Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Humanidade Escravizada (XXX)

 

 

 

XXX

 

 

 

 

 

Este Deus não me convence e digo-lhes que não tenho medo absolutamente nenhum dele, eu tenho é medo deles, porque foram Eles que inventaram todas estas leis com a cobertura de Deus, mas não foi ele que os autorizou a nada disto, nada! Além disso, nem tão pouco sei a cor deste Deus de quem todos Eles falam ou melhor, ainda não sei que raças pôs ele na Terra. A única coisa que sei, como nascida no Continente Europeu, é que o Deus da Europa fez o Adão e a Eva brancos e, como foram os únicos viventes Criados por sua ­Senhoria Deus, as outras raças não existem, são mero fruto da nossa imaginação colectiva. Deve ser por isso que são tratados abaixo de cão e mortos sem o mínimo de consideração humana. Afinal, o Deus, não só da Terra mas também do Universo (que ousadia), só fez um homem e uma mulher e não os fez de várias cores. Por isso, quem são os outros? O que são? Provavelmente inferiores, escravos com que o seu senhor os presenteou, de modo a que não gastassem a sua preciosa energia na força do trabalho que tanto apregoam ser necessário, e contra isto nada. Para sobreviver é realmente necessário trabalhar mas, como é evidente, não para eles que tiveram o privilégio de receber para seus vassalos, raças e seres inferiores, que infelizmente para Eles, em muito se lhes assemelham, não só na sua forma humana, como também na sua mente pensante que tanto lhes custou a admitir. Digamos que a bondade do seu senhor se transformou num erro crasso para aqueles que, apesar da sua cor ou condição, não os distingue de todos Eles. Um dos erros que cometeram na criação desta civilização forjada, com base na tal origem inexplicável, de descendermos todos de um único Deus, leva-os agora a encontrarem-se num beco sem saída. Não saberão explicar como é que acreditando nisto, conseguiram escravizar todos aqueles, que era suposto serem seus irmãos. Tanto os de raça diferente da sua, assim como os da sua própria raça. Filhos do mesmo Pai que tanto veneram desde o princípio. Mas que, pelos vistos, os não impediu de aperfeiçoar a escravatura adaptando-a a todas as épocas, chegando ao cúmulo de até as crianças não serem poupadas para servir os seus maquiavélicos instintos. Como podem, então, continuar a dizer-nos: Todos diferentes, todos iguais? Deviam dizer: Todos iguais, todos diferentes, pois é realmente assim que pensam e agem. O pior de tudo é que construíram uma civilização por cima de premissas erradas: Ou não é verdade que esse seu Deus, que fez o Céu e a Terra, fez um homem e uma mulher de onde descendem todas as criaturas humanas? Se assim fosse, não teriam eles que ser de uma única raça? Mas na Terra existem e sempre existiram tantas raças que seria de perguntar quantos Adões e quantas Evas o Senhor cá pôs como semente para povoamento ou repovoamento da Terra. Fizeram-nos crer, por tanto tempo, que Deus fez unicamente um homem e uma mulher que deram origem a biliões de homens e mulheres, que não terão nunca resposta a perguntas tão simples. Com esta sua atitude ao longo dos tempos, por certo esperavam que os homens não tivessem nunca o acesso à ciência que os desmascararia, como acabou por acontecer. Por isso mesmo, neste momento nenhum deles menciona este assunto tão importante, porque seria demasiado incómodo ter que explicar porque tiveram necessidade de mentir à humanidade. E, com certeza, isso poderia levar as pessoas a pensar que esta mentira civilizacional, aparentemente inofensiva, não é a única. ­Habilmente, nenhum deles comenta este seu erro, para que as mentes humanas continuem adormecidas. Mas até quando? Até quando o seu silêncio medroso se manterá? Penso que só manterão o silêncio e a indiferença dos outros até ao dia em que o ser humano se torne digno de verdade e, aí, muito se espantarão ao descobrirem que afinal o ser humano até é inteligente e finalmente despertou deste sono meio perpétuo que o tem entorpecido em relação à sua verdadeira origem e aos seus verdadeiros direitos de ser humano, que é ser dono da Terra tanto quanto Eles. É que, quer queiram ou não, o Universo não é dono de nada e de ninguém e também não quer escravos para nada; aquilo que se pretende é exactamente reconstituir o reino da essência e voltar a unir o que um dia foi desunido, desunindo aquilo que se encontra unido. As leis da Terra são completamente insignificantes comparadas com todo o Universo sensível. Ninguém, mas ninguém, quer a humanidade submissa. Cheia de medos e pavores. Ninguém, a não ser apenas Eles, pretende ser adorado na Terra seja por quem for. O que realmente se pretende é que o ser humano deixe de ser um escravo da existência e lute para ser feliz. Isto ele conseguirá de verdade, quando se guiar pelo mais profundo do seu íntimo, abolindo de vez com todas as leis que imperam na Terra, feitas por todos Eles, para servir única e exclusivamente os seus interesses comuns e que só têm servido para destruir a humanidade cada vez mais.

 

penso: doente

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publicado por lazulli às 23:39

Quarta-feira, 4 de Junho de 2008


EscritoPorLazulli lazulli às 23:41
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