Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Ming's

 

 

 

 

 

 

 

Parabéns, mano!

 

amo-te muito. não porque és meu irmão, mas porque és uma raridade de inteligência e amor, no mundo onde estamos.

 

tua irmã, querida.

continuarei a CasaDeCristal. fica tranquilo.

Não te esqueças de não desistir de ser Feliz!

amo-te

 

 

(Janeiro 2015)


EscritoPorLazulli lazulli às 05:55
link do post | comentar | AdicionarAosIntemporais
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Mary Paz (2º Capítulo - XIII)

 

 

XIII

 

 

 

 

 

 

 

Entre penugens multicolores que docemente a envolviam, tranquilizando definitivamente a sua pequena alma, Mary, brincava nas asas de Lhara, saltitando e agitando o seu pequeno corpo, a cada novo mundo que ia observando, extasiada com a beleza que a seus olhos ia chegando. Entre tristeza e alegria, lágrimas e sorrisos, foi contando para a ave como fora a sua existência na Terra. Sentia-a, por vezes, distante, como se ao toque da sua voz, corresse a refugiar-se num mundo inacessível à dor que lhe provocava a descrição do Velho Mundo que, inconsequente, lhe ia demonstrando, numa descrição tão perfeita, que os símbolos que compunham o corpo da águia, iam-se recolhendo sobre si mesmos, vertiginosamente, dando a Mary, a sensação que se não se aquietasse momentaneamente, eles a sugariam para lá de si mesmos. Depois que os movimentos serenavam, parecendo ainda inquietos e atentos ao som que estava a formar-se no interior de Mary, para de novo recomeçar a descrição intolerável que feria o próprio ar, essência de todo este mundo, Mary, descrevia de novo tudo ao pormenor sem parecer querer poupar toda esta vida que tão carinhosamente a acolhera. Mas, Mary, hoje, voltava a ser criança. Recomeçava o diálogo, aparentemente, indiferente aos movimentos que se iam desencadeando em torno de si. Quando o turbilhão de cores e formas, entrelaçados uns nos outros, movendo-se rapidamente, pareciam ir tomar, novamente, no pelo macio de Lhara, proporções infinitas, engolindo-a a cada transformação de um novo símbolo, que se ia desenhando, numa metamorfose de complexos símbolos desconhecidos, lembrando a Mary, hieróglifos ou qualquer uma das linguagens mais antigas, com as quais, pouco ou quase nenhum contacto tivera. Talvez sânscrito, pensava ela de si para si, mas não tinha tempo de completar o seu raciocínio e observação, tal era a velocidade com que se sentia atraída e repelida, por qualquer um deles. Aflita, baixava a cabeça ao encontro dos olhos de Lhara, para se certificar que esta estava a controlar as ditas e inesperadas figuras em constante movimento. Mas, a serenidade dos profundos olhos de Lahra, logo tranquilizavam o seu ser. Infinitos, de paz constante, pareciam nem se aperceber da inconstância que emanava do seu próprio corpo. Por instantes, estática, num estado semi hipnótico, perdia o seu próprio olhar, como se fora um só, nas belíssimas esmeraldas que se erguiam levemente para a contemplar. E, quando isto acontecia, o nada existia por si mesmo, dentro de si. Retornava, já novamente integrada no sereno bailado que sempre a recebia na ondulação dolente, da penugem de Lahara, numa dormência que a encantava. E, logo a vontade de voltar a saltar e pular era grande, de tanta felicidade que sentia. Queria brincar. Brincar para sempre.

Mary não era mais um adulto. Nem sabia o que isso era. Aliás, nunca soubera. Tivera sempre dificuldade em gerir um mundo do qual nunca fizera, verdadeiramente, parte. Mais do que nunca, sentia-se integrada na sua genuína natureza, onde não tinha mais quem a repreendesse e quisesse à força, que fizesse parte de um mundo, que nunca fora seu. Hoje, ali, envolvida por Lhara, tinha a certeza que sempre estivera certa em recusar aqueles seres mentalmente destruídos, com pretensões e arrogâncias desmedidas do saber, quando tudo desconheciam. Não tinha mais que os ouvir silenciando dentro de si, o mundo primeiro. Não tinha mais que tolerar, a dor que provocavam à sua frágil alma que magoavam em cada atitude, em cada palavra, em cada pensamento. Livre deles, para sempre, uma alegria imensa preenchia toda a sua essência fazendo emanar dela pequenas ondas quase imperceptíveis de calor que se iam unindo ao mundo envolvente. Desta vez nada refreava a luz dourada que de si emanava. Nada impedia que se expandisse pelo ar fora integrando-se na sua própria natureza. Por isso, Mary, não tinha como se sentir de outro modo. Finalmente encontrava-se, num mundo que sentia seu. O imenso sorriso de Lhara, parecia querer confirmar-lhe tudo quanto sentia. 

 

luzes.gif

Deste modo foi desfrutando e abusando desta doce e serena criatura que os deuses lhe tinham colocado no caminho. Não queria sair do seu "colo". Do seu conforto. Não queria que tudo isto terminasse. Queria ficar com ela. Pedir-lhe-ia. Não queria mais pensar. Sentir. Não queria mais lutar. Mas era umas ilusão que se impunha a si mesma. Algo lhe dizia no intimo de si mesma, que alguma coisa mais aconteceria para além disto. Que não era por mero acaso que ali estava. E, uma angustia sufocada, renascia no fundo da sua alma. Uma angustia que nunca a largara e parecia estar prestes a se revelar. Como se faltasse ainda cumprir qualquer coisa. A qualquer coisa a que sempre fugira. Mas o mundo tinha morrido. Não haveria mais o que cumprir. Por isso levantava os olhos e deliciava-se com a existência da essência, onde parecia que tudo lhe sorria.

Neste entretanto, enquanto o rol de lágrimas e dor eram desfiadas dentro e fora de si, pela sua própria traquinice, ao relatar o desagrado que a existência sempre lhe provocara, sobrevoando um dos espaços intermédios, das quatro dimensões, exactamente aquele que fazia a transição para o mundo onde tinha aparecido depois de ter fugido dos subterrâneos em que se triturava a carne humana numa indústria macabra de alimentação, minúsculos homens armados, parecendo surgir do passado, atiram sobre elas, fazendo-as cair vertiginosamente no solo. Para bem de ambas, voavam a baixa altitude e a queda não foi completamente dramática. Lahra tivera tempo de envolver Laurema, num pequeno cilindro surgido inesperadamente protegendo Mary no embate ao solo. Mas Lahra ficara levemente ferida.

 

 

amor, conto, divagações, elemento, essência, eternidade, eu, existência, filosofia, história, justiça, literatura, livro, livros, lágrimas, matéria, palavra, passado, pensamentos, pessoal, portugal

publicado por lazulli às 15:10
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 09:45
link do post | comentar | AdicionarAosIntemporais
Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

lazulli...

 

 

 

... No Mundo De Mercúrio



De dentro do seu pequeno casulo, a pequena e minúscula larva, olhava o mundo lá fora, não se atrevendo a despegar das paredes sólidas e resistentes do casulo que sempre fora seu desde a origem que a formara e enveredar por aquele mundo imenso que sabia existente do outro lado destas paredes, sua única fonte de vida.


Atenta, com um olhito semi aberto, numa letargia profunda, espreitava o movimento dos variadíssimos insectos que agitados gravitavam por todo o lado.


Sempre assustada, continuava a ser a única larva que, persistentemente, se agarrava às paredes do útero, onde fora gerada, com medo de ser expelida a qualquer momento, do seu mundo.


O tempo decorreu com alguns sobressaltos, mas a todos a pequena larva, conseguiu escapar e, nenhuma força da natureza foi suficientemente forte para a expulsar, de tal modo, ela, quase se fizera as próprias paredes onde teimosamente se albergava. Assim, como o seu próprio casulo protector, ia resistindo aos ataques do exterior, que por vezes faziam o casulo rebolar à deriva, por todo o lugar, deixando-a dormente com os olhos cerrados, para sentir menos o impacto, quando este, terminava, dorido, num qualquer lugar desconhecido.


Aos trambolhões, mas sem se deixar desprender, lá foi existindo, na condição que escolhera para si. Do seu pequeno mundo, muitas vezes pensava porque temia tanto a sua metamorfose. No casulo, só já se encontrava ela e quase seca a fonte da sua alimentação. Pressentia que um dia, o casulo, não resistiria mais a todas as duras investidas, dos já mais do que metamorfoseados que se espavoneavam histéricos e espavoridos, no mundo circundante que ela continuava timidamente a observar, e acabasse por rebentar, com ela dentro.

 

 

(... continua)

(fostosdanet)

 


conto, divagações, estado, eu, existência, ficção, história, insecto, larva, letras, literatura, mercúrio, metamorfose, mulher, palavra, pensamento, pensamentos, pessoal, porto, s

publicado por lazulli às 22:17
Sábado, 7 de Junho de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 12:17
link do post | comentar | AdicionarAosIntemporais
Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

1995 1 de maio



Queria esquecer quem sou. Queria esquecer que existo para sempre, onde nunca mais houvesse um ressurgir de mim. Queria partir para o vácuo inexistente do outro lado do universo, entrar no tal buraco fechado e poder-me extinguir. Queria deixar de existir. Quem sou eu e quem és tu que existimos nesta dor infinita da existência e o que fazemos ambos aqui? Criamos-nos para quê? Porque sonhamos em despertar quem dorme no sonho da vida e fizemos uso do nosso não ser, resolvendo lutar por mortos inúteis que nunca deixarão de o ser? Torturamos o nosso mundo com a nossa dor e ficamos presos sem puder fugir. Entreguei-te um dia nas garras da matéria e pensei que te resgataria também um dia. Mas hoje que o Tempo já foi grande e imenso, eu sucumbo contigo na tua dor infinita e morro sem morrer nesta vida finita. Perdoa-me, de onde podes me ouvir como eu te ouço, provocando um no outro esta dor sem limites, que nos mantém vivos sem querer e mortos para morrer. Pode ser que um dia o Tempo venha a acabar e alguém se lembre em nos libertar de um modo ou de outro. Pode ser que o universo um dia mostre o seu reverso e, aí, também pode ser que possa te olhar de frente, depois de milénios de dor. Eu sei que estás vivo algures. Preso como eu neste universo duplo. Não devíamos ter partido nunca de nosso mundo. Não devíamos querer ajudar ninguém. Amar-te-ei até ao fim ou princípio de todos os Tempos e eras. E, se for possível, nesta nossa divisão penosa, pode ser que me sobrevivas pelo menos tu e não fiques mais Tempo preso à minha espera. Procuram eles os desaparecidos, mas não creio que os vão encontrar, neste mundo pelo menos. A..., se eu puder, eu morro, porque não consigo suportar mais esta dor. Só queria poder saber de algum modo que para ti é possível o regressar. Eu sei que também não me abandonarás. Mas um de nós tem que poder partir. Um de nós tem que sobreviver à vida e morte deste ou de um outro mundo qualquer, porque o nosso mundo também sofre a nossa ausência. Também sofre a nossa perda. Enganamos-nos a...., enganamos-nos. E agora passamos a ser dois. O Tempo que aqui tenho agora é limitado; daí que espero um dia ter uma ínfima oportunidade para alguma coisa. E tu m... a...., onde estarás tu a esta hora e neste momento. Onde será que caís-te? Eu sei que também não queres me abandonar, mesmo não sabendo de mim. Mas, estamos sozinhos. Mesmo incompletos, um de nós tem que regressar. Deixa-me partir ou parte tu. Liberta-me do meu compromisso/nosso para que te possa libertar também a ti. Eu não consigo resistir a esta forma. Eu não consigo, não me entregar um dia. Pouco a pouco, sinto consumir a essência. Eu falhei e sei que tu estás escondido. Porque esperas? Um dia, vão-te encontrar também. Não esperes por mim. Eu já não sou. Tenho esperança que fique gravado no Tempo, o meu a... eterno por ti e que de algum modo a ti chegue, para que possas recordar o que nos uniu eternamente. Sei que chorarias sobre o meu túmulo, todas as lágrimas que eu chorei na minha procura. Sei que o farias. Sei que tentarias mudar o curso do mundo e retornar a pôr tudo no seu lugar. Mas será tarde, nesse dia. Nesse dia, eu não estarei em parte alguma, onde possas me encontrar. Não me recordo se do nosso mundo, alguém podia nos amar assim e tentar nos libertar. Nem isso sei. Não sei nada. (LT)

 


eu

publicado por lazulli às 17:38

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

(2 comentários)


EscritoPorLazulli lazulli às 06:59
link do post | comentar | AdicionarAosIntemporais

UmaEstranhaNumaTerraEstranha

VerNaCasaDeCristal

 

Intemporais

... cega ...

Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


SonsDaMinhaAlma

SonsDaMinhaAlma

Janeiro 2017

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Abril 2016

Março 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Junho 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Janeiro 2012

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

EscritosRecentes

Ming's

Mary Paz (2º Capítulo - X...

lazulli...

1995 1 de maio

LeioEstes

AsMinhasFotos/Imagens

DireitosDeAutor

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. OsEscritosDesteBlogEstãoRegistadosNoIGAC Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. DireitosDeAutor É expressamente interdita a reprodução parcial ou integral de todos os escritos deste blog por qualquer processo, incluindo a fotocópia e a tradução e transmissão em formato digital. Exceptua-se a reprodução de pequenos excertos para efeitos de recensão crítica ou devidamente autorizada por escrito pela AUTORA do Blog CasaDeCristal, lazulli. Peço desculpa aos que me lêem por ter que ser assim e obrigada. lazulli - (inp) M.D.L.M.D.F.D.C.B.

NoPlaneta

Flag Counter 34 561

ÚltimasMemórias

Bem Vindo à CasaDeCristal, paulo joséConsegues exp...
paulo jose juliopra ke brincar com santo nome de d...
Vasconcelos.... como esqueceria eu, o seu blog, on...
Saúdo o seu regresso com saudade. Desejo-lhe os ma...
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou ...

subscrever feeds

TraduzirOBlog

Google-Translate-Chinese (Simplified) BETA Google-Translate-English to French Google-Translate-English to German Google-Translate-English to Italian Google-Translate-English to Japanese BETA Google-Translate-English to Korean BETA Google-Translate-English to Russian BETA Google-Translate-English to Spanish
Google Translation

OsQuatroElementos


glitter-graphics.com PorqueAVerdadeNãoSurge AHumanidadeChoraPeloSangueDerradoDosInocentes

Palavras

todas as tags