Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Humanidade Escravizada (XIX)

 


 

 
Segundo Capítulo



 

A imprecisão da história



 

 

O que com frequência registaram e registam – claro que no seu próprio interesse – em todos os anais da Terra foi e continuará a ser inútil para o entendimento da humanidade, por se encontrar de tal modo misturado, amalgamado e incompleto, que o tempo e o papel gasto em todo este processo ao longo dos tempos mais valera tê-lo aproveitado em causas mais dignas e mais sadias em proveito de toda a humanidade carenciada, em todos os dias da sua existência. Para quê continuarem a escrever um amontoado de letras se estas deixam de ter valor na verdade histórica que vivemos, tanto no passado como no futuro?

Que importa se um rei ou um ministro, ou ainda um clero qualquer, ocupou este ou aquele cargo, realizou este ou aquele feito, se isto nunca nos dá a veracidade do acontecimento? E de que vale sabermos o que aconteceu sobre determinada pessoa ou assunto, se continuarmos a desconhecer o verdadeiro porquê dos factos, a partir do momento que estes na maioria das vezes são omitidos ou apresentados às populações como provas ou motivos para a justificação da realização de algo, quando na verdade as razões e os motivos para fazerem alguma coisa são bem diferentes dos apresentados. Mas são as razões e os motivos apresentados às claras e não os que estão por trás deles, que vão ser registados na história escrita, apresentando-nos uma história falseada, pelos eternos vencedores.

Para quem nunca se debruçou sobre o que está escrito – e são muitos esses que, infelizmente, continuam a povoar este Planeta – é, com certeza, confuso o que tento, talvez em vão, transmitir sobre o nosso passado histórico. Mas também não é sobre o nosso passado histórico que relatam os escritos, mas sim sobre o passado histórico de cada um deles, sós ou como um todo. Os verdadeiros construtores de um determinado edifício grandioso, nunca são mencionados, quando são unicamente eles que põem de pé as grandes estruturas. Os nomes dos que caem no “campo de batalha”, só são mencionados individualmente, quando são sepultados num qualquer cemitério. Nunca é quem faz que fica registado como herói ou não, e sim quem manda fazer. As massas humanas existem para lhes dar glória ou não, como se não tivessem individualidade. Mas somos nós, todos nós, que continuaremos a ler a história deles, como se fosse a nossa própria história, sem entendermos nada que diga, de facto, a verdade sobre qualquer um de nós. Daí que não aprendemos e não melhoramos. Por isso, os erros do passado continuarão a ser os erros do futuro. Porque, como dizem e com bastante legitimidade: «o Homem continua hoje a cometer os mesmos erros que outros já cometeram no passado». Daí a história repetir-se. E, pergunto, não teria de se repetir, com toda esta história de um povo, que pouco ou nada nos diz sobre os erros ou as virtudes da humanidade, antes nos fala de guerras de bons e maus, onde a gente nunca sabe quem era o bom ou quem era o mau, porque isso depende da perspectiva de onde cada um se situa para analisar e registar o problema para as gerações vindouras? Uma história que também nos conta inúmeras vezes de indivíduos excepcionais que mataram para proteger o seu povo, sendo esta mesma protecção, quase sempre, a sua destruição emocional, física e económica. É que, em todos os tempos, tanto o Poder temporal ­(Estado) como o Poder espiritual (Igreja) adquiridos com base nas populações indefesas foram a capa sórdida e dissimulada que lhes permitiu a manipulação de toda a humanidade. A partir do momento em que um Poder tomava conta da alma e o outro do corpo, estavam criadas todas as condições para a manipulação mental e material do homem. Esta manipulação do ser humano por inteiro, permitiu-lhes a imposição de regras necessárias à sua estrutura social, da qual todos hoje nos lamentamos. Só lhes foi possível construir esta civilização, completamente falida tanto a nível mental como social, quando se intitularam ­donos e senhores da alma e do corpo do homem. Inventaram o Universo, a Lei, o entendimento dos homens e elegeram entre si o Deus que mais lhes conveio, ocultando assim a verdade, noutro tempo, bem evidente.

Mas, já lá vão tantos milénios de mentira e de engano, que os homens não chegarão jamais ao entendimento desta verdade camuflada, nem tão pouco ao entendimento de si próprios. Deixaram de ter o seu próprio pensamento e substituíram-no pelo dos homens eruditos, cheios de entendimentos sobre a vida que eles mesmo «criaram» ao «fazerem» os céus e a Terra e o «Homem» propriamente dito. Impingiram-nos uma História Universal pouco explícita e obscura, que nos fala do mito criado pelos primeiros Homens que habitaram a Terra, que me parece ser o Deus primeiro, e pelos vistos o último, porque é o único. Fizeram-no, criaram-no, perpetuaram-no e asseguraram-no com rituais actualizados com a aprendizagem que a razão lhes foi proporcionando ao longo dos tempos, para poderem explicar, de um modo convincente, a origem do Homem ao Homem, sem terem que entrar num campo mais verídico que lhes tiraria a primazia de senhores da Terra, quando já não foi ousadamente do Universo. A verdade é que nunca lhes interessou saber quem eram e sim quem seriam. Segundo todos estes eruditos, homens sábios e detentores da verdade, que têm vindo a pensar por todos nós, não nos permitindo ter um pensamento diferente do seu, porque eles estão credenciados para pensar as ideias que quiserem e nós não; parece que os homens pré-históricos criaram o mito, pela necessidade que tiveram de recorrer a alguém superior a eles, quando se viram confrontados com elementos naturais que não sabiam explicar racionalmente. Se, numa noite de terrível tempestade, eles viam os raios vindos do céu abaterem-se sobre as suas cabeças desprotegidas, logo deduziam que não estavam sozinhos e que o raio era Deus. Daí ser necessário acalmar este Deus irritado, oferecendo-lhe sacrifícios, de modo a acalmar a sua ira para que os poupasse da sua fúria, dos seus caprichos. Nasceram então os ritos que, com o passar dos tempos, se foram aperfeiçoando, tendo hoje a forma mais sofisticada de sempre.

 

 
penso: ... de novo em mim
dogmas, ensaio, homem, livros, morte, mulher, religião, vida

publicado por lazulli às 15:21

Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
(2) comentários

 


EscritoPorLazulli lazulli às 10:50
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