Quinta-feira, 7 de Setembro de 2017

cristal

lfotodanet
Hoje que a Esperança morre lentamente e o Tempo já não é suficiente lembro um mundo de cristal que nunca esqueci e a ansia de a ele retornar o mais depressa possível porque continuo com a certeza que não sou deste mundo e que continuo sem saber viver nele.

SintoMe: igual a ontem
Palavras: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

EscritoPorLazulli lazulli às 01:29
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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2017

Quando a Natureza fala mais Alto Que o Homem de Mal.... a "Civilização" Deixa De Existir Para Protecção dos Inocentes "Agmon"

 

 

SintoMe: horrorizada com o mundo

EscritoPorLazulli lazulli às 03:28
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012

SenhoraDasMãosDePrata Proibida Em Vários Países

O meu vídeio "SenhoraDasMãosDePrata" está interdito em vários Países. Surpresa minha. O que é que os incomoda tanto na minha alma que os leva a Proibir o meu vídeo?! Meio estúpida, interrogo-me, o que as minhas palavras têm de tão errado que os levem a Proibir a minha alma de se Expressar?! Não sei! Mas voltarei a escrever, o que sou, o que sinto, o que sei. Não lhes dou o direito de impedirem a minha Alma livre. Só me faltava proibirem-me o blog.

 

 

Dá-me vontade de continuar a Ser. E Serei.

 

(olho o mundo à minha volta e vejo o terror humano que ninguém proibe) e tentam impedir que o meu Ente chegue mais longe?! Como estão enganados. Só me incentivam a CONTINUAR a ser eu.

 

 

Ora Aqui Me Têm

 


EscritoPorLazulli lazulli às 02:04
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Pântano

 

Agitam-se
as águas do Pântano
por um momento.
Por um momento,
adormece os sentidos
num torpor mágico
de encantamento,
deslumbrada
pelo mistério d'almas que se mostram.

 

 

 

Inconsciente,

insiste em atravessar descalça
as águas lodosas que se movem,
confiante
que consegue
ver o inexistente.
O que foi
e que não será mais.
o que era
Mas nunca chegará a ser.

 

 

 

Eram as palavras
e o seu constante bailado,
fruto de mentes diabólicas
que se expandiam sem pudôr
como predadoras d'almas
instantâneas.
Frenesim inquieto d'palavras
treinadas
onde a verdade nunca existe.
A ilusão
com intenção
É a mentira
descarada,
deslavada.


Queria a integração
nas s'vivências
no estender suave das suas mãos
nas águas tépidas
que aclaram à passagem de ventos suaves.
Mas, não consegue,
essa não é a sua natureza.



Movem-se lianas e abetos
quando o vento por eles passa.
Luzes escondidas
surgem acanhadas nas brumas do Pântano.



O voo do pássaro
permanece,
já não inseguro,
receoso,
pela Pradaria imensa
que por baixo dele se estende.

Mas pousar
o pássaro não pousa,
a sua natureza não lhe permite.

Tentar permanecer
em solo firme,
atormenta-o.
É pequeno
muito pequeno

o pequeno pássaro.

 

Quer sobrevoar a Pradaria sem medo
mas nela não quer ficar.


Afasta-se de si neste estar que não é seu
neste instante pendente de si
neste desencanto da s'alma
tenta encontrar uma razão para aqui estar

permanecer

ouvindo os sorrisos e sorrir.
Mas dois são os motivos

só por eles permanecerá
porque foi por eles
unicamente por eles que ficou.
Que iniciou a travessia
do Pântano sombrio da Pradaria.

Sorriu às almas que lhe sorriram
num gesto de agradecimento meigo e terno.
Retribuo-lhes o estender das suas mãos num gesto seu

de ser ela mesmo ela,

só dando e recolhendo deste modo unicamente seu

é digna dos seus sorrisos e do estender das suas mãos

como almas se se tocam e reconhecem do Antes Do Tudo Nada De Tudo.

 


Num instante tudo parecia possível ,

podia rodopiar alegre, dançar no ar, misturar-me com os elementos

pertencer e ali permanecer,

participar da vida de um Pântano profundo deste mundo.

Mas o desencanto magoa a alma que traz em si

não pode continuar

não sabe tentar

continuar pousada de lugar em lugar.

Não pode.

 

Sobra uma paz, uma certeza, um saber que a contenta.

Não é mais a vida no Pântano e do Pântano na Pradaria imensa que lhe provoca dor.

É ela que não pode ser o que não é

ao tentar ser igual às boas almas que ali estão.

Sabe a resposta que procurou

por isso pode ficar aqui a sorrir.

Mas não pode permanecer.

As almas sorriram-lhe por um momento mágico.
Nesse deslumbramento de si,
seu coração, alegre, quis ficar.
Permanecer por mais tempo

junto de quem amavelmente lhe sorriu.

Demorou a voltar,  mas voltou só.

Sem medo do Pântano da Pradaria distante.

Hoje ela sabe como saltar de plátano em plátano,

de liana e liana,

sem mais temer cair e afundar-se nas águas lodosas do Pântano maldito

que tanto a perturbou.

 

 

 

 

Hoje, suas mãos ágeis

elevam-se às lianas que lhe asseguram asas nos pés

e a fazem chegar e estar em local seguro

Na Sua Casa

a CasaDeCristal

A sua própria Alma,

onde só o Azul dos céus nela permanece e permanecerá

Intocável.

 

 

(Escrito à 4 anos e composto hoje para meu deleite e deleite de quem quiser permanecer por aqui)

 


EscritoPorLazulli lazulli às 10:18
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

HumanidadeEscravizada (XXXIV)



Mas tu que me lês podes ajudar a acabar com a mentira que nos envolve a todos, explicando melhor do que eu esta trama diabólica do mundo onde estamos inseridos. No futuro, outro virá que o fará melhor do que tu ou eu. E, como elos de uma corrente de ferro, atravessando os tempos e as resistências, cada um de nós será a vontade do outro aperfeiçoada, até que a verdade venha a ocupar o lugar que a mentira ocupa hoje. E, com a hipocrisia abolida de uma vez por todas, a nossa coragem e dignidade retornará, permitindo finalmente à humanidade o cesso à verdade escondida, que levará o Poder a cair de vez. E, assim, acabar-se-ão opressores e oprimidos, bem como também a miséria física e espiritual. Quanto muito existirão duas facções bem distintas que se de gladiarão honestamente e não esta mistura de matéria e mentes que nos confunde a todos e onde ninguém sabe quem é quem. Até pode demorar o surgimento desta verdade tão procurada, mas acredita que valerá a pena para todos nós porque se tivermos que regressar de novo a esta existência miserável, teremos mais oportunidades de sermos verdadeiramente humanos.

 

Para que um dia venha a ser possível transformar o mundo num sítio onde o sofrimento humano não tenha mais lugar, mais vale prevenir do que remediar. Daí que devamos preparar-nos no combate à falsidade, começando por falar sempre a verdade em todas as circunstâncias da nossa vida. A nossa dignidade acima de tudo e de todos. Com a nossa dignidade conquistada, teremos a possibilidade de nos vir a cruzar com outros seres humanos, onde os verdadeiros valores humanos não têm dono nem são obrigatórios. São naturalmente nossos. Não precisaremos de leis ou mandamentos redigidos por outros, para termos um comportamento social correcto, a partir do momento que já nascemos com leis e mandamentos inerentes a nós próprios e ao mundo que representamos. Assim, não mais será fácil, para eles, corromperem-nos e transformarem-nos em amostras de gente. Pedaços de carne viva que deambula pela Terra unicamente em busca de alimento, para sua própria preservação, lutando consecutivamente pelo modo mais fácil de obter aquilo que nos mantém vivos, sem pensarmos que este é um período muito curto da nossa verdadeira existência e que, se não fizermos mais do que temos feito até aqui, seremos sempre aquilo que não somos. Carne. Unicamente carne viva, para poder criar mais carne, de modo a permitir e assegurar a expansão dos genes que transportamos dentro de nós. E há tanto por onde podemos começar, para impedir esta transmissão de genes, que nos tem vindo a reduzir a essência de que somos realmente feitos, que nem precisamos de aprender como o fazer; basta que, quando estivermos perante alguém a quem necessitamos dizer a verdade do que nos parece, faça-mo-lo imediatamente, não permitamos que a ética social e religiosa nos impeça de falar sempre o que pensamos traindo assim o nosso ser, porque se o não fizermos ficaremos mal connosco e com os outros. Se não nos sentirmos dignos de nós próprios não nos sentiremos dignos de ninguém. Além disso, este desinteresses por nós próprios, far-nos-á mergulhar numa apatia em relação ao mundo que nos cerca e o nosso desinteresse não nos permitirá lutar por um mundo melhor do que aquele em que vivemos. Continuaremos a ver as injustiças do mundo como se não tivéssemos capacidade alguma de acabar com elas. É preciso acreditar, ter força e começar a agir, porque querer é poder. Se nós quisermos podemos mudar o que está mal. Qualquer um de nós. Se temos conseguido manter a evolução da vida, neste Planeta, criando novas civilizações com base na nossa persistência e sacrifício, também conseguiremos fazer um mundo melhor para todos. Basta, todos juntos, querer uma coisa destas. Nada nem ninguém nos conseguirá impedir. Construamos um mundo novo, porque o que temos actualmente só nos tem vindo a fazer mal. Não somos assim tão insignificantes como nos tentam fazer crer, muito pelo contrário. Temos a luz dentro de nós, só precisamos de a deixar brilhar. Só isso. Se todos eles são de uma única cor, nós não temos forçosamente que ser a sua cor, porque senão deixaremos de ser “nós” para passarmos a ser “eles” e quem vai perdurar e viver a tal eternidade de que muito gostam são eles e não nós. Estamos a dar-lhes de bandeja a nossa imortalidade e a trocarmos a nossa identidade; se continuarmos a permitir isto, nada sobrará de nós, nem na vida nem na morte. Muitos de nós já caminham dificilmente, lamentando este momento, mas podemos ainda retomar o que é nosso indo buscar o que nos pertence a cada lei absurda, a cada ideia descabida, a cada pensamento. Não temos que aceitar mais lei nenhuma ou vontade, seja de quem for, que não seja unicamente humana. O que quer dizer, que se alguém pretender matar, mesmo que este matar tenha carimbo oficial dos governos, nós não devemos deixar que isso aconteça. Somos milhões e eles meia dúzia. Basta nós não querermos mais mortes sem sentido, e elas não existirão mais. Munindo-nos do nosso poder interior, usaremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para os impedir. Mesmo que seja pô-los a todos fora do lugar que ocupam e substituí-los por outros, que pensem de facto em preservar o ser humano, não em aniquilá-lo como tem acontecido até aqui. Se pretenderem subjugar-nos, impondo-nos leis materiais para nos controlarem, não as aceitemos. Se as crianças não forem devidamente protegidas pela lei, como se fossem meros brinquedos para serem utilizados de modo vil seja por quem for, não o devemos permitir de modo algum. Se uma qualquer religião nos quiser impor um mandamento novo, devemos desprezá-lo, porque isso é o mesmo que dizer-nos; que só através dos seus mandamentos conseguiremos ser humanos, quando é isso mesmo que somos desde sempre, etc., etc., etc. É só ficarmos sempre atentos ao que eles fazem ou pretendem fazer.

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 22:08
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Humanidade Escravizada (XXXIII)




Muitas e muitas vezes criticamos vil e ferozmente um outro ser que sofre como nós as agruras da vida. Como temos sido idiotas e imbecis. Transformaram-nos em monstros e nós deixamos, comparticipamos e partilhamos, somos realmente o que eles dizem, povo, leigos, incapazes de nos gerir sozinhos. Mas os que nos gerem e que fazem as leis morais e materiais, que dizem que nós temos que cumprir, são melhores que nós? É que, neste seu mundo perfeito, cheio de agonia e prisão, com as suas leis feitas para carrascos e não para o verdadeiro homem - que é aquele que sente e ama -, foram muitos os massacres que fizeram e continuam a fazer ao longo de todos estes anos de História obscura, onde tudo se perde e à qual muito poucos têm acesso. E os privilegiados que detêm este Poder entre mãos, continuam a fazer deste emaranhado de mentiras históricas um nevoeiro impenetrável para quem ainda pretende que se rompa as trevas e se faça luz de verdade sobre a humanidade. Mas o Plano, ou melhor, o Grande Plano, é mesmo grande e todas as portas estão fechadas ao entendimento. Mas não estão fechadas por suposta intervenção divina e sim por mortais comuns que querem deixar de sê-lo. Pelo menos enquanto por aqui conseguirem andar. Assim, o conhecimento continuará a ser pertença de meia dúzia, que continuará a comandar os destinos da humanidade e nenhuma força cósmica terá poder para desfazer o que já está feito e continua a ser tecido em antros secretos do conhecimento. E o conhecimento continuará a servir o que nunca deveria ter servido: O Poder. Abriram-se as portas da verdade, mas só lá entrou quem pôde não por direito universal, mas por direito galáctico ou terráqueo. Quem são estes senhores da Terra e dos homens que ousam mentir tornando este mundo no seu mundo, que fazem leis que todos temos que cumprir, gostemos ou não gostemos delas e nos impedem de sermos nós próprios? Aparentemente, foram feitos do mesmo material biológico que nós. A sua origem na Terra também parece ser a mesma mas, os seus actos são inumanos e irracionais. Indiferentes em relação ao seu semelhante, faz pensar se sob esta capa de aparentes mortais não se esconderá uma outra raça (e até talvez de um outro mundo) que possa estar entre nós desde há pouco ou muito tempo ou talvez mesmo, desde sempre. Cruzámo-nos com eles diariamente e vemo-los Senhores do Mundo, com pactos intermináveis de Poder, para manter secreto o que nunca deveria ter sido: A Origem e o Destino do Homem. E eu continuo a investigar pobremente a verdade, sem tempo e meios para a fazer aparecer. Como provar tudo isto? Como mostrar claramente a verdade? E quem estaria interessado em saber quem são, de onde vieram aqueles que nos escravizam e há quanto tempo estão eles entre nós? É irrelevante para eles o que eu sei, o que eu penso e o que eu sinto. Eles sabem que não é de modo algum suficiente para pôr os outros a pensar e a procurar. Por isso o seu Plano, comigo, nunca estará em perigo. Embora ainda queira acreditar que a verdade é una e única, por enquanto a única verdade de que tenho a certeza é que tudo isto é uma grande mentira. Uma mentira tão grande quanto o mundo.

 

 

SintoMe: na Força Da Natureza

EscritoPorLazulli lazulli às 10:19
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

máscara mil


 

 

Diz-me a vontade para continuar

A verdade diz-me não valer

a pena

O mundo diz-me que tudo está para acontecer

Eu digo

Não sei o que fazer.

 

 

 

 

Depois de vaguear sem rumo certo

À deriva

Por caminhos possíveis de percorrer

A verdade procurada chega numa frase curta

Inesperada.

 

O cair

Da máscara.

 

Livre de fantasmas inúteis

Sem sentido

Interrogo o tempo perdido.

 

Questiono agora a vontade e o valor

Já que não existe necessidade

Desta verdade.

 

Tudo seria fácil e simples

Por vontade nobre

Se ela existisse

Mas a máscara

Oculta O Pérfido

Uma dissimulação de nobreza

Descoberta.

 

Coisa assim

Não tinha como impedir

A CasaDeCristal existir

E o Oculto Revelado

Surge inesperado

À alma de todos os tormentos

Provocados

Numa máscara

Mil.

 

Se a máscara não existisse

A CasaDeCristal

Ter-se-ia mantido ou desaparecido

Ou mesmo

Nunca teria existido.

 

Para sempre oculta a todos os olhares

A todos os sentidos

Segredo dela

Do universo que os escreveu

Junto com ela

Numa indescritível sintonia de Amor

De presença eterna

Amor verdadeiro.

 

Por maldição ou ingenuidade

Ou por desconhecimento

da existência de máscaras

Vacilou com tudo

Todos

Perigou o mundo à sua volta

Sem vontade própria

Mergulhou no limbo profundo

Deambulou cega

Fugiu da luz

Nas trevas mergulhada

Por castigo da sua não-culpa

Tinha que encontrar

O caminho de regresso

E encontrou

No fim dele

A máscara mil.

 

O Universo chora

Chorará o homem

O Universo

Enganado.

 

Como lidar com o Sentido

Que não é sentido

Como lidar com o Saber

Que nada é

o que parece ser

Como perceber se vale a pena

depois de Nada valer a pena

Como entender.

 

Resposta rápida a mim espero

Se sem valor ou interesse

posso e devo continuar

a dar forma ao meu pensar

E com ele

Olhar as letras azuis

e ficar tristemente feliz

por me ver

em todas elas

Apesar de não existir mais razão para existirem

ou não existirem

Não e Sim

Sim e não

Daria a sua anulação.

 

Mas deixaria a minha alma de existir

Ou o meu ente

O meu ser

A minha genuína verdade

O meu entendimento

do mundo e das coisas do mundo

ou de mim mesma?!

Não! Continuará

a ser imutável

Manifestado ou não

Continuará a existir

enquanto da existência fizer parte

Por isso

Talvez

Continuar a dar forma à minha própria alma

e aqui a deixar pousar

Apesar de saber

de nada mais importar.

 

Viro o rosto oculto pelo rosto que me cobre o rosto

e olho o indecifrável Passado

Viro-o de novo na direcção do Futuro

Mais do que indecifrável

Vejo-o vago

Olho o Presente

O eterno Presente de tudo quanto É

E sinto mágoa

Apatia

Ausência minha

que unifica o Passado e o Futuro

num só Presente.

 


EscritoPorLazulli lazulli às 10:59
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Humanidade Escravizada (XXIX)

 

 

XXIX





A Terra é de Todos Mas Não Para Todos

 

 

 

 

Toda a sua História não tem sentido e eles sabem-no tão bem como eu ou, então, são muito mais estúpidos do que eu penso... Mas não creio, sabem com certeza o que estão a fazer. Para que fez Deus o homem? Para que quer Deus que o adorem? Por acaso não serão eles que querem ser adorados pelos homens como se fossem Deus? É que o tal Deus de que muito falam parece tão mortal nas suas bocas, tão semelhante a eles nos perdões e nos castigos, na sua forma de ser, no modo como gere toda a Humanidade, não lhe dando satisfações de nada, apenas dizendo, que é um Deus Todo Poderoso que sabe tudo e que nós temos de acreditar cegamente nele e prestar-lhe homenagem através dos seus preferidos, possibilitando-lhes assim a existência na maior das abundâncias. E, realmente, não são estes seus preferidos os donos e senhores de toda a ­Terra, apesar de Deus a ter dado a todo o Homem (embora não perceba porque teria ele feito isto e em que é que isto traria vantagens a ele ou mesmo ao próprio Homem) para que nela pudesse poder viver livremente. Se Deus realmente deu a terra a todos, não deveria esta ser de todos por igual e todos nela viverem livremente? É que, embora continuem a afirmar as vontades e os desígnios deste seu Deus, de todos serem donos da terra e nela poderem viver livremente, a verdade é que a maioria da humanidade não tem nem um pedaço de terra para viver e muito menos o direito à liberdade que lhe foi concedida por este Deus. Porque será que os religiosos, eclesiásticos, senhores, reis, nobres, ministros, presidentes, políticos, etc., não cumprem com a lei deste seu Deus? São os primeiros a ter mais do que aquilo que é deles, só nas suas mãos a terra e o domínio dela, para já não falar no domínio dos seres humanos em geral, mantém-se anos e anos sem conta. Quem lhes deu essa terra? Foi Deus que disse que era deles? Que entendeu que poderiam ter condados inteiros onde mais ninguém poderia entrar? É certo que embora o tempo da Idade Média já seja ido há uns séculos, as ideias que regiam a civilização dessa altura não são muito diferentes das de hoje. O que nos poderia levar a supor que, de facto, Deus deu-lhes de mão beijada todas estas regalias especiais. Nesse tempo, a questão das desigualdades entre os homens na Lei de D. Fernando de 1375, in Ordenações Afonsinas, Livro II, títs. 63 e 60, diz:


63 - «Quando Nosso Senhor fez as creaturas, assim as razoáveis, como aquelas que carecem de razão, não quis que todas fossem iguais mas estabeleceu e ordenou cada uma em sua virtude e poderio, departindo-as segundo o gráu em que as poz: e bem assim os Reis, que em lugar de Deus em a terra são postos, em as obras que hão-de fazer de graças ou de mercês devem seguir o exemplo do que ele fez...»


60 - «Porque a Justiça é sobre todos os bens e é virtude mais alta e mais proveitosa e muito necessária a todas as cousas e sem ela nenhuma obra não é de louvar; e segundo disseram alguns sabedores, foi achada para ajuda e defesa especialmente dos pequenos, menos poderosos que os maiores; e assim pela lei de Deus como pela lei dos homens é cometida e encomendada aos Reis e a eles é mais própria que a outro nenhum para guardar e defender cada um no seu e não deixar nem consentir a nenhum de fazer obra de poderio e de prema (opressão) contra os seus sujeitos (súbditos)........ E ainda segundo disseram os Santos Doutores da nossa santa fé católica, assim como entre os homens Deus fez mais alto o Rei e lhe deu maior estado, assim ante Deus nas penas do outro mundo, se justiça não fizer ou se deixar de a fazer terá o principal lugar. E porém na obra desta justiça os homens bons e grandes do reino, como braços do Rei, devem a eles ser ajudadores


Esta Lei de D. Fernando de 1375, diz-nos claramente que Deus não nos fez todos iguais. Assim, as criaturas razoáveis são os senhores que, pelos vistos legitimamente, exploravam os outros e as criaturas que carecem de razão, devemos ser todos nós, os trabalhadores incansáveis nesta escravatura permanente sem fim à vista. Destino duro o nosso, não? Se alguém julga que esta é uma Lei da Idade Média, que já não existe e que só existiu no passado, por ignorância do Homem de boa fé, desengane-se, pois nos nossos dias, no Catecismo da Igreja Católica, temos a mesma ideia, apresentada de um outro modo, mas que quer dizer exactamente a mesma coisa. Mantendo a sua arrogância de eleitos e não querendo perder a ambição de governar e explorar os homens para sempre, substituíram neste texto actual, «virtudes» por «talentos». Resumindo, mudaram as palavras, mas não lhes retiraram o sentido. Como referência, aqui está uma transcrição de (Santa Catarina de Sena, Diál. 1,6), contida no Catecismo da Igreja Católica (Texto típico latino - Libreria Editrice Vaticanna, Città del Vaticano: pág, 419 - II). Sobre a igualdade e diferença entre os homens:


«Ao vir ao mundo, o homem não dispõe de tudo o que é necessário para o desenvolvimento da sua vida corporal e espiritual. Precisa dos outros. Surgem diferenças relacionadas com a idade, as capacidades físicas, as aptidões intelectuais ou morais, as permutas de que cada um pôde beneficiar, a distribuição das riquezas. Os «talentos» não são distribuídos por igual.» «... estas diferenças fazem parte do plano de Deus, que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa, e que, os que dispõem de «talentos» particulares, comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam. As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha, e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras: Eu não dou todas as virtudes por igual a cada um... Há muitas que Eu distribuo de tal maneira, umas vezes a um, outras a outro... A um a caridade, a outro a justiça; a este a humildade, àquele uma fé viva... Quanto aos bens temporais, pelo que respeita às coisas necessárias à vida humana, distribuí-as com a maior desigualdade, e não quis que cada um possuísse tudo o que lhe era necessário, para que assim os homens tenham a oportunidade de, necessariamente, praticar a caridade uns para com os outros... Eu quis que eles tivessem necessidade uns dos outros e fossem meus ministros na distribuição das graças e liberalidades que receberam de Mim»


Incrível como estas palavras sem o menor conteúdo de verdade continuam a ser usadas por uns e aceites por outros depois de tantos anos nos separarem da Idade Média, que antes diria da Idade Negra da mente humana. Utilizar ainda hoje os seus conceitos de vida, levam-me a pensar que em nada adiantou as revoluções e os esforços dos mais humanos para alterar a sociedade de modo a que todos pudessem beneficiar da vida e dos bens. Ainda continuam a ser os pobres a praticarem com os ricos esta caridade forçada e não o contrário. Como se não fosse já mais do que suficiente Deus os ter estigmatizado, quando decidiu não lhes dar «talentos particulares» que lhes permitiria, pelo menos, uma melhor sobrevivência. Mas como Deus decidiu distribuir com a maior desigualdade as coisas necessárias à vida humana, lá diz o velho ditado: «ricos e pobres sempre os haverão» Para provar que se continua a fazer o que Deus quer, basta que nos lembremos levemente o que são os impostos e para que servem, as diferenças de salário que existem entre todos, o pagamento de cada um aos serviços prestados por outrem, e não nos esquecermos também das esmolas que enchem os cofres de todas as igrejas do mundo, para sustentar aqueles milhares de parasitas que vivem no maior dos regalos, à custa dos outros. Depois de tudo isto, podemos contar os pobres de todo o mundo, mas teremos que ter máquina de calcular porque, de contrário, não conseguiremos fazer a conta. Propriedade com caridade não combinam. E a propriedade – lei feita por eles como se fosse uma das leis de Deus consagrada na célebre frase: «Dai a César o que é de César» – é de uma hipocrisia inaudita e põe por terra esta tão sagrada vontade de Deus sobre a caridade de uns para com os outros. Daí que os ministros de Deus, como dizem ser, praticam uma caridade tal que as crianças do mundo inteiro não têm nem amor nem dinheiro. E, se por acaso, chegam a praticar a dita caridade como o Deus deles quer, praticam-na com o dinheiro de todos os desfavorecidos e esforçados. A realidade é que os que possuem as tais «virtudes» ou «talentos», que provocam a desigualdade entre os homens, só os possuem exactamente à custa destes. E com estes bens preciosos com que Deus os dotou – que deduzo serem a capacidade de explorar outro ser humano vivendo comodamente à custa dele e com o dinheiro dos milhares de desprivilegiados que não tiveram a sorte de serem dotados por Deus destes dois valores tão preciosos – dão-lhes, quando dão, esmolas para sua própria salvação. Tudo isto é absurdo e desumano. E, embora continuem a insistir que Deus assim quis o mundo e assim determinou, não creio de modo algum nesta suposta verdade.

A única coisa que sei é que nos enganaram e tem que haver um motivo para o terem feito. Na vida só encontro um: o poder do homem sobre outro ­homem. Deus nunca quis coisa nenhuma. Foi o homem que quis, que executou e realizou todas as obras que existem sobre a face da Terra. Ou haverá algum idiota que ainda não tenha pensado que Deus não é nem pode ser assim. Porque se assim fosse, isso significaria que este Deus de que tanto nos falam, se não é o próprio homem é-lhe alguém muito chegado. E viveis vós, todos vós, com o fantasma desse Deus enigmático que aceita, aprova e cria todas as diferenças sociais entre o seu próprio povo. O povo que ele criou com tanto «amor». O mesmo povo que ele mesmo dividiu e subdividiu em castas, começando por decidir que uns dariam os seus magros recursos a quem falasse dele e lhe erigisse estrondosos monumentos para adoração, ablação, etc. Parece que este Senhor de todos os senhores nunca se sacia por completo, à semelhança dos seus virtuosos e talentosos consignatários. Continua a precisar do sacrifício de toda a humanidade, de modo a que os seus templos frios e a cheirar a mofo prevaleçam para sempre. E para quê? Para nem tão pouco servirem de abrigo a tantos desesperados e desamparados. É, mais uma vez, a falha da prática da caridade e, desta vez, na casa do próprio Deus. Que pai deixa o filho ao frio e não o abriga sob o seu tecto? Monos sem utilidade é o que são todos estes monstros de arquitectura grandiosa, erguidos graças ao esforço de milhares de crentes/escravos e ignorantes, fiéis incontestados destes emaranhados de Poder, que vivem no medo constante deste Deus maravilhoso... e não é para menos! Um Deus que, como o homem, castiga, quer ser adorado, ama os ricos e quer que continuem a existir pobres; que entende que o pecado está mais relacionado com a propriedade de bens, do que com o ser humano propriamente dito; e que, ainda por cima, sem pudor de espécie nenhuma, recebe, para perdão dos pecados dos seus ministros corruptos, o dinheiro ganho por toda a humanidade sacrificada por eles.

 

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publicado por lazulli às 00:36
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 22:36
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menino...

 








Carlos

(... não deixes o tempo passar)


 

 

Tinha nascido

Era meigo e querido

E mantinha a inocência do Ente dentro de si

Cresceu sozinho, sempre sozinho

E o pensamento tardava a vir

O seu Ente não entendia o mundo que o cercava

Porque continuava puro desde a Origem que o formara

Mas foi o tempo longo demais e seu inimigo

E ele continuou a olhar

Ouve um dia

Só um dia no tempo

Só um momento que andou

E sentiu frio quando despertou

Olhou e nada viu

Ele não era de nada e de ninguém

E também ninguém era seu

Não entendeu

Não entendeu e sofreu em silêncio o seu espanto

Todos tinham alguma coisa

Todos faziam parte de algo ou de alguém

Todos pertenciam a um lugar, a um sitio

Todos tinham alguma coisa sua

E ele não tinha nada, não era nada, nem ninguém.

A solidão foi forte

Quando gritou e ninguém o ouviu

A dor foi grande

Tão grande que o Universo ouviu e estremeceu quando o perdeu

Porque o menino queria arrancar esta agonia de ser diferente de toda a gente

Começou a caminhar com a dor da descoberta ainda estampada no rosto

E seguiu pelo caminho onde caminhavam todos

Conquistando a simpatia desses que antes não entendia

E esta simpatia perdeu-o completamente

Quanto mais queria ser igual a eles

Mais desigual se tornava ele dentro de si

Algo não o abandonava

Experimentou tudo quanto viu

Seguiu fielmente os passos dos seus vizinhos e conseguiu

Conseguiu estar com eles

E fazer como eles

Falar como eles

“Ser” como eles

Mas o menino não sabe que morreu ao querer ser igual a eles

Porque nunca poderá ser quem não é

O menino predestinado a crescer dentro de si

Para que o Universo dele tivesse orgulho

Não sabe que a sua diferença continua a existir

E vai reclamar sempre o seu direito de ser

Por mais insignificante mediocridade que lance sobre si

Um dia vai prestar contas a si mesmo do que fez consigo próprio

O menino não é um ser do mundo

E tem que saber isso

O menino é mais que nada, é tudo

Mas é tudo quanto não é

O Universo está cansado da sua luta pela Verdade-Justiça do Cosmos

Existe o teu lugar, menino

Existe o teu Mundo do outro lado da Vida.

 

Dedicado ao meu irmão Carlitos
 


Agosto de 1992

 

 


amizade, amor, essência, lágrimas, pensamento, pessoal, poema, poemas, poesia, porto, presente

publicado por lazulli às 01:32
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
(2) comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 10:36
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Domingo, 4 de Outubro de 2009

Palavra

 

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Senhora, que encerras em ti todos os mistérios da vida e da morte, por tudo isto e muito mais de que isto, pelejaram e pelejam, feroz e constantemente, uns contra os outros, desconhecendo o teu Poder maior que o mundo. Maior do que o próprio Universo. Estão sempre a dar-te novas formas. A interpretar-te de acordo consigo mesmos, porque se julgam a si próprios, detentores da Criação. Eleitos por um qualquer poder. E, desconhecem completamente, ser um universo, dentro do teu próprio Universo. Que fazem parte de um Todo, completamente interligado, até a que tudo se consuma. Assim... o fim, não chegará nunca. Talvez seja por isso, que a Criação é constante e eterna. Imortal. Ninguém quer abandonar o que cria ou criou. E, aí está ela, a infinita Criação. Enquanto existires, Senhora Suprema, dentro de cada um, todos existirão junto com o tudo que criam e criarão. Contigo, darão novas formas ao mundo e transformarão ininterruptamente o Homem, em... depende de como de Ti tiverem entendimento. Aguardemos, para ver o que irão fazer do Poder que lhes foi dado no Início de Todos os Inícios. Aguardemos. Mas, Senhora Suprema, o meu ente, perde a Esperança diariamente, de que eles algum dia, possam de verdade, atingir o teu Conhecimento.

 

Por enquanto... Armas de fogo vivo, criadas pelo teu Poder. Armas emocionais. Armas físicas. Que combatem constantemente, o Amor e o Ódio e pelo Amor e o Ódio. Do mais ínfimo ao maior pormenor, estás sempre presente. No pequeno e no grande, lá estás Tu. Solta. Com a liberdade que Te é em tudo característica. E, sem pudor., usando-te sem consciência, ignorando-te completamente, enfeitando-te, como peça de luxo inútil e fútil, exibem-te p'ra olhos verem. Recolhem louros como se fossem taças, troféus da sua especialidade incomparável, nas suas Paixões privadas sobre os seus pequenos entendimentos, sobre tudo. Misturam-te, com outras palavras já existentes, de um outro qualquer. Fazem diversões e exercícios mentais, reafirmando, muitas vezes a mais perigosa e impura eficácia que vem de ti. Entras em competição, completamente alheia a ti e ficas sentada a tentar, tu, também, traduzir a Tua própria Palavra e quase não a reconheces de tanto enfeite que lhe puseram. De tanto significado que lhe atribuíram . Tanta roupa bela, tanta jóia. Tanta coisa bonita que te obriga a tentar desencalhar-te de roupagens tão preciosas para desnudares aquilo que é teu e poderes ver a Alma da tua própria Palavra. A tua alma. Pelo teu imenso Poder, os homens ainda não sabem utilizar-te ou compreender-te. Julgam-se teus criadores, quando na verdade, és tu que os vais criando, alimentando ou exterminando, consoante, eles mesmo determinam, aquando da Tua utilização. Na paixão do amor e do ódio, tu és o Tudo Nada e o Nada Tudo, que dormita dentro de cada um. Quase não tens descanso, enquanto o ente dorme, no fundo de si mesmo!


Eu, pequena paladina da Palavra Sagrada. Da grande Palavra que engloba todas as palavras e em todas as línguas - até nisto não te distingues no poder imenso de que és criada -, sou insuficiente, para te defender. Ainda não sei em plenitude, transformar a minha própria alma, em palavras dignas de ti mesma. E, também por essa mesma insuficiência, não atinjo o coração do Homem, chamando-o a a conhecer-te. Para que desse modo, ele soubesse do que és capaz e usar-te convenientemente. Mas, na tua Infinita Sabedoria, tu sabes, porque sou eu tão deficiente a defender-te. Se calhar... porque ao Homem continua a não poder ser dado todo o conhecimento. Todo o poder. Isto mesmo porque ele já demonstrou claramente, como usaria esta tua sabedoria. Mas é justo Senhora, um punhado de meros mortais, ter acesso à tua sabedoria e mesmo assim, utilizá-la para a péssima governação do mundo?! Com uma só palavra Tua, eles podem criar mundos. Transformá-los. Dirigi-los. Enfim, eles podem tudo, embrenhados no Teu poder imenso. E, eu, temo o teu imenso Poder, num mundo que não está preparado para te receber. Se tivesse que existir uma deusa, tu serias a escolhida entre todas elas. Porque, continuas a ser Tu, que dás a voz aos deuses. Talvez, por isso, eles se coíbam hoje, de usar-te despudoradamente, como fazem os humanos, porque Te conhecem e sabem do teu Poder. Da espada de todos os gumes de que és constituída. E, benditos sejam os deuses, por estarem a respeitar no silêncio, o teu uso. Mas, um dia... eles conseguirão manter por muito mais tempo, a sua promessa?!


Ah, Senhora minha, se os deuses não sabem o que fazer com a tua Plenitude, muito menos eu, guardiã carinhosa da tua dor oculta. Luto para te manter dormente dentro de mim. Não desperto o teu Poder. A Tua fúria. Porque sei do que és capaz. Sei do teu Poder de transformação. Todo o toque dos mundos, da vida e da morte, é Criação Tua. E, ainda, quando os homens te usam... penso, defender-te. Mas sei que não precisas da minha protecção. Nem que te defenda. Porque és Tu que incluis a eterna sabedoria dos Tempos. Mas, eu amo-te!... e, suavemente, deixo que te soltes, levando-te através de mim. Deixo que te expandas, sempre, receosa, do efeito das minhas próprias palavras, que afinal, são tuas. Darei eu, bom uso, à tua sabedoria?! Temo. Temo, não o dar na perfeição. Sinto-o! E, receio, por mais boas intenções que a minha alma tenha, estar a contribuir para mais um engano, mais uma mentira, mais uma nova criação, desnecessária. Peço-te perdão, por eventualmente, ser sem querer, o perigo que vem de ti. Do teu imenso Poder e pureza. Pureza que cega o mundo, feiticeira divina. Sei que me amas por nunca te trair. Sei que sou parte de ti, guardiã sem armas. Mas, temo não saber o que estou a fazer. Como se, não fosse eu a decidir, sobre coisa nenhuma. Tudo se tem vindo a transformar. E, o impensável, mas previsto por Vós, se transformou, inexplicavelmente, em realidade, como prometestes um dia... mas... sinto-me pequena e impreparada, para tudo isto. Palavra amada, o mundo da Tua criação, faz-me recuar muitas vezes, querer pegar-te e levar-te para um outro lugar, escondido, guardar-te como antes, onde ninguém possa fazer de ti uso de seus devaneios e ânsias. Usar-te. Ajuda-me amada eterna. Não deixes cair em tentação a verdade e a mentira. O Tudo e o Nada. O Amor e o Ódio. A Criação e Traição.

Daqui, deste lugar que não escolhi, sou uma das tuas letras e brilho sozinha no negro da noite escondida à espera das tuas outras letras, para fazer todo o teu alfabeto, mas, fosse eu todas as letras de que és composta e guardava-te para sempre em mim. Tirava a Palavra dada ao Homem um dia no tempo ido que se perde nas brumas impenetráveis do tempo e recolher-te-ia para não sofreres mais com o Poder de ti própria .

Criança inocente que não pensa que não sente que não ama ou odeia apenas sente a Palavra...

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publicado por lazulli às 23:32
Terça-feira, 15 de Abril de 2008
SintoMe: renascida

EscritoPorLazulli lazulli às 00:16
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."


 

Canto II

 

 


“São lágrimas, meu senhor, são lágrimas.“

 

 

Lágrimas

 

dizeis vós

 

alma da minha alma

 

como podeis guardar lágrimas em vossas mãos

 

se vos amei

 

desde o raiar da Aurora

 

até ao descer do manto que cobre o mundo

 

não controlando a Vontade De Cronos

 

que persiste em manter em meu âmago

 

esta herança indesejada

 

que me não permite

 

libertar

 

a Alma amarga

 

que presa a Vós

 

tarda em sarar

 

a chaga aberta

 

que me consome

 

sempre em ferida

 

por minha cobardia.

 

 

Dizei-me vós


senhora das mãos de prata


a verdade

 

imploro-vos

 

sei que vos decepcionei

 

por minha honra

 

juro que eu não queria

 

não prolongueis mais

 

meu próprio castigo

 

minha agonia

 

não me transformeis

 

em mais negro

 

que o negro


ocultando-me a razão

 

que ocultais em vossas mãos

 

no vosso deambular

 

por jardins e afins

 

onde


gostaria

 

de não vos ver penar

 

carpindo

 

dores inexistentes

 

sem sentido.

 

Cessai vossas lágrimas

 

incrustadas em cristais

 

contra os quais praguejo

 

aço duro e frio

 

todos os dias

 

porque aqui vos encontrais

 

sem desejar

 

a vossa lembrança

 

que não quero minha

 

nunca mais.

 

 

Deixai-me ajudar-vos

 

à não derramação de mais lágrimas

 

por essência

 

que não é vossa

 

e sim minha

 

afastar-vos


de perigos eminentes

 

que enfrentais

 

por incúria minha.

 

 

 

Não me julgueis pérfido

 

ou leviano

 

incapaz de assumir suas próprias falhas

 

meu silêncio

 

e

 

ausência prolongada

 

é preceito meu

 

esconder-vos

 

quem sou

 

pr'a

 

não decepcionar-vos mais

 

retirar-vos

 

do lugar que não é vosso

 

afastar-vos

 

para sempre

 

de jardins alheios

 

onde só incomodais

 

meus canteiros

 

cheios de luz e cor

 

fantasia e amor

 

que nós mesmos criamos

 

e Vós não criais

 

com luz e cor

 

do mundo que nos trazeis

 

desconhecido

 

de amor.

 

 

 

Sim eu quis o Vosso mundo

 

amei-o por um instante de Tempo

 

mas

 

minha luz de sombras

 

é aquela

 

onde melhor estou

 

onde melhor me sinto

 

nela quero permanecer

 

não me desafieis

 

mais

 

e dizei-me de uma vez por todas

 

o que guardais.

 

 

 

Mesmo

 

após ter entregue a outra parte de mim

 

ao Demónio das mil sombras

 

mantive a vilígia

 

permanente

 

por horas e dias

 

sem fim

 

por isso

 

dizei-me a mim

 

só a mim

 

como nos tempos

 

do Tempo

 

em que só em mim confiáveis


o que escondeis em vossas sagradas mãos

 

de prata argêntea

 

que fere os sentidos

 

e a confiança

 

que em vós depositei

 

um dia.

 

 

 

Dizei-me

 

doce e amada senhora

 

ouvi-me

 

como nos dias


nas horas

 

nos meses e nos anos

 

em que fugi de vós

 

sem nada vos dizer

 

e me retirei para a minha Torre

 

de pedra fria

 

e do Alto distante

 

vos observo

 

todos os dias

 

tentando perceber o que escondeis

 

nas mãos que um dia beijei

 

aquelas

 

ainda gravadas

 

em meus lábios

 

secos

 

por mais nada vos dizer

 

por mais nada

 

querer saber

 

por mais nada esperar

 

congelando as mágoas

 

que eu mesmo avolumei

 

por em Vós

 

doce senhora

 

não querer acreditar

 

e contar-vos

 

a verdade

 

de mim.

 

 

Desesperais aquele que vos ama

 

desafiais

 

com vosso cântico sentido

 

a paciência de quem amais

 

em vosso silêncio e persistência

 

abri vossas mãos

 

agora

 

ordeno

 

que o façais.

 

 

 

 

"Senhora das mãos de prata":

 

 

Tranquilizai meu Senhor

 

vosso coração

 

retornai em paz

 

à vossa Torre lá no Alto

 

e permiti que eu aqui permaneça

 

em vossos jardins e afins

 

porque são apenas lágrimas

 

o que está guardado para sempre

 

eternamente

 

em minhas mãos

 

não as temais

 

porque nelas

 

está Toda a Verdade

 

zelarei

 

para que permaneça para sempre

 

guardada

 

dentro das mãos

 

fechadas

 

que tanto insistis

 

que abra.

 

 

 

Vos digo não

 

não posso

 

abrir minhas mãos

 

acreditai

 

meu senhor

 

que não o devo fazer

 

meu dever

 

é guardá-las comigo para sempre

 

as lágrimas

e

hermeticamente

 

fechadas em minhas mãos

 

fá-lo-ei

 

cumprirei a Promessa

 

feita ao Não/Tempo

 

antes do início

 

ter sido início

 

e antes do Tempo

 

ter sido Tempo

 

mesmo antes do Espaço

 

aparecer como Espaço

 

Espaço/Tempo

 

contra tudo e todos

 

as guardarei

 

mas a Vós senhor

 

e por Vós

 

não posso recusar um pedido

 

por isso vos peço eu

 

que em mim acrediteis

 

que, são mesmo lágrimas

 

Senhor

 

unicamente lágrimas

 

o que de Vós

 

escondo

e

esconderei.

 

 
penso: saudades do primeiro mundo
lágrimas, poema, poemas, poesia
publicado por lazulli às 21:14
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:11
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Humanidade Escravizada (XXVII)

 

XXVII

 

 
 
 
 

Parece-me a mim e só a mim, que, há mais ou menos mil anos atrás, as cruzadas nasceram para combater os hereges espalhados por toda a Europa e quase que em simultâneo as suas fogueiras para queimar vivo quem não aderisse às suas crenças judaico/romanas. Durante este período conturbado de horror, onde a espécie humana foi tratada com impiedade por algozes representantes da nova lei cristã que se viria a implantar pela força até aos nossos dias, também se roubavam terras, reinos e bens. Os templários (cruzados reformados) depois de ajudarem à implantação do cristianismo judaico/romano e à criação de novos reinos, tornaram-se incómodos para o poder papal e real indo acabar torturados, perseguidos e queimados nas fogueiras acesas por uma Europa inteira, acusados de heresia assim como o tinham sido os cátaros. Inexplicavelmente, depois de extinta, a Ordem do Templo parece ter continuado a existir ocultada por outros nomes e noutros reinos que continuaram a utilizá-la, se não no seu braço armado poderosíssimo, pelo menos nos conhecimentos que tinham. Curioso é que, ao mesmo tempo que decorriam as suas detenções com base em inúmeras acusações de heresia, uma das quais o facto de terem negado Cristo, morriam muitos templários nas prisões muçulmanas por não renegarem a fé cristã, apesar de no Ocidente serem acusados de ser islamitas disfarçados. Há algo muito mal esclarecido sobre estes senhores de mantos brancos assinalados com uma cruz vermelha. Até parece que para andarmos perdidos em conjecturas constantes e nunca conseguirmos ver, de facto, o que aconteceu nesse tempo, lhes tenham atribuído o ideal Cátaro, tornando confuso qual teria sido de facto o seu papel. O certo, mesmo, é que os cátaros desapareceram, mas os templários não. Quem não chegou a provar as hediondas fogueiras da Igreja Romana, foram os muçulmanos (infiéis) com os quais combatíamos. Vá-se lá entender isto! Não sendo cristãos, é deveras curioso, que só os tenham expulsado dos territórios que ocupavam, pelo menos na Península Ibérica, e não os tenham convertido, também pela força, ao seu sagrado cristianismo. Quando a Inquisição existiu para converter ou exterminar todo o não cristão, não se compreende porque é que os muçulmanos, não foram convertidos ou queimados vivos. Se não se obrigava os infiéis (não crentes em Deus) a ser católicos, a quem afinal se obrigava a ser católicos, na Europa, por essa altura?! Os fiéis (crentes em Deus/Deuses)? Ah! Igreja Romana, quanto escondes dos teus crimes. Com o pretexto que os Cátaros, eram inimigos de Deus, quando de facto eram inimigos da tua mentira descomunal, fizeste-os arder vivos nas tuas fogueiras acesas por toda a Europa, para te poder iluminar um mundo tão escuro que tu mesma criaste. Quando eu era pequena (ainda amante das tuas mentiras), confundindo o meu amor eterno com o Cristo que inventaste, fui instruída na tua catequese (que frequentei com ardor e convicção) que a oração “Pai Nosso” era a única oração que Cristo tinha deixado. Hoje sei ser isto mentira. Mais uma entre tantas e tantas outras. Esta oração, dita por Cristo ou não, é a oração dos cátaros. O seu Pater. O Pater cátaro:

 
 
 

 

 
 
 

“Pai Nosso que estais no céu, teu nome seja santificado. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no Céu. O pão super substancial nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis sucumbir à tentação; mas livra-nos do Mal. Pois a ti pertencem o reino, o poder e a glória, por todos os séculos.”

 
 
 

 

 
 
 

Claro que o facto de se substituir o termo super substancial ” por “quotidiano” continuará a não ter resposta de espécie alguma por parte dos tão sábios teólogos que pairam por todo o mundo. A fé continuará a ser mais do que suficiente para se ser salvo. E é isto que todos pretendem: ser salvos! Mas ser salvos de quê e de quem? E depois, quem precisa ser salvo? Só se for de todos vós, e não é com certeza com essa fé cega a que nos sujeitaram ao longo dos tempos, dizendo-nos que não precisávamos de pensar, que não tínhamos sido feitos para isso e sim para acatar sem ver, sem saber. Deverias ter dito assim: se pensares sabereis que nós vos mentimos descaradamente para poder manter o nosso nível de vida. O raciocínio que vos foi dado não foi para ser usado, mas sim para ser recalcado. Não foi o raciocínio dado a todos os filhos de Deus? Se Deus não queria que este fosse usado, porque dotou o Homem com o mesmo? Porque o reino dos céus será dos humilhados e dos oprimidos. Dá para pensar porque é que será que toda a casta sacerdotal de todos os tipos de religiões e as políticas poderosas que acompanham estas mesmas religiões por todo o mundo não temem este augúrio de Deus, não trocando a sua riqueza pela pobreza. Não se deixam humilhar e oprimir. Muito pelo contrário. Continuam a humilhar e a oprimir todos aqueles que não aderem aos seus costumes. Eu sei que todos eles dizem viver para os outros e até fazer voto de pobreza, castidade, obediência, etc. Mas que grande hipocrisia, não é assim que eles vivem! Não temem a penalização dos infernos com que atemorizam toda a gente. O inferno parece não ter sido feito para todos eles e sim para todos aqueles que não os escutarem. “Olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço”. Como são espertos estes donos do mundo, fazedores de leis e de religiões! Nos “seus” livros, base das religiões vigentes (um dos quais a Bíblia dos Ocidentais, e digo dos Ocidentais - embora que estes, já numa fase avançada do esquecimento voluntário ou forçado, das perdas das suas próprias raízes religiosas, que existiam, muito antes de aqui ter chegado o cristianismo, este sim, vindo do outro lado do mundo, precisamente, o do mundo, que supostamente combatíamos - pois, foram eles, que depois de aderirem a essa Nova Vaga Religiosa, trazida do Oriente e nunca nascida no Ocidente, se intitularam possuidores da religião verdadeira, embora eu continue sem entender a sua necessidade na vida dos seres humanos), a religião existiu e existe, para que o Homem passe de mau a bom. Mas não foi isto que aconteceu, muito pelo contrário. O Homem parece continuar no caminho da bestialidade, ultrapassando até nas suas atitudes qualquer besta existente, começando até por dar lugar à verdadeira besta; e as tão faladas bestas lá continuam iguais a si próprias, preocupando-se em manter a sua espécie de um modo muito mais sadio e agradável. Se foi para que o Homem fosse mais capaz de entender a vida que o cerca, cada vez está mais longe de a entender. Se é porque foi e é necessário acreditar em Deus, eu pergunto-me porquê e para quê, pois continuo a ver que todos os religiosos assumidos acreditam essencialmente é neles próprios, usando a religião como uma forma de poder espiritual sobre um outro, de modo a que este outro sirva sem se questionar qualquer tipo de Poder. O que eu vejo de utilidade nas religiões é pôr o ser humano mais estúpido e mais incapaz. As religiões sempre deram a uns Poder e a outros Submissão. Não têm servido para mais do que isto. Para o Homem se encontrar de verdade nunca serviu ela, pois já lá vão tantos e tantos anos em que as religiões existem e ainda o Homem não se encontrou de modo algum e, pelo andar das coisas, não se vai encontrar nunca. Só os bichos precisam de religião para se saberem comportar como gente, mas quem é verdadeiramente gente não precisa da religião para nada porque nasceu com ela. E se quer ter uma religião que tenha a sua, agindo sempre com a verdade do seu interior. Deste modo, não será tratado pelos religiosos como idiota e incapaz, como o tem vindo a ser até aos dias de hoje. Tratados como autênticos atrasados mentais que precisam de crer em todos aqueles que por “direito” especial concedido por este Deus estão capazes de governar todos os outros. Segundo a religião, como ser divino que é, o Homem devia ter capacidade para se governar a si próprio. Mas, para que isso nunca viesse a acontecer, foi necessário castrar-lhe o pensamento. De contrário, poderia vir a saber tanto quanto eles e, assim, todos estes pretensos iniciados ficariam sem os seus privilégios de governar toda uma Humanidade, criando Estados e Sociedades convenientes a si próprios, que lhes garantiria ao longo de todos os tempos um bem estar sem limites.

 


ensaio, homem, livros, portugal, religião

publicado por lazulli às 11:47
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 15:53
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Humanidade Escravizada (XXVI)

 


XXVI


 
 
 

É fácil fazer “desaparecer” da História da Humanidade um facto real, encobrindo-o para sempre. É tão simples quanto isto: Basta que em determinado momento da história se substitua um nome por outro nome. Dando dois pequeníssimos exemplos de como isto pode acontecer, é fácil percebermos como temos vindo a ser enganados ao longo dos tempos pelos detentores do Poder temporal e espiritual, que sempre apressados em registar a história dos homens, de acordo com os seus pontos de vista e dos seus interesses no momento, se vão esquecendo de “pequenos” pormenores que no futuro ficam de tal modo diluídos e ocultos, que até os privilegiados do saber académico têm dificuldade em provar da veracidade deste ou daquele facto.

 

Há 30 anos atrás, em Portugal, tínhamos uma ponte sobre o Tejo chamada “ponte de Oliveira Salazar”, cujo nome honrava o estadista português, António de Oliveira Salazar. Hoje temos a mesma ponte com o nome de “ponte 25 de Abril”, nome que assinala a revolução do 25 de Abril de 1974. Acontece que, se daqui a 500 anos este nome se mantiver e não for devidamente registado que o nome da ponte foi substituído por outro, explicando pormenorizadamente as razões que levaram a isso, qualquer um, que por algum motivo tente procurar onde está situada a ponte de Oliveira Salazar, não a vai encontrar, apesar de ela estar à vista de toda a gente (se ainda existir nessa altura, claro!) ou até o dito indivíduo se encontrar em cima dela no momento da sua busca.

 

Sobre a exacta localização do nosso espaço histórico/geográfico, os autores de todos os tempos têm sido férteis em propalar inexactidões fragmentárias e desconexas, viciadas, por vezes, de lendas e afirmações sem fundamento. A falta de documentação para uma história autêntica sobre o Concelho de Resende, por exemplo, que abranja todo o seu passado, leva-nos a equívocos muito grandes, quando em busca dos nossos antepassados nesse espaço geográfico, deparamos com dificuldades que nos impedem de continuar.

 

A falta de dados concretos com que nos deparamos, sobre as terras, os seus nomes e a sua verdadeira localização em determinado período da história, são de tal modo que, muitas das vezes damos a busca ao passado por encerrada, acreditando que é verdade, pelo menos no que diz respeito à genealogia de cada um, que é impossível andar mais para trás na procura de dados que nos dizem directamente respeito. Quando muito, se acreditamos que é verdade tudo quanto historicamente puseram ao nosso alcance, vamos até à 5ª geração e damos a busca por terminada. Só uma pessoa muito informada (que infelizmente não somos), céptica em relação à “verdade” histórica e determinada, persiste na busca, até encontrar o porquê da pessoa procurada se evaporar repentinamente, como por magia, como se nunca tivesse tão pouco existido. Isto acontece porque a procuramos, segundo os dados registados da última certidão de nascimento que possuímos, numa dada localidade, e a busca nessa mesma localidade mostra-nos que a pessoa nunca lá existiu. Só que se está escrito que ela lá nasceu ela tem que estar lá registada. Então porque não a encontro? É simples, a localidade em questão foi com certeza extinta, incorporada noutra, suprimida ou mesmo desmembrada noutras terras. Coisa que aconteceu por muitas vezes na história. Neste caso em particular das terras de Resende, o equívoco vem que, embora Aregos com a honra de Resende e S. Martinho de Mouros tivessem perdurado desde a Reconquista até aos tempos modernos, a legislação liberal do século passado tudo reformou e transformou, suprimindo honras, morgados, vínculos e um sem número de privilégios que vinham dos antepassados. Uma das grandes reformas liberais foi a criação dos distritos administrativos e das novas comarcas, seguindo-se, pouco depois, a redistribuição dos concelhos, com a supressão de muitos deles. Por esta razão, quando se procura uma pessoa duma destas localidades, corre-se o risco de não a encontrar porque a estamos a procurar no sitio errado. Por exemplo: Se estiver a procurar um antepassado que tenha nascido no concelho de Resende, na freguesia S. João de Fontoura, devo saber que, outrora, esta localidade não existia como freguesia, tanto no civil como no religioso e sim fazia parte integrante de S. Martinho de Mouros, e ir procurar a dita pessoa a S. Martinho de Mouros, onde me vou deparar com uma nova dificuldade: É que nos dados desta freguesia, só vão estar registados os dados das pessoas nascidas desde a data da formação desta mesma freguesia, que serão diferentes dos antigos. O mesmo se aplica ao julgado medieval de Aregos que foi extinto e incorporado no Concelho de Resende por decreto de 28 de Dezembro de 1840 e ao seu concelho que também é extinto e incorporado no de Resende por decreto de 24 de Outubro de 1855. Portanto, se quiser continuar com a investigação, vou ter que vasculhar com cuidado a história de toda aquela localidade.

 

Se os senhores historiadores soubessem o que andam a fazer, teriam mais cuidado e seriam mais precisos no registo da nossa história. Afinal, que diabo, por alguma razão não somos todos formados. Valha-nos a incompetência e incúria de muitos, para continuarmos ignorantes para sempre. Isto porque continuamos a querer acreditar que eles é que sabem. Bem, se sabem, não parece. Ou então sabem e entendem que nós não temos esse direito, guardando para a sua própria elite o conhecimento que deveria ser de todos.

 

Comparados com outros factos de encobrimento da verdade histórica, estes são exemplos mais do que simples do que tem acontecido ao longo dos séculos. Mas como não pretendo, de modo algum, reescrever a História e sim despertar no ser humano, pelo menos a curiosidade de saber se nos têm ou não mentido ao longo dos séculos, sugiro a quem estiver interessado fazer uma busca (que apesar de difícil, está ao alcance de quem quiser) à procura da verdade que nos escondem.

 


ensaio, livros, Portugal, religião

publicado por lazulli às 23:26
Sábado, 22 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 19:22
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Humanidade Escravizada (XXV)

 

(... continuação)

 

 

Retornando aos Cátaros, esses massacrados da Idade Média, que por não professarem o mesmo modo de vida do Poder instituído, foram exterminados aos milhares juntamente com os seus preciosos escritos, que hoje muita falta nos fazem para entender a verdade de quem somos, os príncipes e os bispos tal como os conhecemos, eram para eles, os representantes da ordem do Mal. E não estariam eles certos? Se olharmos hoje, para todas as vitórias do passado na implantação pela força, de uma crença religiosa «benigna», verificaremos que tivemos 1000 anos de dor e incompreensão ao querer acreditar num Deus que era unicamente deles, mas que eles ardilosamente o impuseram a todos nós como se fosse nosso. Mas há mais culpados em todo este processo. Muitos mais. Culpados semi ocultos que ainda estão por aí como vítimas de todos os outros, mas que na realidade são os grandes causadores de tanto sofrimento humano com a implantação do seu monoteísmo trazido de longe... de muito longe... «os regentes (arcontes) queriam enganar o homem, porque viram que ele tinha parentesco com aqueles que são verdadeiramente bons. Queriam apoderar-se do homem livre e torná-lo seu escravo para sempre». E não é que o conseguiram?!

Consta esta frase e seguintes do Evangelho de Felipe, dos Livros Apócrifos da Bíblia. «Jesus é um nome oculto, Cristo é um nome revelado». «Quando éramos hebreus, éramos órfãos e só tínhamos a nossa mãe, mas, quando nos tornamos cristãos, tivemos tanto pai como mãe». Quem ouve a palavra «Deus» não percebe o que é correcto, mas sim o incorrecto. O mesmo ocorre com «Pai», «Filho» e «Espírito Santo», «Vida», «Luz», Ressurreição», «Igreja» e tudo o mais. As pessoas não percebem o que é correcto mas sim o incorrecto, a menos que tenham aprendido o que é correcto. Os nomes que se ouvem estão no mundo enganam».

Se quem tem ouvidos que ouça... quem tem olhos que veja, porque retiraram da Bíblia estes e outros escritos e, também o que nos dizem eles claramente. Oculta-se o oculto no revelado e eis que como por magia perante os nossos olhares atónitos surge inesperadamente a verdade: inversão. Tudo está invertido. Os nomes, o bem, o mal, os valores... Até o mundo em que vivemos é ele mesmo uma inversão. Aquele que se esconde sob a capa do cordeiro, não é o lobo? E não são os católicos romanos e os que deles descendem em termos religiosos, que acreditam, seguem e praticam este simbolismo? Pelo menos o seu João Baptista, o grande precursor do baptismo (segundo eles mesmo dizem), cobre-se exactamente com uma capa destas. Lobos disfarçados de cordeiros, é o que temos nestes arautos da verdade que praticam uma política bem diferente daquela que pregam aos outros. Acreditam em que Deus, estes senhores? No Deus Javé Deus da guerra e da morte, Senhor de todos os exércitos. Enfim, acreditam no Deus da divisão, não no Deus da união de todos os povos. Para os hereges cátaros, a guerra sem excepção de qualquer espécie, era desonrada em todas as suas vertentes. Por isso mesmo, aqui e agora tomo a defesa e o respeito de todos esses livres pensadores na busca da sua verdadeira origem e no combate infrutífero que tiveram com os Senhores do Mundo, tanto no passado como no presente relativamente recente, porque não só nunca lhes foi feita justiça, como foram completamente aniquilados, não só na sua forma física como ideológica, através da história falseada dos homens, com lendas impenetráveis que o mais astuto dos homens tem dificuldade em descodificar. As peças do puzzle da história estão demasiado dispersas para serem encontradas numa única vida mas, como uma vida nunca foi só uma vida, continuará a ser sempre possível ir recolhendo lentamente os fragmentos da história real e reconstituir a História que nos escondem há demasiado tempo.

Daí que será de perguntar a todos os historiadores quem foram, qual a sua importância, onde estão e o que de facto fizeram os povos e grupos específicos de pessoas que a História dá como existentes em determinada altura, mas que depois parecem desaparecer sem deixarem rastro ao lhes ser atribuída uma história pouco significativa, no desenvolvimento intelectual da humanidade. Como por exemplo, os fenícios, os bizantinos, os visigodos, os merovíngios, os judeus, os hebreus, os muçulmanos (com quem supostamente o Ocidente combateu), os cruzados, os templários, etc. Como tantos outros nomes na história também estes «desaparecem», de um ou de outro modo, quase que inexplicavelmente, ou são pura e simplesmente substituídos por outros nomes e assimilados, acabando por se diluírem noutras gentes. Assim sendo, a sua continuidade está aí algures espalhada pela Terra. Mas onde?! Se não temos um fio condutor correcto, como vamos descobri-los?

 

(continua...)

 

ensaio, guerra história, homem inquisição, literatura, livros, morte, mulher, religião, vida, cátaros

publicado por lazulli às 16:54
Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 11:17
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (14)

 

 

XIV

 

 

 

 

 

Enquanto se dirigia até onde a aguardava a majestosa Águia-de-Cabeça-Dourada que reflectia ainda mais os raios de sol que a si chegavam e nela permaneciam como prisioneiros voluntários da sua deslumbrante e extensa penugem, fazendo da águia como que uma extensão da fonte energética, inesgotável, contida no sol-brilhante de milhões de cores em constante mutação no seu permanente contacto com o ar, finíssima cambraia transparente e multicolorida, ia ansiosa e vagarosamente, pisando o solo de areias de fino pó doirado e observava as montanhas de luz, onde a pedra dura e fria, única que conhecia, era completamente substituída por tantas pedras preciosas que nem as conseguia quantificar, mesmo que em calculo manifestamente deficiente, tal era o reino mineral, deste maravilhoso mundo de cores vivas e brilhantes, ora transparentes, ora opacas, ora incolores, com colorações inimagináveis, em constante transformação não do seu conteúdo mas sim da sua aparência visível, fosse esta piramidal ou com uma outra configuração geométrica qualquer, era-lhe completamente impossível, absorver as cores que emanavam de todo o lado como tesouros únicos a céu aberto, que resplandeciam a sua magnânima beleza. As rochas deste mundo, gemas genuínas, raiavam e expandiam com as suas milhares de incalculáveis facetas, para todas as direcções, as suas cores infinitas e em constante movimento, ao toque de cada partícula de ar e sol. Estonteada com as cores, carmim, madre-pérola, rosa, lazulli, esmeralda, ametista, rubi, cristal, topázio, safira, águas-marinhas, etc.. , não conseguia conter em si, tanta luz e tanta cor. Belo! Tão belo, que já não sabia se o conforto do calor, ameno, que ia penetrando suavemente todas as suas partículas, tinha a haver com a magnífica visão que seus olhos, extasiados, miravam em ininterrupto encantamento ou se era efeito, da serena harmonia da luz de milhões de cores. As ténues alterações do sol, quase imperceptíveis, permitiam que uma infinidade dos coloridos diamantes, alterassem as suas facetas de um tom para outro em escassos instantes de tempo, se é que este, aqui existia. Descrever este mundo, não conseguia dentro de si. Só conseguia senti-lo. Absorve-lo. Os pensamentos fugiam-lhe, para começar a dar lugar a uma fonte inesgotável de paz. Da paz sempre desejada. E era este enigmático mundo de cor que com amor, lhe dava finalmente aquilo que sempre ambicionara e sempre procurara.

 

Serena, em total quietude, a águia observava toda a sua fascinação e sorria. Mary, percebia que esta não precisava transmitir o seu sorriso movimentando um único músculo que fosse do seu descomunal corpo. Seus olhos falavam o seu pensamento. Transmitiam toda a sua doçura interior. Toda a sua compreensão, perante a criatura tão insignificante que era Mary. Estonteada perante as duas meigas esmeraldas que lhe sorriam; tão meigas, que a escassa distância daqueles olhos esmeraldinos, sem desprender o seu próprio olhar daquela rara beleza de divinas esmeraldas que continuavam a fitá-a demoradamente, teve um impulso momentâneo, de correr para elas e nelas se alojar para sempre. Descansar dela mesma. Como se pudesse entrar nos olhos que a fitavam e encontrar-se com o amor infinito que deles emanava. Mas refreou o seu mais intimo desejo e não encurtou a já pouca distância que a separava desta e, sim, endireitou seu corpo um pouco mais, alisou com as mãos, os farrapos sujos que a cobriam e, lentamente, sentindo o movimento do ar a cada movimento seu em espirais que se perdiam dentro do próprio ar, finalmente, tocou timidamente a primeira penugem que encontrou ao alcance da sua pequena mão.

A este contacto, mágico, o ar comove-se e queda-se por um instante, como que para a deixar sentir toda a ternura do seu ente.

Controlando a emoção que sentia, impedia voluntariamente suas mãos de agarrarem o ar e irem tocar nas penas da gigantesca ave, abraçando-as num abraço meigo e profundo. Queria senti-la para sempre. Mas ali, naquele mundo etéreo, era ela quem nada tinha e nada era e a quem por razões que ainda desconhecia, tinha sido permitido movimentar-se, tal fantasma, num mundo verdadeiramente etérico. Depois de tudo isto, descobria que afinal nunca soubera sonhar. Seus sonhos tinham sido pobres em imaginação. Escassos em forma e conteúdo. Demasiado aquém do que, agora, podia presenciar. Percebia que desde que desaparecera da velha Terra, tudo quanto vira e sentira, nunca tinha existido antes. Nunca.

 

Tentava... controlando a emoção do seu pequeno coração e as interrogações que a angustiavam... acalmar toda a sua agitação interior. Mas esta morria no canto de sua boca, sempre que um imperceptível movimento parecia querer surgir, podendo manifestar toda a ebulição que dentro de si permanecia, pelo inexplicável mundo que a envolvia, no seu todo.

 

A sábia águia que continuava a olha-la docemente, não quis prolongar por mais tempo o seu êxtase, poupando-a à intensidade de sentir tão profundo. Sorria aos pensamentos de Laurema e verificou, feliz, que a tinham recuperado de vez. Ela não voltaria à sujeição da matéria viva, pois começava a tomar consciência da verdade de si mesma.

- Laurema!... Despertaste para a tua verdadeira existência.

 

 

Ouvir vozes dentro dela não lhe era de modo algum surpreendente. Convivera com elas toda a vida. Surgiam inesperadamente dentro do cérebro, soltando sons tão distintos que parecia estar a ouvir as conversas do mundo inteiro, ora isoladas ora em longos diálogos, como se desconhecessem a sua presença. E muitas desconheciam. Assim como ela. Pelo menos nisso, tinha a felicidade de não conhecer a densidade dos portadores. Vozes sem rosto que tinha a infelicidade de escutar. Mas nem tudo era mau. Até porque era o som das almas que escutava como se fossem parte dela, não o sendo. Muitas vezes ficava triste. Muitas vezes ficava feliz. Muitas vezes, divertiam-na. De quando em vez, lá resolviam dirigir-se-lhe, directamente, com palavras e frases, das quais muitas vezes, não conseguia perceber o sentido, embora as ouvisse perfeitamente. Daí, neste jogo do saber, quem eram elas e porquê, acabou mesmo por conseguir fazer algumas distinções, entre estas estranhas e insólitas, amigas. E a surpresa, estonteante, levava-a a querer seleccionar quem gostaria realmente de ouvir. Mas não estava nas suas mãos, poder separar os mundos. Não estava nas suas mãos, escolher as vozes pertença de mundos distintos. Daí que, as vozes que mais a incomodavam, eram mesmo, as vozes deste mundo. Não conseguia ser poupada, até nisto. Como uma maldição .... tinha que ouvir o mundo inteiro a falar. O que, algumas vezes na vida, quando com a Velha Senhora, lhe tinha criado alguns dissabores. De facto, hoje percebe porquê. Percebe-os a todos eles e percebesse a si mesma. Embora, para bem da verdade, gostasse de não perceber ou saber nada, por essa altura. Se estivesse em suas mãos, optaria por ser a mais cega entre os cegos e mais surda entre os surdos. Porque, só queria poder estar. Só queria ser. Só queria amar. Só queria que a Sua pequena alma tivesse o direito a ser única, sem tanta interferência. Maldisse todos os Poderes desconhecidos, muitas vezes. Ficou muitas vezes triste com a Sua própria Natureza. Muitas vezes vagava no mundo, com os olhos marejados de lágrimas. Não por não ser entendida. Ela entediasse a Si mesma. E sim porque queria ser o que era. Nada! Uma criatura eternamente meiga. Eternamente sentida. Eternamente capaz de Amar até à extinção da Vida.  Eternamente ignorante das coisas da Vida Imposta, que insistia em querer fazê-la parte de si, com todas as coisas geradas num mundo que não era e nunca seria seu. Como não foi. Por isso ela estava aqui hoje. Mas, as lembranças do mundo Antigo, não as tinha conseguido apagar, mesmo perante a beleza deste mundo e de Lhaara.

Quase "desperta" destes prolongados pensamentos, enquanto deixa desaparecer sua mão na maciez da penugem de Lhaara. Mas logo a memória insiste em fazê-la recordar, tudo.

Teria estado, algum dia, Lhaara nos seus pensamentos?! É que até lhe parece conhece-la. Seria dessa altura?! Olhava Lhaara, intrigada. Se assim fosse, não estava ela zangada?! Esquecera-se de como Mary se divertira e sorrateiramente a estudara?! De como, muitas vezes, se limitava a ouvir, mais ou menos indiferente?! De quando já nem lhes dava importância. Só de quando em vez, ficava mais atenta, quando um determinado timbre lhe parecia de algum modo familiar. Paralisava instantaneamente, na esperança de algum modo, poder identificar a sua fonte. Mas raras foram as vezes que tivera essa possibilidade. Como se as nítidas vozes que telepaticamente ecoavam no seu cérebro, tivessem uma proveniência bem consciente, determinada e perfeitamente objectiva. Desistia muitas vezes e optava por as ouvir. Apenas ouvir, mais ou menos desinteressada do que falavam. Sorria ainda agora, quando se lembra que dizia de si para si mesma. - Falem para aí!... Completamente indiferente ao seu conteúdo, como se nada tivessem a ver com ela e, fossem unicamente palavras que o seu cérebro, tinha captado a qualquer distância. Mas esta voz que estava a ouvir, do mesmo modo que tinha ouvido muitas outras... Esta voz, estava ali junto a si. Era da águia que partia. Era a águia que lhe estava a falar. Já não precisava se esforçar,  ignorar ou correr a tocar algum objecto perto de si, para afastar de si mesma qualquer pensamento, como mau presságio. Aqui e agora, tinha a quem perguntar. - Laahra, recomeça a comunicar com ela:

 

- Eu, parte de ti mesma, tento que entendas o teu ser interior e te libertes do pensamento, para entenderes quem és e onde estás. - Fala-lhe, suavemente, Laahra.

- Pareces-me estranha, assim como este lugar. Isto para não falar de uma terra florida e de uma outra, onde só os ventos pareciam existir que tive oportunidade de conhecer na minha vinda para aqui. Se estou a sonhar diz-me, antes que acorde, a verdade de quem sou e porque me chamas de Laurema, o nome que guardei zelosamente ao longo da vida, como se ninguém mais tivesse o direito de o usar.

- Não és dona deste nome, no sentido que lhe atribuis. O de posse. Pois que ele, como sabes, já está gravado desde os primórdios do Tempo.

- Então diz-me a quem, verdadeiramente, pertence este nome sagrado. Do modo como sempre o senti e conheci, pode ser que o dono dele seja o nome daquele que amei, mesmo antes de nascer ou antes de tomar a forma que me cobre. Embora que para ele, guardei sempre um outro nome, diferente de todos os outros, existentes.

- Laurema, é de facto o teu nome. Mas por enquanto, não és a sua possuidora. Isto porque, não existe posse na unidade e tu o sabes. Deixa por instantes o mundo mais recuado em que viveste, pois não mais voltarás lá do mesmo modo que antes.

- Se não retorno do mesmo modo, retorno de outro? Queres dizer que estou morta e esta é a altura que alguém decide, roubando-me a memória, recolocar-me naquele mundo maldito? Mas para quê fazerem uma coisa dessas comigo, se embora não me sinta parte integrante deste sonho, o sinta como realidade minha. Se é que se pode chamar real ao irreal.

- Não posso dar-te todas as respostas que desejarias. Outros o farão por mim em devido tempo. Por ora, recorda o Senhor que anseias, pois ele não é fruto da ilusão do mundo último e anterior, onde essa tua forma foi criada. A realidade é que nasceste e aprendeste o que não devias, mas ser, nunca o serás, porque tu já és muito antes de seres. Tenta ser tu, porque aqui nada e ninguém te impedirá de ser o que és. E sossega o teu espírito, porque a tua memória não te será roubada ou retirada, muito pelo contrário. Eu – e a fantástica ave, num gesto gracioso, sacode levemente a sua penugem multicolorida – sou quem temes que eu seja, tu és quem és, e o que te rodeia é parte de ti, e aquele que regressará em breve é aquele a quem chamas de teu Amado Senhor.

 

 

- Quer dizer que então morri, embora continuando com o mesmo corpo? Pode então a matéria viver depois de morta? Estava infiltrada no pó quando morri. Ninguém estava presente para atear fogo ao corpo que me cobre... não entendo... diz-me quem é o meu Senhor e onde está Deus. Quero falar com ele e dizer-lhe o que aconteceu comigo, perguntar-lhe porque fez o mundo de onde venho, onde a única lei é o sofrimento ilimitado de cada ser humano que tem a infeliz desdita de ali nascer, seja no antes, no agora ou no depois. Perguntar-lhe porque permitiu tudo quanto aconteceu neste mundo e vai continuar a acontecer, sem interferir para parar tanto massacre humano. Se és o seu mensageiro e não me for permitido vê-lo, leva-lhe uma mensagem, porque todas as que lhe transmiti na vivência ele ignorou. Se foi ele que criou o mundo como eu o conheço e, se podendo, nada fez, eu não o quero, porque me fez nascer lá e me ignorou todos estes anos de martírio, estando desde o princípio ao fim dessa existência, sujeita a leis que não eram as minhas, sofrendo humilhações, tendo que ser o que não era, impotente perante todo o sofrimento humano que existia.

 

- Pobre Laurema, que não consegues entender que nem estás viva nem estás morta. Que continuas a usar as mesmas definições do mundo que sempre desprezaste, até para exprimires o teu próprio mundo que não tem definições: Apenas é! É tão simples como o teu ser interior e, neste momento, nem o consegues pôr a agir. Usarias tu no outro mundo o teu interior e neste mundo o teu exterior? Estás também a alterar a Ordem da Lei. Como queres tu entender?!... não consegues situar-te... mas nós sabemos como será difícil para ti entender esta verdade, depois de viver presa na matéria.

- Se é como dizes, que não estou morta nem viva, então o que sou neste momento?

 

Descendo levemente uma de suas asas, alongando-a na horizontal até onde se encontrava Laurema, Laahra, convida-a com o seu nobre gesto, a subir e instalar-se confortavelmente num rectângulo acabado de aparecer, magicamente, com tantas cores que Mary recostada nele nem se distinguia a olho nu.

- Vou mostrar-te um pouco deste mundo e dos que lhe estão interligados. As passagens intermédias de uns para outros. Em cada um, conforme o seu curso de vida, difere em lei e em ordem. Mas, antes disso, quero contar-te como aqui vieste parar.

 

 

E enquanto planava por entre todos os céus, Laahra conta-lhe todos os ínfimos pormenores da recuperação dela das garras da matéria e do sono que tinha se imposto a si própria, quando a morte do seu corpo tinha chegado.

- Laahra, onde está o meu Senhor Amado? Preciso de o recordar.

- Eu sei que só quando tu o tocares é que o conhecimento total da Verdade-Justiça e do passado longínquo, voltará a ti. Mas terás que aguardar junto comigo que ele regresse da Cidade-Brilhante. Até lá, mostrar-te-ei a Terra, isto é: Uma das suas quatro partes, para que te familiarizes com o mundo exterior onde te encontras, que é o teu interior ao contrário do mundo em que viveste.

 

 

E foi assim que Laurema foi vivendo os dias sem princípio nem fim deste mundo.

 


amor, essência, ficção, livro, matéria, morte, vida

publicado por lazulli às 17:53
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
SintoMe: com sono

EscritoPorLazulli lazulli às 02:07
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