CasaDeCristal, lazulli, eu, mary paz, humanidade escravizada, a grande mãe, 2006, 1990, poesia. livros
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

ave

 

 

 

Ave

nos céus

ferida

ensombrada

em sua própria sombra

setas

certeiras

fazem vacilar

seu voo alado

à muito

predestinado

por deuses

dos outros

desconhecidos.

 


Propósitos

ensombrados

deuses zangados

humanos em terra seca

fincam os pés

arqueiam as pernas

atiram firmes

e certeiros

palavras doces e amargas

ao troféu cobiçado

mas não desejado

não amado.

 


Caçam

o sagrado

desprezando

a queda que se avizinha

do alto dos céus

indiferentes

abandonam

a "presa" quase morta

que a pique

vai tombando

ferida

suspensa ainda

pelo éter

amigo

que embala

no seu colo

a ave

cada vez mais ferida

impedindo

a queda abrupta

no mundo desconhecido.

 


Adiado

fica

o voo alado

o sagrado

o desejado

a promessa

o incumprido

fica

mergulhado

num rio

esquecido

o Prometido.


Não sabe falar

a língua dos homens

a ave

exprimir

o seu sentir

sagrado

destinado

unicamente

ao sentido.

 


Não sabendo voar

nem tendo asas

os homens

não a querem alcançar

e sim feri-la

enganando-a

com as armas

mortíferas

com que nasceram

as do engano

do prazer

da mentira

da indiferença

e, dizem-se

orgulhosamente dignos

da sua vitória

do seu desprezo

pelo mais frágil

mais débil.

 


Mergulhados

no rio do esquecimento

do antes do agora e do depois

interpretam-na

de acordo

com os seus sentidos

atribuindo-os

à que já cega

pelo sangue

que de seus olhos

corre

morre devagar

na sua própria queda

em direcção

ao nada.

 


Abandonada

não abandona os seus propósitos

longínquos

não pode

não quer

não consegue

e morre

com eles

dentro de si

para sempre.

 

 

Esperança efémera

quimera impossível

abandonada desprezada

ignorada

por deuses e homens

senhores e escravos

entrega seu corpo à terra

e deixa-se

ir caindo

à espera

de nada

coisa nenhuma.

 


Vacilante

voa desequilibrada

sobre o nada

abandona seus propósitos

de ter

de proteger

de saber

de dar e receber

de amar

o impossível.

 


A pequena sombra que projecta

e se aproxima

dos homens

caçadores exímios

tarda

danificada

pela língua

não entendida

de mundos diferentes

com significados diferentes

por tão má interpretação

à sua tão indecifrável

linguagem

perde

o Prometido

encontrado

e perdido.

 


O rio

do esquecimento

corre

são lágrimas

que verte

lá do alto

enquanto vai caindo

chorando e sorrindo

por tão mau entendimento

entre os que caminham sobre a terra

e aqueles que têm asas

pequenas

e frágeis.

 


Lágrimas

que continuam a cair

no rio

enchendo

e florindo as margens

de flores

que não existem

são de mágoa

de dor

de culpa

por esperar

por aguardar

por procurar

por encontrar

e por perder

por morrer

por não querer acreditar

no impossível.

 


Desespero

por não se fazer entender

e deitar tudo a perder

na tentativa

de usar

a língua

que não é sua

nem deles

e sim

dos tradutores desconhecidos

maus copistas

deste mundo

sempre distante

e incompreensível.

 


Não existe um sentido

nas palavras

existe um sentido

para as palavras

vindo de longe

de pra lá do mundo

antes ainda

do Tempo e do Espaço

se formarem

de passarem a existir

se realizarem

e concretizarem.

 


Na alma ferida

perdida

desacreditada

continua

o nada

de si.

 


Asas

que projectam

à terra seca e árida

palavras sem poder

de um tempo esquecido

de um tempo

onde dois

eram unicamente

UM.

poema, poemas, poesia

 

publicado por lazulli às 00:40
Domingo, 9 de Setembro de 2007

EscritoPorLazulli lazulli às 13:53
| comentar
SonsDaAlma:
De arh- a 18 de Setembro de 2009 às 20:39
Estou estupefacta com tudo o que este poema me fez sentir. Sinto que subi um degrau neste preciso instante. Estou-te profundamente agradecida.


De lazulli a 20 de Setembro de 2009 às 01:14
E eu fico muito grata pelo teu comentário.

E acho que nem tenho palavras.

Este meu sentir ao teu comentário fica em mim como estes pequenos pontos da imagem de fundo, que tentam demonstrar o Universo.

Tem qualquer coisa de diferente. Não sei o quê. Mas acredito que a minha alma, saiba. Porque ficou como que num silêncio preenchido d'um som onde as palavras não são necessárias.

Permanece pelo tempo que quiseres.

Obrigada

(lazulli)


De arh- a 20 de Setembro de 2009 às 12:00
Um número são duas palavras: apenas as duas necessárias à existência de um abraço.
Da tua alma pouco poderei dizer que não limite a sua grandeza. Sendo assim, calo-me.
Continuarei a ler-te, lazulli...


De lazulli a 20 de Setembro de 2009 às 13:37
"Um número são duas palavras: ..."

De tanto Desejar Escutar por qualquer lado a Linguagem da Alma. A Verdadeira Linguagem Da Alma. Aquela que é Rica no Todo da Sua Pobreza Literária, fico, sentida ao Reconhecer Nas Tuas Palavras, Exactamente a Minha Língua.

Cada letra tua encerra um mundo e envolve-o em leve transparência. Eu devia ficar feliz com a Tua Aparição. Mas fico além de dentro das tuas letras. (e isto sim é bom) ... Trazes-me um pouco do meu mundo... preocupada. Tenho medo!


Mesmo assim, quando puderes, vem aqui. Por minha vez, eu tentarei também conhecer melhor, a Tua Alma. Conhecer não! não. Antes senti-la.

Arh- percebo que tenhas entendido a Essência das minhas Palavras. Do mundo da Essência .... muitos partiram para muito lado. Às vezes pode acontecer, que de um ou outro modo, as Essências Dispersas por Todo o Cosmos, se Toquem.

Mas, como pessoa humana, sou a criatura mais vulgar e insignificante deste mundo. E se pudesse ser mais ainda o era. Não sou nada de especial. E peço-te que acredites nestas minhas palavras. Porque são verdadeiras.

De mim, recebe .... um desejo imenso e profundo que o Universo te proteja sempre.

la<zulli


De arh- a 20 de Setembro de 2009 às 13:54
Gosto de ler o teu eu reflectido no meu :)


De lazulli a 21 de Setembro de 2009 às 01:00
... e eu, o teu no meu. :) :)


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