Sábado, 22 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (9)

 


IX

 

 

 

 

Ainda com o corpinho inerte de Laurema junto ao seu peito, Taudus continuava a ouvir a voz do seu Senhor, som do Universo, a atravessar todo o seu Ente e trazer a todas as suas partículas a melancolia e determinação, dos anciões do Tempo: “Estamos no início da formação, dizia o ancião que compunha os sete elementos da vida, reuni-vos para nos desdobrarmos ... “ Começo. Um começo que não teve começo. Começo o Mundo que não esqueço. As trevas e a luz onde adormeço. Começo o Princípio. O Nada. A Vida Criada da Mente desformizada. O Uno. O Todo. Paro meu olhar no Infinito, e vejo o Início do Todo. No Princípio o Ente perdido. Laurema está lá. Envolto na Cápsula. Isento do perigo que está chegando. Do exterior, do outro Todo (do nada). Caminham a Nosso encontro, a Força. Como conduzem velozmente aquelas mentes. Como é difícil para Nós, embriões do Espaço existente no outro lado, entender a velocidade daquelas mentes formadas. Laurema está só. Acabada de Nascer. O conjunto do Todo, num só. Partículas de Cristais que se unem. Tantos milénios para a Formação do Todo, para a Formação dos Mundos. E, é ainda, tão pequena Laurema. Tão isenta, que tememos por Si. Sabíamos ter Criado no Nosso mundo Inexistente a Existência, mas não programamos a sua Evolução de mentes. E eis que o Mensageiro do Espaço, Nos amedronta, com novos Ideais. Sabíamos que dormiam e não tivemos tempo, antes de despertarem. Por isso, Criamos Laurema, que é um pouco de Todos Nós. É o Todo. É a Vida. É a essência dos Entes que serão o Ente que formará as Mentes, para retornarem ao Ente. É chegado o Tempo, em que não podemos mais evitar destruir as partículas de que somos feitos, e formar Laurema, que continua adormecida. E ela! Só ela! Para lá do Nosso próprio horizonte. Eis-nos, lá! Pulsando com Ela. Quando Laurema foi Criada, de cada um de Nós, saiu a Nossa dor, agonia e desespero.

A voz do Supremo, dá tempo a que Taudus se recomponha das dolorosas recordações do início da formação, e apesar de o ver estagnado chorando sobre o corpo de Laurema, não o pode poupar a outra difícil lembrança, a da separação de ambos para os mundos materiais, onde Taudus se transforma no guerreiro universal e Laurema num mero joguete das forças que Taudus combatia por todo o lado, com sucessos plenos de reconquista, de cada ente perdido ou esquecido. Sabendo as forças materiais, onde Laurema se encontrava, vingaram-se nela, quase por tempo ilimitado, penalizando-a pelo sucesso do seu outro eu. Isto sim, doeria a Taudus, mais do que a separação a que estavam sujeitos.

- Taudus, preciso, para que não continues a culpar-me e assim pôr em perigo toda a essência do Universo, explicar-te porque Laurema tem essa condição de existência, estás preparado para continuar a ouvir-me? É difícil para mim, ver-te sofrer, guerreiro amado, mas não posso nem devo calar mais esse momento. Por ti e por ela, por todos nós.

- Pai, a dor é já grande demais para que não possa caber uma outra dor. Fala-me tudo. Ajuda-me com as armas da verdade a ter solução eficaz para a libertação de Laurema. Porque vogava ela nos céus da Terra da 2ª dimensão? A Terra é composta por 4ª dimensões, e em qualquer um dos outros mundos paralelos, a lei da matéria é muito mais fraca e a essência tem muito mais poder. Porquê escolher logo a pior das quatro?

- Sempre foste um guerreiro capaz de suportar a verdade, serás também capaz de suportar a que tenho para te comunicar? "Recomeçando a transmissão, o Supremo fá-lo recordar quando teve início a separação física de ambos."

- O desdobramento que vos separou, até hoje, deu-se quando as Crianças Eternas, junto ao mar... “E eram pequenos eles, tão pequenos, que nenhum olho humano os distinguia junto da areia, com a água a bater-lhes nos pés descalços. Sentados, mexiam os pés irrequietos, nas ondas, que eram bem mais pequenas que eles, e divertiam-se sem saberem porquê, mas seus corações e cabeças estavam vazios de pensamentos e sentimentos. Depois de muito tempo passado, onde o tempo deixou de ter significado, levantaram-se de mãos dadas e caminharam pela praia fora, sem saberem se a praia tinha ou não extremidade. Pararam muitas vezes no seu percurso errante, para molharem as mãos na água que os chamava. O Sol, então, esse, caminhava lado a lado com eles, como se também, de um companheiro se tratasse. E eles nem se interrogaram com este novo-velho amigo, que os não deixava. E, foi assim, que estiveram sem que as palavras brotassem. Penso até que eles não sabiam falar. Mas sentir?!... Eles sentiam o nada. A menina, tropeçou de repente numa pedra pequena à sua frente, e o primeiro Ai! foi pronunciado pela sua voz frágil e até ali inexistente. O menino sentiu a sua dor, como se a pedra o tivesse agredido a ele, em vez de ser a ela. Mas a sua dor era maior, porque juntou a dor dela à dele. Ajoelhou, pegando no pé da menina, para evitar uma dor que já tinha acontecido. E na sua inocência de eterna criança, não entendeu. Ele houvera ficado com as duas dores. Porque continuava então a menina a chorar, silenciosamente? Mesmo porque a pedra já não estava lá. O desespero instala-se no pequeno grande homem, fazendo-o erguer os olhos para cima. Ao longe... E pela primeira vez, desde que ali haviam chegado, ele viu gente, gente que o chamava já à algum tempo. E o movimento também deveria ser grande, pois que pareceu-lhe de repente o mar. Mas este estava do seu lado oposto. Olhou o mar de novo, para se certificar que não se houvera enganado, e retornou o olhar para este novo mar, só que este era, um mar de gente. Largando a menina na praia, levou seus pezinhos até aquele novo lugar que já não gostava, mas tinha que conhecer. A menina e o Sol, olhavam-no, ao longe, mas a areia da praia não lhes permitia ver o seu “Ser”. As marcas bem fundas que se estendiam até ao outro lado... A menina olhou o seu amigo, à procura de resposta, mas o Sol não lhe respondeu. Limitou-se a escurecer, e ela viu que também ele ficara triste com a perda do menino. As lágrimas, coisa nova também, afloraram aos seus olhos perdidos, e sem esperar por ela própria, correu à procura do seu amigo. Mas quando lá chegou, ele também houvera desaparecido, e ela deambulou pela Terra fora, sempre à espera de o encontrar, e o levar de novo para a praia. Até que o seu amigo Sol, ainda hoje lá se encontra, à espera que os meninos regressem. Mas eles tardam a regressar. Daí que o Sol deixou o seu esconderijo, e resolveu ajudar. Mas as crianças são difíceis de encontrar. E até o Sol, está a chorar. Vamos acabar com as lágrimas do Sol e ajudá-lo a encontrar os seus meninos, para que a praia volte a ser o que foi um dia? A praia está lá e o Sol também, porque apesar de os procurar pelo mundo inteiro, o Sol não sai do seu lugar, pois sabe que um dia, os meninos vão regressar. O Sol sente falta deles e eles sentem a falta do Sol, só que quanto mais tempo eles estiverem perdidos do seu grande amigo, mais tempo vão continuar ocultos no meio da multidão e mais a sua praia fica distante... embora, a gente continue a guardar os seus verdadeiros corpos, que, adormecidos lado a lado à eternidades continuam a aguardar o despertar em conjunto. Mas isso, só acontecerá quando aquele que dorme despertar, e aí a Grande Batalha terá lugar por todo o lado. “

– E foi assim Taudus, que acabaram separados um do outro. Laurema, não sabia que tu estavas integrado na essência cósmica e integrou-se na matéria para te salvar. Laurema, fez com que eu não entendesse esse seu “nascimento”. Dizer-te poderia também ser perder-te, pois irias lá. Esperei e levei a que ela te procurasse mas, como sabes, a matéria não deixa nenhum filho da hierarquia divina escapar se o encontrar. E ela? Ela era uma guerreira num mundo onde os guerreiros não existem... e a matéria matou o seu corpo, antes que a águia chegasse. Também o Nosso Universo chora a sua morte, mas, Laurema minha filha, ainda não é extinta e esse mundo que estás é o oposto do dela, por isso, eu levantarei toda a essência desse teu mundo e tu a chamarás do sono em que se encontra, e se ela te ouvir no mundo do pensamento, poderá ainda regressar. Deposita seu corpo no alto da montanha e dá-lhe amor, porque toda a essência da vida desse Planeta pode ressuscitar a minha filha querida.

- Senhor, não deixes que a perca de novo. Aquando da destruição de nosso Universo, foi já difícil nossa separação... perdoa-me, Senhor amado, mas se necessário for, toma a minha vida pela dela, e eu trocarei minha alma com ela.

- Se ela entrar no mundo da essência, não permitirei que mais ninguém entre na matéria, e Laurema não quereria essa tua dádiva a seu Ser. Já me dói o que sofreu. Estás no mundo onde a nossa essência predomina, e tens de tentar trazer de volta Laurema à vida porque, de contrário, ela pode nunca chegar a ti nem a mim, e pior ainda é que vocês, podem nunca mais despertar. Além disso, não a quero mais naquele mundo onde ela foi de vida em vida, cada vez mais confusa e sem entender o porquê de sua existência.

(continua)

 

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publicado por lazulli às 01:59
Sábado, 13 de Outubro de 2007
5 comentários

EscritoPorLazulli lazulli às 03:19
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