CasaDeCristal, lazulli, eu, mary paz, humanidade escravizada, a grande mãe, 2006, 1990, poesia. livros
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."


 

Canto II

 

 


“São lágrimas, meu senhor, são lágrimas.“

 

 

Lágrimas

 

dizeis vós

 

alma da minha alma

 

como podeis guardar lágrimas em vossas mãos

 

se vos amei

 

desde o raiar da Aurora

 

até ao descer do manto que cobre o mundo

 

não controlando a Vontade De Cronos

 

que persiste em manter em meu âmago

 

esta herança indesejada

 

que me não permite

 

libertar

 

a Alma amarga

 

que presa a Vós

 

tarda em sarar

 

a chaga aberta

 

que me consome

 

sempre em ferida

 

por minha cobardia.

 

 

Dizei-me vós


senhora das mãos de prata


a verdade

 

imploro-vos

 

sei que vos decepcionei

 

por minha honra

 

juro que eu não queria

 

não prolongueis mais

 

meu próprio castigo

 

minha agonia

 

não me transformeis

 

em mais negro

 

que o negro


ocultando-me a razão

 

que ocultais em vossas mãos

 

no vosso deambular

 

por jardins e afins

 

onde


gostaria

 

de não vos ver penar

 

carpindo

 

dores inexistentes

 

sem sentido.

 

Cessai vossas lágrimas

 

incrustadas em cristais

 

contra os quais praguejo

 

aço duro e frio

 

todos os dias

 

porque aqui vos encontrais

 

sem desejar

 

a vossa lembrança

 

que não quero minha

 

nunca mais.

 

 

Deixai-me ajudar-vos

 

à não derramação de mais lágrimas

 

por essência

 

que não é vossa

 

e sim minha

 

afastar-vos


de perigos eminentes

 

que enfrentais

 

por incúria minha.

 

 

 

Não me julgueis pérfido

 

ou leviano

 

incapaz de assumir suas próprias falhas

 

meu silêncio

 

e

 

ausência prolongada

 

é preceito meu

 

esconder-vos

 

quem sou

 

pr'a

 

não decepcionar-vos mais

 

retirar-vos

 

do lugar que não é vosso

 

afastar-vos

 

para sempre

 

de jardins alheios

 

onde só incomodais

 

meus canteiros

 

cheios de luz e cor

 

fantasia e amor

 

que nós mesmos criamos

 

e Vós não criais

 

com luz e cor

 

do mundo que nos trazeis

 

desconhecido

 

de amor.

 

 

 

Sim eu quis o Vosso mundo

 

amei-o por um instante de Tempo

 

mas

 

minha luz de sombras

 

é aquela

 

onde melhor estou

 

onde melhor me sinto

 

nela quero permanecer

 

não me desafieis

 

mais

 

e dizei-me de uma vez por todas

 

o que guardais.

 

 

 

Mesmo

 

após ter entregue a outra parte de mim

 

ao Demónio das mil sombras

 

mantive a vilígia

 

permanente

 

por horas e dias

 

sem fim

 

por isso

 

dizei-me a mim

 

só a mim

 

como nos tempos

 

do Tempo

 

em que só em mim confiáveis


o que escondeis em vossas sagradas mãos

 

de prata argêntea

 

que fere os sentidos

 

e a confiança

 

que em vós depositei

 

um dia.

 

 

 

Dizei-me

 

doce e amada senhora

 

ouvi-me

 

como nos dias


nas horas

 

nos meses e nos anos

 

em que fugi de vós

 

sem nada vos dizer

 

e me retirei para a minha Torre

 

de pedra fria

 

e do Alto distante

 

vos observo

 

todos os dias

 

tentando perceber o que escondeis

 

nas mãos que um dia beijei

 

aquelas

 

ainda gravadas

 

em meus lábios

 

secos

 

por mais nada vos dizer

 

por mais nada

 

querer saber

 

por mais nada esperar

 

congelando as mágoas

 

que eu mesmo avolumei

 

por em Vós

 

doce senhora

 

não querer acreditar

 

e contar-vos

 

a verdade

 

de mim.

 

 

Desesperais aquele que vos ama

 

desafiais

 

com vosso cântico sentido

 

a paciência de quem amais

 

em vosso silêncio e persistência

 

abri vossas mãos

 

agora

 

ordeno

 

que o façais.

 

 

 

 

"Senhora das mãos de prata":

 

 

Tranquilizai meu Senhor

 

vosso coração

 

retornai em paz

 

à vossa Torre lá no Alto

 

e permiti que eu aqui permaneça

 

em vossos jardins e afins

 

porque são apenas lágrimas

 

o que está guardado para sempre

 

eternamente

 

em minhas mãos

 

não as temais

 

porque nelas

 

está Toda a Verdade

 

zelarei

 

para que permaneça para sempre

 

guardada

 

dentro das mãos

 

fechadas

 

que tanto insistis

 

que abra.

 

 

 

Vos digo não

 

não posso

 

abrir minhas mãos

 

acreditai

 

meu senhor

 

que não o devo fazer

 

meu dever

 

é guardá-las comigo para sempre

 

as lágrimas

e

hermeticamente

 

fechadas em minhas mãos

 

fá-lo-ei

 

cumprirei a Promessa

 

feita ao Não/Tempo

 

antes do início

 

ter sido início

 

e antes do Tempo

 

ter sido Tempo

 

mesmo antes do Espaço

 

aparecer como Espaço

 

Espaço/Tempo

 

contra tudo e todos

 

as guardarei

 

mas a Vós senhor

 

e por Vós

 

não posso recusar um pedido

 

por isso vos peço eu

 

que em mim acrediteis

 

que, são mesmo lágrimas

 

Senhor

 

unicamente lágrimas

 

o que de Vós

 

escondo

e

esconderei.

 

 
penso: saudades do primeiro mundo
lágrimas, poema, poemas, poesia
publicado por lazulli às 21:14
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:11
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Humanidade Escravizada (XXVII)

 

XXVII

 

 
 
 
 

Parece-me a mim e só a mim, que, há mais ou menos mil anos atrás, as cruzadas nasceram para combater os hereges espalhados por toda a Europa e quase que em simultâneo as suas fogueiras para queimar vivo quem não aderisse às suas crenças judaico/romanas. Durante este período conturbado de horror, onde a espécie humana foi tratada com impiedade por algozes representantes da nova lei cristã que se viria a implantar pela força até aos nossos dias, também se roubavam terras, reinos e bens. Os templários (cruzados reformados) depois de ajudarem à implantação do cristianismo judaico/romano e à criação de novos reinos, tornaram-se incómodos para o poder papal e real indo acabar torturados, perseguidos e queimados nas fogueiras acesas por uma Europa inteira, acusados de heresia assim como o tinham sido os cátaros. Inexplicavelmente, depois de extinta, a Ordem do Templo parece ter continuado a existir ocultada por outros nomes e noutros reinos que continuaram a utilizá-la, se não no seu braço armado poderosíssimo, pelo menos nos conhecimentos que tinham. Curioso é que, ao mesmo tempo que decorriam as suas detenções com base em inúmeras acusações de heresia, uma das quais o facto de terem negado Cristo, morriam muitos templários nas prisões muçulmanas por não renegarem a fé cristã, apesar de no Ocidente serem acusados de ser islamitas disfarçados. Há algo muito mal esclarecido sobre estes senhores de mantos brancos assinalados com uma cruz vermelha. Até parece que para andarmos perdidos em conjecturas constantes e nunca conseguirmos ver, de facto, o que aconteceu nesse tempo, lhes tenham atribuído o ideal Cátaro, tornando confuso qual teria sido de facto o seu papel. O certo, mesmo, é que os cátaros desapareceram, mas os templários não. Quem não chegou a provar as hediondas fogueiras da Igreja Romana, foram os muçulmanos (infiéis) com os quais combatíamos. Vá-se lá entender isto! Não sendo cristãos, é deveras curioso, que só os tenham expulsado dos territórios que ocupavam, pelo menos na Península Ibérica, e não os tenham convertido, também pela força, ao seu sagrado cristianismo. Quando a Inquisição existiu para converter ou exterminar todo o não cristão, não se compreende porque é que os muçulmanos, não foram convertidos ou queimados vivos. Se não se obrigava os infiéis (não crentes em Deus) a ser católicos, a quem afinal se obrigava a ser católicos, na Europa, por essa altura?! Os fiéis (crentes em Deus/Deuses)? Ah! Igreja Romana, quanto escondes dos teus crimes. Com o pretexto que os Cátaros, eram inimigos de Deus, quando de facto eram inimigos da tua mentira descomunal, fizeste-os arder vivos nas tuas fogueiras acesas por toda a Europa, para te poder iluminar um mundo tão escuro que tu mesma criaste. Quando eu era pequena (ainda amante das tuas mentiras), confundindo o meu amor eterno com o Cristo que inventaste, fui instruída na tua catequese (que frequentei com ardor e convicção) que a oração “Pai Nosso” era a única oração que Cristo tinha deixado. Hoje sei ser isto mentira. Mais uma entre tantas e tantas outras. Esta oração, dita por Cristo ou não, é a oração dos cátaros. O seu Pater. O Pater cátaro:

 
 
 

 

 
 
 

“Pai Nosso que estais no céu, teu nome seja santificado. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no Céu. O pão super substancial nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis sucumbir à tentação; mas livra-nos do Mal. Pois a ti pertencem o reino, o poder e a glória, por todos os séculos.”

 
 
 

 

 
 
 

Claro que o facto de se substituir o termo super substancial ” por “quotidiano” continuará a não ter resposta de espécie alguma por parte dos tão sábios teólogos que pairam por todo o mundo. A fé continuará a ser mais do que suficiente para se ser salvo. E é isto que todos pretendem: ser salvos! Mas ser salvos de quê e de quem? E depois, quem precisa ser salvo? Só se for de todos vós, e não é com certeza com essa fé cega a que nos sujeitaram ao longo dos tempos, dizendo-nos que não precisávamos de pensar, que não tínhamos sido feitos para isso e sim para acatar sem ver, sem saber. Deverias ter dito assim: se pensares sabereis que nós vos mentimos descaradamente para poder manter o nosso nível de vida. O raciocínio que vos foi dado não foi para ser usado, mas sim para ser recalcado. Não foi o raciocínio dado a todos os filhos de Deus? Se Deus não queria que este fosse usado, porque dotou o Homem com o mesmo? Porque o reino dos céus será dos humilhados e dos oprimidos. Dá para pensar porque é que será que toda a casta sacerdotal de todos os tipos de religiões e as políticas poderosas que acompanham estas mesmas religiões por todo o mundo não temem este augúrio de Deus, não trocando a sua riqueza pela pobreza. Não se deixam humilhar e oprimir. Muito pelo contrário. Continuam a humilhar e a oprimir todos aqueles que não aderem aos seus costumes. Eu sei que todos eles dizem viver para os outros e até fazer voto de pobreza, castidade, obediência, etc. Mas que grande hipocrisia, não é assim que eles vivem! Não temem a penalização dos infernos com que atemorizam toda a gente. O inferno parece não ter sido feito para todos eles e sim para todos aqueles que não os escutarem. “Olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço”. Como são espertos estes donos do mundo, fazedores de leis e de religiões! Nos “seus” livros, base das religiões vigentes (um dos quais a Bíblia dos Ocidentais, e digo dos Ocidentais - embora que estes, já numa fase avançada do esquecimento voluntário ou forçado, das perdas das suas próprias raízes religiosas, que existiam, muito antes de aqui ter chegado o cristianismo, este sim, vindo do outro lado do mundo, precisamente, o do mundo, que supostamente combatíamos - pois, foram eles, que depois de aderirem a essa Nova Vaga Religiosa, trazida do Oriente e nunca nascida no Ocidente, se intitularam possuidores da religião verdadeira, embora eu continue sem entender a sua necessidade na vida dos seres humanos), a religião existiu e existe, para que o Homem passe de mau a bom. Mas não foi isto que aconteceu, muito pelo contrário. O Homem parece continuar no caminho da bestialidade, ultrapassando até nas suas atitudes qualquer besta existente, começando até por dar lugar à verdadeira besta; e as tão faladas bestas lá continuam iguais a si próprias, preocupando-se em manter a sua espécie de um modo muito mais sadio e agradável. Se foi para que o Homem fosse mais capaz de entender a vida que o cerca, cada vez está mais longe de a entender. Se é porque foi e é necessário acreditar em Deus, eu pergunto-me porquê e para quê, pois continuo a ver que todos os religiosos assumidos acreditam essencialmente é neles próprios, usando a religião como uma forma de poder espiritual sobre um outro, de modo a que este outro sirva sem se questionar qualquer tipo de Poder. O que eu vejo de utilidade nas religiões é pôr o ser humano mais estúpido e mais incapaz. As religiões sempre deram a uns Poder e a outros Submissão. Não têm servido para mais do que isto. Para o Homem se encontrar de verdade nunca serviu ela, pois já lá vão tantos e tantos anos em que as religiões existem e ainda o Homem não se encontrou de modo algum e, pelo andar das coisas, não se vai encontrar nunca. Só os bichos precisam de religião para se saberem comportar como gente, mas quem é verdadeiramente gente não precisa da religião para nada porque nasceu com ela. E se quer ter uma religião que tenha a sua, agindo sempre com a verdade do seu interior. Deste modo, não será tratado pelos religiosos como idiota e incapaz, como o tem vindo a ser até aos dias de hoje. Tratados como autênticos atrasados mentais que precisam de crer em todos aqueles que por “direito” especial concedido por este Deus estão capazes de governar todos os outros. Segundo a religião, como ser divino que é, o Homem devia ter capacidade para se governar a si próprio. Mas, para que isso nunca viesse a acontecer, foi necessário castrar-lhe o pensamento. De contrário, poderia vir a saber tanto quanto eles e, assim, todos estes pretensos iniciados ficariam sem os seus privilégios de governar toda uma Humanidade, criando Estados e Sociedades convenientes a si próprios, que lhes garantiria ao longo de todos os tempos um bem estar sem limites.

 


ensaio, homem, livros, portugal, religião

publicado por lazulli às 11:47
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 15:53
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

alma

 


fala alma

 

diz-me o que tens

 

conta-me a mim que de há muito


 

te vejo deambular com os olhos fixos num único ponto


procuras tu alguma coisa?!


vejo-te sempre com o mesmo ar

 

conta-me o que te faz olhar fixamente um único e mesmo ponto

 

em torno de mim.


 
 

escuta comigo o silêncio que me preenche


nele vês o tudo de mim


aqui guardo a minha alma eterna


eterna sim


não te surpreendas com esta eternidade só porque é eternidade


porque a imensidão da eternidade machuca mais ainda a alma ferida.

 

 

 

deixei de correr de tropeçar

 

e também de deambular aflita

 

pela terra inteira

 

acalmei os meus passos

 

e deixei que minha alma se voltasse a mover

 

ao som das minhas palavras.

 

(demimparamim )


pensamentos
publicado por lazulli às 09:00
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
comentários (1)

EscritoPorLazulli lazulli às 22:01
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Humanidade Escravizada (XXVI)

 


XXVI


 
 
 

É fácil fazer “desaparecer” da História da Humanidade um facto real, encobrindo-o para sempre. É tão simples quanto isto: Basta que em determinado momento da história se substitua um nome por outro nome. Dando dois pequeníssimos exemplos de como isto pode acontecer, é fácil percebermos como temos vindo a ser enganados ao longo dos tempos pelos detentores do Poder temporal e espiritual, que sempre apressados em registar a história dos homens, de acordo com os seus pontos de vista e dos seus interesses no momento, se vão esquecendo de “pequenos” pormenores que no futuro ficam de tal modo diluídos e ocultos, que até os privilegiados do saber académico têm dificuldade em provar da veracidade deste ou daquele facto.

 

Há 30 anos atrás, em Portugal, tínhamos uma ponte sobre o Tejo chamada “ponte de Oliveira Salazar”, cujo nome honrava o estadista português, António de Oliveira Salazar. Hoje temos a mesma ponte com o nome de “ponte 25 de Abril”, nome que assinala a revolução do 25 de Abril de 1974. Acontece que, se daqui a 500 anos este nome se mantiver e não for devidamente registado que o nome da ponte foi substituído por outro, explicando pormenorizadamente as razões que levaram a isso, qualquer um, que por algum motivo tente procurar onde está situada a ponte de Oliveira Salazar, não a vai encontrar, apesar de ela estar à vista de toda a gente (se ainda existir nessa altura, claro!) ou até o dito indivíduo se encontrar em cima dela no momento da sua busca.

 

Sobre a exacta localização do nosso espaço histórico/geográfico, os autores de todos os tempos têm sido férteis em propalar inexactidões fragmentárias e desconexas, viciadas, por vezes, de lendas e afirmações sem fundamento. A falta de documentação para uma história autêntica sobre o Concelho de Resende, por exemplo, que abranja todo o seu passado, leva-nos a equívocos muito grandes, quando em busca dos nossos antepassados nesse espaço geográfico, deparamos com dificuldades que nos impedem de continuar.

 

A falta de dados concretos com que nos deparamos, sobre as terras, os seus nomes e a sua verdadeira localização em determinado período da história, são de tal modo que, muitas das vezes damos a busca ao passado por encerrada, acreditando que é verdade, pelo menos no que diz respeito à genealogia de cada um, que é impossível andar mais para trás na procura de dados que nos dizem directamente respeito. Quando muito, se acreditamos que é verdade tudo quanto historicamente puseram ao nosso alcance, vamos até à 5ª geração e damos a busca por terminada. Só uma pessoa muito informada (que infelizmente não somos), céptica em relação à “verdade” histórica e determinada, persiste na busca, até encontrar o porquê da pessoa procurada se evaporar repentinamente, como por magia, como se nunca tivesse tão pouco existido. Isto acontece porque a procuramos, segundo os dados registados da última certidão de nascimento que possuímos, numa dada localidade, e a busca nessa mesma localidade mostra-nos que a pessoa nunca lá existiu. Só que se está escrito que ela lá nasceu ela tem que estar lá registada. Então porque não a encontro? É simples, a localidade em questão foi com certeza extinta, incorporada noutra, suprimida ou mesmo desmembrada noutras terras. Coisa que aconteceu por muitas vezes na história. Neste caso em particular das terras de Resende, o equívoco vem que, embora Aregos com a honra de Resende e S. Martinho de Mouros tivessem perdurado desde a Reconquista até aos tempos modernos, a legislação liberal do século passado tudo reformou e transformou, suprimindo honras, morgados, vínculos e um sem número de privilégios que vinham dos antepassados. Uma das grandes reformas liberais foi a criação dos distritos administrativos e das novas comarcas, seguindo-se, pouco depois, a redistribuição dos concelhos, com a supressão de muitos deles. Por esta razão, quando se procura uma pessoa duma destas localidades, corre-se o risco de não a encontrar porque a estamos a procurar no sitio errado. Por exemplo: Se estiver a procurar um antepassado que tenha nascido no concelho de Resende, na freguesia S. João de Fontoura, devo saber que, outrora, esta localidade não existia como freguesia, tanto no civil como no religioso e sim fazia parte integrante de S. Martinho de Mouros, e ir procurar a dita pessoa a S. Martinho de Mouros, onde me vou deparar com uma nova dificuldade: É que nos dados desta freguesia, só vão estar registados os dados das pessoas nascidas desde a data da formação desta mesma freguesia, que serão diferentes dos antigos. O mesmo se aplica ao julgado medieval de Aregos que foi extinto e incorporado no Concelho de Resende por decreto de 28 de Dezembro de 1840 e ao seu concelho que também é extinto e incorporado no de Resende por decreto de 24 de Outubro de 1855. Portanto, se quiser continuar com a investigação, vou ter que vasculhar com cuidado a história de toda aquela localidade.

 

Se os senhores historiadores soubessem o que andam a fazer, teriam mais cuidado e seriam mais precisos no registo da nossa história. Afinal, que diabo, por alguma razão não somos todos formados. Valha-nos a incompetência e incúria de muitos, para continuarmos ignorantes para sempre. Isto porque continuamos a querer acreditar que eles é que sabem. Bem, se sabem, não parece. Ou então sabem e entendem que nós não temos esse direito, guardando para a sua própria elite o conhecimento que deveria ser de todos.

 

Comparados com outros factos de encobrimento da verdade histórica, estes são exemplos mais do que simples do que tem acontecido ao longo dos séculos. Mas como não pretendo, de modo algum, reescrever a História e sim despertar no ser humano, pelo menos a curiosidade de saber se nos têm ou não mentido ao longo dos séculos, sugiro a quem estiver interessado fazer uma busca (que apesar de difícil, está ao alcance de quem quiser) à procura da verdade que nos escondem.

 


ensaio, livros, Portugal, religião

publicado por lazulli às 23:26
Sábado, 22 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 19:22
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alcateia das sombras

laivos de luz - rasgam-me a alma - como garras de lobos esfomeados - que em matilha - povoam as trevas do mundo.

 

mulher e a pomba-thumb.jpg

publicado por lazulli às 10:54
Quinta-feira, 20 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 18:47
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UmaEstranhaNumaTerraEstranha

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