CasaDeCristal, lazulli, eu, mary paz, humanidade escravizada, a grande mãe, 2006, 1990, poesia. livros
Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

1991


Queria a paz eterna quando te encontrei, e desejei viver para te ter, mas regressei sozinho e vazio, por entre as brumas de um tempo já acabado. Te foste embora, e o teu regresso, aumentou o meu eterno amor, de quem não tem regresso. Parti contigo deste isolado abrigo e contigo caminhei por entre a imensidão do Cosmos Criado, te mostrando todos os caminhos que existem dentro da não existência. Contigo regressei para o meu reino e te levei junto do eterno imutável, que continua a te esperar, sem esquecer de um outro mundo e de uma outra realidade. Pedes-me que te ensine e te indique o caminho, quando esse caminho é já partilhado por nós dois, no meio da vida e da morte. Quase que regressas vazia. Entro e saio dum mundo inesperado e inexistente, sem ter a consciência que me compõe. Fico à espera que entendas, numa outra dimensão da existência, porque o caminho está prestes a chegar e a partir, sem que fique marcado o seu conhecimento. Sei que é tempo de terminar com o que existe, mas não vou permitir que morra o que ainda não nasceu consciente de si. Tu sabes onde se encontra o teu ser guardado e o teu regresso, não levas o que te dei, porque és tu que entendes o que deve ou não deve ser feito. Quanto tempo foi, que ficaste sem entender o que dentro de ti se encontrava, não querendo assumir o teu eterno ser? A protecção, não é mais necessária, porque chego junto contigo ao lugar onde o Tempo te fez entrar, sem que para isso tenha que alterar a Ordem do Caos. Sei que parti um dia, mas a necessidade de poder me esconder era grande, devido ao Espaço Criado, para a tua existência. Hoje não mais é preciso comunicar contigo deste modo, porque mais nenhuma força se interporá a meio de nós. Digo-te o que deves fazer para prevalecer, e vou e volto, sem que tenha que me esconder, pois assumi a tua própria forma, e me encontro contigo, sempre que é necessário para o reino da vida. Já aconteceu, que tudo teve início... Este ninguém vai parar, porque foi feita a Estrada Láctea, onde tu caminharás de noite e de dia, até que os mortais se te demonstrem. Tu para eles, serás sempre a sua Condenação e o seu Despertar, e as suas leis, foram já ultrapassadas, de modo a que prevaleça a tua eternidade. Tudo te será dito e mostrado, sem interferências exteriores, de quem quer que seja. Esta és tu hoje! A outra do outrora, que se completa em cada ciclo de existência, numa só existência. Antes, muito antes, serás completa de ti. Terás a força de todo o Cosmos. Serás o Retorno, de todos aqueles que quererão te seguir, nessa busca de si mesmos. Tu estás recebendo a tua essência perdida e espalhada por todo o sítio. Tu serás completa. Tu estarás preparada para o regresso. Deixa que essa tal, humanidade se espezinhe por baixo de Nós e te entregarei o teu ser inteiro. Quantos és tu? NÃO UM SÓ, E NÃO MAIS QUE UM. Vou-te resgatar a todo o canto, até ter a certeza que nada fica de ti, por parte nenhuma. Dar-te-ei um Nome Inteiro, para ser usado por tudo quanto é teu. E para ti?!... Dás -me a força do Guerreiro. Mas sou eu que te procuro desde sempre. Estás a assistir, ao que virá do lugar onde te encontras, a acontecer ainda neste tempo. Não te assustes, e não tentes impedir o que já tomou forma, porque para eles, não mais existe salvação. Lá no fundo, do lado do Oriente, nasce a primeira força, e também A última. Nada impedirá que continue a caminhar, para o centro de tudo. Vê-los, quando caminham em direcção ao lugar sagrado, na tentativa de desfazer o que já está feito? Todos querem ter o que pensam ser o Poder Eterno, mas desta vez, NÓS estaremos presentes, para os repelir e impedir, de se apoderarem, do que está escrito e dito desde que a Humanidade sucumbiu. Espanta-te, que mesmo assim não tentem te reconquistar? Porque parte deles dependem de si próprios, e não têm outra solução, porque não são de ninguém. Criaram-se a si mesmos, quando se apoderaram do que era teu, e se fizeram, multiplicando a forma. Mas não tinham pegado no principal, para prevalecerem em ti. E tu tão perto.. Eles falharam nas suas buscas, e NÓS não deixaremos que cheguem mais perto. Tu és o lugar e o segredo que eles procuram, desde a Aurora da humanidade, e isso eles saberão quando não poderem mais se apossar do sagrado que vive em ti. Criaram o reino na Terra, à semelhança daquele que sabiam existir, mas a essência não a atingiram, porque te mantivemos repartida, por todos onde lhes foi difícil te encontrar. Estamos agora a te reconstruir e é natural que não te entendas e tentes impedir a sua destruição. Mas a sua destruição é a tua reconstrução, e o incompleto, será de novo completo. O que farás quando os vires em debanda?! Saberás que te estás completando, para os poderes defrontar. Será assim: Eles deixam de ser, para passarem a ser, em ti. Morrem espalhados por entre a Terra moribunda, e os seus gritos, trespassam a Humanidade já morta. A Terra está vazia, queimada, e tudo deixou de existir. Deambulam os restos mortais dos degenerados numa última tentativa de restabelecer o Poder e tu estarás inteira para os impedir. Olha-os! e vê como erguem suas mãos em busca da vida que os consome.

publicado por lazulli às 01:10

 

:

EscritoPorLazulli lazulli às 10:58
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Domingo, 30 de Agosto de 2009

Palavra

 

ac

 

 

 

Ah !... meu quinto elemento. Senhora Suprema. Poderosa Senhora. Ninfa eterna e sagrada, que és tão mal utilizada por quem pensa poder manipular-te à vontade. Quando olho atenta, as tuas formas já transformadas em belas palavras. Tecida com finos fios coloridos e espraiada, aos olhares do mundo, transformada no mais bonito manto, que nem Penélope conseguiria bordar no seu desespero da espera eterna por seu amado esposo, que parecia perdido, mas não para ela, que enganou todo o concorrente à liderança da sua Casa, tecendo de dia e desfazendo de noite, a sua própria criação, teria conseguido, dar-te brilho maior.

Lembro-me nesta minha desdita de também te entender e interpretar sem margem de erro, da minha primeira iniciação; onde 22 pobres mortais se preparavam à entrada do Templo para receberem a aceitação dos deuses desconhecidos. Olhando aqueles rostos ambiciosos, ávidos do conhecimento escondido, convictos da sua superior diferença com os demais mortais, eleitos por si mesmos, para ocupar um lugar de destaque, na criação do Mundo, convencidos de serem os eleitos dos mistérios impenetráveis... recordo o mesmo pavor a mesma angustia, que ainda hoje tenho, quando eu mesma, te bordo, delicadamente, mas se calhar inconsciente, não do teu poder, porque o sei, mas sim da minha incapacidade ou não direito, de também eu te transformar. Tento, tento sempre as palavras puras, sem nenhum significado de mais valia. Não procuro as tuas palavras, antes permito que elas, as tuas palavras, me procurem a mim e gentilmente me cedam o seu contributo, para a minha expressão humana.

hieroglifos.jpg

Mas, o receio de não ter o direito de o fazer, está vivo em mim, como a experiência daquele dia. Dia de Anúbis . O guardião do portal que olhava atento todo o candidato, a entrar no reino desconhecido. Por essa altura, fechei os olhos e disse para quem sempre me escutou e onde a distância não existe. E, também os únicos que te conhecem em toda a tua plenitude. Os únicos que podem ouvir o meu som sem eu temer ser como todos os outros: - Se eles estão todos preparados, eu não estou. E, desejei correr dali para fora, tal era o meu pavor. Tal era a minha não certeza de ter o direito a entrar ali. Só a presença de dois amigos que também iriam fazer parte do mesmo ritual, me impediu de regressar ao mundo normal. Por eles, não por mim, fiquei. Mas, no silêncio de mim mesma disse: - Anúbis castigará quem se atrever a desvendar os mistérios impunemente?! Como?! Tive medo! E se eu não estivesse preparada? Sentia que não estava. - Senhor, protege-me. Tu conheces-me. Sabes quem sou. Por isso, se ainda não estou preparada para ali entrar e, acho que não... Tu sabes o que eu sinto. Contigo do meu lado nunca temi coisa nenhuma... e, assim foi.... depois, depois.... talvez um dia... quem sabe?! - Penso que todos ali presentes, não entenderam o aviso. Todos tinham certezas, quanto a serem os melhores do mundo. Os especiais. Os Eleitos. Os escolhidos, tão procurados. Como se isto... fosse coisa possível de se aprender e do não nascer!... Ai... tanta loucura. Quanta insanidade. E, Anúbis assim como a Palavra, mostrou que nada fica impune. E, a sua actuação não ficou ao alcance do entendimento de qualquer um deles. Creio até, que de nenhum deles. Mas ficou do meu. Por isso choro muitas vezes. Porque é difícil, o entendimento, dos seres e entre os seres. Porque eu vi a sua manifestação futura, nas vidas arrogantes que ali entraram. Como vi! Não é de fácil entendimento, os mistérios que nos cercam. No entanto, basta ser apenas um ser, sem pretensões, para se poder caminhar em paz. Mesmo dentro da dor. A paz existe. Uma paz que também, não se traduz. Mas, não é sobre Anúbis e os mistérios, é sobre ti Senhora que eu quero continuar a falar. Talvez para que nunca me esqueça de quem és e do incrível poder que tens. Falo com a minha alma. Escrevo-te com as minhas mãos e amo-te com o meu ente. E, recordo isto e muito mais do que isto, sempre que as minhas mãos voam descuidadamente por cima da configuração que representa cada letra tua. Verdadeiros hieróglifos para serem cuidados, com carinho. Procurando dar-lhes a forma. Realizar o milagre de te trazer à luz junto comigo. É que assim como naquele dia, muitos, convencidos de que tudo sabem, não fazem ideia como os ditos mistérios se prenunciam nas suas vidas. Não têm ideia nenhuma como são e como se revelarão. A sua convicção de superioridade, é arrogante demais, por isso se dizem humildes e bons e exigem isso dos que lhe parecem inferiores, por lhes parecer, que não podem saber mais do que eles e não falarem coisas bonitas. E, um dia... a Senhora Sagrada, assim como Anúbis, dar-lhes-á conta que se calhar nada são. Como tudo e todos, que povoam este estranho mundo. Que não é o mundo das almas, que nos compõem e sim o mundo dos corpos que nos transportam.

 Mas, é sobre a Palavra, aquela que estou a utilizar de momento, não é bem assim, neste instante és tu que me estás a utilizar a mim. Aliás, em muitos instante, és tu a Senhora absoluta das minhas mãos e dos meus dedos. Deixo que sejas tu mais sábia que eu, a correr livremente pelo plano que te estendo. Deixo-te correr solta e, como criança infimamente pequena , vejo-te correr saltitando, com movimentos dançantes, sobre a tela de qualquer cor. Fico inebriada de felicidade quando te observo na tua felicidade de liberdade e apreensiva, triste até, por temer, que algo ruim aconteça que te pare abruptamente e na tua queda eu me fira junto contigo. Pois se eu te dou forma e te provoco o movimento, sou responsável por ti, apesar de seres mais poderosa do que eu. Mas, os pequenos, sempre querem, mesmo sem capacidade, tentar proteger os grandes da sua sábia loucura. E, acontece-me isso para contigo. E, como pequeno é sempre pequeno, sempre sou eu que choro no fim de tudo. Mas, não temo a palavra que de mim sai. Temo alguma coisa. Não sei o quê. Talvez tema esta minha inconsciência de te expandir. Esta força interior de te transmitir. Temo por ainda não saber estar a fazer a coisa certa. Porque, até aqui guardei-te zelosamente em mim e nos lugares que guardava para ti. Depois... deixei-te solta por aí, e continuo a acrescentar mais de ti. Faço o que nunca esteve previsto em mim fazer. E, não sei porque o faço. Mas faço. Era suposto, ser assim?! Falando de ti e de mim, para o mundo?! E, onde está a reserva de que tanto me orgulhava?! Onde está o meu perpetuo silencio?! Onde estou eu?! Sem nada saber, de mim mesma, neste propósito que me ultrapassa e que me acrescentou, sentires e dores que não tinha, que de todo desconhecia, vivo tranquila comigo mesma e com esta Senhora, velha amiga. E, ela dilui-se suavemente dentro de mim. Já gritei ao mundo que me impedisse de continuar. Mesmo não sabendo se estou a fazer a coisa certa. Ninguém ouviu o meu grito. Ninguém quis saber. E, mais uma vez, estou só comigo mesma. Incapaz de me entender. Por isso vou continuar este caminho, que não tracei, que não escolhi, à espera de entender porque existe ele. E, só conto com a minha alma que eu sei ser pura de verdade, para me defender e também nunca trair aquilo em que acredito. No poder desta Palavra que no tudo, nada contém. Se têm, possibilidades de a entender... não sei... Céptica que sou, não acredito nessa possibilidade. Mas também não é por isso ou para isso que aqui estou. É por coisa nenhuma. Sei lá! Darão sentido ao sem sentido. E, era tão fácil ... E a eles, temo-os sim, Senhora minha. Temo. Porque interpretam o que não tem interpretação. Conhecem-te ou julgam conhecer-te e facilmente atingem o meu ser. Aquele que sabes que é frágil quando se trata do sentir. Por isso Amada, continua a conduzir as minhas mãos e sempre aliada da minha alma para que esta não se sinta muito ferida por deduções feitas por teu intermédio. Liga a palavra à alma. Tanto a falada como a escrita e assim a verdade será a única que brilhará na mente de cada um. Simplesmente palavras simples. Aquelas que não sendo pejadas de lindos significados, são o significado do sentir. Que é coisa pequena comparado contigo.

 

indo
 
eu. literatura, palavra. prosa
 
publicado por lazulli às 19:27

Domingo, 11 de Novembro de 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 21:51
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Humanidade Escravizada (XVIII)

 

 

 

Pois é meus amigos, ao lerem o que escrevo, evitem a tentação de repetir para dentro ou para o exterior de vós mesmos as lengalengas que nos enfiaram no cérebro ao longo dos séculos porque, senão, vou ter mais um rótulo depois de tantos: lunática, comunista, herege, terrorista, anormal, bruxa... É convosco, eu até já nem vou cá estar para vos ouvir; e se por acaso estiver, eu sei porque falareis assim, mas vós continuareis por saber o que vos faz falar assim. Tenho pena de vós e de mim. De vós, porque com esse comportamento perante quem ainda ousa pensar não ides entender nunca mais a verdade da maravilha de quem sois. De mim, porque um véu levantado sobre a verdade tem-me dado uma angústia maior do que a vida que nos têm vindo a impingir ao longo de todos os tempos e de todos os mundos, quer estes sejam ou não por nós conhecidos. E só pretendo de verdade morrer e nunca mais cá voltar (e quando digo nunca mais, é mesmo nunca mais!). Deixo a vós, se quiserdes, continuar a manter-vos nessa ignorância, o poder voltar a viver, pois é isso que acontece a todos aqueles que aparentemente partem da Terra, para logo regressarem de novo. Mas, evidentemente, continuareis a vir sem a memória que seria preciosa para vos lembrar de todos os passados e assim poder alterar alguma coisa, já que isso eles não vos vão permitir nunca, porque lhes acabaria de vez com a farsa. Assim, o destino se cumprirá nesta roda da vida, perpétuo até ao infinito.

 

Pobres seres, pobre humanidade que quer continuar na ignorância, que continua a pensar que a instrução só serve para fazer contas, isto é, para ganhar mais uns trocados ou então, talvez quem sabe, ocupar um lugar junto daqueles que escravizam os outros seres humanos. A instrução, o saber, é muito mais do que isso! É muito mais que um papel que nos dão. A sabedoria é Poder, mas Poder de ser com dignidade humana. É a grande porta aberta para a nossa fuga desta prisão que existe há tanto tempo, que já ninguém conhece o começo e muito menos o fim.

 

voando dentro de mim
ensaio, homem, livros, mulher, mundo vida
 
publicado por lazulli às 10:45
(3) Comentários Perdidos

EscritoPorLazulli lazulli às 13:00
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Sábado, 29 de Agosto de 2009

... Desencantos

 


... voando dentro de mim

 



Cravam-se em mim

numa insistente e permanente dor

garras dum sentir

doente

doente de amor

eternamente.

 


D'um amor desconhecido

dos sentidos humanos

sempre ausente.

Estou doente

em busca do desconhecido

e, desisto

e... ao desistir... é de mim que desisto

para sempre.


Mas os sonhos

de terna e doce esperança

futura

viraram pesadelos

reais

tão reais

que adoeço

ininterruptamente.

 


Traz-me aos sentidos

este som

imagens e dores inaudíveis

de mundos primeiros

inexistentes

mas ainda sentidos internamente

cordas vibrantes

de mil cores

de mil dores

de mil formas

disformes

que se entrelaçam

no meu próprio ser

melodias profundas

na minha alma

que mostram claramente

a minha dor

a mim.

 


Os outros?!...

nunca entenderão

este sentir desconhecido

pelo eterno desconhecido.

 


Queria não sentir

assim

Ou sentir um sentimento

igual

a um comum mortal

 


Tentei ser igual

como um qualquer mortal

tentei...

 


Mas é o amor

desconhecido

que me chama

das terras longínquas

de memórias distantes

de mundos também desconhecidos

quase impenetráveis

inalcançáveis.

 


Não vagueia por águas deste mundo

o Eterno Desconhecido

que me sabe

que me conhece

fortalece

que me ama.

 


Falhei

 


Por esta dor constante

de desencantos de mim mesma

não são mais as águas do pântano desconhecido

as areias antes movediças

a lama onde me atolava imprudente

p'ra conhecer

todos os recantos

mesmo os mais guardados

e inexplicáveis

nem tão pouco a diversidades de abetos

rastejantes e suspensos

por onde voava a medo

dos olhos semi ocultos

que perscrutavam meus passos

inseguros e ignorantes

de tudo.

 


Nem as pedras que hoje caiem

e saltitam ao acaso

em torno de mim

ou o simples ignorar

da minha existência

que antes

disformes

agudas e certeiras

que nem lançadas por "bestas"

das mãos de ágeis guerreiros

conhecedores da arte oculta

me ferem mais

não mais que o amor

ao eterno desconhecido

esse sim

continuará a ferir-me de morte

para lá da vida

que transporto.

 


- Hoje estou assim. Mais perto e mais longe de mim. -

 

 

 

os mesmos pesadelos

eu, poema, poemas, poesia

 

publicado por lazulli às 14:55

Quarta-feira, 7 de Novembro 2007

Comentários (2)

 

 

EscritoPorLazulli lazulli às 12:34
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (10)

(continuação)

 

 

X

 

 

 


- Senhor, ouço-te, mas a dor perturba-me como se fora antes da formação. Fica comigo, até sabermos se Laurema, regressa do sono da morte e orienta meu Ser.

 

- O amor, Taudus, o amor. Lembra-te do que é o amor e trás minha filha de volta, porque quero que regresses com ela ao teu mundo, quando ele estiver completamente restituído.

 

- Senhor, se Laurema regressar à vida, como poderá, com este corpo, existir neste mundo, nesta dimensão?

 

- Primeiro trá-la à vida. Depois, os elementos da essência, se encarregarão de lentamente, ir substituindo a matéria grosseira que a cobre. Ademais, que esta já está morta. Esta, guerreiro, é a tua maior batalha. Não deixes que a dor do que já passou, te impossibilite de ser. Senão, nem tu terás a tua amada, nem eu terei a minha menina. E ela já sofreu demais, te digo eu, dentro da expansão e afirmação, da forma sólida..

 

Taudus, depositou Laurema sobre a montanha de pedras de mil cores, que irradiavam em simultâneo, uma infinidade de tons, violeta, azul, amarelo, escarlate, verde, vermelho, ocre, púrpura, etc., que se encontrava perto de si e, de imediato, parecendo entender o propósito do Guerreiro Sagrado, envolveram o corpo inerte de Laurema, com tal intensidade, que o pequeno corpo, jazendo isento de vida, completamente inconsciente de si, parecia ser a fonte de toda a luz ali existente. Todas as cores do Universo pareciam estar presentes, naquele instante, como que chamadas a intervir, numa tarefa aparentemente de todo impossível.

 

O Sol, aumentando a intensidade da sua força, lançou seus raios vivos sobre o corpo de Laurema e com a sua fonte de calor, inesgotável, penetrou cada partícula, de que este era composto, retirando dele, a rigidez gélida que o possuía, e parecia insistir em permanecer nele para sempre.

 

Travava-se, ali, uma luta magnânima, sem equivalência, na Guerra dos Mundos Eternos, tal era a importância, do pequeno objecto, ali presente, que ia, enquanto as forças actuavam sobre si, revelando metamorfose atrás de metamorfose, que pareciam não ir ter fim. Centenas de formas, já extintas, iam-se manifestando por escassos segundos, no pequeno e insignificante, corpo. Matérias puras ou ainda no seu estado evolutivo, reagrupavam-se insolentes, mostrando todo o seu poder de continuidade, na transformação de si próprias. Mas, nenhuma força actuante, se subjugava, perante aquilo a que assistia. Continuavam expelindo de si mesmos, toda a natureza de que eram compostos e concentravam-na no Inimigo de sempre. Que, astuto e poderoso por todo o Cosmos Criado, tentava impedir, consciente do seu domínio, sobre a vida e sobre a morte, esta vontade, de todos eles realizarem, o aparentemente impossível.

Já as guerras tinham sido muitas e muitas mais se seguiriam, até ao momento decisivo, onde uma das Forças, seria definitivamente aniquilada, para se atemorizarem, com a afronta visível, ali mesmo, num pequeno corpo, manifestada. Ah! Se Laurema, não tivesse optado, pela suspensão, ela mesma podia intervir, ajudando a menos desgaste de todas as energias, de seus Entes. Mas, mesmo sem a sua ajuda, nenhum desistira, do seu propósito de a trazer à Vida, fazendo exactamente o oposto daquilo por que lutavam. Continuariam a introduzir em Laurema, energia suficiente, para que esta despertasse do sono profundo a que se votara, aprisionando dentro dela a Essência da Vida. Nem que, para isso, tivessem que sucumbir todos e correr o sério risco de serem diluídos e integrados, também na matéria, pelo Predador incansável. O grande criador de mundos materiais. O temor era grande, elementais e elementos, guardavam, no seu intimo, o medo do fracasso, mas nenhum deles, revelou, por um instante que fosse aos outros, o seu próprio temor. As guerras e batalhas ganhas por todos eles, nos mundos das formas, já solidificadas, tinham sido igualmente difíceis de vencer e nem sempre o haviam conseguido com sucesso, porque muitos elementais não tinham consciência da sua própria natureza e eram os inesgotáveis aliados, dos seus próprios inimigos. A Grande Força Criadora, geradora, de mundos quase eternos.

 

Aqui, lutava-se, não só por Laurema, mas também por um futuro distante, onde a possibilidade do Retorno à Origem, pudesse realmente, um dia, ser uma possibilidade para todos. Era por isto, que Taudus e todos os outros, combatiam à milhões de makróns de tempo, em todas as esferas existentes. No entanto, não estavam sós, estes destemidos guerreiros, que descuravam a sua própria protecção, para dar vida à morte, lutando deste modo, num processo nunca visto - a permissão voluntária e consciente, da vida na matéria deste pequeno corpo, de modo a poder continuar o seu processo embrionário, até à plena realização da matéria pura -, num sitio distante, onde o Tempo e o Espaço não tinham penetrado, naqueles gigantescos vértices, espalhados por todo o Universo misturado, que sendo visíveis, abririam uma infinidade de espirais igualmente, gigantescas, que desintegrariam em simultâneo, qualquer matéria que a eles se chegasse; muitos outros, sem ocuparem, o Tempo/Espaço, ali permaneciam, resguardados de qualquer usurpação e davam o seu contributo, intensificando toda a luz do que sobrara do universo brilhante, impedindo uma aproximação à Terra Dupla, dos fazedores dos mundos.

 

Lutava-se por todo o lado, para impedir este processo, tão necessário à expansão do eterno usurpador. E, enquanto tudo isto decorria, o equilíbrio, noutros lugares, perigava toda a Essência. A decisão de Laurema - por desespero de uma procura, quase que infinita, em busca do seu amado, que nunca houvera conseguido encontrar -, de permanecer indefinidamente no estado de inconsciência, tinha atirado todos, para uma possível derrota, que ninguém queria. Uma derrota, que integraria de uma vez por todas e definitivamente a Essência na composição da matéria, dando a esta o Pleno poder, desde sempre ambicionado. Além disso, abrir-se-ia a possibilidade de uma invasão ao local hermeticamente fechado, a única esperança de um Retorno Contínuo de todos os dispersos, por vários mundos e várias formas de vida. Não podiam permitir, que tal Caos acontecesse. Desde o início da unificação dos Dois Universos, num único Universo, que se pelejava por todo o lado, para impedir uma devastação maior da Essência do Ente. Tinham que o conseguir. Todos ambicionavam o regresso definitivo à sua Origem, por isso, teriam que sair vencedores, nesta confrontação de forças e trazê-la de volta, mesmo contra a sua vontade.
A matéria-inteligente, de que era composto o minúsculo corpo de Laurema, lutava desesperadamente para permanecer no seu estado embrionário, aguardando novas oportunidades de uma qualquer recriação, num qualquer local do Universo Uno. Se, conseguisse repelir toda a energia que estava insistentemente a ser-lhe dirigida, por Taudus e os restantes, Laurema, estaria perdida de vez e, incapaz da sua própria extinção, seriam todos integrados, no sistema da Criação.

 

Nunca Sol com o seu poder duplo de destruidor da matéria-viva e em simultâneo protector de todo o Ente, prisioneiro na matéria, dando e permitindo a vida, por saber que ela contém o seu bem mais precioso, o Ente, foi tão imprescindível como neste momento. Não a querendo destruir e sim preservá-la, aquecia o pequeno corpo, fazendo germinar a vida na morte, ali presente. O amarelo-brilhante e intenso, tentava dar vida ao corpo morto, mas sentia-se brutalmente empurrado para trás, sem conseguir uma abertura mínima no corpo de Laurema onde pudesse penetrar, para assim, a trazer de novo à vida. Era uma luta difícil, mas nenhum elemento parecia querer desistir.

 

Lahra olhava fixa os olhos fechados de Laurema, que parecia querer continuar inanimada, para que logo que estes se abrissem, os aprisionar nos seus e reter-lhe o pensamento, mantendo-o. Mas, sentia que no sono em que se encontrava, Laurema estava completamente inexistente, à mercê da matéria-inteligente que a rodeava, a aguardar que esta acordasse para a aprisionar sem demora noutra forma de vida.

 

Era difícil esta luta de mundos opostos e Laurema nem podia ajudar, pois não queria acordar com medo de ter que regressar à matéria. Só o amor de Taudus a poderia despertar deste sono de morte, e se, por escassos segundos, Laurema percebesse que havia encontrado o seu Senhor, nenhuma força do Universo a venceria, porque ele era a razão de seu Ser.

 

Taudus acarinhava seu rosto pequeno e, quando tudo parecia querer que Laurema dormiria eternamente, suspensa entre o existir e o não existir, Taudus despertou o Som-Do-Verbo dentro de si, utilizando a razão de sua existência.

 

 

(continua)


Saudades da D. BeataDaAldeia

amor, eu, ficção, livros

Sábado, 3 de Novembro de 2007

publicado por lazulli às 01:48


EscritoPorLazulli lazulli às 00:36
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