

 

 

(continua)

 

desmotivada
 
ficção, livros
publicado por lazulli às 10:13
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
2009-02-28 08:16:23
 
 

 

 

 

EscritoPorLazulli lazulli às 17:22
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Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Humanidade Escravizada (XIV)

 
 

 

(continuação)

 

 

 

 

 

Para nós terráqueos, filhos da Terra também ela submetida pelo homem que veio do céu, é melhor de uma vez por todas, sabermos quem de facto somos, do que pensarmos a vida toda que somos quem na realidade não somos. Não creio que a verdade sobre nós próprios, nos retire o poder de ser verdadeiros seres humanos, aquilo que já fomos no passado longínquo. Com a plena consciência e aceitação da nossa verdadeira natureza humana, teríamos a capacidade incrível de transformar este mundo num lugar digno de se viver, mostrando ao homem criado por Deus que os “animais” não só têm capacidade de se governarem a si próprios como também humanidade, coisa que lhes falta em doses demasiado elevadas, a eles, seres superiores em tudo. Depende de todos nós não continuarmos a permitir todo este mal entendido, de contrário, todas as explicações existentes – mórbidas e infantis –, continuarão a proliferar atravessando todos os séculos e todas as gentes e, os nossos pobres descendentes continuarão a ser escravos destes divinos mal amanhados. Devemos à humanidade futura uma oportunidade de libertação para que possa, verdadeiramente, ser feliz. Com determinação, exijamos a verdade. A nossa verdade. Continuando a ter medo do seu poder, que em nada nos tem ajudado a ser felizes, muito pelo contrário, não honramos a antiguidade. Não honramos os nossos valentes antepassados quando os combateram, aquando nos invadiram. Todo o sangue derramado desse tempo longínquo de nada serviu, porque hoje aceitamos este Deus e a sua corja, como se fosse nosso. E ainda lhe agradecemos por tão má existência. Depois de tanto tempo, com provas reais de toda a sua desumanidade, ainda se ouve no fim deste século, também marcado pela ignorância civilizacional, o grande e o pequeno, o rico e o pobre, o culto e o inculto dizer: «Meu Deus». Meu Deus! digo eu, quando os vejo criando fábulas imensas que têm o impressionante Poder do Verbo de que todos falam e ninguém entende. Capaz de fazer acreditar o mais prevenido dos homens. O assombro que sinto por tanta ignorância, que vai dos níveis mais instruídos aos mais baixos de formação, espantam-me! Todos carecem da vontade de querer saber a verdade de si próprios, como se esta não lhes fosse necessária. Assusta-me tanta ignorância e mais os assustará a eles, um dia, quando souberem a verdade sobre si próprios. E, como será evidente, sempre que tiverem contacto com a verdade, morrerão de novo e não sairão do ciclo eterno da existência, rodando nesta roda do destino Criado, este sim, por alguém, sem terem hipótese alguma de se libertarem e de se encontrarem. E, quando chegar o momento do confronto inevitável com a verdade, provavelmente muitos estarão já definitivamente perdidos ou mesmo não mais farão parte de algo... De qualquer modo, continuam a existir os que mantêm dentro de si a centelha da essência da vida e não sei como farão para entenderem a verdade de si mesmos. Enfurece-me que tenha sido e continue a ser assim, porque vejo a Humanidade, excepto no que diz respeito à matéria que os cobre (onde estão mais aptos a respostas concretas e que nem por isso são as mais profundas), a nascer e a morrer todos os dias, sem entender o seu nascimento e a sua morte e sem saber mais do que o seu nome, sobre si próprios, preferindo, assim, aceitar as mais variadas teorias que existem sobre a existência do Homem, todas elas unânimes no que refere ao valor sagrado da vida como sendo o maior bem da Humanidade. E, assim sendo, há que preserva-la a qualquer preço: e como cordeiros, todos em conjunto, dão razão a esta existência sem sentido, que alguém está interessado em perpetuar, sabe-se lá porque razão.

 

(continua)

 


actualidade, ensaio, homem, livros, vida

publicado por lazulli às 15:27 - 2007

SintoMe: ... preocupada com a falta de verdade da raça-humana

EscritoPorLazulli lazulli às 16:12
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Sábado, 20 de Dezembro de 2008

O Senhor Do Tempo

Saturno - Saturnália

 

 

 

 

 

 

 

 

 



EscritoPorLazulli lazulli às 01:57
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

maria

 



Maria, teu nome ecoa pelos confins do Universo inexplorado

Gritando ainda o teu direito à vida que roubaram.

O fogo queimava teu corpo, teu ventre.

Quisera eu voltar para ti de novo...

Quem acreditaria que em tempos estive contigo,

No teu mundo tão guardado do existente e inexplorado?

Saí contigo no paraíso

Junto com os homens do castigo.

O tempo não existe

Nem tão pouco o espaço.

Ainda não existe a razão.

Ainda não existe nada! Existes tu. Só tu,

Massa de fogo incandescente, brotando energia viva, luz.

Gritos de angústia se movem ao teu encontro,

reclamando o teu espírito

tão sedento de lava.

O Universo inteiro procura-te, insatisfeito

Com a sua amargura,

com a sua solidão.

Acorda...

 

 

sorrio...

publicado por lazulli às 16:56

Segunda-feira, 7 de Maio de 2007



SintoMe: ... apreensiva com o retorno das trevas

EscritoPorLazulli lazulli às 16:28
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

A Grande Mãe (II)


 

Talvez porque fosse muito velhinha e seus cabelinhos brancos fossem tão brancos que reflectiam luz junto ao fogo da tenda principal onde também nos dias em que o tempo mostrava a sua força e rugia ameaçadoramente, cá fora, se sentavam em torno do fogo que se encontrava no centro da tenda. Num desses dias, onde a água lá fora caía do céu aos trambolhões e todas as mulheres mais velhas se encolhiam umas nas outras assustadas e as mais novas afagavam as mais pequenas e as mulheres activas, as guerreiras das tribos, as únicas a quem era permitido cavalgar para onde bem entendessem, continuavam sob o assustador rugido do ar que se deslocava furiosamente de um lado para o outro, a guardar odo o clã, deduzia que como a tribo era muito grande elas estivessem por todo o lado. Eram tão silenciosas, que apareciam e desapareciam de repente, de qualquer lugar. Sua primeira mãe, era uma destas jovens guerreiras, que pouco tempo tinha para ela e por isso mesmo as tarefas eram distribuídas de tal modo que nunca nenhuma das mais pequenas ficava só e a ternura com que as outras tomavam conta não lhes permitia sentir falta das primeiras mães.

Mas Leda não era como as outras. Queria ter uma só mãe e só para si. Por isso, vagueava muitas vezes sozinha, quando o sol no alto do céu era quente e luminoso, por todos os lugares que lhe era permitido e também por aqueles onde estava expressamente proibida de ir. Nunca prestava muita atenção aos marcos que as guerreiras puseram em torno do grande clã e muitas das vezes era recambiada e repreendida quando uma destas guerreias a interceptava, fora dos domínios das mulheres. Cabisbaixa, lá era obrigada a tomar o caminho de regresso. Por isso, nunca tinha ido tão longe como desejaria. Nunca conseguiu passar dos domínios da sua tribo e queria muito saber o que haveria para além deles. Devia haver mais mulheres, animais e até homens, porque estes também deviam viver em algum lado. Para Leda, deviam viver num local muito sujo. Talvez num pântano... pois, estavam sempre cobertos de lama. A terra seca cobria-os quase por completo. Na terra deles não deveriam ter água como a delas pois, logo que entravam na tribo, eram obrigados a banhar-se no lago cristalino dos domínios e sempre guardados pelas guerreias de várias idades que circulavam sempre a cavalo em torno de si, não lhes permitindo andar mais ou menos, do que elas mesmo queriam.

No meio de todas as dúvidas, a primeira avó, vendo Leda muito infeliz porque ninguém lhe queria responder como era o mundo para além dos domínios disse-lhe:

- Minha pequena Leda, o tempo já quase chega até a ti e aí saberás tudo quanto é preciso saber.

- Mas vó, porque não posso saber hoje?

- Porque, Leda, és ainda muito pequena, para teres sobre ti as preocupações que todas partilhamos hoje. Tentamos proteger-te e às tuas irmãs, de um conhecimento antecipado.

- Mas eu já sou grande! Já cavalgo sem cair e domino a minha montada.

- Mas ainda é cedo. Não proteges também tu, os mais pequenos que tu, nas tuas tarefas obrigatórias em prol da tribo? Nós fazemos o mesmo, umas com as outras. A cada idade, uma responsabilidade.

- Vó... nós temos medo?

- Não, só nos protegemos umas às outras.

- Mas, porque precisamos de nos proteger? Quem pode querer nos fazer mal? Os sáurios não conseguem atravessar o pântano e só eles é que nos podem fazer mal. Ou não existem só os sáurios ?

- Não, Leda, o mundo é muito grande e o que vês, do que tens conhecimento, é como de uma recém-nascida até chegar a mim.

- Então, existe muita coisa! Diz-me algumas, que nos possam fazer mal.

- Olhar para ti Leda, faz-me sentir mais confiante. Porque, contigo, nunca o nosso domínio ficará em perigo. Mas, promete-me, que não falaras com nenhuma das outras.

- Prometo.

Leda já quase gritava de desespero. Inquieta aguardava o grande segredo.

 

 


publicado por lazulli às 09:13

Sábado, 5 de Maio de 2007

SintoMe: incapaz de mostrar a verdade ao homem

EscritoPorLazulli lazulli às 23:18
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Poemas aos Deuses (I)

 



Nem que um deus

Pequeno ou grande

Puro ou misturado

Livre ou disfarçado

Se prostrasse em frente a ti

Te tocasse o rosto

ao de leve

Te olhasse de frente

os olhos negros como a noite

com a sombra

a cobrir o buraco negro

dos pensamentos escondidos...


Nem que o pequeno deus

Te permitisse

Pegá-lo pela mão

e com ele

atravessasses a floresta

mágica invisível

ao olho humano...

tão deficiente sentido

Floresta não densa

mas misteriosa

Mistérios ocultos ao olhar

Não humano

Mas descrente

do que não pode e não sabe alcançar.


Nem que

O pequeno deus

Permitisse a partilha

e comer da tua própria boca

Nem que as gotas de vidro cristalizado

brotassem ininterruptas

de um deus

diante de ti...


Tu Homem

Não o reconhecerias

Não o sentirias

Não o perceberias

Porque os deuses para ti

São peças de um jogo primeiro

e esquecido

com objectivos concretos

a atingir

um jogo pérfido

indigno de deuses

Um jogo

meramente humano

querendo ser divino.


Assim como na eternidade

passada

Também tu Homem

Arrogas-te o direito

de dizeres que os conheces

Mas eu simples humana

Digo-te

olhando-te do baixo onde me situo

permanentemente

Digo-te que

Não os conheces

Não sabes quem são

os deuses que aqui estão.


Conheces deles

Os dogmas obscuros

que sobre si pesam

que foram dar à anterior civilização

que fez esta

onde te encontras.


Conheces

o conhecimento do homem

oportunista

Aquele que

com pequenos raios de luz

difusa

atravessou as redes de pescadores de sonhos

Conheces as lendas

que deles sobram.


Mas digo-te eu

do baixo onde permanentemente me situo

Não conheces a sua dor

nem o seu amor

Não conheces a sua tolerância

a sua persistência

A sua fé

no Homem

quase perdida

com a sua dor profunda

por existirem homens como tu

Únicos baluartes da verdade

exposta

Autênticos lutadores

para fazer ressurgir

a luz fosca do passado

Mas pouco ou nada guerreiros

da verdade e da justiça que caracterizam

Os deuses da antiguidade.


Não corras a praticar rituais

aos deuses

Corre a amá-los

se fores capaz

Corre em seu socorro

Porque

ao socorrê-los

É a ti homem

que estás a socorrer

Porque um dia

os deuses desistem

de tanta incompreensão

de tanta ignorância.

Sempre o deus pequeno

aceita o sacrifício

de te manter homem

a alma e o coração


Os deuses choram

eles choram

Os Deuses sentem

eles sentem

Os deuses

nunca desistem

do amor

essência divina

de onde surgiram.

Não desistem

das partículas

de si mesmos.


Escuta a voz

dos deuses

que aqui estão

e que te falam.

Se não és capaz

de os reconhecer

quando por ti se cruzam

és capaz pelo menos

de os ouvires

quando docemente

te querem poupar?!


Não sabes o que é o sofrimento

homem

Porque só conheces

o sofrimento humano.


(2007)

 


penso: vazia

 

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publicado por lazulli às 17:41

Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

SintoMe: envolta num mundo de mentira e engano à raça humana

EscritoPorLazulli lazulli às 10:30
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Claro que lembro (lembrei também quando escrevi is...
Cumprimentando-a, deixo-lhe o meu abraço solidário...
(e no que a mim toca eu não lhes dou DIREITO nenhu...
Começo por agradecer-lhe, o comentário, embora não...
Este comentário provavelmente não tem a ver com o...