Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (2)

 

 

II

 

 

(continuação)

 

 

Caminhou lenta e desinteressadamente por entre a luxuriante vegetação, sem saber para onde ia, sempre acompanhada na sua silenciosa ida sem destino, por todos os elementos vivos que faziam questão de também silenciosamente, como que a respeitar os seus pesados pensamentos, condoídos com as expressões de seu rosto, que iam alternando consoante a memória lhe punha como que um flach mental no centro da testa, fazendo-a quase que visualizar todas as memórias que a preenchiam. Desde à realidade vivida ou assistida, como também às inúmeras "manifestações" de outros mundos que insistiram sempre em se fazer presentes, para que deles nunca tivesse dúvidas. Realmente dúvidas depois de tudo, nunca poderia ter. Mas tinha com certeza, depois de tudo, angústia e revolta por tanto que foi nada. Tudo acontecera. Tudo fora permitido. Tudo fora ignorado, por uns e outros. E nada depois de tudo, tinha impedido o que aconteceu.

Parava por segundos, acusando no seu íntimo aqueles que não se viam. Culpava-os a par dos homens, da tristeza de um mundo decadente. Ao lembrar-se do mundo de onde tinha fugido, perguntava-lhes em silêncio quantas almas ainda teriam que nascer, nestes e noutros mundos, até que a Verdade se revelasse? Quantos ainda teriam que viver vidas não suas, até que finalmente a luta tivesse um fim? Quantos tempos ainda esperavam manter? Para ela, que era coisa tão pequena, o suplício teria acabado para todos numa Guerra Aberta onde todos soubessem quem era quem. Tê-la-ia preferido, ao Sofrimento eterno a que todos estavam sujeitos.

Enquanto caminhava sobre pétalas aveludadas que lhe amaciavam os pés descalços e gotículas lançadas dos cursos de água prateada que circundavam todas as belas plantas de mil cores, como que a tentar desperta-la de tão maus pensamentos, não se sentia melhor do que antes, neste mundo inigualável. A dor permanecia imutável. Caminhava porque tinha pressa de encontrar todos aqueles que sabiam. Tinha pressa de lhes perguntar porquê. Porque se demoravam tanto? Na Terra de onde saíra, o sofrimento humano continuava. Os carrascos do homem continuavam vivos. Tinha pressa de chegar a qualquer lado. Tinha pressa de falar aquilo a que seus olhos assistiram e sua alma magoada absorvera. Mas onde estavam eles? Porque não actuavam? Porque insistiam em mantê-la viva? Porquê?

Se eram armas que precisavam. De que tipo? As criadas pelos homens com certeza não seriam. Essas só adiavam o ressurgir da matéria ao longo dos tempos e cada vez mais desenvolvida. Mais evoluída. Mais perfeita. Mas se existiam outras, porque não as utilizavam ou davam meios de utilização a toda a essência dispersa de modo a pelo menos terem a chance, mesmo no combate de viver ou morrer, de se libertaram para sempre? Não era isso que se fazia por toda a parte? - Ou seria o entendimento do homem, o que esperavam?

Uma coisa ou outra, chegavam tarde a tudo. E isto, ela mesma, não lhes perdoaria. Sempre estivera ao seu dispor. Quanto sacrifício. Quanta dor para nada. Apenas a certeza da sua incapacidade e impotência perante um mundo muito maior que ela. De que lhe tinha valido saber a verdade? De nada! Porque eles continuavam a pelejar em mundos que consideravam mais urgentes ou perigosos para a essência universal, tentando reconquistar o já perdido. Mas esqueceram-se exactamente daquele onde o Ente evolui para tudo menos para si próprio. Assim... nunca o retorno aconteceria. Com o seu descuido, criaram a maior força do universo. Era aqui que o perigo estava, não nos mundos já perdidos e ocupados pelos parasitas do universo, cada vez mais fortalecidos.


EscritoPorLazulli lazulli às 20:24
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