Domingo, 14 de Agosto de 2016

Tentação

 

 

ArtefactoReconhecível

 

 





Porque me fazeis isto

Porque não permitis que se altere a lei que não é nossa

Porque me pedis a imobilidade

Podia-vos derrotar

Pedis-me e acedo aos vossos massacres

Explicais o que já sei e eu acato impassível

Cobardes, seria melhor a Verdade

Só com ela o Homem muda

Ando...

Não sei por onde...

Na continuidade da noite continuo no dia

Por lá... ouvindo e aceitando o que Judas me diz

No Iraque também "permiti"

E, aqui estou de novo a permitir

Vocês chegais a mim

Com facilidade e convenceis-me a aceitar

O que pensais ser inevitável

Só não entendo porque vos ouço

Quando são os vossos massacres que me ferem

Sobre inocentes criaturas

Sou eu que aceito a vossa carnificina e o pacto de não interferência

Mas há uma Nova Ordem

A Ordem da Verdade

Essa tirá-los-á da ignorância

E muitos seres podem ser poupados

Dai-me vós essa possibilidade

Verdade

Deixai-me chegar rápido ao mundo inteiro

Deixai que eles me conheçam e me leiam primeiro

Se eu falhar então vós podeis continuar

A devastar o devastado

Mas deixai-me tentar primeiro

A verdade total

Quero tentar mais esta oportunidade

De salvar a humanidade

Estais a dar oportunidade ao pérfido de se espalhar

E, implantar

Deixai-me tentar

Só desta vez

Com toda a verdade

Sei que com ela nós podemos sucumbir

Neste turbilhão

Mas a Guerra será mais justa

E os "inocentes" já não mais existirão

Quero tentar tentar de novo  a salvação do "povo"

Porque entre todo ele também estou eu e muitos de nós

Aceito a vossa continuidade depois de eu mesma tentar a verdade

Este é o Pacto

Eu vou actuar e vós ireis permitir

Se eu morrer neste Tratado

Vós mesmos me vingareis

Até lá... vamos parar e recomeçar de novo uma nova oportunidade

Eu não consigo assistir mais a tanta dor humana

Perdão

Mas exijo a minha


Tentação.

 

fimJogo.jpg

 

 

consciente

poesia

publicado por lazulli às 16:03
18 de Maio de 2007

SintoMe: não sei

EscritoPorLazulli lazulli às 17:59
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Sábado, 13 de Agosto de 2016

Quem Criou Deus...




Foi Deus que criou o Homem?
Não!
Foi o Homem que criou Deus.
Porquê?!
Porque Ele era Incriado .

O pensamento de Deus está no pensamento do Homem?
Não!
O pensamento do Homem é que está no pensamento de Deus.

Quem é responsável pelo Homem?
Deus.
E quem é responsável por Deus?
O Homem.

Qual deles o princípio?
Nenhum.
Porquê?!
Porque o princípio nunca existiu.

Então o que existiu?
O nada! E do nada não sai coisa alguma.

Deus não é vida nem morte,
É o que está do outro lado
Ou mesmo entre as duas dualidades
Que se mantêm eternas para a eternidade,
Para se perpetuarem infinitamente.

Porque é que o Homem procura Deus?!
Porque pensa que Deus é tudo, quando ele é nada.

Se o Homem soubesse quem Deus é, quereria mesmo sê-lo?
Não
Queria apenas ser Homem.
Porque o Homem quer ser alguma coisa
E Deus não quer ser coisa nenhuma.

O que é que distingue Deus dos homens?
É que os homens podem tudo e Deus não pode nada.

Porque Deus vive?
“Porque está só”.

Porque é que ele quer viver?
“Porque quer aprender a viver”.

Porque é que ele sofre enquanto vivo?
Porque continua só.

Quem conhece Deus?
Ele conhece-se a si próprio.

No despertar do horizonte,
Deus criou para ter companhia.
Mas continua só
Porque ele criou o existente
Mas continuou a ser o inexistente.

 

calma

pensamentos

 

publicado por lazulli às 14:49

18 de Junho 2007

2 comentários


EscritoPorLazulli lazulli às 23:13
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

HumanidadeEscravizada (XXXIV)



Mas tu que me lês podes ajudar a acabar com a mentira que nos envolve a todos, explicando melhor do que eu esta trama diabólica do mundo onde estamos inseridos. No futuro, outro virá que o fará melhor do que tu ou eu. E, como elos de uma corrente de ferro, atravessando os tempos e as resistências, cada um de nós será a vontade do outro aperfeiçoada, até que a verdade venha a ocupar o lugar que a mentira ocupa hoje. E, com a hipocrisia abolida de uma vez por todas, a nossa coragem e dignidade retornará, permitindo finalmente à humanidade o cesso à verdade escondida, que levará o Poder a cair de vez. E, assim, acabar-se-ão opressores e oprimidos, bem como também a miséria física e espiritual. Quanto muito existirão duas facções bem distintas que se de gladiarão honestamente e não esta mistura de matéria e mentes que nos confunde a todos e onde ninguém sabe quem é quem. Até pode demorar o surgimento desta verdade tão procurada, mas acredita que valerá a pena para todos nós porque se tivermos que regressar de novo a esta existência miserável, teremos mais oportunidades de sermos verdadeiramente humanos.

 

Para que um dia venha a ser possível transformar o mundo num sítio onde o sofrimento humano não tenha mais lugar, mais vale prevenir do que remediar. Daí que devamos preparar-nos no combate à falsidade, começando por falar sempre a verdade em todas as circunstâncias da nossa vida. A nossa dignidade acima de tudo e de todos. Com a nossa dignidade conquistada, teremos a possibilidade de nos vir a cruzar com outros seres humanos, onde os verdadeiros valores humanos não têm dono nem são obrigatórios. São naturalmente nossos. Não precisaremos de leis ou mandamentos redigidos por outros, para termos um comportamento social correcto, a partir do momento que já nascemos com leis e mandamentos inerentes a nós próprios e ao mundo que representamos. Assim, não mais será fácil, para eles, corromperem-nos e transformarem-nos em amostras de gente. Pedaços de carne viva que deambula pela Terra unicamente em busca de alimento, para sua própria preservação, lutando consecutivamente pelo modo mais fácil de obter aquilo que nos mantém vivos, sem pensarmos que este é um período muito curto da nossa verdadeira existência e que, se não fizermos mais do que temos feito até aqui, seremos sempre aquilo que não somos. Carne. Unicamente carne viva, para poder criar mais carne, de modo a permitir e assegurar a expansão dos genes que transportamos dentro de nós. E há tanto por onde podemos começar, para impedir esta transmissão de genes, que nos tem vindo a reduzir a essência de que somos realmente feitos, que nem precisamos de aprender como o fazer; basta que, quando estivermos perante alguém a quem necessitamos dizer a verdade do que nos parece, faça-mo-lo imediatamente, não permitamos que a ética social e religiosa nos impeça de falar sempre o que pensamos traindo assim o nosso ser, porque se o não fizermos ficaremos mal connosco e com os outros. Se não nos sentirmos dignos de nós próprios não nos sentiremos dignos de ninguém. Além disso, este desinteresses por nós próprios, far-nos-á mergulhar numa apatia em relação ao mundo que nos cerca e o nosso desinteresse não nos permitirá lutar por um mundo melhor do que aquele em que vivemos. Continuaremos a ver as injustiças do mundo como se não tivéssemos capacidade alguma de acabar com elas. É preciso acreditar, ter força e começar a agir, porque querer é poder. Se nós quisermos podemos mudar o que está mal. Qualquer um de nós. Se temos conseguido manter a evolução da vida, neste Planeta, criando novas civilizações com base na nossa persistência e sacrifício, também conseguiremos fazer um mundo melhor para todos. Basta, todos juntos, querer uma coisa destas. Nada nem ninguém nos conseguirá impedir. Construamos um mundo novo, porque o que temos actualmente só nos tem vindo a fazer mal. Não somos assim tão insignificantes como nos tentam fazer crer, muito pelo contrário. Temos a luz dentro de nós, só precisamos de a deixar brilhar. Só isso. Se todos eles são de uma única cor, nós não temos forçosamente que ser a sua cor, porque senão deixaremos de ser “nós” para passarmos a ser “eles” e quem vai perdurar e viver a tal eternidade de que muito gostam são eles e não nós. Estamos a dar-lhes de bandeja a nossa imortalidade e a trocarmos a nossa identidade; se continuarmos a permitir isto, nada sobrará de nós, nem na vida nem na morte. Muitos de nós já caminham dificilmente, lamentando este momento, mas podemos ainda retomar o que é nosso indo buscar o que nos pertence a cada lei absurda, a cada ideia descabida, a cada pensamento. Não temos que aceitar mais lei nenhuma ou vontade, seja de quem for, que não seja unicamente humana. O que quer dizer, que se alguém pretender matar, mesmo que este matar tenha carimbo oficial dos governos, nós não devemos deixar que isso aconteça. Somos milhões e eles meia dúzia. Basta nós não querermos mais mortes sem sentido, e elas não existirão mais. Munindo-nos do nosso poder interior, usaremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para os impedir. Mesmo que seja pô-los a todos fora do lugar que ocupam e substituí-los por outros, que pensem de facto em preservar o ser humano, não em aniquilá-lo como tem acontecido até aqui. Se pretenderem subjugar-nos, impondo-nos leis materiais para nos controlarem, não as aceitemos. Se as crianças não forem devidamente protegidas pela lei, como se fossem meros brinquedos para serem utilizados de modo vil seja por quem for, não o devemos permitir de modo algum. Se uma qualquer religião nos quiser impor um mandamento novo, devemos desprezá-lo, porque isso é o mesmo que dizer-nos; que só através dos seus mandamentos conseguiremos ser humanos, quando é isso mesmo que somos desde sempre, etc., etc., etc. É só ficarmos sempre atentos ao que eles fazem ou pretendem fazer.

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 22:08
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

máscara mil


 

 

Diz-me a vontade para continuar

A verdade diz-me não valer

a pena

O mundo diz-me que tudo está para acontecer

Eu digo

Não sei o que fazer.

 

 

 

 

Depois de vaguear sem rumo certo

À deriva

Por caminhos possíveis de percorrer

A verdade procurada chega numa frase curta

Inesperada.

 

O cair

Da máscara.

 

Livre de fantasmas inúteis

Sem sentido

Interrogo o tempo perdido.

 

Questiono agora a vontade e o valor

Já que não existe necessidade

Desta verdade.

 

Tudo seria fácil e simples

Por vontade nobre

Se ela existisse

Mas a máscara

Oculta O Pérfido

Uma dissimulação de nobreza

Descoberta.

 

Coisa assim

Não tinha como impedir

A CasaDeCristal existir

E o Oculto Revelado

Surge inesperado

À alma de todos os tormentos

Provocados

Numa máscara

Mil.

 

Se a máscara não existisse

A CasaDeCristal

Ter-se-ia mantido ou desaparecido

Ou mesmo

Nunca teria existido.

 

Para sempre oculta a todos os olhares

A todos os sentidos

Segredo dela

Do universo que os escreveu

Junto com ela

Numa indescritível sintonia de Amor

De presença eterna

Amor verdadeiro.

 

Por maldição ou ingenuidade

Ou por desconhecimento

da existência de máscaras

Vacilou com tudo

Todos

Perigou o mundo à sua volta

Sem vontade própria

Mergulhou no limbo profundo

Deambulou cega

Fugiu da luz

Nas trevas mergulhada

Por castigo da sua não-culpa

Tinha que encontrar

O caminho de regresso

E encontrou

No fim dele

A máscara mil.

 

O Universo chora

Chorará o homem

O Universo

Enganado.

 

Como lidar com o Sentido

Que não é sentido

Como lidar com o Saber

Que nada é

o que parece ser

Como perceber se vale a pena

depois de Nada valer a pena

Como entender.

 

Resposta rápida a mim espero

Se sem valor ou interesse

posso e devo continuar

a dar forma ao meu pensar

E com ele

Olhar as letras azuis

e ficar tristemente feliz

por me ver

em todas elas

Apesar de não existir mais razão para existirem

ou não existirem

Não e Sim

Sim e não

Daria a sua anulação.

 

Mas deixaria a minha alma de existir

Ou o meu ente

O meu ser

A minha genuína verdade

O meu entendimento

do mundo e das coisas do mundo

ou de mim mesma?!

Não! Continuará

a ser imutável

Manifestado ou não

Continuará a existir

enquanto da existência fizer parte

Por isso

Talvez

Continuar a dar forma à minha própria alma

e aqui a deixar pousar

Apesar de saber

de nada mais importar.

 

Viro o rosto oculto pelo rosto que me cobre o rosto

e olho o indecifrável Passado

Viro-o de novo na direcção do Futuro

Mais do que indecifrável

Vejo-o vago

Olho o Presente

O eterno Presente de tudo quanto É

E sinto mágoa

Apatia

Ausência minha

que unifica o Passado e o Futuro

num só Presente.

 


EscritoPorLazulli lazulli às 10:59
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas"

 

 

 

 

Observando

 

as mãos

 

molhadas

 

vazias de nada

 

onde tinham nascido

 

todas as ilusões

 

esperanças vãs

 

quimeras

 

desnecessárias

 

Nadas!

 

 

 

 

 

De olhos fixos

 

no além

 

distante

 

dita

 

sua voz

 

a sentença

 

pela perda

 

inocente

 

da

 

existência

 

por Promessa

 

inacabada

 

incompleta

 

Não Cumprida!

 

 

 

 

Perdoo-te

 

senhor

 

amado meu

 

quando chegar o dia

 

em que perdoardes a vós mesmo

 

a traição que me fizesteis

 

sabendo vós

 

tão bem de mim

 

e mesmo assim

 

impune ficais

 

por vossos actos

 

indiferentes

 

ao dano que provocasteis

 

imenso

 

tanto

 

que as águas deste mundo

 

não comportam em si

 

tanta dor

 

por existir.

 

 

 

 

Correi agora

 

mais veloz que o Vento

 

e

 

parai as águas do meu mundo

 

que serão mais eternas

 

que a eternidade

 

que nos Separou

 

dividiu

 

Estilhaçou.

 

 

 

 

Procurai

 

nas dobras do Tempo

 

Percorrei

 

todos os Espaços

 

ide em Demanda

 

até me encontrardes de novo

 

porque eu

 

eu tenho que partir novamente

 

para o lugar

 

de onde vim

 


 

... mesmo dali!

 

FIM

 

"senhora das mãos de prata mergulhai vossas mãos no mar de cristais que não esqueceis e amais até que o Espaço se comprima e o Tempo se extinga e trazei nelas se ainda puderdes as vestes e a espada que amais e jamais dela vos separeis para que nunca mais vos esqueceis de quem sois e do que representais para todos nós.VossoInfinito"

 

 

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publicado por lazulli às 16:36

 

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 15:16
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

encoberto

 

 

 

 

 

 

atravessei todas as esferas

 

caminhei em todos os caminhos

 

galguei montanhas

 

até ao topo

 

subi pedra a pedra

 

resvalei encosta a baixo

 

magoei meus pés descalços

 

lavei-me com minhas lágrimas

 

sentei-me

 

no silêncio da minha alma

 

levando-a nos meus olhos

 

parados

 

ao infinito daqui

 

interrogando-o:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Porquê?!

 

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publicado por lazullilazulli às 22:55
2008 (13) comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 11:46
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas"

 

 

 

Canto IV

 

 

 

 

 

 

 

 

Não pode evitar

as águas

soltas

das frágeis e pequenas mãos

nascentes

de mil dores

guardadas

que correm suavemente

ao encontro da terra

e nela se infiltram

espalham

distendem

sob o olhar triste

da pequena senhora

que nada pode fazer

para impedir o caudilho

das águas inesgotáveis.

 

 

Duas lágrimas

de prata

e outras duas

mais as que se seguirão

desprendem-se

do singelo rosto

da alma que chora

nos jardins

do castelo assombrado

guardado

pelas torres

lá do alto

olhos vigiam.

sob o olhar atento do Sol

que lhes abrilhanta ainda mais

a cor da dor

as águas mil

segredos

de mil medos

do amor eterno

inundam

o jardim tenebroso

ameaçando afogar

com seus inesgotáveis

caudais

o Amor

que em si encerram.

 

 

 

Eu disse-vos

avisei meu amado

senhor

que eram lágrimas

apenas lágrimas

nada mais

lágrimas existênciais.

 

 

 

 

 

Perdoai

amada minha

alma da minha alma

minha desconfiança

meu descuido

minha desatenção

perante Vós

sim

eram lágrimas

lágrimas de cristais

perdoai

vosso

amado senhor

e fechai a fonte

de onde brotam

as águas imparáveis

eu ajudo-vos a consegui-lo.

 


 

 

É tarde meu senhor

as águas mil

deambularão

por

todos os recantos

do jardim

ensombrando

novamente nossas

almas

até à eternidade

porque

meu senhor

não confiastes

naquela que vos ama

desde a eternidade

fechastes vossos palácios

subistes à torre mais alta

e tornastes impenetráveis à alma

humana

o maior dos sentidos

de sua existência.

 

 

 

 

 

Mas

senhor meu

desconheceis vós

que sois eu

a inexistência

da minha alma

humana

só a desconheceis

porque não olhastes

quando o loureiro

queimava

lá no cimo da torre

atirando suas fragrâncias

ao encontro

do deus

encoberto

que em silêncio

de costas

para o mundo

via as cores

do seu mundo.

 

 

 

 

 

Se tivésseis olhado meu senhor

erguido vossos olhos e vosso corpo

Se não estivesses perdido

nas coisas do mundo

teríeis visto

aquilo com que sempre sonhastes

porque

estava ali

naquele momento

envolvendo

a doce criatura

semi humana

mas

vós não vistes

porque não acreditastes

no impossível.

 

 

 

 

 

Agora é tarde meu senhor

muito tarde

com vossos gestos

medos

desconfiança

vossa descrença

e

indiferença

deixastes morrer o mundo

e matastes o sagrado

elemento

para sempre.

 

 

 

 

 

 

Sois culpado

condenastes

aquilo que mais amastes

e

encerraste a nobre alma

em cada gota de prata

que vedes deslizar

serpenteando

por vossos jardins

nunca desejados

amados

 

 

 

nunca

queridos.

 


 

 

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publicado por lazulli às 19:09

Domingo, 29 de Junho de 2008
(8) comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 21:23
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

"São lágrimas, meu amado senhor, são lágrimas."

 

 

CANTO III

 

 

 

 

Senhor, vos digo que são lágrimas .

 

 

Lágrimas que guardei

neste deambular

sem fim

por vossos jardins

e afins.

 

 

 

Acreditei

que guardando-as

junto a meu peito

fechadas em minhas mãos

nelas recolheria tuas promessas

e o sentido

de vossas palavras

em tempo ido.

 

 

 

E...

enquanto vagueava

perdida

por vossos jardins

secretos

mistérios da vida

belos e estranhos

envoltos em magia

e fantasias mil

inúmeras vezes

recebi a mesma morte

na subtileza

de mil tormentos incompreensíveis

recolhi lágrimas

lágrimas que guardei

com reverência

no esquecimento

de mim mesma.

 

 

 

Perdoai-me amado meu

inadvertidamente

recolhi todas as lágrimas

também essas

guardo comigo

para que o mal não se espalhe

e atinja Vossa Torre de marfim

fria e gélida

inacessível

a uma pequena viajante

do Tempo

Encoberto

que tudo guarda

e tudo vê.

 

 

 

Perco o amor de meu amado senhor

por guardar em minhas mãos

todas as lágrimas que magoam

ou podem magoar?!

 

 

 

Perdoai-me

mas não me pedis

tamanho sacrifício

pois com sacrifício as guardei

e em mim as mantenho

por meu eterno afecto

aprisionadas.

 

 

 

Não posso senhor

fazer vossa vontade

porque são mesmo lágrimas

o que retenho

guardado em minhas mãos

desde que aqui cheguei.

 

 

 

Não é prata senhor

muito menos palavras

como aquelas que bem conheceis

as vãs

esses raros bens

eu não possuo

só possuo minhas mãos

que bem conheceis

e o que nelas guardei

as lágrimas.

 

 

 

Por Vossa Graça e mercê

Senhora minha

alma da minha alma

sabereis vós dar ouvidos

a quem sempre vos ouviu

atendendo

ao pedido suplicante

deste nobre

peregrino

distante do seu mundo

e abrir

vossas delicadas mãos?!

 

 

 

Quero ver senhora

com os olhos

o que tão zelosamente guardais

em vossas mãos

hermeticamente seladas

só assim acreditarei

em vós

mostrai-me

o que trazeis guardado

numa concha impenetrável

que perturba os sentidos

persistência inútil e desnecessária

efémera.

 

 

 

Não tolero

mais demandas à luz da aurora

nem na noite oculta

quando a lua não se vai colocar

para a alumiar

não mais tanta demanda

em busca do impossível.

 

 

Senhora das mãos de prata

abri vossas mãos

mostrai-me o que elas contêm

para que possa ajuizar

o que realmente escondeis

se é que escondeis

alguma coisa.

 

 

Não acredito em Vós

nem naquilo que dizeis

mostrai o que trazeis

ordeno que obedeçais

minha paciência esgotada

Vos considera menos que nada

em que ficais

mostrais ou não mostrais?!

 

 

 

(Rendida ao pranto/apelo da alma de seu amado senhor, a senhora das mãos de prata de olhos erguidos em "frente" ao "rosto" sempre amado, tristemente, abre as suas delicadas mãos e, logo, delas jorram as águas inesgotáveis de luz argêntea que vão inundar o Jardim de seu amado senhor, para sempre. E... chora a sua desdita.)

 

 

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publicado por lazulli às 10:25

Sábado, 31 de Maio de 2008


EscritoPorLazulli lazulli às 21:37
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Desencantos...

 

 

 

... de ontem e de hoje

 

 

 

Agitaram-se as águas do pântano
por um momento
e, por um momento
adormeci os sentidos de mim
num torpor magico de encantamento
deslumbrada
pelo mistério das almas que se mostravam
inconsciente, insisti em atravessar descalça
as águas que se moviam
confiante
que conseguiria e queria a integração
nas suas vivências
e no estender das suas mãos
de águas tépidas
que aclaravam

à passagem de ventos suaves

pequenas clareiras

de solo firme
mas não consigo
essa não é a minha natureza.

 

chegada.gif

 

 

ml - (...há 6 meses atrás!)

 

 

 

publicado por lazulli às 12:12
Terça-feira, 20 de Maio de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 11:02
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

menino...

 








Carlos

(... não deixes o tempo passar)


 

 

Tinha nascido

Era meigo e querido

E mantinha a inocência do Ente dentro de si

Cresceu sozinho, sempre sozinho

E o pensamento tardava a vir

O seu Ente não entendia o mundo que o cercava

Porque continuava puro desde a Origem que o formara

Mas foi o tempo longo demais e seu inimigo

E ele continuou a olhar

Ouve um dia

Só um dia no tempo

Só um momento que andou

E sentiu frio quando despertou

Olhou e nada viu

Ele não era de nada e de ninguém

E também ninguém era seu

Não entendeu

Não entendeu e sofreu em silêncio o seu espanto

Todos tinham alguma coisa

Todos faziam parte de algo ou de alguém

Todos pertenciam a um lugar, a um sitio

Todos tinham alguma coisa sua

E ele não tinha nada, não era nada, nem ninguém.

A solidão foi forte

Quando gritou e ninguém o ouviu

A dor foi grande

Tão grande que o Universo ouviu e estremeceu quando o perdeu

Porque o menino queria arrancar esta agonia de ser diferente de toda a gente

Começou a caminhar com a dor da descoberta ainda estampada no rosto

E seguiu pelo caminho onde caminhavam todos

Conquistando a simpatia desses que antes não entendia

E esta simpatia perdeu-o completamente

Quanto mais queria ser igual a eles

Mais desigual se tornava ele dentro de si

Algo não o abandonava

Experimentou tudo quanto viu

Seguiu fielmente os passos dos seus vizinhos e conseguiu

Conseguiu estar com eles

E fazer como eles

Falar como eles

“Ser” como eles

Mas o menino não sabe que morreu ao querer ser igual a eles

Porque nunca poderá ser quem não é

O menino predestinado a crescer dentro de si

Para que o Universo dele tivesse orgulho

Não sabe que a sua diferença continua a existir

E vai reclamar sempre o seu direito de ser

Por mais insignificante mediocridade que lance sobre si

Um dia vai prestar contas a si mesmo do que fez consigo próprio

O menino não é um ser do mundo

E tem que saber isso

O menino é mais que nada, é tudo

Mas é tudo quanto não é

O Universo está cansado da sua luta pela Verdade-Justiça do Cosmos

Existe o teu lugar, menino

Existe o teu Mundo do outro lado da Vida.

 

Dedicado ao meu irmão Carlitos
 


Agosto de 1992

 

 


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publicado por lazulli às 01:32
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
(2) comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 10:36
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Sábado, 3 de Outubro de 2009

... porque ...

... tenho dificuldade e me recuso a igualar-me a sem escrúpulos/maus íntimos (vermes) ... uma pequena grande história em quadradinhos....

 

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Não sei se é verdade. Mas, por ora, é a única linguagem que me ocorre...


e... como uma história começa sempre por... era uma vez...

 

paposagrades.jpg

madeitraeleela.jpg

 

uvasmaduras.jpguvasverdes.JPGcachorro-pode-comer-uva.jpg

FIMARTEMIS.jpg

di.jpeg

a imperturbável PAZ de Diana

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blicado por lazulli às 09:52
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 00:36
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."


 

Canto II

 

 


“São lágrimas, meu senhor, são lágrimas.“

 

 

Lágrimas

 

dizeis vós

 

alma da minha alma

 

como podeis guardar lágrimas em vossas mãos

 

se vos amei

 

desde o raiar da Aurora

 

até ao descer do manto que cobre o mundo

 

não controlando a Vontade De Cronos

 

que persiste em manter em meu âmago

 

esta herança indesejada

 

que me não permite

 

libertar

 

a Alma amarga

 

que presa a Vós

 

tarda em sarar

 

a chaga aberta

 

que me consome

 

sempre em ferida

 

por minha cobardia.

 

 

Dizei-me vós


senhora das mãos de prata


a verdade

 

imploro-vos

 

sei que vos decepcionei

 

por minha honra

 

juro que eu não queria

 

não prolongueis mais

 

meu próprio castigo

 

minha agonia

 

não me transformeis

 

em mais negro

 

que o negro


ocultando-me a razão

 

que ocultais em vossas mãos

 

no vosso deambular

 

por jardins e afins

 

onde


gostaria

 

de não vos ver penar

 

carpindo

 

dores inexistentes

 

sem sentido.

 

Cessai vossas lágrimas

 

incrustadas em cristais

 

contra os quais praguejo

 

aço duro e frio

 

todos os dias

 

porque aqui vos encontrais

 

sem desejar

 

a vossa lembrança

 

que não quero minha

 

nunca mais.

 

 

Deixai-me ajudar-vos

 

à não derramação de mais lágrimas

 

por essência

 

que não é vossa

 

e sim minha

 

afastar-vos


de perigos eminentes

 

que enfrentais

 

por incúria minha.

 

 

 

Não me julgueis pérfido

 

ou leviano

 

incapaz de assumir suas próprias falhas

 

meu silêncio

 

e

 

ausência prolongada

 

é preceito meu

 

esconder-vos

 

quem sou

 

pr'a

 

não decepcionar-vos mais

 

retirar-vos

 

do lugar que não é vosso

 

afastar-vos

 

para sempre

 

de jardins alheios

 

onde só incomodais

 

meus canteiros

 

cheios de luz e cor

 

fantasia e amor

 

que nós mesmos criamos

 

e Vós não criais

 

com luz e cor

 

do mundo que nos trazeis

 

desconhecido

 

de amor.

 

 

 

Sim eu quis o Vosso mundo

 

amei-o por um instante de Tempo

 

mas

 

minha luz de sombras

 

é aquela

 

onde melhor estou

 

onde melhor me sinto

 

nela quero permanecer

 

não me desafieis

 

mais

 

e dizei-me de uma vez por todas

 

o que guardais.

 

 

 

Mesmo

 

após ter entregue a outra parte de mim

 

ao Demónio das mil sombras

 

mantive a vilígia

 

permanente

 

por horas e dias

 

sem fim

 

por isso

 

dizei-me a mim

 

só a mim

 

como nos tempos

 

do Tempo

 

em que só em mim confiáveis


o que escondeis em vossas sagradas mãos

 

de prata argêntea

 

que fere os sentidos

 

e a confiança

 

que em vós depositei

 

um dia.

 

 

 

Dizei-me

 

doce e amada senhora

 

ouvi-me

 

como nos dias


nas horas

 

nos meses e nos anos

 

em que fugi de vós

 

sem nada vos dizer

 

e me retirei para a minha Torre

 

de pedra fria

 

e do Alto distante

 

vos observo

 

todos os dias

 

tentando perceber o que escondeis

 

nas mãos que um dia beijei

 

aquelas

 

ainda gravadas

 

em meus lábios

 

secos

 

por mais nada vos dizer

 

por mais nada

 

querer saber

 

por mais nada esperar

 

congelando as mágoas

 

que eu mesmo avolumei

 

por em Vós

 

doce senhora

 

não querer acreditar

 

e contar-vos

 

a verdade

 

de mim.

 

 

Desesperais aquele que vos ama

 

desafiais

 

com vosso cântico sentido

 

a paciência de quem amais

 

em vosso silêncio e persistência

 

abri vossas mãos

 

agora

 

ordeno

 

que o façais.

 

 

 

 

"Senhora das mãos de prata":

 

 

Tranquilizai meu Senhor

 

vosso coração

 

retornai em paz

 

à vossa Torre lá no Alto

 

e permiti que eu aqui permaneça

 

em vossos jardins e afins

 

porque são apenas lágrimas

 

o que está guardado para sempre

 

eternamente

 

em minhas mãos

 

não as temais

 

porque nelas

 

está Toda a Verdade

 

zelarei

 

para que permaneça para sempre

 

guardada

 

dentro das mãos

 

fechadas

 

que tanto insistis

 

que abra.

 

 

 

Vos digo não

 

não posso

 

abrir minhas mãos

 

acreditai

 

meu senhor

 

que não o devo fazer

 

meu dever

 

é guardá-las comigo para sempre

 

as lágrimas

e

hermeticamente

 

fechadas em minhas mãos

 

fá-lo-ei

 

cumprirei a Promessa

 

feita ao Não/Tempo

 

antes do início

 

ter sido início

 

e antes do Tempo

 

ter sido Tempo

 

mesmo antes do Espaço

 

aparecer como Espaço

 

Espaço/Tempo

 

contra tudo e todos

 

as guardarei

 

mas a Vós senhor

 

e por Vós

 

não posso recusar um pedido

 

por isso vos peço eu

 

que em mim acrediteis

 

que, são mesmo lágrimas

 

Senhor

 

unicamente lágrimas

 

o que de Vós

 

escondo

e

esconderei.

 

 
penso: saudades do primeiro mundo
lágrimas, poema, poemas, poesia
publicado por lazulli às 21:14
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:11
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

alma

 


fala alma

 

diz-me o que tens

 

conta-me a mim que de há muito


 

te vejo deambular com os olhos fixos num único ponto


procuras tu alguma coisa?!


vejo-te sempre com o mesmo ar

 

conta-me o que te faz olhar fixamente um único e mesmo ponto

 

em torno de mim.


 
 

escuta comigo o silêncio que me preenche


nele vês o tudo de mim


aqui guardo a minha alma eterna


eterna sim


não te surpreendas com esta eternidade só porque é eternidade


porque a imensidão da eternidade machuca mais ainda a alma ferida.

 

 

 

deixei de correr de tropeçar

 

e também de deambular aflita

 

pela terra inteira

 

acalmei os meus passos

 

e deixei que minha alma se voltasse a mover

 

ao som das minhas palavras.

 

(demimparamim )


pensamentos
publicado por lazulli às 09:00
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
comentários (1)

EscritoPorLazulli lazulli às 22:01
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

alcateia das sombras

laivos de luz - rasgam-me a alma - como garras de lobos esfomeados - que em matilha - povoam as trevas do mundo.

 

mulher e a pomba-thumb.jpg

publicado por lazulli às 10:54
Quinta-feira, 20 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 18:47
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."

 

Canto I

 


 



Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

 
 
 
 

libertai de vossas delicadas mãos

o que nelas aprisionais

tão carinhosamente

como se de um tesouro oculto

se tratasse.




Deixai meus olhos cansados

de tanto vos observar

do Alto da Torre

onde me encontro

oculta

por mil demónios

de muralhas inexpugnáveis

ver

o que escondeis

enquanto deambulais

por esses jardins afins

tão longe

e tão perto de mim.




Quais os segredos

que ocultais

nos vossos pálidos passeios

matinais

a vosso amado senhor

aquele por quem esperais

desde sempre

por quem fizestes juras

de amor eterno

povoando os sonhos

deste nobre cavaleiro

em vossa busca feérica

ferindo seu coração

de descontentamento.




Não o intrigueis mais

nas vossas caminhadas sem destino

não magoeis mais seu coração

com o mistério de vossas mãos

libertai delas

o que nelas aprisionais

para que ele possa de perto

ver com o que vos apoquentais

e assim poder dar sossego

ao coração amargurado

angustiado

por seu próprio pecado.

 



Mostrai o mistério

que contêm

e tão zelosamente guardais

lembrai-vos

Senhora das mãos de prata

que no vosso pranto

perdido

comove-o o enigma

de vosso amor

por cavaleiro sem dono

mas não senhor de seu próprio Destino

que do Alto da Torre de onde vos observa

é apoquentado com vosso constante delírio

vão e inerte devaneio

largado

nos jardins

desconhecidos

por vós.





Sofre

por vós

sofre

neste vosso deambular inútil

por jardins

que não são vossos

nem conheceis

porque vos torturais assim

magoando-o

lembrai-vos das palavras gravadas

daquelas em que vos guardei

para um outro Tempo

outro momento

um outro mundo.


 


Lembrai-vos

que vos amei

amada minha

mais do que podia

mais do que devia

mais do que me era permitido

pelo fatídico Destino

morro

por tal bênção

e ignóbil pecado

praticado sem razão

sem motivo

escondo-o de mim mesmo

p'ra esquecer o que vos fiz

e me refugio na Torre de marfim

de pedra fria

longe de vós

mas vós doce Senhora

continuais à vista de meus olhos

e confirmais a eles

o meu pecado

por vos ter

abandonado

à vossa sorte

depois da palavra dada

deste nobre e honrado cavaleiro

à hora

sem mácula.

nem pecado

que lhe atormentassem

o coração hoje

pesado.




Acreditais

Senhora minha

por isso aqui permaneceis

depois da ingratidão

que não mereceis

que este nobre cavaleiro

vos enganaria

algum dia

em que conta o tendes

depois das promessas

das garantias

das palavras que trocastes

de que aqui

vos queria para sempre

junto a si

porque aqui

sempre estaria

e está

amada Senhora

das mãos de prata

e está

em fraca mas dedicada

contemplação

oculta

à vossa espera

desde que o astro da luz

irradia sua doce melodia

até ao cair do dia

e para lá da luz eterna

quando se instalam trevas

do mundo por onde vagueia

cada vez mais perdido

em seus anseios

cada vez mais triste

mais só

por não a ter

por companhia.

 



Aqui zela por vós

em silêncio

mordendo o pó

do pecado que praticou

por amor

amor a vós

por acto tão nobre

vos pergunto

o que fazeis vagueando por aí

sem descanso

nos jardins que só a si pertencem

e de onde vos expulsou

indiferente

ignorando a ferida que provocou

pretendeis torturá-lo

com a vossa constante presença

para que se não esqueça de vós

e lembre sempre a falta

para convosco
Senhora

não o castigueis mais

e abri vossas sagradas mãos

e mostrai

o que guardais.




Procuro-vos

nos recantos do jardim

que meus olhos alcançam

lá da Torre

onde me escondo

mas sinto os vossos passos

constantes

em procura de mim

angustiado

quero acabar com vosso deambular

fantasmagórico

que ofusca vossos propósitos

e descansar os olhos

de tanta procura.

por isso vos peço

que me mostreis

o que escondeis de mim

que me faz acordar e adormecer em vós

sem mesmo entender

porquê

quando fui eu

que na minha própria transgressão

recolhi à minha inacessível Torre

e aqui vos abandonei

indiferente à vossa sorte

depois de vos ter prometido

que estaria sempre

a vosso lado

e vos protegeria

dos perigos

que estão

por todo o lado.



Mata-me a culpa

procuro desculpa

de meus insanos actos

torturo-me

com vossos passos inconstantes

firmes e sólidos

neste andar meio distraído

nesta entrega inerte

ao que não existe

nunca existiu

eram palavras

palavras vãs

sofismas espontâneos

de um cavaleiro andante

nada mais

então

porque vos torturais.




Ajudai-me

libertai-me

mostrai-me

Senhora minha

minha amada

porque caminhais dia e noite

por um jardim que não é vosso

quando eu habito a Torre

lá no Alto

Torre que nunca vos permiti

alcançar

vergonha do que vos fiz

mostrai-me

porque trazeis as mãos

colocadas sobre vosso peito

e não as soltais

preciso saber

o que escondeis.

 

 


Dizei-me Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

que me deram a ternura imensa

do diferente e único sentir

dizei-me

o que guardais

não me tortureis mais

com esta incerteza

com esta dor que me afasta de vós

sou eu que vos imploro

que me digais

porquê

me procurais

e aqui permaneceis

para sempre

à vista

dos meus olhos

quando eu quero

esquecer

a minha própria alma

pelo que ela praticou em vós

depois

do que gentil e inocentemente

me destes.

 


 

 

Senhora das mãos de prata:

 




"são lágrimas, meu amado senhor, são lágrimas "

 

 

amor, canto, lágrimas, poema, tristeza, à falsa nobreza de sentimentos
publicado por lazulli às 16:46
Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 12:43
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