Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

"São lágrimas, meu amado senhor, são lágrimas."

 

 

CANTO III

 

 

 

 

Senhor, vos digo que são lágrimas .

 

 

Lágrimas que guardei

neste deambular

sem fim

por vossos jardins

e afins.

 

 

 

Acreditei

que guardando-as

junto a meu peito

fechadas em minhas mãos

nelas recolheria tuas promessas

e o sentido

de vossas palavras

em tempo ido.

 

 

 

E...

enquanto vagueava

perdida

por vossos jardins

secretos

mistérios da vida

belos e estranhos

envoltos em magia

e fantasias mil

inúmeras vezes

recebi a mesma morte

na subtileza

de mil tormentos incompreensíveis

recolhi lágrimas

lágrimas que guardei

com reverência

no esquecimento

de mim mesma.

 

 

 

Perdoai-me amado meu

inadvertidamente

recolhi todas as lágrimas

também essas

guardo comigo

para que o mal não se espalhe

e atinja Vossa Torre de marfim

fria e gélida

inacessível

a uma pequena viajante

do Tempo

Encoberto

que tudo guarda

e tudo vê.

 

 

 

Perco o amor de meu amado senhor

por guardar em minhas mãos

todas as lágrimas que magoam

ou podem magoar?!

 

 

 

Perdoai-me

mas não me pedis

tamanho sacrifício

pois com sacrifício as guardei

e em mim as mantenho

por meu eterno afecto

aprisionadas.

 

 

 

Não posso senhor

fazer vossa vontade

porque são mesmo lágrimas

o que retenho

guardado em minhas mãos

desde que aqui cheguei.

 

 

 

Não é prata senhor

muito menos palavras

como aquelas que bem conheceis

as vãs

esses raros bens

eu não possuo

só possuo minhas mãos

que bem conheceis

e o que nelas guardei

as lágrimas.

 

 

 

Por Vossa Graça e mercê

Senhora minha

alma da minha alma

sabereis vós dar ouvidos

a quem sempre vos ouviu

atendendo

ao pedido suplicante

deste nobre

peregrino

distante do seu mundo

e abrir

vossas delicadas mãos?!

 

 

 

Quero ver senhora

com os olhos

o que tão zelosamente guardais

em vossas mãos

hermeticamente seladas

só assim acreditarei

em vós

mostrai-me

o que trazeis guardado

numa concha impenetrável

que perturba os sentidos

persistência inútil e desnecessária

efémera.

 

 

 

Não tolero

mais demandas à luz da aurora

nem na noite oculta

quando a lua não se vai colocar

para a alumiar

não mais tanta demanda

em busca do impossível.

 

 

Senhora das mãos de prata

abri vossas mãos

mostrai-me o que elas contêm

para que possa ajuizar

o que realmente escondeis

se é que escondeis

alguma coisa.

 

 

Não acredito em Vós

nem naquilo que dizeis

mostrai o que trazeis

ordeno que obedeçais

minha paciência esgotada

Vos considera menos que nada

em que ficais

mostrais ou não mostrais?!

 

 

 

(Rendida ao pranto/apelo da alma de seu amado senhor, a senhora das mãos de prata de olhos erguidos em "frente" ao "rosto" sempre amado, tristemente, abre as suas delicadas mãos e, logo, delas jorram as águas inesgotáveis de luz argêntea que vão inundar o Jardim de seu amado senhor, para sempre. E... chora a sua desdita.)

 

 

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publicado por lazulli às 10:25

Sábado, 31 de Maio de 2008


EscritoPorLazulli lazulli às 21:37
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