Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (1)



Segundo Capítulo

 

 

I

 

 

 


A água corria já a uns centímetros de si quando a olhou de perto e, seus lábios secos, gretados e sedentos, não tinham coragem de lhe tocar. Medo até que o sonho, o mais lindo sonho que tivera, se desfizesse ao mais leve contacto.

Foi aproximando lentamente a boca, da mais cristalina água que até ali seus olhos haviam visto e bebeu suavemente, até saciar a sede que a consumia por dentro.

Ficou dias e dias junto ao riacho, bebendo da sua água de delicados raios prateados que se reflectiam à superfície quando o sol a tocava e comendo de um fruto vermelho-vivo que nascia rente à terra e se espalhava delicadamente por entre um verde claro de uma vegetação luxuriante e aveludada, sem se decidir percorrer a Terra, onde acidentalmente tinha entrado.

Até esse momento, tinha-se ocupado, a rever na memória, todo um passado totalmente extinto, que tinha ficado para trás. Em cada minuto que ia passando, mais lhe parecia que nunca tinha existido nada antes, senão estes momentos. Nunca outra vida e outra Terra.

Os dias, eternos, iam-se sucedendo ininterruptos, como se a Natureza comunicasse entre si e soubesse conjugar as suas forças, tornando-as afáveis e duradoiras. Laços de amizade entrecruzavam-se imperceptivelmente, dando ao ar o papel de transmissor e receptor destas forças vivas, que parecem ter em si o “dom” da inteligência e da comunicação. O Sol, permanente, parecia querer brincar com os seus escassos cabelos, envolvendo-os numa auréola de luz que a deixava estupefacta. Mas recomeçava a sentir-se capaz de raciocinar e a perceber o que a cercava, não deixando mesmo assim, de sentir uma incompreensão crescente por este lugar. Não obstante tudo o que vira e sentira até ali, a verdade é que o enigma prevalecia. Onde estaria, ela? Num mundo só seu? Mas para que queria ela um mundo, que de uma forma ou de outra, é existência?! Parecia que os deuses, não mais tinham que lhe reservar um mundo, num lugar onde o seu espírito conturbado, pudesse ser isolado de todos os demais, pois que para além das borboletas e libélulas de asas aveludadas e rendilhadas, de gordas abelhas azuis e pretas, nem os mortos nem os vivos, ela era capaz de deslumbrar, aqui. O único ser vivo ali era ela, embora sentisse nitidamente dentro de si que esta não era verdade.

Toda a natureza parecia observar calmamente. Aguardar silenciosa a sua reconstituição física e mental, como se à espera que ela acordasse de um sono profundo, mas com esperança do seu regresso à vida. Por instantes, Mary ficava a olhar absorta as plantas que brincavam rente à terra, como se soubesse ser possível a qualquer momento, elas pegarem-na pela mão e conduzirem-na para qualquer lugar. Eram tão expressivas as plantas deste mundo estranho e enigmático, que quase lhes ouvia o sussurro entre si aquando de sua passagem por entre elas, como se acusando a sua chegada.


 

(continua)

ficção, livros

publicado por lazulli às 11:41

Setembro 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 00:08
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