Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

... é a minha vez de dizer o que quero

 

 

... e já vou tarde

deuses

 

 

 

Águas minhas

percorrem o universo fechado e desaguam na alma parada

atirada às profundezas d'um mundo triste para sempre.

 

 

 

 

Não mais sorrisos a iluminar o rosto de laurema

não mais esperanças ofertadas por nada aos desesperados

não mais virtudes distribuídas no cansaço da mente gasta e ferida

não mais conforto a quem chora

não mais viagens na noite escura da mente

não mais riscos na travessia dos mundos

não mais interferência

não mais nada .

 

 

 

 

Olhos parados

atravessando o céu mudo

estáticos de acusação e desprezo por dor constante.

 

 

 

 

Não mais palavras erguendo ao alto quem duvida

não mais o mundo a entrar pelos olhos adentro

não mais recolher na alma o mundo deles

não mais sentir a turbulência do mundo

não mais mantê-lo atenta na indiferença

não mais sofrer a sua dor ficar com a única minha

morrer na vida mantendo-a para sempre

sofrer com ela e por ela

diluir a essência se necessário chegar a ser

mantê-la eternamente fechada

desafiando todos os poderes a roubarem-me de novo o já roubado.

 

 

 

Estou pronta à extinção

não esperáveis pois não?!

vós estais?!

morrei comigo agora na minha morte

onde está a vossa coragem?!

pensáveis ludibriar-me quebrando a promessa

roubando-me uma vez mais?!

não! vos digo eu! palavra de laurema

não quero mais o vosso mundo

não quero mais mundo nenhum

não viverei mais tempo algum

sois tão burros como os mortais

julgáveis poder mostrar-me apenas mostrar-me

e nada mais

também sou humana

eis o vosso perpetuo engano de mim

queria a minha alma intacta não a tendo mas sabendo

não preciso procurar mais em tempo algum o que encontrei

por isso me extingo

rejeitando todos os mundos e a própria essência de onde descendo

hei-de conseguir traí-la

mesmo que seja apenas deixando que se extinga em mim a própria essência

aí!!!!!!!!! desse modo os mundos serão deles

não haverá mais a esperança do eterno retorno

e não foi isso que fizestes ao dividir-me ao estilhaçar-me ao partir-me?!

eternamente incompleta

foi não foi?!

não sou vossa mártir

juntai-vos novamente aos mortais nos mundos deles ou daí mesmo

como quiserdes

é-me indiferente

nele está a minha parte

capaz como eu de sofrer de lutar e também de nunca se entender

porque julga-se coisa única e vê mal o seu "igual"

tereis mais sorte com ela do que comigo

em mim nunca deixou de habitar o Amor Maior.

 

 

 

Não espereis que eu aguarde ser encontrada

como sabeis sou consciente de mim e quero o meu fim

para começar não mais illuminat

arranjai-vos como melhor entenderdes

tanto me faz vida ou morte

matéria e essência ou a mistura para sempre

é-me indiferente

porque me extinguirei

juro que me extinguirei.

 

 

 

Até aqui atravessei o Tempo numa procura de mim

encontrei-me por aí

vivi chorei e morri

a partir daqui

atravessarei o mínimo de tempos possíveis apenas para me extinguir

plufff  ... desaparecer

oh! perde-se alguma coisa?!

a pura essência concentrada

já por tantas vidas por tantos tempos filtrada

que pena

que desperdício de vidas inúteis

de dores atrozes de vivências apressadas

para nada

humano é assim mesmo fazer o quê?!

ama o que mal lhe faz

prolonga-o até à eternidade

não é verdade?!

eu o quê?!

sou humana

tenho esses direitos todos

e por eles lutarei

ser coisa partida estilhaçada ser nada.

 

 

Mexei-vos em vez de ficardes a delegar nos mais frágeis tarefas tão gigantescas ainda por cima não lutando pela sua preservação.

 

 

Mais milhões de tempos?!

a sério? ! e eu?! não tinha o direito a estar completa?!

tinha que esperar? ! mais?!

os deuses são mais doidos que os mortais

mais idiotas

ainda mais filhos da mãe.

 

 

Será como vos digo

na minha vontade mando eu

lembrei-me de ti agora

lembras-te?!

paraste a minha metamorfose e mandas-te-me de regresso

perguntei-te porquê

perguntei-te se te tornaria a ver

o que me respondeste tu? lembras-te?! eu lembro-me!

que dependeria de...

 

 

Foi para isto?!

querias que eu visse a minha parte e não a pudesse integrar em mim?!

por isso vim sem querer depois de morrer?!

por isso me fizestes sofrer?!

preferia que me tivesses permitido um outro tempo

mesmo que nesse tempo eu nunca me encontrasse

mas fazer isto comigo ...

vedes?!

observais bem do alto onde vos encontrais o que está em mim?!

sereis vós que vos arrependereis

louca

louca sim porque me enganastes

porque me roubastes parte de mim

por isso morram todos para aí!

deuses e homens

eu assisto

de maldito privilégio das duas pertenças

das naturezas malditas

é a minha vez de ver a dor e nada fazer

a vossa

com os olhos da carne que me cobre

com o sentir profundo que me habita

e morrer nesta entrega comunhão

nos três sofrimentos

no Um que será

 

 

É a minha vez de ver as arrogantes criaturas a morder a própria língua

vê-los sangrar

como hoje a minha alma sangra de dor e incompreensão

e será no Tempo que assistirei à queda

nenhum músculo do meu rosto se vai mover

quando vos vir já não terei que interferir

vou assistir ao vosso pranto até saciar a minha alma dorida

verei o que digo

não vós ignaras criaturas filhos da mentira nada vos salvará

nem as rezas

nem os credos

muito menos os deuses

e então deus

esse nunca dará a cara que não tem

estão ocupados a salvar-se a si mesmos da grande guerra sem quartel

que grassa por cada partícula existente.

 

 

 

Dai-me o que me roubastes

dai-me o que é meu

completai o meu ser

devolvei-me o que está perdido

devolvei-me a mim mesma

não me deixeis sofrer mais

por vós e por vós e por vós ainda

por mim e finalmente por nós

o Um.

 

 

 

Não me façais rir à gargalhada sarcástica quando dizeis entender-me

nem os deuses me entendem quanto mais vós sórdidas criaturas

morreríeis se eu fosse

morreríeis se eu me mostrasse

sois uns tontos inúteis

em perdas de tempo inúteis

porque a verdade é a única coisa que não quereis

que não entendeis

que não suportaríeis

por isso pondes-vos a adivinhar

o meu eu pelo vosso

e me julgais

p'ra nada.

 

 

 

Pensais vós que eu não sei disso!

pensais vós que me enganais com palavras?!

tenho raiva quando penetro a vossa alma e engano os meus olhos para tolerar viver no meio de vós

procurava-me

agora não preciso me procurar mais

agora posso ser

também agora quero ficar parada a ver

a ver apaga-se a luz da sua alma nas águas presas

deste mundo não nosso

criatura do mundo

não teu

choro

morro

sem a verdade morro.

 

 

Odeio a minha natureza ó deuses!

vinde vós fazer o que tendes a fazer

não sou mais vossa protegida

não vos sou mais nada

olhai a dor que me sufoca ó fracos que me adoçais a alma com promessas vãs vinde vós tomar conta daquele que pretendeis ser vosso mundo

embrenhai-vos vós nele e contaminai vós mesmos as vossas intocáveis almas

a minha está morta e vós sabeis bem porquê

escusais de chorar

implorar

pedir perdão

não aguardo mais nada de vós e na metamorfose que me aguarda

eu mesma vos trairei entregando a minha mais pura essência intocável

ao vosso pior inimigo

aos gorquis

mentes

geradoras de matéria

criadores de mundos

onde continuaremos presos

para sempre

diluídos.

 

 

 

Assim vingarei o meu Amor Maior

o único

e o embrião partido

será sempre o incompleto

perdido

depois de achado

tudo acabado antes de iniciado

mas o Universo ressentir-se-á

faço questão

e na sua fúria

sacudirá do dorso tudo quanto ele contém

cego

o Universo cegará com esta dor que me sufoca a alma

depois de milhões e milhões de anos

vejo!

 

 

Sereis vós que gritareis a minha agonia pela quebra do pacto

não fui eu que não cumpri

fostes vós!


EscritoPorLazulli lazulli às 16:29
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