Quinta-feira, 7 de Setembro de 2017

cristal

lfotodanet
Hoje que a Esperança morre lentamente e o Tempo já não é suficiente lembro um mundo de cristal que nunca esqueci e a ansia de a ele retornar o mais depressa possível porque continuo com a certeza que não sou deste mundo e que continuo sem saber viver nele.

SintoMe: igual a ontem
Palavras: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

EscritoPorLazulli lazulli às 01:29
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Domingo, 3 de Abril de 2016

Mátria

 
 
Chora o duplo a Mátria-Mãe
lágrimas de fogo ardente
esvaem-se perdidas
no sangue derramado
infiltrado
 
das mesmas vidas
 
Olha em mágoa
incontida
a preferida
no topo do ermitério
 
perdida
 
Coberta de sangue inocente
está a Terra embebida
10 000 anos já se foram
e o usurpador 
continua a devastar
a essência humana
privilégio "maldito"
 
de poucos
 
No princípio
Pós chegada
Mataram e devastaram
Impérios reduzidos a pó e cinzas
Crenças inúteis para criaturas úteis
genuínas
Estátuas tombaram
Cabeças rolaram
Pedras empilharam-se pelos solos áridos 
Pouco sobrou do mundo antigo
Ancestralidade perdida
e novas vidas
 
Senhores e escravos
escravos e senhores
Regimes dogmáticos
imbuídos de políticas
Poder de fazer
leis absurdas
nos comandos do mundo
Vidas inocentes destruídas
As mesmas vidas
 
Um só deus desconhecido de todos
Ouro é seu melhor contributo
Promete um paraíso desconhecido
ao subjugado
ao seu poder único
incontestado
Divide-os por género
matando um deles
não para sempre
porque dele precisa
p'ra procriar
Mais escravos
O ouro deve continuar
Aterrados
pela perda da sua humanidade
heróis tombam de espada na mão
para evitar
vassalagem sem perdão
aos que aqui estão
 
Cabeças vergam-se à Terra
Agradecem as vidas miseráveis
Oferta de um deus desconhecido
vindo de longe
de muito longe
Por um sopro de ar
inútil
destroem a sua natureza
implantando natureza desconhecida
Erguem-se templos
precisos
 
2 000 se passaram
Muitas "leis" foram lançadas
A pobreza a miséria
É paga de ouro dado
A promessa era na morte
de um dia
Os senhores deuses
carrascos ao serviço do divino desconhecido
empanturram-se
de prazeres hediondos
desconhecidos dos humanos perdidos
submetidos
A conquista estava feita
A promessa a caminho
Realiza-se lenta
mas eficaz
Guerras e batalhas
grassam por toda a Terra
não toda
completamente conquistada
na "alma" ou no "corpo"
dos que ousam prevalecer
eles próprios
 
Era preciso mudar
Trazer algo de novo
ao povo
Os impérios não caíram
completamente
Ressurgiam imponentes
audazes eficazes
espalhavam-se pela Terra
numa mistura entre o antigo e o moderno
fazem perigar
o grande plano conquistador
de terra alheia
É preciso impedir o seu avanço
É preciso alterar o curso do mundo
que não verga
A humanidade tem a essência do cosmos
Algo que não é combatido
num só combate
São precisos muitos ardis
para sugar a essência não controlada
pelos predadores
Daí...
Outra ordem surge
Tão dúbia como a anterior
Afastando na aparência
os antigos "seguidores"
Mais eficaz
Mais poderosa
Com o amor
transformado em ódio
ao semelhante
A conquista já se alargou
ao canto superior da Terra
onde muitos se mantêm
gente
Mais impérios caiem por terra
Mais guerras e mais batalhas
Linhas territoriais
são conseguidas
Mais "leis" de amor feitas morte
Desta feita
Mais letras humanas surgem
do nada
Divinas
Mais do que o divino ausente
Nada de bom no bom
surge daqui
Inicia-se e rompe o mundo em esplendor
O amor
Segunda Vaga de luz
ao dispor
dos mesmos
Dor, sacrifício e sujeição
Tortura e morte
para os que aqui estão
 
Desta vez estendem-se mais longe
O oeste é seu limite
A terra fica negra de tanta morte
Aos heróis da Antiguidade
deram os guerreiros continuidade
Novas espadas travam novas batalhas
Novos mundos se criam
por persistência e teimosia
Duas forças se "criam"
Mas a mistura já foi feita
O antigo mistura-se com o moderno
4 000 anos já se foram
Na mente humana formatada
com o vírus orgânico
transmitido de boca em boca
Germina a semente
da serpente lançada
que não acaba
Quando todos a julgavam
já exterminada
 
 
Numa paz débil
A mente brilha
Ainda cancerígena
Lambendo ainda as feridas das fogueiras
A humanidade caminha
em esperança
Recupera o tempo perdido
E mostra seu esplendor e inteligência
A igualdade dos primeiros tempos
espalha-se como um Sol
Sacode a baba da cobra que os enrola
Estão perto do progresso devido 
Da verdade. justiça liberdade. 
Amizade entre irmãos
da mesma espécie
Prosperidade
Assim pensam eles
na sua ingenuidade humana
Mas a tocha que lhes trazem
é a mesma 
Só que não sabem
Nem supõem
que os pilares onde assentam
suas crenças
São falsos
Trazidos pelos mesmos
na sua luta contra a raça-humana
Sempre ocultos 
aos olhos de todos os crentes de sistemas perniciosos
ao vivente
A gente
 
O pérfido vingador
Rei e senhor de muitas guerras e batalhas
não se contenta
A terra prometida continua prometida
Do olho negro espreita
e solta a aliança aparentemente perdida
Ouro negro eclode do subsolo
A aliança mais uma vez se concretiza
Ouro riqueza desmedida
Salivam loucos de alegria
por beneficio tardio
Estavam preparados à muito tempo
cumprindo os preceitos malditos
Mereciam
Mereciam o ouro negro
esta legião negra na alma
zelosa do oculto
Chegara a sua vez
E o terceiro irmão rejubila de alegria
E avança ao mundo inteiro
Com dinheiro
Milhões lhe prestam vassalagem
Rodopiam esvaziando suas mentes
de humanidade
E volta a animalidade
dos desalmados
Sangue jorra e continua a jorrar
Ninguém vê
Por encobrimento dos mesmos
noutros locais
aguardam
na esperança encoberta
das areias do deserto longínquo
onde dorme
a Arca... "perdida" "roubada"
vinda de fora
Absorve-os
E ao mundo inteiro
O dinheiro
 
Ambiciosa escumalha
quer tomar parte
desta nova/velha
senhora que rasteja desde o Deserto
à 10 000 anos
Sai da arca e mostra-se
Bebe sangue
Sangue humano
A imortalidade
E... lá continua sua marcha
Dirige-se ao centro
A nova legião segue-a desde o deserto
Imbatível
A mesma linhagem está entre eles
Uns e outros são os mesmos de antes
Com nomes diferentes em vários locais da Terra
E seus crentes atacam-se entre si
Mas eles não morrem
Nunca morrem
Nunca a raça humana
viveu tal terror e desumanidade
 
Tal desigualdade
 
Aqueles que descansam na paz
são atacados
Por todos os lados sucumbem
Não acreditam
que veneram a cobra desde sempre
Que ela está prestes a completar o seu círculo imundo
de dominar o mundo.
 
Sobrarão os filhos da serpente
escondida
na Terra prometida
 
Quem salvará a humanidade?!
Quem lhes fará frente?!
Quem os expulsará da Terra que não é deles?!
Ninguém!
 
O mesmo pérfido predador
A mesma terra prometida
Aguarda a chegada
da prol já existente
A "alma" humana está contaminada
Por adorações bizarras
a deuses desconhecidos
Com feroz legião de adeptos
perseguem os perseguidos
A Terra
é a mesma
Quem a ocupa
Não!

amorc.jpg

 
A Mátria chora
na  Terra destruída 
a Preferida
SintoMe: triste por tanta mentira à humanidade
Palavras: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

EscritoPorLazulli lazulli às 19:58
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Segunda-feira, 21 de Março de 2016

O Perigoso Regresso Do Monotaísmo De à 5 000 anos

 

A Terceira e Última Vaga

 

Controle e Extermínio da Raça Humana

 

 

A Serpente Rastejou Por Entre a Poeira Do Deserto e Atingiu o Oásis à Milhares De Anos Cobiçado

 

A Sua Baba Espalhou-se Por Toda a Terra e Dirige-se Perigosamente ao Centro Onde Completará o Asfixiante Anel que a Todos Engolirá

 

O "Paraíso" Prometido Não à Raça-Humana Mas Aos Sáurios Encobertos Está Mesmo Ali, Onde a Verdade Dorme Escondida Dos Olhos Do Mundo. A Eternidade Ambicionada

 

Arranque-se-lhe a Cabeça Antes Que Seja Tarde Para a Humanidade!

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SintoMe: ... A Grande Mentira Das Três Religiões do Ocidente
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EscritoPorLazulli lazulli às 19:32
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Prelúdio

                                          Ainda o Tempo/Espaço não existia

nem a Forma

interligados

dão

expansão

permanente

quase infinita.

Surgiram 

milhões e milhões de galáxias

mundos materiais

Forma

Corpos Densos

Vida.

 

 

Tudo mudou

mudou verdadeiramente

nunca mais se fará sentir a inactividade permanente

porque o Tempo começou a sua devastação

o céu desceu

a Terra subiu

neste confronto

inclinou

balançando

como pêndulo

pendurado no vácuo

vagueia desnorteada pelo espaço

muito perto

de uma verdade que se aproxima.

 

 

O Sol eterno

senhor da galáxia profunda

anuncia a sua mudança

na aproximação

do que se lhe segue

não mais estará sozinho

porque a sua fonte de energia

não era mais suficiente

para aquecer o ente

à deriva

revolução no seu interior

 

 

Minúsculas são

as formas que se movem estonteantes e sem rumo

à distância de si

o reforço vem aí

mas tombam as formas de vida

que susteve durante milhares de milhares de anos

não pode mais

esgotou.

 

São milhões de milhões

que lhe fazem frente

aumentam as carnes pensantes

diminuem os seus

sacrificam

entes

roubam-lhe a sua essência primeira

a Origem

implantam-lhes tenebrosos

horrores

perdem-se na dor

no espanto

na agonia

da impotência

O oculto vem em seu socorro

acrescentar luz à luz

já fechada

reforçar o extenuado aliado humano

nunca reconhecido

na sua verdadeira função

de alimentar o ente

sozinho nesta imensidão.

 

Não pode mais meu irmão

está extenuado

revoltado

pronto a explodir

se o reforço tardar em chegar

tardar em vir

muitos sucumbirão nesta luta

de se manterem sãos.

 

Vem meu irmão.

 

 

 

 

 

SintoMe: triste pela humanidade

EscritoPorLazulli lazulli às 02:25
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Humanidade Escravizada (XVI)

 

 

 

Vida um presente envenenado

 
 

 

 

 

Porque insiste o Homem em tornar perpétua uma coisa que nunca trouxe, que se tenha conhecimento, a felicidade tão desejada, e sim a dor e a miséria humana?
Será porque a vida é um presente desse suposto Deus que, criando-a para que todos nós pudéssemos existir, a tornou no bem mais sagrado do Planeta? E o que me garante que assim foi? Mesmo com esta garantia teria que dizer que este Deus mais se assemelhava ao pior dos males ao conceder-nos uma espécie de presente envenenado, que não nos permite de modo algum sermos felizes, nem controlarmos totalmente as nossas próprias vidas.
No que me diz respeito, não sei de onde venho ou mesmo se venho de algum lado, mas de uma coisa tenho a certeza: não sou filha deste Deus, nem quero ser, até porque é um Deus inumano e cheio de mistérios impenetráveis, que nos faz nascer sem querer nascer, viver sem querer viver e morrer sem querer morrer. Como posso então conceber que a minha essência esteja ligada a um Ser tão vil, que atira os homens à Terra ao deus-dará e lhes diz: – Dei-vos a vida, é sagrada, matem se necessário for para que ela nunca desapareça, mas eu retirá-la-ei de todos vós quando me aprouver porque sou dono e senhor absoluto de vossas vidas e destinos.
E os mortais continuam a falar no futuro e sempre a longo prazo, como se este futuro realmente existisse em qualquer lado e eles fossem lá chegar, quando eles vão morrer com toda a certeza e, sem consciência da morte que os aguarda, a qualquer instante da vida, vão fazendo projectos intermináveis como se fossem eternos.
Para quê ou para quem, verdadeiramente, fazem eles tantos projectos futuros se, a vida de um qualquer mortal se resume mais ou menos nisto: num dado momento da existência, ele, mortal, rompe para a vida e o seu grito inconsciente confirma a sua existência humana. Neste primeiro instante de vivência, indefeso, fica de imediato à mercê de tudo o que existe, sem se poder defender seja do que for. Nada tem, nada dá, nada recebe. É alimentado e amado (quando é), e fica a crescer lentamente sem entender o mundo que gira à sua volta e o que lhe aconteceu. Até à velhice (se lá chegar) ele não entenderá nada daquilo que o cerca ou de si mesmo porque, muito subtilmente, ao longo de todo este percurso, vão-lhe metendo informações estereotipadas de existência no cérebro, com o objectivo único de, quando as suas pernas se puderem aguentar sozinhas, vir a servir o Mundo, porque é o Mundo quem ele vai servir, de um modo ou de outro, quer queira quer não. Sobre ele mesmo, tarde ou nunca entenderá que nada aprendeu, nada soube e tudo ficará por saber. Ao longo dos anos, vai-se contentando em sonhar, pelo menos enquanto não perceber o que é a vida que o rodeia e, quando descobre, se chegar a descobrir, o desespero é total e o desânimo, pelo modo como funciona o mundo onde está inserido, quase o levam à loucura. Tem de fazer com urgência alguma coisa por ele próprio para não sucumbir e, curiosamente, dedica-se à vida com todas as forças e dá ao Mundo mais motivos para que este se torne mais poderoso e seja mais capaz de escravizar os que vêm a seguir. É neste processo de crescimento, até que a morte o pegue de surpresa, porque ela chega sempre de surpresa, que o homem vai tendo os tão famosos altos e baixos, ao longo da vida, que lhe vão permitindo suportá-la. Vive aos solavancos, como o motor de um carro avariado, sem se aperceber da inutilidade da sua vida, daquela que dá gratuitamente à ­existência.
Embora não se questione, ao longo dos vários instantes da parca e precária vida que vai vivendo, se esta é a vida que ele necessita para si mesmo, tem consciência que algo está errado consigo, mas não consegue ir bem dentro de si e descobrir qual é de verdade a sua falta, que assim fica limitada ao ter de comer, porque o seu corpo diariamente lhe reclama a necessidade de alimento e corre, quando pode e quanto pode, para satisfazer a necessidade deste seu corpo, que não o poupa quando, a cada instante, a genética deste se vai modificando, para dar lugar a um corpo trôpego, que já nem tão pouco consegue andar, mesmo na procura deste alimento eternamente reclamado. Mas o homem ouve o apelo sistemático deste seu corpo faminto que nem pelo esforço do seu próprio dono em sustentá-lo uma vida inteira o poupa no princípio ou no fim da vida. Suga-lhe todas as reservas do pensamento interior, fazendo o Homem esquecer-se de si próprio.

 

de regresso a mim
ensaio, homem, livros, vida
publicado por lazulli às 00:51
Em 2007

 

SintoMe: ... já não acredito na humanidade

EscritoPorLazulli lazulli às 13:56
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Terça-feira, 31 de Março de 2009

Humanidade Escravizada XV)

 

 

 

Ainda criança, alguém o alimenta, evitando o corre-corre ao alimento imprescindível. E isto se tiver a sorte que alguém o alimente, senão deambulará desde cedo pelas ruas das cidades do mundo, comendo os restos que vão sobrando pelo caminho de alguém mais abastado do que ele. E neste espaço de tempo que vai sendo alimentado, desde criança até à fase adulta, ele tem uma vantagem: é que o seu corpo não o vence, porque está por sua vez a vencer outros corpos (Pais), que não só cuidam de si como o poupam a tão duro sofrimento imediato. E assim caminha ele, inocente, cheio de ilusões de vivência que nunca se irão concretizar no que diz respeito aos seus pensamentos mais íntimos. Poderá, com muita sorte, ter um décimo daquilo que foi sentindo, deste período em que alguém o tentou proteger, escondendo o que lhe estava reservado no futuro. Mas, inevitavelmente, esse dia há-de chegar para este «protegido» da vida, porque os caminhos da sua sobrevivência já lhe estão a ser preparados de modo a que, quando chegar a sua vez (como acontece com qualquer espécie animal que habita a Terra), saiba como arranjar comida e outras coisas mais. Porque vão-se-lhe deparar inúmeras alternativas em todo este processo de crescimento que o impedirão de chegar ao entendimento de si mesmo. E a única coisa de que vai tendo consciência ao longo da vida é que para não sucumbir pelas ruas das cidades do Mundo precisa de trabalhar; e isto para que não lhe venha a acontecer o que já está a acontecer a muitos, que deambulam indiferentes à espera que algo aconteça, seja o que for, mas que não seja igual ao dia anterior.

Parece que o Mundo foi sempre assim... Imutável como a vida, que vai desgastando os seres sem lhes dar uma solução válida. É um ciclo que não acaba, desde há milénios que se repete, sem que ninguém pretenda acabar com este absurdo. Pelo contrário, eles alimentam os sonhos do Homem pequeno, com a tal malfadada Tradição, dizendo que a vida dura sempre e que ele, quando for grande, vai ser... Vai ser o quê? Mais um escravo humanizado, ou da humanidade, um escravo que viverá uma vida inteira a levantar-se de manhã para regressar à noite, cansado, sem tempo para si próprio e sem entender porquê. E, no dia seguinte, recomeçará de novo este ritual sem fim, esquecendo quem foi e sem saber quem é, apenas recordando o seu nome que mais parece uma marca, para que não esqueça de quem é. Um nome. Apenas um nome. Um nome que, logo que nasce, também em nome de uma comunidade organizada para o bem estar de todos (dizem eles) é-lhe posto, como uma marca, um rótulo que não passa de um controle de registo que vai direitinho para os arquivos da sociedade, e tudo quanto fizer e disser daí para a frente nunca será unicamente dele e sim de uma civilização que pretende o controle de todos os seres humanos que habitam sobre a face da Terra. Com este nome, "obrigam-no" a seguir de imediato qualquer política e religião de acordo com o País em que nasceu e, pelo menos, neste momento crucial da sua vida, não lhe fazem falta nenhuma. Marcado imediatamente à nascença como um qualquer animal irracional, não lhe é permitido, assim, agir livremente como seria de esperar de um legítimo filho de Deus. Controlado até ao mais ínfimo pormenor, para ele é como se a «morte» tivesse vindo no instante em que «nasceu». Mesmo assim, mantém dentro de si uma fé inabalável no futuro. A crença de que vai encontrar uma luz ao fundo do túnel.

Mas, infelizmente para ele, é uma luz que, se existe, não alcança ao longo de toda a sua vida porque a morte continua a ser o destino de toda esta Humanidade que, cansada, caminha para um fim certo, mas que continua a teimar em esconder de si própria este fim inevitável.

Os seus pobres pensamentos estão tão confusos, tão sem solução, que nunca a Humanidade se erguerá, infelizmente para todos nós. Além disso, o silêncio de Deus é tão grande que o Homem nem consegue acordar com tão pouco barulho. Clama no deserto, porque continua a insistir em acreditar a vida ter sido criada por um tal Deus para deleite de uma Humanidade cansada e torturada, onde até o direito de raciocinar lhe foi, é e será retirado numa convergência de interesses entre o Poder Estatal e o Poder Eclesiástico. Onde um toma conta do corpo do homem, com uma civilização política que nos arrasta para uma penosa sobrevivência, e o outro toma conta da alma, como detentor de verdades inacabadas que nos destroem a razão. Assim, continuam a manter de pé esta estranha civilização que nos destrói a existência e nos afasta da verdade. E é exactamente aqui que entram os tais que talvez saibam a dita verdade para nos impulsionar para a frente, com promessas que nunca se cumprirão. Nunca! Mas se a humanidade tivesse certeza disto, seria um caos, e é este caos que alguns tentam evitar, deixando a humanidade às cegas e incapaz de fazer o seu próprio destino. E assim... Nascem todos os dias religiosos sem sentido, para dar sentido à humanidade, mantendo uma esperança de futuro que nunca há-de chegar. Pensam e governam por todos, pois os seres humanos em geral são incapazes de se governarem a si próprios. Para quê, se têm quem os governe? E quem disse que alguém tem que ser governado por ele próprio ou por um outro? Ninguém disse, ninguém! Mas assim é mais fácil manter por muito mais tempo esta farsa interminável; e, enquanto durar, também vão durar todos aqueles que, mais rápido que os outros, apenas quiseram viver. E se viver é o que todos nós sabemos, esta luta consecutiva pela sobrevivência que nos angustia dia após dia ao longo de toda a vida, então eles fizeram-no bem, para que a sua própria escravidão fosse menor. Só não conseguiram vencer a morte, mas para lá caminham. Pelo menos buscam desesperadamente os conhecimentos antigos das sociedades «ocultas» ao nosso entendimento actual (que julgam existir, de um modo ou de outro), para que a imortalidade, como a entendem, lhes seja revelada. E vão tentar, se vão! Esperando talvez conseguir o conhecimento supremo, como forma de deterem o Poder Total, que lhes permitirá ser igual ou mais do que o seu próprio Deus imaginário.

Também é verdade que alguém poderia ter dito alguma coisa e, até, abrir uma centelha de luz num caminho desconhecido que os levaria ao tão desejado caminho. Mas conseguiram convencer os interessados na verdade que não é o que está para lá do caminho o que interessa e sim um meio de ser e pertencer ao Grande, ao ­Maior, ao Sublime. E já são tão Grandes nas suas actuações neste mundo, Maiores no Poder e Sublimes nas suas estúpidas decisões.

 

calma
ensaio, homem, livros, morte, vida
 
publicado por lazulli às 21:17
Sábado, 6 de Outubro de 2007
SintoMe: ... aterrorizada com o mundo

EscritoPorLazulli lazulli às 20:09
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Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Humanidade Escravizada (XIV)

 
 

 

(continuação)

 

 

 

 

 

Para nós terráqueos, filhos da Terra também ela submetida pelo homem que veio do céu, é melhor de uma vez por todas, sabermos quem de facto somos, do que pensarmos a vida toda que somos quem na realidade não somos. Não creio que a verdade sobre nós próprios, nos retire o poder de ser verdadeiros seres humanos, aquilo que já fomos no passado longínquo. Com a plena consciência e aceitação da nossa verdadeira natureza humana, teríamos a capacidade incrível de transformar este mundo num lugar digno de se viver, mostrando ao homem criado por Deus que os “animais” não só têm capacidade de se governarem a si próprios como também humanidade, coisa que lhes falta em doses demasiado elevadas, a eles, seres superiores em tudo. Depende de todos nós não continuarmos a permitir todo este mal entendido, de contrário, todas as explicações existentes – mórbidas e infantis –, continuarão a proliferar atravessando todos os séculos e todas as gentes e, os nossos pobres descendentes continuarão a ser escravos destes divinos mal amanhados. Devemos à humanidade futura uma oportunidade de libertação para que possa, verdadeiramente, ser feliz. Com determinação, exijamos a verdade. A nossa verdade. Continuando a ter medo do seu poder, que em nada nos tem ajudado a ser felizes, muito pelo contrário, não honramos a antiguidade. Não honramos os nossos valentes antepassados quando os combateram, aquando nos invadiram. Todo o sangue derramado desse tempo longínquo de nada serviu, porque hoje aceitamos este Deus e a sua corja, como se fosse nosso. E ainda lhe agradecemos por tão má existência. Depois de tanto tempo, com provas reais de toda a sua desumanidade, ainda se ouve no fim deste século, também marcado pela ignorância civilizacional, o grande e o pequeno, o rico e o pobre, o culto e o inculto dizer: «Meu Deus». Meu Deus! digo eu, quando os vejo criando fábulas imensas que têm o impressionante Poder do Verbo de que todos falam e ninguém entende. Capaz de fazer acreditar o mais prevenido dos homens. O assombro que sinto por tanta ignorância, que vai dos níveis mais instruídos aos mais baixos de formação, espantam-me! Todos carecem da vontade de querer saber a verdade de si próprios, como se esta não lhes fosse necessária. Assusta-me tanta ignorância e mais os assustará a eles, um dia, quando souberem a verdade sobre si próprios. E, como será evidente, sempre que tiverem contacto com a verdade, morrerão de novo e não sairão do ciclo eterno da existência, rodando nesta roda do destino Criado, este sim, por alguém, sem terem hipótese alguma de se libertarem e de se encontrarem. E, quando chegar o momento do confronto inevitável com a verdade, provavelmente muitos estarão já definitivamente perdidos ou mesmo não mais farão parte de algo... De qualquer modo, continuam a existir os que mantêm dentro de si a centelha da essência da vida e não sei como farão para entenderem a verdade de si mesmos. Enfurece-me que tenha sido e continue a ser assim, porque vejo a Humanidade, excepto no que diz respeito à matéria que os cobre (onde estão mais aptos a respostas concretas e que nem por isso são as mais profundas), a nascer e a morrer todos os dias, sem entender o seu nascimento e a sua morte e sem saber mais do que o seu nome, sobre si próprios, preferindo, assim, aceitar as mais variadas teorias que existem sobre a existência do Homem, todas elas unânimes no que refere ao valor sagrado da vida como sendo o maior bem da Humanidade. E, assim sendo, há que preserva-la a qualquer preço: e como cordeiros, todos em conjunto, dão razão a esta existência sem sentido, que alguém está interessado em perpetuar, sabe-se lá porque razão.

 

(continua)

 


actualidade, ensaio, homem, livros, vida

publicado por lazulli às 15:27 - 2007

SintoMe: ... preocupada com a falta de verdade da raça-humana

EscritoPorLazulli lazulli às 16:12
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Humanidade Escravizada (XII)

(continuação)



Criados, gerados e engendrados

 

 

 

 

 
Como se levou o homem ao esquecimento de si próprio e do seu passado remoto, que ameaça ser sem retorno? A primeira ideia – pelo menos de que tenho memória – foi de que tudo teve início quando se decidiu que todo o homem descendia de um Deus único e poderoso, capaz de amar e castigar justamente. E logo todos os injustos se sentiram bem com esta profecia que nunca se cumpriu. Tinham para amar um pai misericordioso que os recompensaria com uma vida melhor, bastava que qualquer baixo instinto dissesse pura e simplesmente: Eu acredito. Mas quem é que não acredita quando lhe convém?! Ao saberem que foi este Deus que os fez, lhes deu a Terra para viver e os dotou do Poder sobre as outras espécies, permitiu-lhes, na sua arrogância de legítimos donos da Terra, feitos à imagem e semelhança deste fantástico Deus permissivo, que milénios de existência, de engano e mentira fossem ficando para trás, impunes, sem que nenhuma alteração de fundo se fizesse para que o homem pelo menos tentasse ter um maior entendimento de si próprio e de todos os outros viventes. Claro que se Deus fez o Homem e o Homem fez o semelhante a si mesmo e o semelhante ao Homem fez o semelhante a si próprio, tanto «o verdadeiro homem», como «o filho do homem» e ainda «a semente do filho do homem», no processo de criação, todos copiaram os seus criadores. A partir do momento que os Criados (por Deus), os «gerados» (pelo homem) e os engendrados, seguiram as directrizes que receberam de cada um dos seus criadores, não só tudo foi como é permissivo, tanto por Deus para com os Homens, como pelos Homens para com o semelhante a ele mesmo.
A partir do momento em que o Homem acredita cegamente na interpretação bíblica feita por outros – que é filho de Deus e por isso mesmo tem o direito de submeter e dominar a Terra, tendo-lhe sido oferecido como alimento tudo o que tem movimento e vida (Génesis 9, 1-17) – em vez de ele mesmo ir verificar se a interpretação corresponde ou não ao que está lá escrito, acreditará sempre numa verdade inexistente, tanto para a sua origem como também para a razão da sua existência. Mas, está ao alcance de qualquer um perceber, já não digo a origem do homem, mas pelo menos, o porquê do sofrimento da humanidade. Se nos limitarmos apenas e unicamente ao que está escrito, será de perguntar aos autorizados e credenciados teólogos, quem são os homens criados por Deus e quem são os animais e, já agora, de que se deviam todos ter alimentado ao longo dos tempos. Ler sem esforço e com atenção, no Antigo Testamento, o pequeno relato bíblico do Génesis, teria levado qualquer ser humano a perceber que tem vivido completamente enganado sobre a sua verdadeira origem. Parece-me que o homem mencionado por Deus, criado à sua imagem e semelhança, não são todos como nos querem fazer crer. E a realidade da existência humana assim o confirma, quando o homem criado por e à imagem e semelhança de Deus (o homem verdadeiro) tem o poder de dominar a seu bel-prazer todas as espécies do céu, da terra, do mar e animais vivos segundo a espécie da própria terra, – que também tem autoridade para submeter – e concretiza há milénios este seu poder sobre todos os outros viventes que não têm a mesma ascendência que ele tem. Continuam a humilhar, a comer e a utilizar todas as espécies e o seu semelhante «não igual» de um modo bárbaro e inumano. Não são eles os seres superiores? Donos de tudo e de todos?



(continua)

 

indiferente
actualidade, ensaio, homem, livros, vida

publicado por lazulli às 15:11
Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

 

SintoMe: ... com Esperança no Homem de Verdade para combater esta Pérfida Civilização Tanto Espiritual como T

EscritoPorLazulli lazulli às 11:36
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Mary Paz - Primeiro Capítulo (8)

 

(continuação)

 

 

Ajoelhou-se junto deste “seu bem” porque nada mais tinha e estremeceu de pavor, quando seus dedos agarraram sem querer uma mão humana calcinada que segurava a espada, tal guardião que aguarda o fim do seu destino. Sentiu-se invadir por um carinho infinito e um enorme desejo de sobreviver pareceu renascer dentro de si e ficou grata a este valoroso “guerreiro” que lhe trazia a única esperança de vida que por ali existia. Delicadamente, como que para não acordar o valente guerreiro, retirou a espada quebrada da sua mão e sentou-se com ela no regaço a perscrutar os escombros junto de si, e esperou... esperou, até que uma resposta de algum modo chegasse, acabando por cair exausta.

Talvez tivesse dormido e talvez não, quem sabe?! A verdade é que tudo se encontrava igual a antes e ela sentia-se ainda mais deprimida e desamparada. Um toque leve em suas costas sobressaltou-a, fazendo-a recuar assustada e, o impossível aconteceu, numa realidade inimaginável. Há sua frente, transmitindo uma dor infinita de todos os poucos sentidos que lhe restavam, olhando-a com uma ternura imensa, seu irmão, erguia-a do solo sorrindo. O rosto queimado, deixava transparecer carne viva num constante latejar, parecendo que se ia reproduzir a si mesma dentro do rosto. A felicidade do encontro, não conseguia sobrepor-se ao sofrimento que sentia ao vê-lo. Desejou morrer, morrer! Mas nem tão pouco a morte, apagaria a sua dor, ou mesmo a faria esquecer o rosto de seu irmão naquele instante.

Queria tocar-lhe, abraçá-lo, chorar no seu ombro, mas não conseguia mover-se. Não conseguia! O latejar daquela carne viva, parecendo querer reproduzir-se a si própria, impediu-a de chorar ou até de gritar! Impediu-a de se aproximar de seu próprio irmão!

Sua memória fez desfilar por instantes diante de si o passado, onde ambos brincavam ainda indiferentes à vida e também às dificuldades de vivência que tinham passado juntos, para poderem sobreviver numa Terra que não haviam escolhido.

Entretanto, sobressaindo desse latejar incontrolável, havia um olhar persistente que continuava a ser um olhar de gente.

Olhava-o incrédula. Ele estava vivo, tal como ela. Vivo dentro de uma carne repugnante, que parece reproduzir-se mesmo diante dela.

Sentiu o seu aproximar lento e os seus braços rodearam-na. Como duas crianças desamparadas, caminharam de mãos dadas por entre um inferno de gente gemendo constantemente. Queria ter podido falar no percurso que percorreram juntos, até às ruínas onde acabavam de chegar, mas não fora capaz. Como se as palavras nunca houvessem passado unicamente de um pensamento.

Sempre sem largar a sua velha espada, neste momento parecendo maior que ela vergada ao peso de todas as dores, desolada, viu o que restava da casa em que vivera e para onde seu irmão lentamente a levou, parecendo mover-se seguro num caminho inexistente. Queria ter-lhe perguntado como a conseguira encontrar, mas não precisou de o fazer porque já ele lhe respondia como se fosse capaz de ler-lhe o pensamento:

- Se não fosse essa velha espada que guardavas zelosamente , sempre acreditando que ela tinha uma razão para estar contigo, eu nunca te teria reconhecido neste mundo tenebroso.

Mary , olhou-o silenciosamente como não compreendendo.

- Já te procurava há algum tempo quando te vi vergada sobre o teu próprio corpo tendo entre as mãos a espada que irradiava uma luz ténue e quando me aproximei percebi que eras tu. Teria sido quase impossível encontrar-te no meio de toda esta escuridão e caos, se não tivesses por companhia a velha espada. Mas, felizmente, encontrei-te e podemos atravessar juntos este mundo, receando menos esta estranha vida que alguém provocou a todos nós pela sua irresponsabilidade. Neste momento pouco mais podemos fazer uns pelos outros a não ser protegermos-nos dos restantes. Se é que vale a pena sobreviver neste mundo mas, para o bem ou para o mal, juntos, conseguiremos.

Abraçou-o com força e as lágrimas recusaram-se a aparecer, quando o resto das paredes da casa onde tinham habitado se lhes deparam enegrecidas e tombadas sobre si mesmas. Sabia que estas frágeis paredes mal conteriam as pessoas que eventualmente se encontrassem do outro lado, como também as não protegeria dos ventos agrestes que fustigavam os seus corpos.

Ali os encontrou, afagados uns nos outros, tentando proteger-se do frio.

Não sentiu que se movessem quando se aproximou. Como se ela não existisse ou talvez nunca se tivesse perdido. Os seus olhares quedos, pareciam encontrar-se noutro mundo, noutra vida distante. Mas distinguirem se era a vida passada ou uma outra futura algures... quem sabe? Num esgar, a esperança acendeu seu Ser, mas logo se desvaneceu.

 

 


(continua)

 

...

livros

publicado por lazulli às 16:00

Segunda-feira, 9 de Julho de 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 22:20
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Mary Paz - Primeiro Capítulo (4)


(... continuação)

 

 

A imagem longínqua de uma jovem mulher, absorvendo descontraidamente os limites da vida, ao longo da imensidão de uma praia deserta, continuava a perturbar-lhe o espírito de tão nítida que estava dentro de si. Esta imagem fá-la reviver um passado já passado, mas que não a impede de lhe parecer vivo, apesar de sua total inexistência no actual momento.

A imensidão do mar... A extensão da praia que se perdia do olhar e o inacreditável mundo vivo por cima da Terra... Queria tentar apagar esta imagem viva dentro de si. Esquecer! Como se esquecer fosse possível a qualquer Ente, se este faz exactamente parte da vida “presa”. Vida esta que vem resgatando continuamente o seu terreno, numa luta sem tréguas, desde o início da existência, da formação de tudo. Como pode o Ente apagar o pensamento, se ele não passa exactamente do pensamento? Mas, é para que o pensamento viva livre e eternamente, que ele continua a aprisionar dentro de qualquer matéria viva, a sua existência. Esquecer, seria aniquilar a sua própria existência e assim destruir o seu próprio mundo: a essência.

“Tenho medo de reviver a loucura que vivi. Tenho medo de tocar no meu pensamento vivo. Tenho medo de recordar! A dor de ver o que já passou e se extinguiu. O medo de relembrar... Ficou gravado em mim, o contraste repentino “desta” imagem da vida e do deflagrar há tanto tempo discutido, sábia ou ignorantemente por todos, de uma Guerra Nuclear.”

Neste momento ela continuava viva, mais viva do que nunca! Por isso mesmo, o seu pensamento vivia mais intensamente todo o passado vivente. Não mataria a lembrança que lhe doía. Seu pensamento sofria e continuava a mostrar-lhe o “momento”.

Não tinha havido talvez uns centimilionésimos de segundo entre o momento junto à praia e a terrífica destruição dessa mesma vida, com a reacção em cadeia de uma qualquer substância, que pode muito bem ter sido de Urânio ou Plutónio, e a explosão tão inesperada, tão incompreensível, que parecia que bocados de vida e de morte se haviam entre cruzado no espaço. O céu em fogo lembrava pinceladas de um qualquer pintor com as cores bem combinadas de todo o mundo desconhecido. Sobre ela continuavam a cair os estilhaços da morte na vida e os da vida na morte, projectados pelo impacto de um poder que desconhecia mas que teve tempo de observar quando muito lentamente, como se todos os seus sentidos tivessem sofrido uma mutação, se virou e olhou o horizonte. Ainda fumegava o célebre cogumelo, tal qual o tinha visto em inúmeras fontes de informação, que iam desde a informação visual até à informação escrita. Tudo era tão confuso, tão absurdo, que ficou parada como suspensa entre o espaço/tempo sem consciência da sua própria existência, a olhar 500 quilotons a libertar toda a sua energia no céu da Terra. O seu consciente recusava-se a aceitar o que o seu subconsciente absorvera no primeiro instante. O cérebro entorpecido impedia-a de agir racionalmente. Caminhou sem destino sob o mundo de fogo que a cobria e envolvia, até que suas mãos agindo a um qualquer comando interior começaram a agarrar desesperadamente os estilhaços que continuavam a cair, numa tentativa de limpar o ar e restituir-lhe o seu próprio espaço. Mas eram tantos os pedaços e tão estranhos, que suas mãos iam ficando macilentas de lhes pegar, fazendo-a sentir-se cada vez mais fatigada.

Desesperada, percorre o lugar seu que há um instante atrás era ali! E o pânico apodera-se de seu Ser, pois, não existia mais! E ela sozinha, não tinha conseguido atirar os estilhaços da morte, para o sítio de onde tinham surgido.

Arranha seu corpo e sua roupa, mas seus dedos resvalam trémulos por uma massa viscosa e peganhenta que a cobre, horrorizando-a. Ela existe ali, igual a si mesma, mas não estava lá! Tal qual a calmaria da praia deserta, que à instantes atrás fazia parte integrante dela mesma. Agitou seu corpo ao que pensou ser o vento, mas mesmo este ar não era o que conhecia, pois sentiu-o bater no corpo, atirando-a contra a dureza de um chão pejado de destroços. A vida tinha-lhe fugido e ela continuava viva. A incompreensão tomou posse de seu Ser, perante tão dura realidade.

Correu sem rumo certo (pelo menos pensa que correu) para junto das milhares de pernas que passavam perto dela. E no meio destes milhares de pernas de massa vivente que se moviam, numa corrida louca e desenfreada, via correrem as dela, numa corrida que parecia não ter fim, na busca de um caminho que já não existia. Mas sem caminho a seguir, para a levar de volta ao seu sítio, sentiu-se perdida. Vagueou nos destroços da morte... O tempo?!... Esse também tinha deixado de existir. A força que antes a mantinha de pé, tinha-a abandonado, fazendo-a correr lentamente sem destino certo, deixando para trás, o que havia mesmo em frente: desolação.

 

(continua...)

 

livro... dos "filhos do sol"

livros

publicado por lazulli às 18:48

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

SintoMe: ... atenta ao avanço islâmico no mundo

EscritoPorLazulli lazulli às 12:11
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Sábado, 1 de Novembro de 2008

Divagações Do Espírito

 

 

 


DEUS


É


O UNIVERSO INTEIRO


É


O MUNDO QUE NINGUÉM CONHECE


É


DEUS?!

 

 

borboleta

pensamentos


publicado por lazulli às 16:57
Maio de 2007

SintoMe: ... à Procura Dos Causadores Do Engano à Humanidade

EscritoPorLazulli lazulli às 12:55
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Sempre Eterno

 

 

Há quanto tempo...

Foi há tanto... que pensei ter esquecido

Mas a verdade nunca me deixa só

E continuo a acordar, mesmo quando teimo dormir

Evitando assim

Lutas desgastantes com humanos ignorantes da verdade

Tentei em determinada altura, esquecer quem sou

Mas sempre algo ou alguém me relembra

E desperta de um sono profundo e eterno

O meu forçado esquecimento

Da minha essência, nem perdida ou esquecida

E, o ignaro pérfido ou bizarro me desperta

Para que não durma eternamente

Saberão eles o que fazem quando me despertam?!

Não me deixam dormir ou esquecer

Usam sempre uma nova arma

Para o meu não esquecimento

E, assim, aqui estou eu de novo

Olhando o interior de um mundo estranho e desconhecido

Sempre eterno

E, lá está o Tempo inimigo persistente

A marcar a presença daquela que depôs

Haverá acabar para o Nada?

Tento de novo dormir ou fico de novo acordada?

Dentro de mim a forçar quanta vez recalcada

Insiste em actuar a Força, pouco transformada

Eu “simples humana” preferia não ter que a defrontar

Mas os meios trazem à luz a força desconhecida

Que não quero usar

Castigando pela sua também ignorância de um mundo feito

Esperança... esperança... humana

Que um dia deporia

Ouviria o som do meu som, dizer uma palavra

Materializa-la e, piedosamente, depositá-la num Amor Maior

Que não me exigisse nada

A ternura eterna dos sentimentos pequenos.

Mas esse dia nunca chegou

Ninguém neste mundo realizado

Foi para mim suficiente

E, já não acredito

Porque este jogo, é grande, muito maior do que eu

Você seria... nunca acreditei... mas hoje será que me enganei?

Mas, nem tive tempo para começar

E já se entranhou o estranho entre nós

Mais um tempo adiado

Um cristal de luz doente

Continuará doente

Prisioneiro da luz que não quer para si, nem distribuir

Ínfima centelha invisível

Quantas vezes atravessas-te o ar

Desconhecida...

E depositaste claridade nos merecidos

e também nos ignaros

Retraíste-te, contraíste-te , tornando-te prisioneira

Do cristal enegrecido com pensamentos alheios

Poderosos seres

Continuarão a enegrecer-te

Se continuares a dormir.


(2003 maio )

 
publicado por lazulli às 12:09
Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
SintoMe: ... apreensiva com a encruzilhada do mundo

EscritoPorLazulli lazulli às 20:23
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Prisioneira Do Tempo




Foi Prisioneira do Tempo que te conheci

E o mesmo Tempo, continua a aprisionar-me e a confundir-me

Ao relembrar-me de ti...

Em conflito, com a tua e minha existência

A medo... relembro-te e esqueço-te

Mas o meu pensamento persiste inseguro, incerto e temeroso

Mas preciso de um amigo

E esse amigo és tu

Só podes ser tu

“A Grandiosidade da Divindade” continua a existir

Ajuda-me a sair deste emaranhado em que me encontro

Ajuda-me a libertar-me desta loucura

Ou então atenua a minha existência, num mundo que não é meu

Sê o meu confidente

Não me deixes sozinha aqui

Preciso de ti.


penso: "VestígiosLongínquos" - do livro de poesia

publicado por lazulli às 10:47

SintoMe: ... olhar o mundo apreensiva
Palavras: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

EscritoPorLazulli lazulli às 00:43
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Domingo, 26 de Outubro de 2008

Atlântida





P'ra lá do mar

Há um lugar que não conheço

Mas não esqueço

O esquecido passado longínquo

 

Relembrado e guardado por Sólon

Imortalizado nos escritos de Platão

E recordado pelos saudosos autores de nossos dias

Que deixaram antever as raízes do passado

D’uma humanidade destruída e perdida nas brumas

 

 

Tão longe e tão perto

Que a memória se perdeu

Mas não a de todos

Porque alguém continua a te recordar

Perpetuando a tua existência do passado

Não deixando esquecer

A realidade da tua veracidade

Mas muitos foram também os que quiseram

Te manter oculta

Longe de tudo e de todos

Como se nunca tivesses existido

Deram outra data ao tempo

Transformando-te num mito

Mas tu

Continuas enigmática aguardando que te façam ressurgir

De entre o mar revolto de calmaria

Silenciosa aguardas no mar do teu nome

Para que os homens saibam onde e porque erraram

No passado longínquo

Mas ressurgires

Será o acabar das lendas criadas depois de ti

Taparam as suas lendas com uma outra lenda

A tua

Inventaram-te

Quando tu existias

Esqueceram-te

Quiseram que realmente houvesses desaparecido

E desapareces-te quase totalmente

Na tua forma física

No meio e sob o mar

Nesse lugar

Que eu não encontro

Mas sei que existe

Junto do fogo adormecido

D’um vulcão inactivo

Aguardando o despertar

Quieta

Silenciosamente quieta

Continuas a aguarda que algum filósofo te devolva a vida morta

Mas os filósofos desapareceram com o passar dos tempos

Dando lugar aos políticos

Sábios do teu e nosso tempo

Quais os melhores ou piores de todos eles

Ninguém mais te relembra na tua verdadeira forma

Ou te quer fazer ressurgir

Passaste a ser mesmo lenda

Onde antes havia o provir

Quanto tempo continuarás silenciosa

Nesse aguardar eterno

Se esperas o entendimento do Homem

Acumularás sobre ti

Uma outra civilização semelhante à tua

A quem tu deste lugar um dia

Quando também procuravas uma outra

Que te tinha também antecedido

E desvanecido quase totalmente

Continuam a procurar-te

Depois de te terem encontrado

Como se fora pouco o que viram

Do que restou de ti

Pisaram teu solo

E não te reconheceram

Porque te quiseram grande

E eras pequena

É o teu conhecimento

Que procuram desesperadamente

Não a ti

Porque a ti já te encontraram

Esqueceram os restos dessa civilização

Quanto os restos que sobram de ti

Espalhados pelo oceano

Mesmo sob o teu regaço

Quando chegarem ao teu conhecimento

Nem os restos sobrarão

Não terão tempo de entenderem

Que perpetuaram o teu conhecimento

Dando-lhe a forma do saber deformado

Descontentes

Duvidam de si próprios

Porque querem a imortalidade iniciada

O poder ilimitado

E tê-lo-ão

Como tu

Até ao ressurgir de uma nova/velha civilização

Ensina-nos o caminho

Para o teu mundo guardado

Não nos dês o que sabes

Antes o que nunca soubeste

Talvez assim

A gente chegue de verdade a algum lado

Sem precisar de ser transportado

Quanto se falou de ti

E quão pouco se disse

Do que eras ou quem eras

 

 

Perdida

No meio das águas imensas

Que te cobrem

E nos pássaros que te cruzam

Todos os dias

Está a tua sabedoria

O verdadeiro saber

Para quem quiser entender

Onde está a tua cultura e o teu conhecimento

Partícula de um mundo perdido e esquecido

Vogando sobre as águas do meu mundo

Olhando o silêncio

 

 

Dizem-te um mistério

Porque a sua imaginação nunca te imaginou

Uma lenda um mito

Porque nunca te compreenderam

És o sonho de um profeta poeta um filósofo

Queriam-te física

Não espiritual

Continuam a violar as águas em teu redor

Na tentativa

De mais depressa te desvendarem

Descobrindo o véu que te envolve dentro das águas

Mas tu deixas antever

A luminosidade do teu "rosto"

Mostrando o paraíso perdido dos Açores

Querendo que se mantenha essa tranquilidade que conquistas-te

Teimosamente eles querem desmembrar-te

Violar os teus segredos

Em volta de ti

Querem adivinhar-te e um dia vão conseguir

E esse será o dia do teu ressurgir do nada

Tomando de novo forma mas esta já fechada

Fundirás em ti mais um mundo civilizado

De leis sem sentido

A que um dia no passado começaste por dar forma

Até chegar aos nossos dias

 

 

Tu aprendeste

Com a tua morte

Mas nós ainda não

Aprenderemos um dia contigo nas profundezas do teu mundo oceânico

E dormiremos também chocados com a nossa ignorância

Olhando o mundo cá em cima a copiar-nos

Esperando silenciosos que entendam a verdade

Ou aguardando também pela sua queda

 

 

Ontem

Eras um continente imenso

De querer poder e saber

Ontem

Eras o berço de uma humanidade instruída

O sonho de quem vivia

O mundo de quem sentia

E espalhavas o teu saber

Instruías como uma mãe

O mundo inteiro

Levando o teu saber aos quatro cantos do mundo

Ou seriam cinco

Perpetuaste

O teu passado oculto

Chegaste tão perto do passado

Que te transformas-te no teu próprio passado

Fundindo-te nele

O procurado

Deste a luz e as trevas a quem te viu

O saber perdido a quem te ouviu

E tu própria

Sumiste por entre as brumas de um tempo mal entendido

Passando de guia a guiado

Foste assim

Eterna na sabedoria

Foste a luz menor de um mundo maior que tu

E de ti hoje

Restamos nós aqui

Também teimosamente perpetuando o teu saber

Na nossa sabedoria ignorante

Até ao perecer de todos nós

E no futuro breve

Outros te procurarão em nós

Tentando descobrir

Este saber de ser

Quem somos nós

Qual o filho que não procura a mãe

Para ir buscar o que lhe falta

A essência do saber perdido

Todas as Pátrias das civilizações

Têm um berço comum

Que propagam um ideal de vida

No decurso de milénios

Que vai crescendo multifacetado

Dando lugar a um infinito perpétuo

Gatinha e cresce como uma criança

E assim como ela o fim chega inevitável

E só algumas sementes

Ainda em estado embrionário

Se manterão e recriarão

Para dar lugar a um novo berço

De uma nova e mesma civilização

Tu senão a primeira foste uma delas

E neste decurso moroso

Os teus rebentos

Aqui estão

Mergulhados nesta nova escuridão

Com um berço semelhante ao teu

Exibindo democracias e utopias

Que sempre mantiveste

Não entendemos que estás aqui

Dentro de nós fazendo-te ressurgir

Espalhando o teu saber pelo mundo inteiro

Exibindo as tuas leis enevoadas pelo passar do tempo

E somos nós que olhamos o teu cume físico

Aguardando um saber que já sabemos

Que fazemos ressurgir-te das cinzas

E damos vida aos teus anseios

Mas ainda nenhum de nós te entendeu

Nenhum de nós te quis manter perpétua

Transformamos-te todos os dias

Numa metamorfose doentia

Porque ainda não queremos te conhecer

Mas continuas teimosamente dentro de cada um

Ressurgindo sempre no pensamento deste morrer

 

Recordar-te-ão

Sempre que a ciência mal entendida do passado

Te relembre ao nosso lado

Na nossa própria ciência

Numa simbiose sem princípio ou fim

De tanta tradição longínqua

Que continua a atravessar os séculos

O teu mistério continua silencioso no meio das brumas

À espera que nos venhas ensinar o esquecido

Foram tantos mas tantos

Que perturbaste com a tua memória

Ao longo dos milénios

Que te confundiram

E reinventaram

Com fantasias fantasmagóricas da criação

Dando até lugar à religião

São tantas as obras que falam de ti

Tantos os costumes até aqui

Que saber-te é ver-te ressurgir em cada dia

Dentro das brumas escondidas de cada ser

Todos te conhecem

Ou julgam conhecer

 

E mesmo assim continuam quedos

Enchem os olhos com as tuas margens

Deleitando-se nas cores que te preenchem

No ar leve sob as nuvens

No mar continua a ser o teu lugar secreto

E tão perto

Que qualquer um

Te podia fazer ressurgir

Mas eles fogem obrigados

Para o outro lado do mar

E não irão regressar

Outros valores se interpuseram entre ti e eles

E só as gaivotas vagueiam sobre ti

Num lamento triste de assinalar tua presença

São os navios que te cruzam diariamente

Quanto as pequenas embarcações do passado

Levando um fugitivo isolado

Para o outro lado

Com a grandiosidade de um continente

Estás esquecida

Quiçá perdida

Imponente na tua simplicidade

Dormindo desperta um sono calmo

Onde quer que eu fique

Lembro de ti

A humanidade inteira te procura

Talvez porque ainda te recordem

Bem dentro de seu Ser

Também numa outra camada fossilizada

Procuram a verdade que escondeste nas tuas ruínas desaparecidas

Mas a vida brota incessante

Como um diamante no meio do oceano do teu nome

Ainda estás por aqui

Tão perto

Que te tocámos diariamente

Nas novas descobertas de comando da humanidade

Na esperança de um novo mundo

Dar-te-emos de novo vida

Para em seguida te destruirmos

E poderes voltar a ser de novo lenda

Para os povos a seguir te fazerem ressurgir

Nesta morte e vida perpetua

Ciclo sem princípio ou fim

Até esse esperado dia

 

Do entendimento da verdade.

 

 

"Vestígios Longínquos"

publicado por lazulli às 12:14

Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

SintoMe: ... a olhar o mundo

EscritoPorLazulli lazulli às 20:19
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Sábado, 25 de Outubro de 2008

A Grande Mãe (I)


 

 

I Capítulo

 

 

 

 

Leda cavalgava já há muito tempo pelas planícies onde habitavam os homens. Destes quase só tinha ouvido falar, agachada nos recantos da caverna onde se juntavam as mais velhas, não lhe sendo permitido, ainda, frequentar a caverna onde em cada lua cheia se reuniam desde as anciãs até às jovens guerreiras, Leda sentia-se à parte por a considerarem ainda nova demais para participar nas decisões da vida, como todas as outras. O seu espírito livre e inquisidor, sem arreios, levava-a muitas vezes a fazer o percurso tortuoso das montanhas galgando pedregulhos e armadilhas pondo em perigo muitas das vezes a sua própria vida, mas a curiosidade e a indisciplina do seu espírito, valia-lhe todos os riscos e secretamente quando a lua começava a aparecer no céu estrelado levantava-se sorrateira por entre as meninas que dormiam e entre os gemidos de umas e de outras, lá ia conseguindo chegar à entrada da tenda de peles de toda a sorte de répteis, existentes na planície, habilidosamente unidas umas às outras com fios retirados das crinas dos seus fogosos cavalos, feitos pelas mulheres mais velhas. Aquelas que já não montavam por a sua idade avançada não lhes permitir saltar para cima de um cavalo quanto mais manterem-se direitas em cima dele. Embora muitas destas mulheres transportarem em si o conhecimento da vida e orientarem todas as outras. Perspicazes, eram sempre elas que se apercebiam quando alguma coisa não estava bem não só na tribo como também no mundo. Temiam os homens embora os dominassem com um simples olhar. Eram cuidadosas nas suas análises sobre estes e compreensivas mas também determinadas quando de quando em vez alguns deles nas suas entradas no clã com autorização destas ou porque iam levar a caça com que trocavam utilidades que só elas sabiam construir. Nunca conseguiram que a tribo de Leda nas trocas que faziam, lhes fornecessem manufacturas de ferro. O lugar da forja jamais fora visto por qualquer um deles mesmo quando permaneciam por mais tempo nos domínios das mulheres com o intuito de estas aumentarem a sua prol. Não eram muitas as vezes que isto acontecia e quando acontecia todo o clã ficava em silêncio e alerta. A pouca idade de leda não lhe permitia perceber porque tantos cuidados e tanto receio mas de qualquer modo também não simpatizava com estes peludos meio vergados e mal cheirosos quando estes ali permaneciam. Lembrava-se quando a sua primeira mãe aquela de onde tinha surgido recebeu um destes animais tímidos mas raivosos. Lembrava-se bem do olhar carregado de ódio que lhe lançava de soslaio como se não estivesse a ser observado e pudesse de um momento para o outro saltar-lhe em cima. Mas era na caverna dentro da montanha que eram ditos todos os segredos da vida e um segredo só existe porque encobre alguma coisa má. E ela continuava a tentar descobrir o que seria tão mau que lhe escondiam e embora lhe tivessem prometido que quando tivesse 10 luas começaria a participar junto com todas as outras destas reuniões sentia que não conseguia esperar tanto tempo para saber. Mas toda a gente na tribo conhecia Leda pela sua irrequietude e ansiedade. A a primeira da sua primeira avó, mãe primeira da sua primeira mãe, ainda tinha sido a única a compreender Leda e contar-lhe histórias antigas mas que em vez de incutir em Leda calma e espera surtiu efeito contrário. Aí sim, Leda teve a certeza que todas lhe escondiam alguma coisa grave.

 

(continua)

 

penso: ficção

Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

publicado por lazulli às 19:11

 

SintoMe: ficção

EscritoPorLazulli lazulli às 11:41
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