Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."


 

Canto II

 

 


“São lágrimas, meu senhor, são lágrimas.“

 

 

Lágrimas

 

dizeis vós

 

alma da minha alma

 

como podeis guardar lágrimas em vossas mãos

 

se vos amei

 

desde o raiar da Aurora

 

até ao descer do manto que cobre o mundo

 

não controlando a Vontade De Cronos

 

que persiste em manter em meu âmago

 

esta herança indesejada

 

que me não permite

 

libertar

 

a Alma amarga

 

que presa a Vós

 

tarda em sarar

 

a chaga aberta

 

que me consome

 

sempre em ferida

 

por minha cobardia.

 

 

Dizei-me vós


senhora das mãos de prata


a verdade

 

imploro-vos

 

sei que vos decepcionei

 

por minha honra

 

juro que eu não queria

 

não prolongueis mais

 

meu próprio castigo

 

minha agonia

 

não me transformeis

 

em mais negro

 

que o negro


ocultando-me a razão

 

que ocultais em vossas mãos

 

no vosso deambular

 

por jardins e afins

 

onde


gostaria

 

de não vos ver penar

 

carpindo

 

dores inexistentes

 

sem sentido.

 

Cessai vossas lágrimas

 

incrustadas em cristais

 

contra os quais praguejo

 

aço duro e frio

 

todos os dias

 

porque aqui vos encontrais

 

sem desejar

 

a vossa lembrança

 

que não quero minha

 

nunca mais.

 

 

Deixai-me ajudar-vos

 

à não derramação de mais lágrimas

 

por essência

 

que não é vossa

 

e sim minha

 

afastar-vos


de perigos eminentes

 

que enfrentais

 

por incúria minha.

 

 

 

Não me julgueis pérfido

 

ou leviano

 

incapaz de assumir suas próprias falhas

 

meu silêncio

 

e

 

ausência prolongada

 

é preceito meu

 

esconder-vos

 

quem sou

 

pr'a

 

não decepcionar-vos mais

 

retirar-vos

 

do lugar que não é vosso

 

afastar-vos

 

para sempre

 

de jardins alheios

 

onde só incomodais

 

meus canteiros

 

cheios de luz e cor

 

fantasia e amor

 

que nós mesmos criamos

 

e Vós não criais

 

com luz e cor

 

do mundo que nos trazeis

 

desconhecido

 

de amor.

 

 

 

Sim eu quis o Vosso mundo

 

amei-o por um instante de Tempo

 

mas

 

minha luz de sombras

 

é aquela

 

onde melhor estou

 

onde melhor me sinto

 

nela quero permanecer

 

não me desafieis

 

mais

 

e dizei-me de uma vez por todas

 

o que guardais.

 

 

 

Mesmo

 

após ter entregue a outra parte de mim

 

ao Demónio das mil sombras

 

mantive a vilígia

 

permanente

 

por horas e dias

 

sem fim

 

por isso

 

dizei-me a mim

 

só a mim

 

como nos tempos

 

do Tempo

 

em que só em mim confiáveis


o que escondeis em vossas sagradas mãos

 

de prata argêntea

 

que fere os sentidos

 

e a confiança

 

que em vós depositei

 

um dia.

 

 

 

Dizei-me

 

doce e amada senhora

 

ouvi-me

 

como nos dias


nas horas

 

nos meses e nos anos

 

em que fugi de vós

 

sem nada vos dizer

 

e me retirei para a minha Torre

 

de pedra fria

 

e do Alto distante

 

vos observo

 

todos os dias

 

tentando perceber o que escondeis

 

nas mãos que um dia beijei

 

aquelas

 

ainda gravadas

 

em meus lábios

 

secos

 

por mais nada vos dizer

 

por mais nada

 

querer saber

 

por mais nada esperar

 

congelando as mágoas

 

que eu mesmo avolumei

 

por em Vós

 

doce senhora

 

não querer acreditar

 

e contar-vos

 

a verdade

 

de mim.

 

 

Desesperais aquele que vos ama

 

desafiais

 

com vosso cântico sentido

 

a paciência de quem amais

 

em vosso silêncio e persistência

 

abri vossas mãos

 

agora

 

ordeno

 

que o façais.

 

 

 

 

"Senhora das mãos de prata":

 

 

Tranquilizai meu Senhor

 

vosso coração

 

retornai em paz

 

à vossa Torre lá no Alto

 

e permiti que eu aqui permaneça

 

em vossos jardins e afins

 

porque são apenas lágrimas

 

o que está guardado para sempre

 

eternamente

 

em minhas mãos

 

não as temais

 

porque nelas

 

está Toda a Verdade

 

zelarei

 

para que permaneça para sempre

 

guardada

 

dentro das mãos

 

fechadas

 

que tanto insistis

 

que abra.

 

 

 

Vos digo não

 

não posso

 

abrir minhas mãos

 

acreditai

 

meu senhor

 

que não o devo fazer

 

meu dever

 

é guardá-las comigo para sempre

 

as lágrimas

e

hermeticamente

 

fechadas em minhas mãos

 

fá-lo-ei

 

cumprirei a Promessa

 

feita ao Não/Tempo

 

antes do início

 

ter sido início

 

e antes do Tempo

 

ter sido Tempo

 

mesmo antes do Espaço

 

aparecer como Espaço

 

Espaço/Tempo

 

contra tudo e todos

 

as guardarei

 

mas a Vós senhor

 

e por Vós

 

não posso recusar um pedido

 

por isso vos peço eu

 

que em mim acrediteis

 

que, são mesmo lágrimas

 

Senhor

 

unicamente lágrimas

 

o que de Vós

 

escondo

e

esconderei.

 

 
penso: saudades do primeiro mundo
lágrimas, poema, poemas, poesia
publicado por lazulli às 21:14
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:11
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Humanidade Escravizada (XXVII)

 

XXVII

 

 
 
 
 

Parece-me a mim e só a mim, que, há mais ou menos mil anos atrás, as cruzadas nasceram para combater os hereges espalhados por toda a Europa e quase que em simultâneo as suas fogueiras para queimar vivo quem não aderisse às suas crenças judaico/romanas. Durante este período conturbado de horror, onde a espécie humana foi tratada com impiedade por algozes representantes da nova lei cristã que se viria a implantar pela força até aos nossos dias, também se roubavam terras, reinos e bens. Os templários (cruzados reformados) depois de ajudarem à implantação do cristianismo judaico/romano e à criação de novos reinos, tornaram-se incómodos para o poder papal e real indo acabar torturados, perseguidos e queimados nas fogueiras acesas por uma Europa inteira, acusados de heresia assim como o tinham sido os cátaros. Inexplicavelmente, depois de extinta, a Ordem do Templo parece ter continuado a existir ocultada por outros nomes e noutros reinos que continuaram a utilizá-la, se não no seu braço armado poderosíssimo, pelo menos nos conhecimentos que tinham. Curioso é que, ao mesmo tempo que decorriam as suas detenções com base em inúmeras acusações de heresia, uma das quais o facto de terem negado Cristo, morriam muitos templários nas prisões muçulmanas por não renegarem a fé cristã, apesar de no Ocidente serem acusados de ser islamitas disfarçados. Há algo muito mal esclarecido sobre estes senhores de mantos brancos assinalados com uma cruz vermelha. Até parece que para andarmos perdidos em conjecturas constantes e nunca conseguirmos ver, de facto, o que aconteceu nesse tempo, lhes tenham atribuído o ideal Cátaro, tornando confuso qual teria sido de facto o seu papel. O certo, mesmo, é que os cátaros desapareceram, mas os templários não. Quem não chegou a provar as hediondas fogueiras da Igreja Romana, foram os muçulmanos (infiéis) com os quais combatíamos. Vá-se lá entender isto! Não sendo cristãos, é deveras curioso, que só os tenham expulsado dos territórios que ocupavam, pelo menos na Península Ibérica, e não os tenham convertido, também pela força, ao seu sagrado cristianismo. Quando a Inquisição existiu para converter ou exterminar todo o não cristão, não se compreende porque é que os muçulmanos, não foram convertidos ou queimados vivos. Se não se obrigava os infiéis (não crentes em Deus) a ser católicos, a quem afinal se obrigava a ser católicos, na Europa, por essa altura?! Os fiéis (crentes em Deus/Deuses)? Ah! Igreja Romana, quanto escondes dos teus crimes. Com o pretexto que os Cátaros, eram inimigos de Deus, quando de facto eram inimigos da tua mentira descomunal, fizeste-os arder vivos nas tuas fogueiras acesas por toda a Europa, para te poder iluminar um mundo tão escuro que tu mesma criaste. Quando eu era pequena (ainda amante das tuas mentiras), confundindo o meu amor eterno com o Cristo que inventaste, fui instruída na tua catequese (que frequentei com ardor e convicção) que a oração “Pai Nosso” era a única oração que Cristo tinha deixado. Hoje sei ser isto mentira. Mais uma entre tantas e tantas outras. Esta oração, dita por Cristo ou não, é a oração dos cátaros. O seu Pater. O Pater cátaro:

 
 
 

 

 
 
 

“Pai Nosso que estais no céu, teu nome seja santificado. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no Céu. O pão super substancial nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis sucumbir à tentação; mas livra-nos do Mal. Pois a ti pertencem o reino, o poder e a glória, por todos os séculos.”

 
 
 

 

 
 
 

Claro que o facto de se substituir o termo super substancial ” por “quotidiano” continuará a não ter resposta de espécie alguma por parte dos tão sábios teólogos que pairam por todo o mundo. A fé continuará a ser mais do que suficiente para se ser salvo. E é isto que todos pretendem: ser salvos! Mas ser salvos de quê e de quem? E depois, quem precisa ser salvo? Só se for de todos vós, e não é com certeza com essa fé cega a que nos sujeitaram ao longo dos tempos, dizendo-nos que não precisávamos de pensar, que não tínhamos sido feitos para isso e sim para acatar sem ver, sem saber. Deverias ter dito assim: se pensares sabereis que nós vos mentimos descaradamente para poder manter o nosso nível de vida. O raciocínio que vos foi dado não foi para ser usado, mas sim para ser recalcado. Não foi o raciocínio dado a todos os filhos de Deus? Se Deus não queria que este fosse usado, porque dotou o Homem com o mesmo? Porque o reino dos céus será dos humilhados e dos oprimidos. Dá para pensar porque é que será que toda a casta sacerdotal de todos os tipos de religiões e as políticas poderosas que acompanham estas mesmas religiões por todo o mundo não temem este augúrio de Deus, não trocando a sua riqueza pela pobreza. Não se deixam humilhar e oprimir. Muito pelo contrário. Continuam a humilhar e a oprimir todos aqueles que não aderem aos seus costumes. Eu sei que todos eles dizem viver para os outros e até fazer voto de pobreza, castidade, obediência, etc. Mas que grande hipocrisia, não é assim que eles vivem! Não temem a penalização dos infernos com que atemorizam toda a gente. O inferno parece não ter sido feito para todos eles e sim para todos aqueles que não os escutarem. “Olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço”. Como são espertos estes donos do mundo, fazedores de leis e de religiões! Nos “seus” livros, base das religiões vigentes (um dos quais a Bíblia dos Ocidentais, e digo dos Ocidentais - embora que estes, já numa fase avançada do esquecimento voluntário ou forçado, das perdas das suas próprias raízes religiosas, que existiam, muito antes de aqui ter chegado o cristianismo, este sim, vindo do outro lado do mundo, precisamente, o do mundo, que supostamente combatíamos - pois, foram eles, que depois de aderirem a essa Nova Vaga Religiosa, trazida do Oriente e nunca nascida no Ocidente, se intitularam possuidores da religião verdadeira, embora eu continue sem entender a sua necessidade na vida dos seres humanos), a religião existiu e existe, para que o Homem passe de mau a bom. Mas não foi isto que aconteceu, muito pelo contrário. O Homem parece continuar no caminho da bestialidade, ultrapassando até nas suas atitudes qualquer besta existente, começando até por dar lugar à verdadeira besta; e as tão faladas bestas lá continuam iguais a si próprias, preocupando-se em manter a sua espécie de um modo muito mais sadio e agradável. Se foi para que o Homem fosse mais capaz de entender a vida que o cerca, cada vez está mais longe de a entender. Se é porque foi e é necessário acreditar em Deus, eu pergunto-me porquê e para quê, pois continuo a ver que todos os religiosos assumidos acreditam essencialmente é neles próprios, usando a religião como uma forma de poder espiritual sobre um outro, de modo a que este outro sirva sem se questionar qualquer tipo de Poder. O que eu vejo de utilidade nas religiões é pôr o ser humano mais estúpido e mais incapaz. As religiões sempre deram a uns Poder e a outros Submissão. Não têm servido para mais do que isto. Para o Homem se encontrar de verdade nunca serviu ela, pois já lá vão tantos e tantos anos em que as religiões existem e ainda o Homem não se encontrou de modo algum e, pelo andar das coisas, não se vai encontrar nunca. Só os bichos precisam de religião para se saberem comportar como gente, mas quem é verdadeiramente gente não precisa da religião para nada porque nasceu com ela. E se quer ter uma religião que tenha a sua, agindo sempre com a verdade do seu interior. Deste modo, não será tratado pelos religiosos como idiota e incapaz, como o tem vindo a ser até aos dias de hoje. Tratados como autênticos atrasados mentais que precisam de crer em todos aqueles que por “direito” especial concedido por este Deus estão capazes de governar todos os outros. Segundo a religião, como ser divino que é, o Homem devia ter capacidade para se governar a si próprio. Mas, para que isso nunca viesse a acontecer, foi necessário castrar-lhe o pensamento. De contrário, poderia vir a saber tanto quanto eles e, assim, todos estes pretensos iniciados ficariam sem os seus privilégios de governar toda uma Humanidade, criando Estados e Sociedades convenientes a si próprios, que lhes garantiria ao longo de todos os tempos um bem estar sem limites.

 


ensaio, homem, livros, portugal, religião

publicado por lazulli às 11:47
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 15:53
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

alma

 


fala alma

 

diz-me o que tens

 

conta-me a mim que de há muito


 

te vejo deambular com os olhos fixos num único ponto


procuras tu alguma coisa?!


vejo-te sempre com o mesmo ar

 

conta-me o que te faz olhar fixamente um único e mesmo ponto

 

em torno de mim.


 
 

escuta comigo o silêncio que me preenche


nele vês o tudo de mim


aqui guardo a minha alma eterna


eterna sim


não te surpreendas com esta eternidade só porque é eternidade


porque a imensidão da eternidade machuca mais ainda a alma ferida.

 

 

 

deixei de correr de tropeçar

 

e também de deambular aflita

 

pela terra inteira

 

acalmei os meus passos

 

e deixei que minha alma se voltasse a mover

 

ao som das minhas palavras.

 

(demimparamim )


pensamentos
publicado por lazulli às 09:00
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
comentários (1)

EscritoPorLazulli lazulli às 22:01
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Humanidade Escravizada (XXVI)

 


XXVI


 
 
 

É fácil fazer “desaparecer” da História da Humanidade um facto real, encobrindo-o para sempre. É tão simples quanto isto: Basta que em determinado momento da história se substitua um nome por outro nome. Dando dois pequeníssimos exemplos de como isto pode acontecer, é fácil percebermos como temos vindo a ser enganados ao longo dos tempos pelos detentores do Poder temporal e espiritual, que sempre apressados em registar a história dos homens, de acordo com os seus pontos de vista e dos seus interesses no momento, se vão esquecendo de “pequenos” pormenores que no futuro ficam de tal modo diluídos e ocultos, que até os privilegiados do saber académico têm dificuldade em provar da veracidade deste ou daquele facto.

 

Há 30 anos atrás, em Portugal, tínhamos uma ponte sobre o Tejo chamada “ponte de Oliveira Salazar”, cujo nome honrava o estadista português, António de Oliveira Salazar. Hoje temos a mesma ponte com o nome de “ponte 25 de Abril”, nome que assinala a revolução do 25 de Abril de 1974. Acontece que, se daqui a 500 anos este nome se mantiver e não for devidamente registado que o nome da ponte foi substituído por outro, explicando pormenorizadamente as razões que levaram a isso, qualquer um, que por algum motivo tente procurar onde está situada a ponte de Oliveira Salazar, não a vai encontrar, apesar de ela estar à vista de toda a gente (se ainda existir nessa altura, claro!) ou até o dito indivíduo se encontrar em cima dela no momento da sua busca.

 

Sobre a exacta localização do nosso espaço histórico/geográfico, os autores de todos os tempos têm sido férteis em propalar inexactidões fragmentárias e desconexas, viciadas, por vezes, de lendas e afirmações sem fundamento. A falta de documentação para uma história autêntica sobre o Concelho de Resende, por exemplo, que abranja todo o seu passado, leva-nos a equívocos muito grandes, quando em busca dos nossos antepassados nesse espaço geográfico, deparamos com dificuldades que nos impedem de continuar.

 

A falta de dados concretos com que nos deparamos, sobre as terras, os seus nomes e a sua verdadeira localização em determinado período da história, são de tal modo que, muitas das vezes damos a busca ao passado por encerrada, acreditando que é verdade, pelo menos no que diz respeito à genealogia de cada um, que é impossível andar mais para trás na procura de dados que nos dizem directamente respeito. Quando muito, se acreditamos que é verdade tudo quanto historicamente puseram ao nosso alcance, vamos até à 5ª geração e damos a busca por terminada. Só uma pessoa muito informada (que infelizmente não somos), céptica em relação à “verdade” histórica e determinada, persiste na busca, até encontrar o porquê da pessoa procurada se evaporar repentinamente, como por magia, como se nunca tivesse tão pouco existido. Isto acontece porque a procuramos, segundo os dados registados da última certidão de nascimento que possuímos, numa dada localidade, e a busca nessa mesma localidade mostra-nos que a pessoa nunca lá existiu. Só que se está escrito que ela lá nasceu ela tem que estar lá registada. Então porque não a encontro? É simples, a localidade em questão foi com certeza extinta, incorporada noutra, suprimida ou mesmo desmembrada noutras terras. Coisa que aconteceu por muitas vezes na história. Neste caso em particular das terras de Resende, o equívoco vem que, embora Aregos com a honra de Resende e S. Martinho de Mouros tivessem perdurado desde a Reconquista até aos tempos modernos, a legislação liberal do século passado tudo reformou e transformou, suprimindo honras, morgados, vínculos e um sem número de privilégios que vinham dos antepassados. Uma das grandes reformas liberais foi a criação dos distritos administrativos e das novas comarcas, seguindo-se, pouco depois, a redistribuição dos concelhos, com a supressão de muitos deles. Por esta razão, quando se procura uma pessoa duma destas localidades, corre-se o risco de não a encontrar porque a estamos a procurar no sitio errado. Por exemplo: Se estiver a procurar um antepassado que tenha nascido no concelho de Resende, na freguesia S. João de Fontoura, devo saber que, outrora, esta localidade não existia como freguesia, tanto no civil como no religioso e sim fazia parte integrante de S. Martinho de Mouros, e ir procurar a dita pessoa a S. Martinho de Mouros, onde me vou deparar com uma nova dificuldade: É que nos dados desta freguesia, só vão estar registados os dados das pessoas nascidas desde a data da formação desta mesma freguesia, que serão diferentes dos antigos. O mesmo se aplica ao julgado medieval de Aregos que foi extinto e incorporado no Concelho de Resende por decreto de 28 de Dezembro de 1840 e ao seu concelho que também é extinto e incorporado no de Resende por decreto de 24 de Outubro de 1855. Portanto, se quiser continuar com a investigação, vou ter que vasculhar com cuidado a história de toda aquela localidade.

 

Se os senhores historiadores soubessem o que andam a fazer, teriam mais cuidado e seriam mais precisos no registo da nossa história. Afinal, que diabo, por alguma razão não somos todos formados. Valha-nos a incompetência e incúria de muitos, para continuarmos ignorantes para sempre. Isto porque continuamos a querer acreditar que eles é que sabem. Bem, se sabem, não parece. Ou então sabem e entendem que nós não temos esse direito, guardando para a sua própria elite o conhecimento que deveria ser de todos.

 

Comparados com outros factos de encobrimento da verdade histórica, estes são exemplos mais do que simples do que tem acontecido ao longo dos séculos. Mas como não pretendo, de modo algum, reescrever a História e sim despertar no ser humano, pelo menos a curiosidade de saber se nos têm ou não mentido ao longo dos séculos, sugiro a quem estiver interessado fazer uma busca (que apesar de difícil, está ao alcance de quem quiser) à procura da verdade que nos escondem.

 


ensaio, livros, Portugal, religião

publicado por lazulli às 23:26
Sábado, 22 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 19:22
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alcateia das sombras

laivos de luz - rasgam-me a alma - como garras de lobos esfomeados - que em matilha - povoam as trevas do mundo.

 

mulher e a pomba-thumb.jpg

publicado por lazulli às 10:54
Quinta-feira, 20 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 18:47
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Dissertação Filosófica

 

Ave.JPG

                          

 

 

 

 

 

 

 

 

... há procura de mim (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era ainda muito pequena, pelo menos o corpo que a cobria, era-o. Ainda não tinha a força do desenvolvimento, mas já caminhava, já falava, já pensava e já sentia. E o que sentia esta criança planetária? Vivia entre dois mundos, no mínimo. Poucos eram os instantes de tempo que descia vertiginosamente a este mundo concreto e o olhava e via. O resto do tempo, não tinha memória. Pura e simplesmente, não existia. Não era. Simplesmente, não era. E assim foi, por muito e longo tempo. Eram tão escassos estes momentos reais, que traz na memória, que os pensamentos deste tempo passado, continuam a ser presente, mas não sabe se serão futuro.

Uma das vezes, a criança, que não tinha mais de 5 anos; do fim de uns poucos degraus de escadas de pedra nua, que davam acesso à casa onde morava - hoje, disso tem consciência, porque por essa altura, a criança, é como se tivesse acordado ali mesmo, naquele instante, assim, sem mais nem menos. O primeiro pensamento. O primeiro sentir. A primeira interrogação. A primeira surpresa. E, também, a primeira certeza de si. Da diferença. E, até, da superioridade inferior, como se, de certo modo, os papéis estivessem invertidos; viu uma mulher ainda jovem que a olhava e sorria, carinhosamente. A criança, parada, fitava-a com complacência e devolvia o sorriso à sorridente e confiante senhora, que não sabia quem era ou o que era e que via pela primeira vez. Pelo menos, foi aí, naquele exacto instante, que teve consciência da sua existência. Nesse momento não sabia o que era uma mulher, uma jovem, nem tão pouco um ser humano e muito menos o que era uma mãe. E foi esta não consciência de mãe, por essa altura, que mais tarde a fez pensar, porque não teria ela tido o sentimento igual à das outras crianças, pois se até um simples bebé reconhece a voz e o rosto do "leito" materno?! Num pedestal mental inimaginável para tão pequena criatura, observava, tranquilamente, parecendo estar mais, a fazer um sereno reconhecimento do momento, do que ter qualquer espécie de sentimento ou outra coisa qualquer, como se fora uma pequena divindade, acabada de despertar, mas que de certo modo, saberia o que iria encontrar. Só tinha que apreender e aceitar. Esquisito. Estranho, o pensamento (se se pode chamar de pensamento) desta pequena e serena criatura, enquanto observava, a jovem senhora.
Só muito mais tarde, a criança percebeu a importância e o insólito deste instante solto no tempo.

Daí, "cruzando-o" com diversos factores, comparando-o com outras emoções reais, analisou. Agora, com a capacidade de raciocínio inerente a um ser, verdadeiramente, pensante. Achava estranha, aquela criança. Ela mesma se interrogava, sobre a sua natureza. Isto quando, lhe ia sendo permitido momentos raros de lucidez, lúcida! Pois, não foram sempre lá muito frequentes. Porque aquela apática não existência, daquela primeira vez, estava muitas vezes presente.

E, assim, olhou à distância esse momento e registou-o, por ela mesma, hoje pessoa, entender que foi o primeiro momento, em que acordou para a vida! Se bem que por essa altura, lhe fosse completamente inexistente.

 

Reconhecia na dita senhora, quem quer que esta fosse, que esta gostava dela e parecia conhece-la. Mas ela, a criança, não a reconheceu ou conheceu. Sabia que ela estava ali para tomar conta dela e, o seu pequeno pensamento, foi de lamento por tão grande fardo, mas confiante e nada perturbada, observava-a e, por um instante, chegou até... lembra-se perfeitamente... de ter tido pena dela, mas que, um dia... ela seria recompensada, só que não sabia. Mas a pequena criança, sabia. Sempre sabia o que não sabia. E isso reconfortava-a, já ali. Mas... pena?! Aqui, em "bom português" é que a "porca torce o rabo". Pena?! Pena de quê?! Foi um Deus que nos acuda quando teve consciência disso mesmo! Porquê e qual a razão, pela qual a criança teria tido pena da mulher?! Há distância... não via porquê, tal "sentimento". Mas ele existiu! Como existiu! Daí foi querer entender da Vida. Dos seus porquês. De Tudo quanto o mundo continha. Queria saber de si. E... foi em procura de si mesma. E... soube! Soube porquê! A única coisa que não soube naquele momento, foi o que era uma mãe. Deveria, sabê-lo?! Talvez na tenra idade seja normal uma criança não reconhecer a própria mãe. Talvez. Mas não foi isso que aprendeu no decorrer da vida. Até porque, aconteceram algumas outras raríssimas, situações semelhantes, ao longo de todo o percurso. Uma delas com o próprio irmão, que por mais que a um metro de si, quase lhe gritasse para ela o ouvir, ela continuava estagnada em frente a ele, sem entender quem era ele. ou o que era ele. Aí, lembra-se que confusa, tentava desesperadamente perceber o que lhe estava a acontecer. Mas, assim como a longínqua criança, ligava-se ou desligava-se ou lá o que fosse, sem que ela disso tivesse qualquer tipo de consciência. Isso valia-lhe uma reprimenda, muitas vezes, pelas suas "estranhas" brincadeiras. Nunca esclareceu. Nunca justificou. Em silêncio, retornava à realidade, normalmente, e não ligava para o assunto, como se de algum modo soubesse, o porquê de tudo isso. Dizer que a criança lá do tempo ido, ficou de algum modo traumatizada com este seu primeiro despertar, não corresponde à verdade, porque a criança dessa altura, na sua não sabedoria, sabia muito mais do que a criança de hoje. Porque no nada do seu saber, estava tudo quanto ela necessitava saber. Porque o que a criança hoje sabia, as coisas necessárias e não necessárias, aquelas que se perderão no tempo, delas nunca teve tanta necessidade assim. Aquelas que se esfumarão sem relevância nenhuma. E o único conhecimento que se manterá perpetuo, é aquilo que veio consigo. O imutável saber do Nada. Aquele que ela ama verdadeiramente. Aquele porque luta, com todas as forças, para nunca lhe ser roubado. E ela vencerá sobre todas as coisas. Defrontará todas as coisas, para levar incólume o seu pequeno entendimento. Aquele daquela criança que tanto a perturbou, no decorrer do tempo, como a fascinou. Aquela que ela protegerá sempre, à falta de protector à altura. Aquela que não precisava do entendimento das coisas. Era. Pura e simplesmente, era. E... continua a ser. Depois... sempre viveu, naquilo a que ela chamava de... o seu mundo. Mundo que foi conhecendo lentamente. E... conhecendo-o, amou-o ainda mais e percebeu os porquês das coisas. Os meandros do que se move. O infinito labirinto, onde tudo navega preso. Onde as memórias se perdem. Sempre. Se misturam. Se cruzam. Enfim, um manancial assustador de poder infinito. E... foi-se cada vez mais, afastando deste, preservando a única coisa que valia a pena preservar. Assim, solitária, permanecia só na sua própria aparência. E não reconhecia as leis e os conceitos, que não eram seus, desde o dia em que despertou. Cumpre a mais difícil tarefa: Nunca deixar de ser nada, num mundo cheio de tudo.

 

divagações

publicado por lazulli às 00:48
Terça-feira, 18 de Março de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 00:37
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Poema Ao Meu Pai

 

Pai

 

 

meu pai o Celta

 

 

Jazes em terra fria

 

ou melhor

 

em terra quente

 

mas não era aí

 

que eu te queria

 

era aqui

 

com a tua gente

 

mas foi para aí

 

que a indiferença dos homens te levou

 

para longe do teu solo

 

da tua pátria

 

e aí ficarás sepultado para sempre

 

quando eu daqui

 

do outro lado do mundo

 

com o mar a impedir o meu andar

 

chamo por ti.

 

 

 

Amar-te-ei para sempre, pai.

 

E não te esquecerei

 

Até ao Dia em que nos reencontremos

 

Porque no Nosso caso

 

Eu sei que a possibilidade é real

 

Mas fazes-me falta

 

O teu amor faz-me falta

 

Amo-te.

 

 

 

 

Dois símbolos que te representam, pai. Não tendo comigo uma das ruas obras de arte, que muito bem cinzelavas, quando eu era criança, ficando junto de ti a admirar-te, encontrei esta, que pela sua semelhança, bem que poderia ser uma das tuas realizações. Não sei. Infelizmente não sei. Mas aqui, fica registada a Tua Memória, o Teu valor e o meu amor por ti. Sempre tive orgulho de ti e da tua arte. Continuas vivo em mim.

Tua filha, amada. Obrigada por me teres amado muito. (o teu amor)


EscritoPorLazulli lazulli às 11:16
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."

 

Canto I

 


 



Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

 
 
 
 

libertai de vossas delicadas mãos

o que nelas aprisionais

tão carinhosamente

como se de um tesouro oculto

se tratasse.




Deixai meus olhos cansados

de tanto vos observar

do Alto da Torre

onde me encontro

oculta

por mil demónios

de muralhas inexpugnáveis

ver

o que escondeis

enquanto deambulais

por esses jardins afins

tão longe

e tão perto de mim.




Quais os segredos

que ocultais

nos vossos pálidos passeios

matinais

a vosso amado senhor

aquele por quem esperais

desde sempre

por quem fizestes juras

de amor eterno

povoando os sonhos

deste nobre cavaleiro

em vossa busca feérica

ferindo seu coração

de descontentamento.




Não o intrigueis mais

nas vossas caminhadas sem destino

não magoeis mais seu coração

com o mistério de vossas mãos

libertai delas

o que nelas aprisionais

para que ele possa de perto

ver com o que vos apoquentais

e assim poder dar sossego

ao coração amargurado

angustiado

por seu próprio pecado.

 



Mostrai o mistério

que contêm

e tão zelosamente guardais

lembrai-vos

Senhora das mãos de prata

que no vosso pranto

perdido

comove-o o enigma

de vosso amor

por cavaleiro sem dono

mas não senhor de seu próprio Destino

que do Alto da Torre de onde vos observa

é apoquentado com vosso constante delírio

vão e inerte devaneio

largado

nos jardins

desconhecidos

por vós.





Sofre

por vós

sofre

neste vosso deambular inútil

por jardins

que não são vossos

nem conheceis

porque vos torturais assim

magoando-o

lembrai-vos das palavras gravadas

daquelas em que vos guardei

para um outro Tempo

outro momento

um outro mundo.


 


Lembrai-vos

que vos amei

amada minha

mais do que podia

mais do que devia

mais do que me era permitido

pelo fatídico Destino

morro

por tal bênção

e ignóbil pecado

praticado sem razão

sem motivo

escondo-o de mim mesmo

p'ra esquecer o que vos fiz

e me refugio na Torre de marfim

de pedra fria

longe de vós

mas vós doce Senhora

continuais à vista de meus olhos

e confirmais a eles

o meu pecado

por vos ter

abandonado

à vossa sorte

depois da palavra dada

deste nobre e honrado cavaleiro

à hora

sem mácula.

nem pecado

que lhe atormentassem

o coração hoje

pesado.




Acreditais

Senhora minha

por isso aqui permaneceis

depois da ingratidão

que não mereceis

que este nobre cavaleiro

vos enganaria

algum dia

em que conta o tendes

depois das promessas

das garantias

das palavras que trocastes

de que aqui

vos queria para sempre

junto a si

porque aqui

sempre estaria

e está

amada Senhora

das mãos de prata

e está

em fraca mas dedicada

contemplação

oculta

à vossa espera

desde que o astro da luz

irradia sua doce melodia

até ao cair do dia

e para lá da luz eterna

quando se instalam trevas

do mundo por onde vagueia

cada vez mais perdido

em seus anseios

cada vez mais triste

mais só

por não a ter

por companhia.

 



Aqui zela por vós

em silêncio

mordendo o pó

do pecado que praticou

por amor

amor a vós

por acto tão nobre

vos pergunto

o que fazeis vagueando por aí

sem descanso

nos jardins que só a si pertencem

e de onde vos expulsou

indiferente

ignorando a ferida que provocou

pretendeis torturá-lo

com a vossa constante presença

para que se não esqueça de vós

e lembre sempre a falta

para convosco
Senhora

não o castigueis mais

e abri vossas sagradas mãos

e mostrai

o que guardais.




Procuro-vos

nos recantos do jardim

que meus olhos alcançam

lá da Torre

onde me escondo

mas sinto os vossos passos

constantes

em procura de mim

angustiado

quero acabar com vosso deambular

fantasmagórico

que ofusca vossos propósitos

e descansar os olhos

de tanta procura.

por isso vos peço

que me mostreis

o que escondeis de mim

que me faz acordar e adormecer em vós

sem mesmo entender

porquê

quando fui eu

que na minha própria transgressão

recolhi à minha inacessível Torre

e aqui vos abandonei

indiferente à vossa sorte

depois de vos ter prometido

que estaria sempre

a vosso lado

e vos protegeria

dos perigos

que estão

por todo o lado.



Mata-me a culpa

procuro desculpa

de meus insanos actos

torturo-me

com vossos passos inconstantes

firmes e sólidos

neste andar meio distraído

nesta entrega inerte

ao que não existe

nunca existiu

eram palavras

palavras vãs

sofismas espontâneos

de um cavaleiro andante

nada mais

então

porque vos torturais.




Ajudai-me

libertai-me

mostrai-me

Senhora minha

minha amada

porque caminhais dia e noite

por um jardim que não é vosso

quando eu habito a Torre

lá no Alto

Torre que nunca vos permiti

alcançar

vergonha do que vos fiz

mostrai-me

porque trazeis as mãos

colocadas sobre vosso peito

e não as soltais

preciso saber

o que escondeis.

 

 


Dizei-me Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

que me deram a ternura imensa

do diferente e único sentir

dizei-me

o que guardais

não me tortureis mais

com esta incerteza

com esta dor que me afasta de vós

sou eu que vos imploro

que me digais

porquê

me procurais

e aqui permaneceis

para sempre

à vista

dos meus olhos

quando eu quero

esquecer

a minha própria alma

pelo que ela praticou em vós

depois

do que gentil e inocentemente

me destes.

 


 

 

Senhora das mãos de prata:

 




"são lágrimas, meu amado senhor, são lágrimas "

 

 

amor, canto, lágrimas, poema, tristeza, à falsa nobreza de sentimentos
publicado por lazulli às 16:46
Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 12:43
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Humanidade Escravizada (XXV)

 

(... continuação)

 

 

Retornando aos Cátaros, esses massacrados da Idade Média, que por não professarem o mesmo modo de vida do Poder instituído, foram exterminados aos milhares juntamente com os seus preciosos escritos, que hoje muita falta nos fazem para entender a verdade de quem somos, os príncipes e os bispos tal como os conhecemos, eram para eles, os representantes da ordem do Mal. E não estariam eles certos? Se olharmos hoje, para todas as vitórias do passado na implantação pela força, de uma crença religiosa «benigna», verificaremos que tivemos 1000 anos de dor e incompreensão ao querer acreditar num Deus que era unicamente deles, mas que eles ardilosamente o impuseram a todos nós como se fosse nosso. Mas há mais culpados em todo este processo. Muitos mais. Culpados semi ocultos que ainda estão por aí como vítimas de todos os outros, mas que na realidade são os grandes causadores de tanto sofrimento humano com a implantação do seu monoteísmo trazido de longe... de muito longe... «os regentes (arcontes) queriam enganar o homem, porque viram que ele tinha parentesco com aqueles que são verdadeiramente bons. Queriam apoderar-se do homem livre e torná-lo seu escravo para sempre». E não é que o conseguiram?!

Consta esta frase e seguintes do Evangelho de Felipe, dos Livros Apócrifos da Bíblia. «Jesus é um nome oculto, Cristo é um nome revelado». «Quando éramos hebreus, éramos órfãos e só tínhamos a nossa mãe, mas, quando nos tornamos cristãos, tivemos tanto pai como mãe». Quem ouve a palavra «Deus» não percebe o que é correcto, mas sim o incorrecto. O mesmo ocorre com «Pai», «Filho» e «Espírito Santo», «Vida», «Luz», Ressurreição», «Igreja» e tudo o mais. As pessoas não percebem o que é correcto mas sim o incorrecto, a menos que tenham aprendido o que é correcto. Os nomes que se ouvem estão no mundo enganam».

Se quem tem ouvidos que ouça... quem tem olhos que veja, porque retiraram da Bíblia estes e outros escritos e, também o que nos dizem eles claramente. Oculta-se o oculto no revelado e eis que como por magia perante os nossos olhares atónitos surge inesperadamente a verdade: inversão. Tudo está invertido. Os nomes, o bem, o mal, os valores... Até o mundo em que vivemos é ele mesmo uma inversão. Aquele que se esconde sob a capa do cordeiro, não é o lobo? E não são os católicos romanos e os que deles descendem em termos religiosos, que acreditam, seguem e praticam este simbolismo? Pelo menos o seu João Baptista, o grande precursor do baptismo (segundo eles mesmo dizem), cobre-se exactamente com uma capa destas. Lobos disfarçados de cordeiros, é o que temos nestes arautos da verdade que praticam uma política bem diferente daquela que pregam aos outros. Acreditam em que Deus, estes senhores? No Deus Javé Deus da guerra e da morte, Senhor de todos os exércitos. Enfim, acreditam no Deus da divisão, não no Deus da união de todos os povos. Para os hereges cátaros, a guerra sem excepção de qualquer espécie, era desonrada em todas as suas vertentes. Por isso mesmo, aqui e agora tomo a defesa e o respeito de todos esses livres pensadores na busca da sua verdadeira origem e no combate infrutífero que tiveram com os Senhores do Mundo, tanto no passado como no presente relativamente recente, porque não só nunca lhes foi feita justiça, como foram completamente aniquilados, não só na sua forma física como ideológica, através da história falseada dos homens, com lendas impenetráveis que o mais astuto dos homens tem dificuldade em descodificar. As peças do puzzle da história estão demasiado dispersas para serem encontradas numa única vida mas, como uma vida nunca foi só uma vida, continuará a ser sempre possível ir recolhendo lentamente os fragmentos da história real e reconstituir a História que nos escondem há demasiado tempo.

Daí que será de perguntar a todos os historiadores quem foram, qual a sua importância, onde estão e o que de facto fizeram os povos e grupos específicos de pessoas que a História dá como existentes em determinada altura, mas que depois parecem desaparecer sem deixarem rastro ao lhes ser atribuída uma história pouco significativa, no desenvolvimento intelectual da humanidade. Como por exemplo, os fenícios, os bizantinos, os visigodos, os merovíngios, os judeus, os hebreus, os muçulmanos (com quem supostamente o Ocidente combateu), os cruzados, os templários, etc. Como tantos outros nomes na história também estes «desaparecem», de um ou de outro modo, quase que inexplicavelmente, ou são pura e simplesmente substituídos por outros nomes e assimilados, acabando por se diluírem noutras gentes. Assim sendo, a sua continuidade está aí algures espalhada pela Terra. Mas onde?! Se não temos um fio condutor correcto, como vamos descobri-los?

 

(continua...)

 

ensaio, guerra história, homem inquisição, literatura, livros, morte, mulher, religião, vida, cátaros

publicado por lazulli às 16:54
Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 11:17
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...

 


Descobertos

Os segredos do Pântano

Que atravesso

Dissipa-se o medo

A certeza do regresso

Em mim mesma

Permanece.

 


pensamentos

publicado por lazulli às 09:57
2008

EscritoPorLazulli lazulli às 11:14
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (14)

 

 

XIV

 

 

 

 

 

Enquanto se dirigia até onde a aguardava a majestosa Águia-de-Cabeça-Dourada que reflectia ainda mais os raios de sol que a si chegavam e nela permaneciam como prisioneiros voluntários da sua deslumbrante e extensa penugem, fazendo da águia como que uma extensão da fonte energética, inesgotável, contida no sol-brilhante de milhões de cores em constante mutação no seu permanente contacto com o ar, finíssima cambraia transparente e multicolorida, ia ansiosa e vagarosamente, pisando o solo de areias de fino pó doirado e observava as montanhas de luz, onde a pedra dura e fria, única que conhecia, era completamente substituída por tantas pedras preciosas que nem as conseguia quantificar, mesmo que em calculo manifestamente deficiente, tal era o reino mineral, deste maravilhoso mundo de cores vivas e brilhantes, ora transparentes, ora opacas, ora incolores, com colorações inimagináveis, em constante transformação não do seu conteúdo mas sim da sua aparência visível, fosse esta piramidal ou com uma outra configuração geométrica qualquer, era-lhe completamente impossível, absorver as cores que emanavam de todo o lado como tesouros únicos a céu aberto, que resplandeciam a sua magnânima beleza. As rochas deste mundo, gemas genuínas, raiavam e expandiam com as suas milhares de incalculáveis facetas, para todas as direcções, as suas cores infinitas e em constante movimento, ao toque de cada partícula de ar e sol. Estonteada com as cores, carmim, madre-pérola, rosa, lazulli, esmeralda, ametista, rubi, cristal, topázio, safira, águas-marinhas, etc.. , não conseguia conter em si, tanta luz e tanta cor. Belo! Tão belo, que já não sabia se o conforto do calor, ameno, que ia penetrando suavemente todas as suas partículas, tinha a haver com a magnífica visão que seus olhos, extasiados, miravam em ininterrupto encantamento ou se era efeito, da serena harmonia da luz de milhões de cores. As ténues alterações do sol, quase imperceptíveis, permitiam que uma infinidade dos coloridos diamantes, alterassem as suas facetas de um tom para outro em escassos instantes de tempo, se é que este, aqui existia. Descrever este mundo, não conseguia dentro de si. Só conseguia senti-lo. Absorve-lo. Os pensamentos fugiam-lhe, para começar a dar lugar a uma fonte inesgotável de paz. Da paz sempre desejada. E era este enigmático mundo de cor que com amor, lhe dava finalmente aquilo que sempre ambicionara e sempre procurara.

 

Serena, em total quietude, a águia observava toda a sua fascinação e sorria. Mary, percebia que esta não precisava transmitir o seu sorriso movimentando um único músculo que fosse do seu descomunal corpo. Seus olhos falavam o seu pensamento. Transmitiam toda a sua doçura interior. Toda a sua compreensão, perante a criatura tão insignificante que era Mary. Estonteada perante as duas meigas esmeraldas que lhe sorriam; tão meigas, que a escassa distância daqueles olhos esmeraldinos, sem desprender o seu próprio olhar daquela rara beleza de divinas esmeraldas que continuavam a fitá-a demoradamente, teve um impulso momentâneo, de correr para elas e nelas se alojar para sempre. Descansar dela mesma. Como se pudesse entrar nos olhos que a fitavam e encontrar-se com o amor infinito que deles emanava. Mas refreou o seu mais intimo desejo e não encurtou a já pouca distância que a separava desta e, sim, endireitou seu corpo um pouco mais, alisou com as mãos, os farrapos sujos que a cobriam e, lentamente, sentindo o movimento do ar a cada movimento seu em espirais que se perdiam dentro do próprio ar, finalmente, tocou timidamente a primeira penugem que encontrou ao alcance da sua pequena mão.

A este contacto, mágico, o ar comove-se e queda-se por um instante, como que para a deixar sentir toda a ternura do seu ente.

Controlando a emoção que sentia, impedia voluntariamente suas mãos de agarrarem o ar e irem tocar nas penas da gigantesca ave, abraçando-as num abraço meigo e profundo. Queria senti-la para sempre. Mas ali, naquele mundo etéreo, era ela quem nada tinha e nada era e a quem por razões que ainda desconhecia, tinha sido permitido movimentar-se, tal fantasma, num mundo verdadeiramente etérico. Depois de tudo isto, descobria que afinal nunca soubera sonhar. Seus sonhos tinham sido pobres em imaginação. Escassos em forma e conteúdo. Demasiado aquém do que, agora, podia presenciar. Percebia que desde que desaparecera da velha Terra, tudo quanto vira e sentira, nunca tinha existido antes. Nunca.

 

Tentava... controlando a emoção do seu pequeno coração e as interrogações que a angustiavam... acalmar toda a sua agitação interior. Mas esta morria no canto de sua boca, sempre que um imperceptível movimento parecia querer surgir, podendo manifestar toda a ebulição que dentro de si permanecia, pelo inexplicável mundo que a envolvia, no seu todo.

 

A sábia águia que continuava a olha-la docemente, não quis prolongar por mais tempo o seu êxtase, poupando-a à intensidade de sentir tão profundo. Sorria aos pensamentos de Laurema e verificou, feliz, que a tinham recuperado de vez. Ela não voltaria à sujeição da matéria viva, pois começava a tomar consciência da verdade de si mesma.

- Laurema!... Despertaste para a tua verdadeira existência.

 

 

Ouvir vozes dentro dela não lhe era de modo algum surpreendente. Convivera com elas toda a vida. Surgiam inesperadamente dentro do cérebro, soltando sons tão distintos que parecia estar a ouvir as conversas do mundo inteiro, ora isoladas ora em longos diálogos, como se desconhecessem a sua presença. E muitas desconheciam. Assim como ela. Pelo menos nisso, tinha a felicidade de não conhecer a densidade dos portadores. Vozes sem rosto que tinha a infelicidade de escutar. Mas nem tudo era mau. Até porque era o som das almas que escutava como se fossem parte dela, não o sendo. Muitas vezes ficava triste. Muitas vezes ficava feliz. Muitas vezes, divertiam-na. De quando em vez, lá resolviam dirigir-se-lhe, directamente, com palavras e frases, das quais muitas vezes, não conseguia perceber o sentido, embora as ouvisse perfeitamente. Daí, neste jogo do saber, quem eram elas e porquê, acabou mesmo por conseguir fazer algumas distinções, entre estas estranhas e insólitas, amigas. E a surpresa, estonteante, levava-a a querer seleccionar quem gostaria realmente de ouvir. Mas não estava nas suas mãos, poder separar os mundos. Não estava nas suas mãos, escolher as vozes pertença de mundos distintos. Daí que, as vozes que mais a incomodavam, eram mesmo, as vozes deste mundo. Não conseguia ser poupada, até nisto. Como uma maldição .... tinha que ouvir o mundo inteiro a falar. O que, algumas vezes na vida, quando com a Velha Senhora, lhe tinha criado alguns dissabores. De facto, hoje percebe porquê. Percebe-os a todos eles e percebesse a si mesma. Embora, para bem da verdade, gostasse de não perceber ou saber nada, por essa altura. Se estivesse em suas mãos, optaria por ser a mais cega entre os cegos e mais surda entre os surdos. Porque, só queria poder estar. Só queria ser. Só queria amar. Só queria que a Sua pequena alma tivesse o direito a ser única, sem tanta interferência. Maldisse todos os Poderes desconhecidos, muitas vezes. Ficou muitas vezes triste com a Sua própria Natureza. Muitas vezes vagava no mundo, com os olhos marejados de lágrimas. Não por não ser entendida. Ela entediasse a Si mesma. E sim porque queria ser o que era. Nada! Uma criatura eternamente meiga. Eternamente sentida. Eternamente capaz de Amar até à extinção da Vida.  Eternamente ignorante das coisas da Vida Imposta, que insistia em querer fazê-la parte de si, com todas as coisas geradas num mundo que não era e nunca seria seu. Como não foi. Por isso ela estava aqui hoje. Mas, as lembranças do mundo Antigo, não as tinha conseguido apagar, mesmo perante a beleza deste mundo e de Lhaara.

Quase "desperta" destes prolongados pensamentos, enquanto deixa desaparecer sua mão na maciez da penugem de Lhaara. Mas logo a memória insiste em fazê-la recordar, tudo.

Teria estado, algum dia, Lhaara nos seus pensamentos?! É que até lhe parece conhece-la. Seria dessa altura?! Olhava Lhaara, intrigada. Se assim fosse, não estava ela zangada?! Esquecera-se de como Mary se divertira e sorrateiramente a estudara?! De como, muitas vezes, se limitava a ouvir, mais ou menos indiferente?! De quando já nem lhes dava importância. Só de quando em vez, ficava mais atenta, quando um determinado timbre lhe parecia de algum modo familiar. Paralisava instantaneamente, na esperança de algum modo, poder identificar a sua fonte. Mas raras foram as vezes que tivera essa possibilidade. Como se as nítidas vozes que telepaticamente ecoavam no seu cérebro, tivessem uma proveniência bem consciente, determinada e perfeitamente objectiva. Desistia muitas vezes e optava por as ouvir. Apenas ouvir, mais ou menos desinteressada do que falavam. Sorria ainda agora, quando se lembra que dizia de si para si mesma. - Falem para aí!... Completamente indiferente ao seu conteúdo, como se nada tivessem a ver com ela e, fossem unicamente palavras que o seu cérebro, tinha captado a qualquer distância. Mas esta voz que estava a ouvir, do mesmo modo que tinha ouvido muitas outras... Esta voz, estava ali junto a si. Era da águia que partia. Era a águia que lhe estava a falar. Já não precisava se esforçar,  ignorar ou correr a tocar algum objecto perto de si, para afastar de si mesma qualquer pensamento, como mau presságio. Aqui e agora, tinha a quem perguntar. - Laahra, recomeça a comunicar com ela:

 

- Eu, parte de ti mesma, tento que entendas o teu ser interior e te libertes do pensamento, para entenderes quem és e onde estás. - Fala-lhe, suavemente, Laahra.

- Pareces-me estranha, assim como este lugar. Isto para não falar de uma terra florida e de uma outra, onde só os ventos pareciam existir que tive oportunidade de conhecer na minha vinda para aqui. Se estou a sonhar diz-me, antes que acorde, a verdade de quem sou e porque me chamas de Laurema, o nome que guardei zelosamente ao longo da vida, como se ninguém mais tivesse o direito de o usar.

- Não és dona deste nome, no sentido que lhe atribuis. O de posse. Pois que ele, como sabes, já está gravado desde os primórdios do Tempo.

- Então diz-me a quem, verdadeiramente, pertence este nome sagrado. Do modo como sempre o senti e conheci, pode ser que o dono dele seja o nome daquele que amei, mesmo antes de nascer ou antes de tomar a forma que me cobre. Embora que para ele, guardei sempre um outro nome, diferente de todos os outros, existentes.

- Laurema, é de facto o teu nome. Mas por enquanto, não és a sua possuidora. Isto porque, não existe posse na unidade e tu o sabes. Deixa por instantes o mundo mais recuado em que viveste, pois não mais voltarás lá do mesmo modo que antes.

- Se não retorno do mesmo modo, retorno de outro? Queres dizer que estou morta e esta é a altura que alguém decide, roubando-me a memória, recolocar-me naquele mundo maldito? Mas para quê fazerem uma coisa dessas comigo, se embora não me sinta parte integrante deste sonho, o sinta como realidade minha. Se é que se pode chamar real ao irreal.

- Não posso dar-te todas as respostas que desejarias. Outros o farão por mim em devido tempo. Por ora, recorda o Senhor que anseias, pois ele não é fruto da ilusão do mundo último e anterior, onde essa tua forma foi criada. A realidade é que nasceste e aprendeste o que não devias, mas ser, nunca o serás, porque tu já és muito antes de seres. Tenta ser tu, porque aqui nada e ninguém te impedirá de ser o que és. E sossega o teu espírito, porque a tua memória não te será roubada ou retirada, muito pelo contrário. Eu – e a fantástica ave, num gesto gracioso, sacode levemente a sua penugem multicolorida – sou quem temes que eu seja, tu és quem és, e o que te rodeia é parte de ti, e aquele que regressará em breve é aquele a quem chamas de teu Amado Senhor.

 

 

- Quer dizer que então morri, embora continuando com o mesmo corpo? Pode então a matéria viver depois de morta? Estava infiltrada no pó quando morri. Ninguém estava presente para atear fogo ao corpo que me cobre... não entendo... diz-me quem é o meu Senhor e onde está Deus. Quero falar com ele e dizer-lhe o que aconteceu comigo, perguntar-lhe porque fez o mundo de onde venho, onde a única lei é o sofrimento ilimitado de cada ser humano que tem a infeliz desdita de ali nascer, seja no antes, no agora ou no depois. Perguntar-lhe porque permitiu tudo quanto aconteceu neste mundo e vai continuar a acontecer, sem interferir para parar tanto massacre humano. Se és o seu mensageiro e não me for permitido vê-lo, leva-lhe uma mensagem, porque todas as que lhe transmiti na vivência ele ignorou. Se foi ele que criou o mundo como eu o conheço e, se podendo, nada fez, eu não o quero, porque me fez nascer lá e me ignorou todos estes anos de martírio, estando desde o princípio ao fim dessa existência, sujeita a leis que não eram as minhas, sofrendo humilhações, tendo que ser o que não era, impotente perante todo o sofrimento humano que existia.

 

- Pobre Laurema, que não consegues entender que nem estás viva nem estás morta. Que continuas a usar as mesmas definições do mundo que sempre desprezaste, até para exprimires o teu próprio mundo que não tem definições: Apenas é! É tão simples como o teu ser interior e, neste momento, nem o consegues pôr a agir. Usarias tu no outro mundo o teu interior e neste mundo o teu exterior? Estás também a alterar a Ordem da Lei. Como queres tu entender?!... não consegues situar-te... mas nós sabemos como será difícil para ti entender esta verdade, depois de viver presa na matéria.

- Se é como dizes, que não estou morta nem viva, então o que sou neste momento?

 

Descendo levemente uma de suas asas, alongando-a na horizontal até onde se encontrava Laurema, Laahra, convida-a com o seu nobre gesto, a subir e instalar-se confortavelmente num rectângulo acabado de aparecer, magicamente, com tantas cores que Mary recostada nele nem se distinguia a olho nu.

- Vou mostrar-te um pouco deste mundo e dos que lhe estão interligados. As passagens intermédias de uns para outros. Em cada um, conforme o seu curso de vida, difere em lei e em ordem. Mas, antes disso, quero contar-te como aqui vieste parar.

 

 

E enquanto planava por entre todos os céus, Laahra conta-lhe todos os ínfimos pormenores da recuperação dela das garras da matéria e do sono que tinha se imposto a si própria, quando a morte do seu corpo tinha chegado.

- Laahra, onde está o meu Senhor Amado? Preciso de o recordar.

- Eu sei que só quando tu o tocares é que o conhecimento total da Verdade-Justiça e do passado longínquo, voltará a ti. Mas terás que aguardar junto comigo que ele regresse da Cidade-Brilhante. Até lá, mostrar-te-ei a Terra, isto é: Uma das suas quatro partes, para que te familiarizes com o mundo exterior onde te encontras, que é o teu interior ao contrário do mundo em que viveste.

 

 

E foi assim que Laurema foi vivendo os dias sem princípio nem fim deste mundo.

 


amor, essência, ficção, livro, matéria, morte, vida

publicado por lazulli às 17:53
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
SintoMe: com sono

EscritoPorLazulli lazulli às 02:07
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..





Não se volta a ser

O que se foi

Porque nunca se chegou a ser

O que se era

E, sim...
Fez-se de conta

De que se era

O que afinal

Nunca se foi.

 

 


pensamentos

publicado por lazulli às 13:39
2008


EscritoPorLazulli lazulli às 02:03
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

pequeno poema

 


Vim sozinho

E, encontrei-te a chorar no meio de caminho

Quase parei para te perguntar

A razão do teu choro

Desesperado

Mas prossegui o meu caminho

Vacilando entre regressar para trás

Ou esperar

Que o teu choro parasse

E resolvi que o melhor

É ir te pegar e acarinhar

Com este amor à tanto guardado

Para que o teu desalento

Não tenha mais razão de existir.

 

(antes de 2000)


amor, poema, poemas, poesia

publicado por lazulli às 01:07
2008

EscritoPorLazulli lazulli às 20:18
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amo-te


 



SOL

 



Meu amado eterno

Companheiro de sempre

Obrigada

Por finalmente teres chegado.



AMO-TE MUITO ÉS MEU ÚNICO AMOR

Para Sempre

 


 

amor, sol

publicado por lazulli às 10:59
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 19:59
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...

 





Perseguem

Meus próprios passos

Inocentes

Atravessando a medo

O Pântano

Por entre lianas quase infinitas

Em busca de solo seco.

 


pensamentos

publicado por lazulli às 02:06
2008

EscritoPorLazulli lazulli às 19:43
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UmaEstranhaNumaTerraEstranha


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... cega ...

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