Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

"São lágrimas, senhor, são lágrimas."

 

Canto I

 


 



Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

 
 
 
 

libertai de vossas delicadas mãos

o que nelas aprisionais

tão carinhosamente

como se de um tesouro oculto

se tratasse.




Deixai meus olhos cansados

de tanto vos observar

do Alto da Torre

onde me encontro

oculta

por mil demónios

de muralhas inexpugnáveis

ver

o que escondeis

enquanto deambulais

por esses jardins afins

tão longe

e tão perto de mim.




Quais os segredos

que ocultais

nos vossos pálidos passeios

matinais

a vosso amado senhor

aquele por quem esperais

desde sempre

por quem fizestes juras

de amor eterno

povoando os sonhos

deste nobre cavaleiro

em vossa busca feérica

ferindo seu coração

de descontentamento.




Não o intrigueis mais

nas vossas caminhadas sem destino

não magoeis mais seu coração

com o mistério de vossas mãos

libertai delas

o que nelas aprisionais

para que ele possa de perto

ver com o que vos apoquentais

e assim poder dar sossego

ao coração amargurado

angustiado

por seu próprio pecado.

 



Mostrai o mistério

que contêm

e tão zelosamente guardais

lembrai-vos

Senhora das mãos de prata

que no vosso pranto

perdido

comove-o o enigma

de vosso amor

por cavaleiro sem dono

mas não senhor de seu próprio Destino

que do Alto da Torre de onde vos observa

é apoquentado com vosso constante delírio

vão e inerte devaneio

largado

nos jardins

desconhecidos

por vós.





Sofre

por vós

sofre

neste vosso deambular inútil

por jardins

que não são vossos

nem conheceis

porque vos torturais assim

magoando-o

lembrai-vos das palavras gravadas

daquelas em que vos guardei

para um outro Tempo

outro momento

um outro mundo.


 


Lembrai-vos

que vos amei

amada minha

mais do que podia

mais do que devia

mais do que me era permitido

pelo fatídico Destino

morro

por tal bênção

e ignóbil pecado

praticado sem razão

sem motivo

escondo-o de mim mesmo

p'ra esquecer o que vos fiz

e me refugio na Torre de marfim

de pedra fria

longe de vós

mas vós doce Senhora

continuais à vista de meus olhos

e confirmais a eles

o meu pecado

por vos ter

abandonado

à vossa sorte

depois da palavra dada

deste nobre e honrado cavaleiro

à hora

sem mácula.

nem pecado

que lhe atormentassem

o coração hoje

pesado.




Acreditais

Senhora minha

por isso aqui permaneceis

depois da ingratidão

que não mereceis

que este nobre cavaleiro

vos enganaria

algum dia

em que conta o tendes

depois das promessas

das garantias

das palavras que trocastes

de que aqui

vos queria para sempre

junto a si

porque aqui

sempre estaria

e está

amada Senhora

das mãos de prata

e está

em fraca mas dedicada

contemplação

oculta

à vossa espera

desde que o astro da luz

irradia sua doce melodia

até ao cair do dia

e para lá da luz eterna

quando se instalam trevas

do mundo por onde vagueia

cada vez mais perdido

em seus anseios

cada vez mais triste

mais só

por não a ter

por companhia.

 



Aqui zela por vós

em silêncio

mordendo o pó

do pecado que praticou

por amor

amor a vós

por acto tão nobre

vos pergunto

o que fazeis vagueando por aí

sem descanso

nos jardins que só a si pertencem

e de onde vos expulsou

indiferente

ignorando a ferida que provocou

pretendeis torturá-lo

com a vossa constante presença

para que se não esqueça de vós

e lembre sempre a falta

para convosco
Senhora

não o castigueis mais

e abri vossas sagradas mãos

e mostrai

o que guardais.




Procuro-vos

nos recantos do jardim

que meus olhos alcançam

lá da Torre

onde me escondo

mas sinto os vossos passos

constantes

em procura de mim

angustiado

quero acabar com vosso deambular

fantasmagórico

que ofusca vossos propósitos

e descansar os olhos

de tanta procura.

por isso vos peço

que me mostreis

o que escondeis de mim

que me faz acordar e adormecer em vós

sem mesmo entender

porquê

quando fui eu

que na minha própria transgressão

recolhi à minha inacessível Torre

e aqui vos abandonei

indiferente à vossa sorte

depois de vos ter prometido

que estaria sempre

a vosso lado

e vos protegeria

dos perigos

que estão

por todo o lado.



Mata-me a culpa

procuro desculpa

de meus insanos actos

torturo-me

com vossos passos inconstantes

firmes e sólidos

neste andar meio distraído

nesta entrega inerte

ao que não existe

nunca existiu

eram palavras

palavras vãs

sofismas espontâneos

de um cavaleiro andante

nada mais

então

porque vos torturais.




Ajudai-me

libertai-me

mostrai-me

Senhora minha

minha amada

porque caminhais dia e noite

por um jardim que não é vosso

quando eu habito a Torre

lá no Alto

Torre que nunca vos permiti

alcançar

vergonha do que vos fiz

mostrai-me

porque trazeis as mãos

colocadas sobre vosso peito

e não as soltais

preciso saber

o que escondeis.

 

 


Dizei-me Senhora minha

minha amada

das mãos de prata

que me deram a ternura imensa

do diferente e único sentir

dizei-me

o que guardais

não me tortureis mais

com esta incerteza

com esta dor que me afasta de vós

sou eu que vos imploro

que me digais

porquê

me procurais

e aqui permaneceis

para sempre

à vista

dos meus olhos

quando eu quero

esquecer

a minha própria alma

pelo que ela praticou em vós

depois

do que gentil e inocentemente

me destes.

 


 

 

Senhora das mãos de prata:

 




"são lágrimas, meu amado senhor, são lágrimas "

 

 

amor, canto, lágrimas, poema, tristeza, à falsa nobreza de sentimentos
publicado por lazulli às 16:46
Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

EscritoPorLazulli lazulli às 12:43
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