CasaDeCristal, lazulli, eu, mary paz, humanidade escravizada, a grande mãe, 2006, 1990, poesia. livros
Sábado, 31 de Janeiro de 2009

por infinito amor à palavra ...


 

quando a palavra

de qualquer modo pronunciada

não é honrada

é esquecida, desprezada e ignorada

por quem  dela faz mera utilização

de seus tortuosos desejos

 


não é digno do olhar dos deuses

nem do seu amor

sobre "ele"

este mero e indigno

utilizador da palavra dada

 


de nenhuma lealdade é merecedor

este traidor.

 


EscritoPorLazulli lazulli às 18:53
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 O que é?

Humanidade Escravizada (XIV)

 
 

 

(continuação)

 

 

 

 

 

Para nós terráqueos, filhos da Terra também ela submetida pelo homem que veio do céu, é melhor de uma vez por todas, sabermos quem de facto somos, do que pensarmos a vida toda que somos quem na realidade não somos. Não creio que a verdade sobre nós próprios, nos retire o poder de ser verdadeiros seres humanos, aquilo que já fomos no passado longínquo. Com a plena consciência e aceitação da nossa verdadeira natureza humana, teríamos a capacidade incrível de transformar este mundo num lugar digno de se viver, mostrando ao homem criado por Deus que os “animais” não só têm capacidade de se governarem a si próprios como também humanidade, coisa que lhes falta em doses demasiado elevadas, a eles, seres superiores em tudo. Depende de todos nós não continuarmos a permitir todo este mal entendido, de contrário, todas as explicações existentes – mórbidas e infantis –, continuarão a proliferar atravessando todos os séculos e todas as gentes e, os nossos pobres descendentes continuarão a ser escravos destes divinos mal amanhados. Devemos à humanidade futura uma oportunidade de libertação para que possa, verdadeiramente, ser feliz. Com determinação, exijamos a verdade. A nossa verdade. Continuando a ter medo do seu poder, que em nada nos tem ajudado a ser felizes, muito pelo contrário, não honramos a antiguidade. Não honramos os nossos valentes antepassados quando os combateram, aquando nos invadiram. Todo o sangue derramado desse tempo longínquo de nada serviu, porque hoje aceitamos este Deus e a sua corja, como se fosse nosso. E ainda lhe agradecemos por tão má existência. Depois de tanto tempo, com provas reais de toda a sua desumanidade, ainda se ouve no fim deste século, também marcado pela ignorância civilizacional, o grande e o pequeno, o rico e o pobre, o culto e o inculto dizer: «Meu Deus». Meu Deus! digo eu, quando os vejo criando fábulas imensas que têm o impressionante Poder do Verbo de que todos falam e ninguém entende. Capaz de fazer acreditar o mais prevenido dos homens. O assombro que sinto por tanta ignorância, que vai dos níveis mais instruídos aos mais baixos de formação, espantam-me! Todos carecem da vontade de querer saber a verdade de si próprios, como se esta não lhes fosse necessária. Assusta-me tanta ignorância e mais os assustará a eles, um dia, quando souberem a verdade sobre si próprios. E, como será evidente, sempre que tiverem contacto com a verdade, morrerão de novo e não sairão do ciclo eterno da existência, rodando nesta roda do destino Criado, este sim, por alguém, sem terem hipótese alguma de se libertarem e de se encontrarem. E, quando chegar o momento do confronto inevitável com a verdade, provavelmente muitos estarão já definitivamente perdidos ou mesmo não mais farão parte de algo... De qualquer modo, continuam a existir os que mantêm dentro de si a centelha da essência da vida e não sei como farão para entenderem a verdade de si mesmos. Enfurece-me que tenha sido e continue a ser assim, porque vejo a Humanidade, excepto no que diz respeito à matéria que os cobre (onde estão mais aptos a respostas concretas e que nem por isso são as mais profundas), a nascer e a morrer todos os dias, sem entender o seu nascimento e a sua morte e sem saber mais do que o seu nome, sobre si próprios, preferindo, assim, aceitar as mais variadas teorias que existem sobre a existência do Homem, todas elas unânimes no que refere ao valor sagrado da vida como sendo o maior bem da Humanidade. E, assim sendo, há que preserva-la a qualquer preço: e como cordeiros, todos em conjunto, dão razão a esta existência sem sentido, que alguém está interessado em perpetuar, sabe-se lá porque razão.

 

(continua)

 


actualidade, ensaio, homem, livros, vida

publicado por lazulli às 15:27 - 2007

SintoMe: ... preocupada com a falta de verdade da raça-humana

EscritoPorLazulli lazulli às 16:12
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 O que é?
Domingo, 25 de Janeiro de 2009

brumas

 

 

 

... entreumeoutromundo

 

 

 

 

... o silêncio de quem espera

 

 

 

 

 

... por

 


 

 

 

 

 

... nada

 

 

 

... nas brumas

 

 

 

 

 

 

DoTempo.

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EscritoPorLazulli lazulli às 20:00
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 O que é?
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Vim aqui por ti

 

 

 

Chamar-te

Guardar-te

Amar-te.

Dizer-te

A verdade sobre ti

Mas perdi

Cheguei tarde

Todos os dias

Os deuses

Choram a tua perda

Reclamam

O teu Ser perdido

Atormentam-me

Com o meu fracasso

Diz-me quem foi que te roubou

Quem te matou

O Ser

Diz-me porquê.

 

(Agosto de 1992)

 

 

igual a sempre

poema, poemas, poesia

publicado por lazulli às 10:35

em 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 10:16
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 O que é?
Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Humanidade Escravizada (XIII)


 

(continuação)

 


Se os semelhantes ao Homem, em vez de quererem ser seus iguais, até porque nunca o serão, pensassem, talvez pelo menos as milhões de espécies que existem, pudessem vir a ser tratadas com mais humanidade em vez de termos que continuar a assistir a torturas constantes de seres indefesos para deleite e consumo dos homens. Tanto os semelhantes ao homem como os que deles descendem, deveriam aprender a ler e a perceber que afinal não são para Deus tão importantes quanto pensam. Quem sabe, assim, a sua existência possa vir a ser melhorada, em vez de serem escravos eternos de um poder maior e venham até a ser temidos e respeitados por estes poderosos intrusos, conquistando pelo verdadeiro saber e consciência a igualdade com estes senhores do céu, em vez de aceitarem a escravatura eterna que eles nos impuseram. Talvez lhes pudessem vir a ensinar: Verdade, Justiça, Amor e Liberdade. Porque desde o início da sua intrusão na Terra, não respeitando a nossa inferioridade, ensinaram-nos exactamente o oposto, transformando-nos naquilo que sempre desejaram para nós: Bestialidade. Não somos bestas. Somos seres humanos. De 2ª e 3ª categoria é certo. Mas seres humanos. Embora, neste ano que decorre de 2003, a actual prática de vida, de todos nós, nos diga que «eles» atingiram os seus objectivos de nos bestializarem. Crimes consecutivos que são praticados diariamente sobre tudo e todos. A insanidade e indiferença que nos caracteriza neste momento, dá-lhes razão. Só nos preocupamos com nós mesmos, e mal. Não lutamos pela verdade ou justiça e sim permitimos tudo quanto eles fazem, e ainda os ajudamos a crucificarmos-nos a todos. Será que eles conseguiram bestializar-nos? Será que dentro de nós não resta nada de humano? O medo da má sobrevivência nesta vida sem sentido, leva-nos a uma agressividade tal que daqui a pouco nem nos reconhecemos. É preciso, todos em conjunto, despertar e começar a recuperar a nossa humanidade, que não sendo divina, é melhor que a deles. Em vez de querer ser filhos de Deus, seria bem melhor para nós aceitarmos a nossa condição de meros humanos e mostrar-lhes que não só não precisamos deles para nada, como também não os queremos mais a interferir na nossa vida, que viveremos segundo a nossa própria natureza e condição.

 

(continua)

 

leve

ensaio, homem, livros. mulher, vida

publicado por lazulli às 10:21

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

SintoMe: ... olhando o mundo apreensiva

EscritoPorLazulli lazulli às 09:56
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 O que é?
Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (2)

 

 

II

 

 

(continuação)

 

 

Caminhou lenta e desinteressadamente por entre a luxuriante vegetação, sem saber para onde ia, sempre acompanhada na sua silenciosa ida sem destino, por todos os elementos vivos que faziam questão de também silenciosamente, como que a respeitar os seus pesados pensamentos, condoídos com as expressões de seu rosto, que iam alternando consoante a memória lhe punha como que um flach mental no centro da testa, fazendo-a quase que visualizar todas as memórias que a preenchiam. Desde à realidade vivida ou assistida, como também às inúmeras "manifestações" de outros mundos que insistiram sempre em se fazer presentes, para que deles nunca tivesse dúvidas. Realmente dúvidas depois de tudo, nunca poderia ter. Mas tinha com certeza, depois de tudo, angústia e revolta por tanto que foi nada. Tudo acontecera. Tudo fora permitido. Tudo fora ignorado, por uns e outros. E nada depois de tudo, tinha impedido o que aconteceu.

Parava por segundos, acusando no seu íntimo aqueles que não se viam. Culpava-os a par dos homens, da tristeza de um mundo decadente. Ao lembrar-se do mundo de onde tinha fugido, perguntava-lhes em silêncio quantas almas ainda teriam que nascer, nestes e noutros mundos, até que a Verdade se revelasse? Quantos ainda teriam que viver vidas não suas, até que finalmente a luta tivesse um fim? Quantos tempos ainda esperavam manter? Para ela, que era coisa tão pequena, o suplício teria acabado para todos numa Guerra Aberta onde todos soubessem quem era quem. Tê-la-ia preferido, ao Sofrimento eterno a que todos estavam sujeitos.

Enquanto caminhava sobre pétalas aveludadas que lhe amaciavam os pés descalços e gotículas lançadas dos cursos de água prateada que circundavam todas as belas plantas de mil cores, como que a tentar desperta-la de tão maus pensamentos, não se sentia melhor do que antes, neste mundo inigualável. A dor permanecia imutável. Caminhava porque tinha pressa de encontrar todos aqueles que sabiam. Tinha pressa de lhes perguntar porquê. Porque se demoravam tanto? Na Terra de onde saíra, o sofrimento humano continuava. Os carrascos do homem continuavam vivos. Tinha pressa de chegar a qualquer lado. Tinha pressa de falar aquilo a que seus olhos assistiram e sua alma magoada absorvera. Mas onde estavam eles? Porque não actuavam? Porque insistiam em mantê-la viva? Porquê?

Se eram armas que precisavam. De que tipo? As criadas pelos homens com certeza não seriam. Essas só adiavam o ressurgir da matéria ao longo dos tempos e cada vez mais desenvolvida. Mais evoluída. Mais perfeita. Mas se existiam outras, porque não as utilizavam ou davam meios de utilização a toda a essência dispersa de modo a pelo menos terem a chance, mesmo no combate de viver ou morrer, de se libertaram para sempre? Não era isso que se fazia por toda a parte? - Ou seria o entendimento do homem, o que esperavam?

Uma coisa ou outra, chegavam tarde a tudo. E isto, ela mesma, não lhes perdoaria. Sempre estivera ao seu dispor. Quanto sacrifício. Quanta dor para nada. Apenas a certeza da sua incapacidade e impotência perante um mundo muito maior que ela. De que lhe tinha valido saber a verdade? De nada! Porque eles continuavam a pelejar em mundos que consideravam mais urgentes ou perigosos para a essência universal, tentando reconquistar o já perdido. Mas esqueceram-se exactamente daquele onde o Ente evolui para tudo menos para si próprio. Assim... nunca o retorno aconteceria. Com o seu descuido, criaram a maior força do universo. Era aqui que o perigo estava, não nos mundos já perdidos e ocupados pelos parasitas do universo, cada vez mais fortalecidos.


EscritoPorLazulli lazulli às 20:24
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 O que é?
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Esperança...


 

 

 
O que se esquece que existiu ou pode ainda existir:
 
 
Esperança no além que se torna cada vez mais longínquo,
 
 
Ficando um espaço infindo de agonia.
 
 
Ouço os murmúrios dos primórdios dos tempos,
 
 
Sussurrar-me o mundo eterno e imutável
 
 
Da existência do Homem na Terra.
 
 
Diz-me para viver...
 
 
E a vida impede-me de o fazer.
 
 
Diz-me para sorrir...
 
 
E as lágrimas afogam-me
 
Numa existência triste e sem sentido.

 


eu, poema, poemas, poesia

publicado por lazulli às 17:37
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

 

 


EscritoPorLazulli lazulli às 23:23
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 O que é?

Humanidade Escravizada (XII)

(continuação)



Criados, gerados e engendrados

 

 

 

 

 
Como se levou o homem ao esquecimento de si próprio e do seu passado remoto, que ameaça ser sem retorno? A primeira ideia – pelo menos de que tenho memória – foi de que tudo teve início quando se decidiu que todo o homem descendia de um Deus único e poderoso, capaz de amar e castigar justamente. E logo todos os injustos se sentiram bem com esta profecia que nunca se cumpriu. Tinham para amar um pai misericordioso que os recompensaria com uma vida melhor, bastava que qualquer baixo instinto dissesse pura e simplesmente: Eu acredito. Mas quem é que não acredita quando lhe convém?! Ao saberem que foi este Deus que os fez, lhes deu a Terra para viver e os dotou do Poder sobre as outras espécies, permitiu-lhes, na sua arrogância de legítimos donos da Terra, feitos à imagem e semelhança deste fantástico Deus permissivo, que milénios de existência, de engano e mentira fossem ficando para trás, impunes, sem que nenhuma alteração de fundo se fizesse para que o homem pelo menos tentasse ter um maior entendimento de si próprio e de todos os outros viventes. Claro que se Deus fez o Homem e o Homem fez o semelhante a si mesmo e o semelhante ao Homem fez o semelhante a si próprio, tanto «o verdadeiro homem», como «o filho do homem» e ainda «a semente do filho do homem», no processo de criação, todos copiaram os seus criadores. A partir do momento que os Criados (por Deus), os «gerados» (pelo homem) e os engendrados, seguiram as directrizes que receberam de cada um dos seus criadores, não só tudo foi como é permissivo, tanto por Deus para com os Homens, como pelos Homens para com o semelhante a ele mesmo.
A partir do momento em que o Homem acredita cegamente na interpretação bíblica feita por outros – que é filho de Deus e por isso mesmo tem o direito de submeter e dominar a Terra, tendo-lhe sido oferecido como alimento tudo o que tem movimento e vida (Génesis 9, 1-17) – em vez de ele mesmo ir verificar se a interpretação corresponde ou não ao que está lá escrito, acreditará sempre numa verdade inexistente, tanto para a sua origem como também para a razão da sua existência. Mas, está ao alcance de qualquer um perceber, já não digo a origem do homem, mas pelo menos, o porquê do sofrimento da humanidade. Se nos limitarmos apenas e unicamente ao que está escrito, será de perguntar aos autorizados e credenciados teólogos, quem são os homens criados por Deus e quem são os animais e, já agora, de que se deviam todos ter alimentado ao longo dos tempos. Ler sem esforço e com atenção, no Antigo Testamento, o pequeno relato bíblico do Génesis, teria levado qualquer ser humano a perceber que tem vivido completamente enganado sobre a sua verdadeira origem. Parece-me que o homem mencionado por Deus, criado à sua imagem e semelhança, não são todos como nos querem fazer crer. E a realidade da existência humana assim o confirma, quando o homem criado por e à imagem e semelhança de Deus (o homem verdadeiro) tem o poder de dominar a seu bel-prazer todas as espécies do céu, da terra, do mar e animais vivos segundo a espécie da própria terra, – que também tem autoridade para submeter – e concretiza há milénios este seu poder sobre todos os outros viventes que não têm a mesma ascendência que ele tem. Continuam a humilhar, a comer e a utilizar todas as espécies e o seu semelhante «não igual» de um modo bárbaro e inumano. Não são eles os seres superiores? Donos de tudo e de todos?



(continua)

 

indiferente
actualidade, ensaio, homem, livros, vida

publicado por lazulli às 15:11
Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

 

SintoMe: ... com Esperança no Homem de Verdade para combater esta Pérfida Civilização Tanto Espiritual como T

EscritoPorLazulli lazulli às 11:36
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 O que é?
Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Mary Paz - Segundo Capítulo (1)



Segundo Capítulo

 

 

I

 

 

 


A água corria já a uns centímetros de si quando a olhou de perto e, seus lábios secos, gretados e sedentos, não tinham coragem de lhe tocar. Medo até que o sonho, o mais lindo sonho que tivera, se desfizesse ao mais leve contacto.

Foi aproximando lentamente a boca, da mais cristalina água que até ali seus olhos haviam visto e bebeu suavemente, até saciar a sede que a consumia por dentro.

Ficou dias e dias junto ao riacho, bebendo da sua água de delicados raios prateados que se reflectiam à superfície quando o sol a tocava e comendo de um fruto vermelho-vivo que nascia rente à terra e se espalhava delicadamente por entre um verde claro de uma vegetação luxuriante e aveludada, sem se decidir percorrer a Terra, onde acidentalmente tinha entrado.

Até esse momento, tinha-se ocupado, a rever na memória, todo um passado totalmente extinto, que tinha ficado para trás. Em cada minuto que ia passando, mais lhe parecia que nunca tinha existido nada antes, senão estes momentos. Nunca outra vida e outra Terra.

Os dias, eternos, iam-se sucedendo ininterruptos, como se a Natureza comunicasse entre si e soubesse conjugar as suas forças, tornando-as afáveis e duradoiras. Laços de amizade entrecruzavam-se imperceptivelmente, dando ao ar o papel de transmissor e receptor destas forças vivas, que parecem ter em si o “dom” da inteligência e da comunicação. O Sol, permanente, parecia querer brincar com os seus escassos cabelos, envolvendo-os numa auréola de luz que a deixava estupefacta. Mas recomeçava a sentir-se capaz de raciocinar e a perceber o que a cercava, não deixando mesmo assim, de sentir uma incompreensão crescente por este lugar. Não obstante tudo o que vira e sentira até ali, a verdade é que o enigma prevalecia. Onde estaria, ela? Num mundo só seu? Mas para que queria ela um mundo, que de uma forma ou de outra, é existência?! Parecia que os deuses, não mais tinham que lhe reservar um mundo, num lugar onde o seu espírito conturbado, pudesse ser isolado de todos os demais, pois que para além das borboletas e libélulas de asas aveludadas e rendilhadas, de gordas abelhas azuis e pretas, nem os mortos nem os vivos, ela era capaz de deslumbrar, aqui. O único ser vivo ali era ela, embora sentisse nitidamente dentro de si que esta não era verdade.

Toda a natureza parecia observar calmamente. Aguardar silenciosa a sua reconstituição física e mental, como se à espera que ela acordasse de um sono profundo, mas com esperança do seu regresso à vida. Por instantes, Mary ficava a olhar absorta as plantas que brincavam rente à terra, como se soubesse ser possível a qualquer momento, elas pegarem-na pela mão e conduzirem-na para qualquer lugar. Eram tão expressivas as plantas deste mundo estranho e enigmático, que quase lhes ouvia o sussurro entre si aquando de sua passagem por entre elas, como se acusando a sua chegada.


 

(continua)

ficção, livros

publicado por lazulli às 11:41

Setembro 2007


EscritoPorLazulli lazulli às 00:08
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 O que é?
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Deuses De Barro

 

 

 

Já não há vida na minha alma

ou morte que a acalente

apenas a visão de um mundo doente

empobrecido pelo ter

e não pelo ser.

 

 

Chora-me a alma toda

de um pranto nunca seco

olho o firmamento antes amado

e interrogo os céus hoje distantes

e me pergunto porquê.

 

 

Folha de inverno permanente

arrastada por ventos frios e cinzentos

como este dia

sem cor.

 

 

Àh deuses já nada espero

de vós

porque me abandonastes

depois do que me prometestes.

 

 

Nem por vós

nem por nós

por eles esperarei sempre

com as lágrimas caídas da minha voz.

 

 

Não tenho mais sonhos

nem certezas

muito menos vontades

tenho a alma doente

e quererei um dia

morrer eternamente.

 

 

A verdade ficou presa

o Céu caiu à Terra

e eu olho atenta e indiferente

o mundo em conflito permanente.

 

 

Oiço as vozes que aos milhões

apregoam os valores

e dignidades inexistentes

de todos os lados resistentes

como duras cordas presas ao ente.

 

 

Não há um novo tempo permitido

nem novas esperanças para o ente

não há um Amor definido

nesta longa história permanente.

 

 

Existis vós

do outro lado

indiferentes

existo eu presa no Tempo

com a alma triste e doente

indiferente.

 

 

Não existem mais lutas

só pensamentos desejo

nas vozes que se fazem ouvir

por todo o planeta ilusão

dos sentidos persistentes.

 

 

Esperei por vós

acreditei em vós

Vi-vos Ouvi-vos Senti-vos

planei por vossos mundos

fui peça partilhada e salva

por vós

amada e protegida humana

de deuses descontentes

cambraia mil vezes dobrada

por todos que se julgavam ascendentes

e teríeis vós

todos esses direitos

sobre tão pequena criatura?

lutastes usando-me

de um e do outro lado

indiferentes à dor que provocáveis

sois todos iguais

e pior que os humanos

e eu não vos amo mais

porque o vosso engodo é grande

maior do que o dos humanos

e eu continuo só

no vosso maldito universo

sempre em expansão

porque ambos

quereis viver

eternamente.

 

Por isso vos digo

meus amados

que morrerei antes de viver

para vos mostrar

a quietude da minha alma triste

que nem vós

por entre tanta grandeza

tendes capacidade de entender ou absorver

sois mais pequenos que todos nós

na vossa imensa grandeza e poder

sois o nada que me habita

a alma fechada

deste modo hoje e sempre

far-vos-ei sentir

que o mundo porque zelais

não vale nada

nem que nele habitais

sobre vários modos e formas indecifráveis

eu sei

vós sabeis

e eles nunca saberão

não por mim

porque me fartei de vós e deles

a vossa sabedoria é pequena para mim

a deles é grande demais

para alma tão insignificante

e de aprendizagem insuficiente

num mundo de tanto sábio

eruditos

na porcaria de mundo que criásteis

permitistes e apoiastes

nas quimeras mil

que levam eternamente ao nada

enganásteis-vos na vossa escolha

entre eles

muitos há

que com bom e elevado agrado

cumprirão vossos desígnios

eu não

não quero nenhum de vós

nenhum deles

e muito menos nenhum dos outros

só me quero a mim

contra todos vós

aqui, ali e além

serei a vossa maior inimiga

já que o Tempo não existe

e a morte muito menos

já que eu posso voar em todos os céus

e atravessar as duas terras

ou me deixais em paz

para ser nada

ou eu mesma me vingarei

se insistirdes em me fazer existir

não quero nem o vosso

nem o mundo deles

quero-me só a mim mesma

e isso eu terei

procurai com pressa outro iluminado

a Terra tem-nos aos milhares

dispostos a servir-vos os iludidos

aproveitai enquanto existem

cientes de vós

porque não vos conhecem a todos

como eu vos conheço a vós.

 

Escusais de chorar

a minha perda

porque não fui pertencer

nem a um nem a outro lado

escusais de gritar as dores do vosso e do mundo deles

porque eu não sou de ninguém

olhai vós o que fizestes

se quiserdes

senão

vivei eternamente amargurando o vosso pranto

porque foi com a Vossa Sapiência

o que me desteis a mim

e hoje só faço retribuir

a dor que me provocastes

eles amam-vos sem vos conhecer

eu não amo ninguém

foi o que vocês fizestes

da Vossa Sublime Promessa

se ela afinal não existe ou não pode existir

para mim

que tenho que suportar

todas as dores do Vosso mundo

daquele que tem leis

que nem minhas são

mas úteis aos vossos intentos de preservação

para com tudo e todos

então

a promessa morrerá comigo

sem ela eu não existo

sem mim

ela também não existirá.

 

 

 

 

Não me mudareis

os intentos

porque a Promessa

era a minha única razão

a única que me fez cair

me fez ficar

me fez chorar

a minha única vida

ela foi mais do que vós

e vossos intentos

para mim

com ela tudo

sem ela nada

sempre ela esteve à frente de qualquer um de vós

não devíeis ter impedido

o reconhecimento

da Promessa eterna

hoje viro-me contra vós

e paro para sempre

o vosso mundo eterno

deixo-o eternamente estagnado

eu perco

vós perdeis

e eles perderão

para sempre

prometo-vos.

 

 

Não acredito mais em vós

não me interessa quando chegardes

para mim vindes tarde

porque eu já não sou.

 

 

Muitos serão

aquilo que vos agrada

nada!

 

 

Nada farei pela verdade

apenas serei

a verdade

minha

única

imutável

eternamente fechada

nenhuma espada abrirá

as portas do mundo

fechado outrora

os deuses são burros

mais do que os humanos

que deles descendem.

 

 

Vivei e morrei

nas vossas ilusões

mas comigo

não contareis.

 

 

Porque hoje eu choro a verdade

e só a vós responsabilizo.

 

 

Existi para mim mais do que o suficiente

e assisti à transformação do nada em tudo

do vosso inútil mundo

onde a alma continua presa e triste

fechada no sonho

de ser livre e amada

recompensada.

burra

que insiste

naquilo que nada tem de seu

e dá armas ao mundo criado

tornando-se presa eterna de todos os poderes

sentindo uma coisa

e fazendo sempre eternamente

uma outra coisa.

 

 

Livre e amada

com as coisas do mundo

que não lhe são nada

estará sempre longe de si mesma

chorando e rindo

querendo acreditar

num mundo inexistente

e nas recompensas

que nunca existirão

porque são peças de um jogo

maior que todos

mais pérfido que o pérfido que se conhece.

 

 

 

Malditos sejam todos os poderes

da terra e do céu

malditos sejam as vossas lutas inúteis

e todos os vossos quereres

onde o Amor

não tem lugar.

 

 

Não julgueis que me convencestes ou vencestes

não julgueis que fiquei mais feliz ou infeliz

ou que finalmente decidi

não! mais do que nunca apenas sou

nada!

e será neste nada que vos observarei

indiferente

a uns e a outros.

 

 

não devíeis ter deixado

que o meu céu

à Terra caísse

esperando com isso que eu decidisse

porque aconteceu

o que mesmo vós não previstes.

 

 

Hoje entre o tudo e o nada

apenas

eu já não existo.

 

 

Podem continuar a cair as vossas terras

e os céus podem continuar adormecidos

porque eu agora olho-os triste mas sem sentir

e não mais me interrogo

porque me traístes.

 

 

Amasteis-me e eu amei-vos

acalentei-me do vosso amor

senti as vossas provas

os vossos toques

reais.

 

 

Mas não vos amo mais.

 

 

Porque o prometido

era mesmo o prometido

e sem o prometido

é contra vós que me viro

não contra eles

o que tanto

esperasteis.

 

 

Esperai então biliões de anos mais

e mesmo assim

não me convencereis

porque a promessa para mim

era mesma o meu maior amor

a minha maior certeza

a minha única determinação de existência

para mim

era maior que vós mesmos

não a devíeis ter feito cair

à Terra

eu não vos chegava?!

 

 

Ficai sós como eu fiquei

quando a Promessa que me fizesteis se desvaneceu

culpo a vida inútil que permitis

que acima do ente permanece

destruindo toda a alma humana

com valores e conceitos

que não são delas.

 

 

Eu sei e vós sabeis de mim

mas não devíeis ter permitido

que o valor da existência

atravessasse meu caminho

sobrepondo-se ao meu destino.

 

 

Não me tendes mais

nem quero mais certezas ou promessas

serei doravante observadora constante

de ambos os lados

apenas e só apenas os olhos mudos que falam

olharão para sempre triste

a verdade para sempre

nunca revelada.

 

 

De um amor eterno e para sempre ausente

de mim.

 


EscritoPorLazulli lazulli às 01:50
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