Sábado, 22 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (7)


 

VII

 

 

 

 


Taudus sentiu que o Universo distante gritava, em uníssono com ele, a sua dor. Não queria acreditar que este estranho Ser a seus pés, era a sua amada perdida no Tempo. Não podia ser ela, nem com esta forma, nem desaparecida outra vez no Tempo, que se podia prolongar por mais uma eternidade. A essência Universal não podia deixar que a roubassem de novo de si, nem permitir que este Ser inerte fosse a outra parte de si mesmo.

O Sol brilhou com mais intensidade, como que para confirmar o aparecimento da menina perdida, tentando dizer a Taudus que esta era a verdade.

Taudus, sabia que esta era a verdade mas não queria admiti-la para si mesmo. Não era isto pelo que tinha esperado e lutado desde os primórdios da existência. Esta insignificante criatura, não podia ser a sua amada. Não podia. Ainda seus olhos retinham a sua magnânima forma, que nunca apagara da memória. A sua beleza. A sua candura. O seu rosto, não comparável. De uma infinitude inigualável. Como aceitar isto que o Destino, tardiamente, põe perante si?! Sufoca as lágrimas de desilusão e dor que se vão espalhando por todo o seiu interior, criando um rio de luz até aqui inexistemnte. De impotência e raiva. De ira, quase incontrolável, vê cescer dentro de si tormentosas vagas de sentir que querem galgar as margens de seus póros luzidios e vir comungar com todos os elementos deste mundo de cores infinitas. Pacientes e compreensivos, todos os elementos em volta pareciam aguardar que ele entendesse e aceitasse uma realidade de um outro mundo, de uma outra dimensão, para a sua amada, fora do seu próprio Tempo e de sua própria dimensão. Todos os seus amigos presentes pareciam zelar a sua própria morte, muito antes de Taudus a sentir. Mas não eram, todos eles, parte integrante uns dos outros?

Já estavam adiantados no Tempo e a harmonia entre eles tinha-se quebrado. Que Ser estranho e enigmático, para ser parte de seu Ser, que provoca a desarmonia onde ela nunca houvera acontecido. Mas, nunca os companheiros seus, se haviam enganado na Verdade e na Justiça, e bem quisera que, desta vez, estivessem completamente equivocados, da sua certeza, que se manifestava de forma inequívoca . Mas já seu irmão Sol, havia confirmado que a seus pés, estava o resto de si mesmo. Tinha que dominar o medo que se tinha apossado dele. Não conseguia distinguir dentro de si, se receava que isto fosse a sua amada eterna que os deuses lhe haviam concedido nos primórdios do Tempo, antes da formação das coisas e das formas, ou se receava a sua morte e a sua perda. Sentia seus amigos a apoiá-lo, para defrontar a verdade a que nunca houvera fugido.

Ajoelhou lentamente junto deste Ser, e tocou ao de leve com sua mão acobreada neste corpo sem cor e sem vida, afastando os cabelos negros que lhe cobriam o rosto, incrivelmente, pequeno. O seu Ser paralisou de dor quando seus olhos lhe viram a expressão da essência da vida presa dentro do rosto. As lágrimas caíam abundantes por seu rosto brilhante e sedoso, parecendo que pequenas gotas de ouro davam mais beleza a seu rosto belo e limpo. Acarinhou a criatura frágil e sentiu que estava morta. Com suas delicadas e enormes mãos, virou-lhe o corpo e procurou o sinal seu, com que os haviam marcado para não se perderem um do outro. E, logo o Sol, projectou um raio de luz sobre a ave desenhada no fundo da espinha dorsal, desta frágil e horrenda criatura, transformando-a em luz pura neste corpo incrivelmente pequeno, pelo menos para a estatura de Taudus e de todo o seu mundo quinquidimensional .

- Laurema ... Laurema, em que estranho mundo vivias, e que forma tão insignificante te deram, amada minha, que nem eu, que à milénios te procuro e te amo, muito antes de nascermos, consegui reconhecer-te.

Não conseguia controlar a sua dor. E o guerreiro sem medo, que defrontava todos os inimigos da Verdade e da Justiça, já não parecia o mesmo. Estava prestes a revelar-se contra a sua própria essência, esquecendo a grande luta que ainda havia por defrontar. Mas Taudus não entendia, não só a morte de sua amada, como também seu pai eterno havia permitido o sofrimento dela, numa vivência tão diferente da sua. Tinha lutado pela essência... o que tinham feito para a proteger? Como os senhores da essência da vida permitiram que ela entrasse no mundo da matéria viva? Pois só podia ter sido aí que tinha vivido. Por isso nunca a tinha podido encontrar no mundo da essência.

Pegou-a nos braços, arrancou com raiva a sua espada de fogo e o seu escudo energético, e arremessou-os para longe. Seus amigos, silenciosos, seguiam-no sem ousar interferir na sua dor, pois sabiam que durante milénios ele a havia procurado por vários mundos e em várias formas de vida, mas que nunca ousara pensar que ela poderia estar perdida no ciclo eterno da matéria inteligente que era a maior prisão de todo o Cosmos, sem que os eternos senhores da vida a tivessem libertado das garras da matéria. Ele lutava contra os senhores de rostos velados, e a sua amada havia vivido no meio deles como um deles, sem poder fugir, sem ter a quem recorrer. Por isso sentia os seus apelos, sempre distantes e distorcidos. Tinha perdido o seu amor, pois era só dor o que ela poderia ter sentido. Como é que um ser hierárquico da essência da vida poderia ter entrado na roda do destino? Quanto deveria ter sofrido enquanto o procurava... quanto deveria ter chorado sem saber se eu existia, ao viver no mundo da ilusão.

Caminhava sobre a areia doirada, sem pensar em mais do que tinha sido o sofrimento dela, e ele sem poder lá estar para a proteger.

Taudus ouvia a sua companheira terna a chamá-lo docemente, e parou com o corpo inerte de Laurema junto de seu peito. Seu rosto, belo e sereno, estava desolado.

- Taudus, ela procurava-te quando a encontrei... gritava por ti... e foi o seu grito de amor e desespero que eu ouvi... mas cheguei tarde, guerreiro amado, e não consegui trazer-te a felicidade para que estavas predestinado. Ela amou-te sem te conhecer, sem te recordar, e enquanto agonizava nas minhas garras, ainda era em ti que ela pensava. As últimas palavras que a sua voz pronunciou foram: “Senhor, amo-te mesmo sem entender porque não vens”.

 

igual a mim mesma

eu, ficção, livros

 

publicado por lazulli às 14:41

Sábado, 29 de Setembro de 2007

Dois comentários


EscritoPorLazulli lazulli às 02:40
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