Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Humanidade Escravizada (XXVIII)

 

XXVIII

 

 

 

 

Nunca lhes foi conveniente que o Homem pensasse por si mesmo porque, se o Homem pensasse, seria mais Homem, e ao ser mais Homem seria mais gente, que é o que ele é dentro de si mesmo. E ao ser mais gente, seria ele próprio equiparado a Deus, a Deus de verdade. Ao Ser divino que existe dentro de cada um, que sabe que continua a faltar-lhe algo, apesar de na vida ter conseguido praticamente tudo o que queria. Mas alguém andou mais depressa que o próprio Homem e ludibriou-o, dizendo-lhe que ele era filho de Deus; e, como assim, tinha um lugar garantido algures, que não tinha necessidade de procurar a verdade, porque esta só pertencia ao Pai e que o Pai sabia muito bem o que fazia, etc., etc., etc. Nunca o Homem soube como era este seu Pai súbito que tinha que venerar para não incorrer na sua fúria, nem tão pouco como procurar este seu Pai, que nunca conheceu, mais parecendo ter sido abandonado num Planeta atroz junto com outras espécies que lhe eram hostis. Este Pai de todos os Homens mais parece o seu padrasto, uma vez que, depois de todas as súplicas de dor, nunca se dignou socorrer os seus filhos, nem tão pouco para lhes dizer apenas: eu existo! Será mesmo porque ele não existe? Então, quem e o que é que existe no meio disto tudo? Nós existimos, disso não resta dúvida nenhuma (pelo menos no nosso conhecimento do que é a existência: «Penso, logo existo»), mas Ele, será que existe? Nunca ninguém o viu, daí que os pretensos iniciados tenham resolvido dizer que o Pai era o Filho e o Filho era o Pai, acrescentando um Espírito Santo que concretamente também ninguém sabe o que é. Mas de quem é a culpa de tanta incógnita? De Deus? Ou do próprio Homem? Estou em crer que a culpa é mesmo de alguns homens que sabiam bem o que pretendiam ao arranjar um Deus à medida das suas pretensões. Um Deus longínquo e inacessível com o qual só se pode ter contacto metafisicamente e que, se quiser ter a certeza da sua existência, terá que esperar pela morte para aí ter a possibilidade de se encontrar com este Deus. Ora, se não podermos comprovar a sua existência ou inexistência, nunca as intenções destes hábeis manipuladores de homens serão descobertas. É evidente que se existimos, tivemos a nossa Origem em algo ou (alguma coisa), o nosso pensamento embora não seja palpável é real. Existe. Mas daí a ser este estranho Deus a nos ter feito, sem outro objectivo que não fosse adorá-lo, vai uma distância inconcebível.

 

 

penso: Quem procura sempre encontra

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publicado por lazulli às 00:23
Sábado, 26 de Abril de 2008
(5) comentários

 


EscritoPorLazulli lazulli às 22:15
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